Apagando Peeta Mellark da minha vida
9 Capítulo 9 | Nega
—Opá! Desde quando é que a Johanna mudou de sexo? — ouço uma voz grossa a rir-se. Começo a tentar habituar-me à claridade excessiva que inundava o meu quarto. Quando finalmente consigo fazê-lo, encontro uma excursão constituída pelo Finn, pelo Gale, pelo Theo, pelo Cato e pela Johanna.
—Eu não mudei de sexo, mas a KitKat mudou de companhia — vejo que o Peeta se senta na cama meio grogue.
—Que se passou? — ele pergunta ainda em modo de acordar.
—Passou-se que tu não vieste dormir a casa e hoje viemos dar contigo aqui — ele abre mais os olhos.
—Já me lembro! Ficámos a falar até tarde e depois vimos Bratayley e adormecemos — ele conta.
—Não houveram ações feitas numa posição horizontal que gastam muita energia? — o Theo mete-se connosco e eu coro violentamente.
—Foi tudo exatamente como o Peeta disse — garanto enquanto eles se divertem.
—Eu vou para casa tomar um banho — ele retira-se. — Adeus Katniss.
—Adeus Peeta — ele vai embora.
—Nós também vamos — os rapazes seguem-no e a Johanna olha para mim com aquele olhar malicioso de "Podes começar a contar tudo". A campainha toca e eu desço para abrir a porta.
—Ora muito bom-dia! — uma loira e uma ruiva entram em minha casa todas animadas.
—Bom-dia — digo e vou para a cozinha buscar o meu iogurte de morango e a minha granola com alguma fruta. — Sirvam-se.
—Eu acabei de ver os rapazes a gozar com o meu primo, o Peeta. Ele dormiu cá? — ela pergunta.
—Sim, ele veio trazer a KitKat aqui a casa e não voltou, fomos a dar com eles a dormirem de conchinha muito fofinhos os dois — claro que a minha melhor amiga me tinha que entregar de bandeja.
—Vocês...? — ela parecia muito animada.
—Não! Só adormecemos a ver Bratayley — esclareço.
—Não aconteceu nada? Nem um beijinho? — ela insiste.
—Nem um beijinho — confirmo.
—Mas ela estava-se a pelar por um — a Jojo completa. — Ontem, em casa do Peeta, os gémeos e nós estivemos a jogar "Verdade ou Consequência" e o Cato disse aqui à nossa KitKat que ela tinha que flertar com o Peetinha até ao fim do jogo e ela fez isso. A certo ponto ela provoca-o e ele corre atrás dela por todo o lado, ela ainda consegue fugir até ele a apanhar. Quando ele a apanhou segurou-a ali muito firme e começou a roçar os lábios, sem os pressionar, sempre só a roçar. Ora então ele posiciona-se para a beijar, ela fecha os olhinhos e suspira... mas ele volta atrás e ela ficou só mesmo pela vontade.
—Porque é que ele fez isso? — a Annie fica indignada, tal como a Madge que deixou isso bem claro pela expressão facial.
—Ele disse-me que não fazia mal eu querer beijá-lo porque ele também me queria beijar, mas que não queria que fosse assim — elas derretem-se. — Mas não é bem assim, eu não quero beijá-lo.
—Para quê mentires-te a ti própria? — a Madge intervém.
—Eu não me estou a mentir a mim própria, aquilo foi um lapso de insanidade passageiro — explico. Eu acho impressionante o facto de quererem que eu, Katniss Everdeen, admita algo que eu não sinto e que é ridículo.
—Chama-lhe isso, chama — reviro os olhos.
—Vamos para a piscina? — desvio o assunto.
—Sim! — a Johanna é logo a primeira a subir as escadas e invadir a minha gaveta de biquínis e a tirar um preto bem mínimo, mas ela não parece importar-se. A Annie tira um rosinha que lhe fica mesmo a matar, mesmo a cara dela. A Madge tira um azul bebé que lhe fica a matar porque condiz com os seus olhos. Eu tiro um laranja geométrico e prendo o meu cabelo num messy bun.
Quando descemos e colocamos o protetor solar começamos a ouvir barulho de lá de dentro, eu vou à frente com um taco de baseball que o meu irmão usava e quando um ser humano vai a entrar, atrapalho-me e vou contra ele. Como se não bastasse, era um ser conhecido que dormiu comigo hoje, Peeta Mellark.
—Benjamin, assustaste-me! — reclamo e eles partem-se todos a rir.
—Tem calma, Destiny! — ele tem aquele sorrisinho que só ele tem estampado na cara.
—Viemos para a piscina cá em casa e já percebemos que estamos muito bem acompanhados — o meu meio-irmão observa e vai ter com a Annie.
—Concordo — o Gale vai ter com a sua namorada amada do coração, Madge Mellark.
—Johanna Mason, é um prazer ver-te — ela sorri provocadoramente.
—Prazer é o que tu ainda desconheces — arregalo os olhos e vou-me deitar na minha espreguiçadeira.
—Ser vela é horrível — olho em volta e toda a gente se está a atracar a toda a gente.
—Aguenta a tocha olímpica — ele ri-se.
—Não vais entrar? — nego com a cabeça. — Porque não?
—Apetece-me fazer outras coisas — digo e levanto-me.
—Como ficar aí deitada a torrar ao sol? — eu tiro os óculos e finalmente presto atenção ao quão bonito ele fica molhado, tipo tão sensual...
—Sim — digo com indiferença. Ele vem para me abraçar, a água fria em contacto com o meu corpo faz-me gemer baixíssimo e ele sorri. É então que se desequilibra e cai em cima de mim. Fico a centímetros dele, o meu desejo de o beijar é tão grande que me incomoda imenso. A minha respiração fica irregular, quero ser bruta e tirá-lo de cima de mim com toda a força mas não consigo. Não porque não tenho força, mas porque não quero fazê-lo. Quer dizer, quero e não quero, é confuso. Tento chegar mais perto mas ele vira a cara.
—Não pode ser assim — ele sai de cima de mim e eu confesso que fico um pouco frustrada.
—Sabes, Peeta? Não sei como consegues ser tão irritante! — levanto-me revoltada e atraio as atenções todas. — Eu já percebi que não dá! Agora para é de provocar estas situações!
—Katniss... — deixo-o a falar sozinho e subo as escadas para o meu quarto. Ouço batidas na minha porta.
—Madge, vai embora, não quero falar com o teu primo! — insistem. — Escusam de gozar comigo!
—Catnip? — eu olho para o meu primo.
—Gale, se me vens chatear bem podes dar meia volta e ir-te embora! — pego no meu telemóvel. — Eu não quero nada com o Mellark, nem com ninguém!
—Ele contou que o tentaste beijar — ele ignora tudo o que eu disse.
—Ele conta muita coisa, mas aquilo ali foi só um lapso de insanidade. Aliás, onde é que eu estava com a cabeça? Não há nada entre mim e ele! — nego com todas as forças.
—Eu sei que não gostaste de ser rejeitada, mas... — interrompo-o.
—Mas nada! Vão-se todos foder com essa história de eu me apaixonar pelo Mellark e metam-se na puta da vossa vida, compreendido? — sou violenta e ele acaba por ir embora.
O que me deixa mais irritada? Não é o facto de nós não nos termos beijado, mas sim o facto de surgirem sempre acontecimentos e ele fugir como uma ginasta foge do giz! Se acham normal, eu não. Sinceramente, já nem quero saber, estou de saco cheio!
O meu telemóvel começa a tocar e no visor vejo que quem me liga vai proporcionar-me um bom escape e é a única pessoa que eu realmente não me importo de ver agora. Atendo e do outro lado sei que ele está com o seu fato e gravata enquanto bebe o seu uísque e o agita só porque fica bem.
—Bass? — cumprimento-o com a aquela voz e já sei que o dia de hoje vai prometer e vai ser extremamente interessante.
Continua...
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