Apatia
11 Extra
Notas iniciais
Sexta feira, 16h36.
Byakuya estava entusiasmado. Após dar o seu ‘jeitinho’ de fazer as coisas, convenceu Renji a virar o submisso da noite. Vindo de Byakuya, Renji não tinha noção do que aconteceria entre quatro paredes. Talvez o capitão fosse sádico e iria chegar naquela cama com correntes, mordaças e coleiras. Ou então Byakuya seria o ativo mais açucarado de todos, com direito a sorvete no corpo e outras coisas a mais. Se bem que algo gelado no corpo continua sendo ligeiramente sádico, porém não deixa de ser uma boa ideia. Ao menos para Byakuya.
“Taichou...” Renji perguntou com certa esperança na voz.
“Não vou contar.” Byakuya não tirou os olhos do trabalho.
“Não é justo.” Renji fez bico e voltou a olhar para os intermináveis relatórios. Byakuya soltou uma risadinha baixa.
“Não tem graça se eu contar o que vai acontecer com você hoje, Renji.” Byakuya disse em tom divertido. O tenente roía as unhas de curiosidade.
“Trate de deixar essas unhas paradas, Renji. Acho que alguém vai precisar arranhar minhas costas hoje.”
Renji sorriu satisfeito.
O trabalho acabou com um Renji inquieto. Já tinha perguntado umas três vezes a Byakuya sobre seus planos para a noite, mas o capitão não respondia. O último já estava ficando revoltado de tanta impaciência.
“Taichou... Nem uma dica?”
“Mas que coisa, Renji.” O tom da voz do Kuchiki era o mais sério possível. Enquanto seu subordinado preparava-se para ir embora, Byakuya checou a porta e a trancou. Apoiou-se na porta e abaixou o rosto.
“O que pretende fazer, taichou?” Renji sorriu de leve. Seriam estes os planos de Byakuya?
“Apenas vou te punir um pouco. Só isso.”
“E... O que seria essa punição?” Byakuya foi à direção de Renji, mas seu alvo não era ele, não no momento. Em apenas um movimento com o braço, o capitão jogou todos os papeis e canetas daquela mesa no chão. Renji olhou atônito.
“Taich...” Foi impedido por Byakuya, com o dedo indicador posto em seus lábios.
“Calado. Agora trate de fazer tudo que eu mandar. Não que seja algo que você esteja desacostumado a fazer.” Um sorrisinho de escárnio completou as feições maliciosas do capitão. Renji ficou em silêncio.
Não por muito tempo.
Byakuya posicionou o seu corpo na frente do de Renji, que ficou encostado na borda da mesa. Sua respiração quente era sentida na pele tatuada do tenente lhe proporcionando alguns arrepios.
“Deite na mesa.” O Kuchiki ordenou. Meio sem jeito, o tenente apenas se ajeitou na mesa. Byakuya observou o ruivo com um olhar pensativo.
“Ótimo.” Byakuya começou a caminhar sobre a mesa. Após alguns instantes, se colocou sobre o corpo do subordinado, se apoiando com seus joelhos. Caso a mesa fosse um pouco menor, ele cairia.
“Byakuya...” Renji não pôde deixar de sorrir.
“Vou ter que mandar você se calar de novo?” Byakuya inclinou seu corpo, visando explorar a pouca área exposta pelo quimono preto de Renji. Colocou os lábios abaixo da clavícula direita e sugou a pele. A marca vermelha ficaria ali por uns dois dias. Não foi só isso. Impedindo Renji de mostrar qualquer reação com a marca feita por Byakuya, lambeu todo o percurso feito para chegar ao pescoço do tenente e mordeu, puxando logo em seguida. Renji soltou um suspiro de satisfação. Byakuya provavelmente reclamaria caso alguma palavra saísse de seus lábios.
Byakuya soltou um sorriso fino. Ligeiramente cruel.
O baixo ventre de Byakuya tocou no membro visivelmente ‘aceso’ do tenente. O capitão não iria deixar fácil. Além disso, começou a mover sua mão por toda a extensão fora do quimono do ruivo. Ao chegar ao fim de sua barriga, tirou a mão. E a colocou dentro da leve vestimenta negra do tenente. As unhas de Byakuya marcavam presença no corpo de Renji. Uma tortura maravilhosa. Renji não dizia nada, apenas arqueou seu corpo, intensificando o contato de seu membro com o começo das extremidades do Kuchiki. Alguns gemidos acompanhados de respiração falha puderam ser ouvidos. Os lábios do tenente roçavam sobre o rosto do capitão. Queria o beijar, mas também queria saber até quando aquilo continuaria.
A mão de Byakuya chegou ao baixo ventre de Renji. Ameaçou tocar pouco mais abaixo, mas foi apenas uma ameaça. Com isso, o Kuchiki saiu de cima do corpo forte de Renji. O último estava ainda em êxtase com as carícias de seu capitão, e uma ponta de decepção o acertou em cheio.
“Byak... Taichou.” O tenente falou com a voz baixa.
“Isso foi um castigo por sua curiosidade. Quero você na minha casa, às nove horas. Sem atrasos. Caso contrário, farei questão de te punir novamente. Mas você não vai gostar caso haja uma segunda vez.”
E assim, Byakuya se retirou da sala.
“Eu vou morrer... !” Com um sorriso no rosto, o tenente de cabelos rubros aceitou sua ‘sentença’. E se retirou da sala com pressa.
—
Renji chegou à casa dos Kuchiki e não viu ninguém. Com certo receio, adentrou a casa, aparentemente desértica e mal iluminada. Não conhecia a localização de cada cômodo naquela mansão, então estava desorientado. Entrou numa sala, na qual as luzes estavam acesas, e estranhamente, três candelabros com velas também iluminavam o local.
“Byakuya?” Renji estava numa grande área com livros, poltronas, lareira e um piano. Aparentemente, um tipo de ‘sala’ mais clássica. Renji soltou um meio sorriso. Nem com todo o trabalho do mundo conseguiria adquirir tudo aquilo.
“A-ba-rai.” As luzes foram apagadas e apenas as velas iluminavam o local. Renji virou o rosto e não conseguiu deixar de manter o sorrisinho de satisfação.
“Céus.” Renji exclamou ao observar Byakuya, iluminado apenas por um candelabro ao seu lado, lhe dando um ar misterioso e clássico. O Kuchiki estava usando uma roupa de mordomo. Algo completamente controverso a alguém que seria o dominante da noite.
“São mais de nove horas, Renji. Está atrasado.”
“Desculpe.” Aquelas foram as desculpas mais falsas que Renji já disse em vida.
“Como hoje eu estou bonzinho, não vou lhe punir.” Byakuya caminhou ao encontro de Renji. O último usava uma yukata simples na cor azul.
“Interessante.”
“Eu não diria isso.” O capitão foi empurrando o corpo do capitão até alcançarem uma parede. Byakuya colocou as mãos no pescoço de Renji e fez menção de dizer algumas coisas em seu ouvido, estando o mais perto possível.
“O que você deseja?”
Renji se segurou para não inverter a situação. Por que logo isso, Byakuya? Usar uma roupa de mordomo que não segue seu mestre é mais do que provocação. Bem mais. A voz grossa e solta em um sussurro, em conjunto da respiração quente de Byakuya era muito para o pobre ruivo. Até demais.
“Você me deixa louco.”
“Eu ainda nem comecei, querido Renji.”
O placar marcou Byakuya um, Renji zero.
O Kuchiki soltou suas mãos do pescoço de Renji e puxou sua yukata, aproximando ainda mais os corpos. O capitão beijou seu subordinado com desejo e satisfação. Renji retribuía com prazer. O ar infelizmente tornava-se cada vez mais falho a cada segundo, fazendo com que os dois não pudessem continuar com aquilo. Mas não tinha problema. Após cessar o beijo, Byakuya empurrou o corpo de Renji, o fazendo cair sobre o carpete, em tonalidade pouco mais escura do que o cabelo ruivo do tenente. E Byakuya não estava apto a perder tempo. Posicionou suas pernas a fim de cercar Renji, e fez algo parecido com o feito na mesa. Direcionou beijos, chupões e mordidas ao pescoço perfeitamente tatuado do tenente. O último não conseguia parar de soltar alguns gemidos desesperados. Para a alegria do capitão. As velas acesas favoreciam a cena.
“Você fica assim tão fácil. Nem parece o Renji que fez eu chegar nessa situação.”
Byakuya sabia ser alguém malvado. Oh céus.
Voltou a desferir beijos no pescoço do tenente. E uma mão aproveitou para abrir a yukata azul que guardava o corpo definido de Renji. As unhas, nem um pouco calmas, faziam questão de marcar aquele corpo novamente. Renji arfou. Aquilo ardia um pouco. Mas o prazer tomava conta de si. A dor era apenas um acréscimo de boas sensações.
“Renji, eu acho que você já sabe o que eu quero que você faça.” Parou de testar o corpo do tenente para abrir um pouco a braguilha da calça. Sorriu fino. Um ‘heh’ saiu da boca do tenente, e logo foi em direção do zíper aberto de Byakuya. Com a boca, terminou de abrir, tirando a roupa íntima com apenas um puxão. Ah, o membro de Kuchiki Byakuya, pronto para receber prazer como nunca. Analisando a situação por alguns instantes, envolveu seu tão amado Kuchiki em seus lábios. Tomou cuidado para não deixar seus dentes tocarem muito o membro de seu capitão. O retirou da boca por algum tempo e começou a lamber incansavelmente. A língua habilidosa do tenente fazia um bom trabalho lá. Byakuya se contorcia levemente. Com uma mão livre, soltou o cabelo ruivo de Renji. Precisava puxar alguma coisa para reter o prazer.
Renji sabia exercer seu trabalho. Para a felicidade de ambos.
Sua língua percorreu toda a extensão do membro de Byakuya, desde a cabeça até os testículos receberam um tratamento especial. E Byakuya chegou ao seu ápice. O líquido branco invadiu os lábios de Renji, que sorria perversamente após o feito. A iluminação baixa da sala tornou a respiração de Byakuya descompassada algo voluptuoso demais. O escuro era interessante de ser vivido. Ainda mais em situações como aquela.
“Agora eu vou seguir exatamente as suas ordens, Renji.”
Byakuya estava perdidamente sedutor como um mordomo, porém se despiu, dando um verdadeiro show aos olhos castanhos do tenente. Estando completamente sem roupas, começou a fazer o mesmo com a yukata de Renji. Minunciosamente tirou a vestimenta e a roupa íntima do tenente, deixando suas excêntricas tatuagens aparecer em proporção maior. Os lábios de Renji estavam machucados. Os puxões de Byakuya em misto das mordidas do tenente em sua própria boca fizeram a área ficar vermelha.
“Byakuya.”
“Sim?”
“... Seja gentil. Por favor.”
“Em momento algum eu deixaria de ser gentil com você, Renji.”
“Eu te amo.”
“Você sabe que é recíproco.” Byakuya esboçou um sorriso. Lambeu dois dedos e os colocou na entrada do tenente. Desconfortável. Mas não o suficiente para fazer Renji desistir de tudo aquilo. Após certo tempo, substituiu os dedos por seu membro na cavidade de seu subordinado. O último soltou mais alguns gemidos desesperados. A pose de dominador do Kuchiki não podia ficar em seu auge com palavras tão carinhosas anteriormente vindas de Renji. Byakuya não passava de um cara apaixonado. E Renji... Um dominador tão frágil. Quando ficava no comando da situação, tornava-se impossível de pensar que é alguém tão carente assim. Necessitado de atenção e de mais carinho do que o próprio Byakuya.
O capitão realmente estava sendo gentil. Renji não estava acostumado àquele tipo de situação. Sua respiração tornou-se sem ritmo algum, e o suor em sua testa era ligeiramente visto. Byakuya também brincava com o membro do tenente, lhe proporcionando mais prazer ainda. O tenente sentiu dor que ultrapassou ligeiramente o suportável no começo, isto tendo apenas os dedos inseridos lá. Porém Byakuya fez o máximo para transformar a dor em algo satisfatório. Obteve sucesso em sua missão. Renji abandonou os gemidos desesperados por suspiros e uma respiração provocante. Estava sendo estimulado de todas as formas. Além das carícias em todo o seu sexo, Byakuya fazia certo esforço para roubar alguns beijos e roçar seus lábios no rosto bronzeado do tenente. O último se deleitava de tudo que lhe foi oferecido no momento. Byakuya sentia-se no céu. Fazia tempo que não sabia como era boa a sensação de dar prazer a outra pessoa. Aquilo tinha um selo Hisana de aprovação.
“Byakuya.” Renji soltou o nome do capitão em um murmúrio. O capitão sabia muito bem que aquela voz era de alguém que chegou a seu limite. Que também foi o caso de Renji. Uma mistura de líquidos brancos e aquecidos deu o ar da graça no corpo dos dois. Byakuya deu um selinho em Renji e levantou do carpete vermelho. Pegou a yukata de Renji e cobriu o corpo do tenente, que apenas observava o chão, meio pasmo com a situação. Um sorriso malicioso também chegou a habitar seu rosto.
“Vem comigo, Renji.” Byakuya apagou quase todas as velas, deixando apenas uma acesa, no caso, a da entrada. Pegou seu terno e seguiu abraçado com Renji até seu quarto, apagando a última vela acesa e contemplando as poucas lâmpadas ligadas em sua mansão.
—
Deitados na enorme cama de Byakuya, não conseguiam dormir. Estavam meio atônitos com tudo.
“Byakuya...” A voz baixa de Renji invadiu os ouvidos do capitão.
“Diga.” O Kuchiki virou seu rosto, o deixando bem próximo ao de Renji.
“Obrigado por hoje.”
“Foi um prazer.” O duplo sentido da frase fez Renji soltar uma risada.
“Não vejo a hora da próxima vez.” Renji falou sussurrando.
“Ei, Renji. Você consegue ver a ponte ali?” O quarto de Byakuya estava sendo iluminado apenas por um abajur. Em meio à quase completa penumbra, o tenente observou a ponte citada por Byakuya de relance. Era possível ver o belo jardim Kuchiki pelo quarto do capitão, devido às portas de vidro que possibilitavam a bela vista.
“Sim, por quê?”
“Eu vou te beijar em cada pedaço dessa ponte.”
“Sério mesmo? Vou cobrar.”
“Está no seu direito. Na ponte, na grama, na mesa, nessa cama. No lugar que você quiser.”
“Hm... Quando será isso?”
“Na hora que você quiser.”
“Que tal agora? Mas eu quero minhas costas arranhadas por você.”
“Sonhar não custa nada, Renji.” Byakuya se arrumou na cama e abraçou o tenente como alguém abraçando uma boneca. O tenente se alinhou no tórax do capitão e beijou seu pescoço.
“Acho que alguém se entusiasmou demais hoje.”
“Não foi sempre assim, Renji? Eu mando, você obedece.”
“Não é justo.”
“Quieto.”
“Você não presta, Byakuya.”
“Te amo também, Renji. Boa noite.”
Só restou ao tenente dormir, abraçado em Byakuya. Nada que seu jeitinho de resolver as coisas não iria fazer seu capitão voltar a passividade de antes. Mas era interessante ver até onde Kuchiki Byakuya era capaz de chegar. Seja em argumentação ou na atividade de dar prazer a um tenente de cabelos vermelhos, que sabe aproveitar essas habilidades muito bem.
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