Notas iniciais
Olá, olá, minha gente, como vão de Natal?

Bem, queria ter postado esse presente antes para você, minha amiga secreta, mas ainda estamos na tarde do dia 25, então está tudo certo!

Minha amiga secreta é Marianna Guedes, que eu não conheço, mas pelo bom gosto com fics (gosta de BD e Wolfstar, o que é um baita de um currículo!) sei que é alguém incrível!

Espero que você goste dessa história bem simples e fofinha, porque ela foi feita com muito carinho (e um tiquinho de ansiedade)!

A primeira vez que se “beijaram”, ambos tinham um pouco mais de 13 anos e Remus jurava que poderia enfiar sua cara no piso de madeira antiga da sala comunal por tamanha vergonha. A Grifinória havia ganhado tardiamente sua primeira partida da temporada contra a Lufa-lufa e Sirius realmente se empolgou com o feito dos seus futuros colegas de time.

A maioria dos veteranos apenas riu dos abraços desajeitados do terceiranista e o evento teria sido algo apenas divertido, mas de pouca importância para Remus também, se na hora do seu abraço, Sirius não tivesse inventado de emendar o gesto com um beijo em sua bochecha.

Teria sido ainda menos relevante se Remus não tivesse virado para frente e, sem querer, tivesse colado seus lábios no do amigo.

Para Sirius não havia sido nada demais, estava mais do que óbvio: o maroto riu, falou alguma piadinha boba e depois continuou com sua celebração sem sentido com o próximo colega, provavelmente com um pouco mais de cautela dali em diante.

Mas para Remus havia sido muita coisa, ele mal conseguia pensar direito, sentindo o rosto quente e o coração martelando em seus ouvidos.

Ninguém parecia ter notado, mas aquele simples encostar de lábios acidental havia despertado muita vergonha em Remus. Vergonha, surpresa e, ele mal conseguia admitir para si mesmo, um pouquinho de... algo mais.

Bem, essa sempre foi uma das partes mais interessantes desse tipo de acidente: não raramente, o inesperado apresenta uma gama de possibilidades e traze a luz uma miríade de sentimentos que, de outra forma, nunca teriam saído das sombras.

&*&*&

Ainda não haviam chegado na metade do quinto ano e a aura de garotos rebeldes dos marotos já havia conquistado a maior parte dos colegas de casa. Em particular, a fama de James e Sirius com as garotas havia se espalhado inclusive para além da torre da Grifinória.

Mas os boatos que os marotos nunca deixavam ganhar força eram justamente aqueles sobre suas tentativas frustradas de conquistas amorosas. James aceitava os golpes em seu ego com surpreendente elegância – com exceção daqueles infringidos por uma certa ruiva – mas Sirius sempre levava seus raros fracassos muito a sério.

Por exemplo, para os outros colegas, o maroto fingiu que nem havia se importado com aquele fora bastante público que levou da monitora chefe da Corvinal. Mas, em privado, a história foi bem diferente.

Naquele dia, Remus queria apenas rir e dar de ombros para a miséria de seu amigo mais teatral, assim como fizeram Peter e James, mas, no fim das contas, Sirius sempre dava um jeito de convencê-lo de que o drama era real e de que a dor só podia ser remediada com uma boa dose de whisky de fogo.

Talvez fosse por causa daquele bendito algo mais, que estava sempre lá, lhe martelando entre as costelas, mas a verdade é que Remus simplesmente não conseguia – e nem queria, sendo sincero – ser indiferente aos lamentos bobos de Sirius.

Remus quase não bebia álcool, ainda mais tão perto da lua cheia, mas achava fascinante ver como a bebida contrabandeada fazia seu efeito no amigo. Sirius começou a noite com uma indignação digna de um príncipe com o orgulho ferido, citando todos os motivos pelos quais aquele fora não fazia o menor sentido. Porém, no final, passou para um discurso autopunitivo listando todos os motivos pelos quais ele merecia ser dispensado. Bem, aquilo sim era preocupante.

Mesmo com muito sono, Remus não pôde deixar de simpatizar com o amigo. Sirius às vezes deixava entrever uma solidão estranha, um medo de ficar sozinho que, para qualquer um de fora, não faria muito sentido se descobrissem, já que ele era tão popular.

Mas para Remus fazia total sentido, afinal, por mais descolado que soasse, ser um rebelde com causa justa não deveria ser nada fácil para o amigo. Assim como ele fazia com os foras, Sirius escondia muito bem do resto do mundo o quanto não ter mais uma família ainda lhe machucava.

Então tudo bem se ele precisasse de um ombro amigo de vez em quando, onde pudesse dormir – e babar – em paz. Enquanto as cortinas estivessem fechadas e as luzes apagadas, Sirius podia ficar em sua cama o quanto quisesse.

&*&*&

Logo após James finalmente receber um sim de Lily e começar a namorar no último ano em Hogwarts, a dinâmica dos marotos mudou ligeiramente. Era um processo natural e bem sutil de adaptação, uma coisa não dita, mas Remus era bastante observador e costumava notar esse tipo de situação antes dos demais.

James até se esforçava para dividir seu tempo e atenção entre os amigos e a namorada, mas tinha dias em que ele falhava miseravelmente, deixando para traz um Sirius levemente ciumento.

O ciúmes não era nada preocupante, era até engraçado, na verdade. Remus e Peter costumavam compartilhar olhares divertidos sempre que percebiam o mau humor de Sirius e riam abertamente quando viam ele e James se bicando como um casal de velhos pelos corredores da escola.

Mas a noite, quando todos já estavam dormindo, procurar abrigo em sua cama havia se tornado um hábito para Sirius. Remus não sabia se ainda eram vislumbres de sua carência, mas, de toda forma, depois de um tempo seu ombro amigo não parecia mais ser o suficiente.

Eles nunca conversavam sobre o “erupente no meio do boticário” à luz do dia, porque era quase como se os toques furtivos e os beijos lentos fossem frutos de sua imaginação, mas, verdade fosse dita, Remus não era uma pessoa assim, tão criativa.

Nos raros momentos que parava para refletir sobre o assunto, Remus admitia para si mesmo que beijar Sirius era uma daquelas coisas inevitáveis na hora, mas que depois sentiam quase como um crime. Logo, o silêncio e a culpa que carregava eram bastante adequados.

Os dias após o “crime” até que eram toleráveis, melhores do que uma ressaca de lua cheia, com certeza. Na verdade, só era ligeiramente irritante ver Sirius na mesa do café da manhã flertando com qualquer criatura de saia, mas Remus fazia questão de engolir, discretamente, sua insatisfação com suco de abóbora.

Lobisomens, no fim das contas, eram criaturas da noite, então nada mais justo do que ele ser necessário para Sirius apenas na escuridão. Era meio que poético – e patético – mas, com exceção daquelas com lua cheia, as noites com ele haviam se tornado os momentos mais aguardados do seu dia.

Logo, não se importava mesmo que fosse como uma pantufa velha para o amigo: perfeito para se ter nos momentos mais íntimos e embaraçoso demais para se usar em público.

Porém, mesmo nenhum dos dois tocando no assunto, em algumas manhãs Sirius parecia ler seus pensamentos e não hesitava em se sentar e permanecer o café da manhã inteiro ao seu lado, conversando sobre tudo e nada em especial.

Não era muito diferente do que ele fazia às vezes com James ou Peter, quando eles estavam para baixo por qualquer motivo, mas, de alguma forma, Remus sabia – ou queria acreditar – que com ele era especial.

&*&*&

Encontrar uma pessoa para ser seu colega de apartamento, mesmo você ainda não tendo condições de pagar o aluguel, era um presente dos deuses. Encontrar alguém que, além de não cobrar aluguel, ainda te aceitava mesmo você sendo um lobisomem... ah, isso aí já era um outro nível de milagre!

Então quando Sirius fez o convite, lhe dando uma oportunidade de continuar seus estudos em Londres, Remus soube que a única resposta era um grande e gorducho sim.

Tomou a decisão no calor do momento, absorvendo a empolgação dos seus amigos e a sua própria, porque a proposta resolvia mais da metade de seus problemas, especificamente aqueles que tinham solução. Porém, quando Peter, James e Lily foram embora depois de ajudarem com a mudança, a ficha finalmente caiu.

Ele estava morando sozinho com Sirius. Sozinhos. Só... Sirius e ele. Ele e Sirius. Mas não era muito diferente do que eles já tinham no castelo, certo? Dividiram o dormitório por sete anos em – quase – perfeita harmonia, então nada tinha que mudar realmente.

No entanto, essa era a primeira vez que Remus iria ter um quarto só para si na maior parte do ano, o que era bem empolgante. Então, aproveitaria para arrumar o lugar do seu jeito, com livros e um ou outro experimento de DCAT, que tanto irritavam os amigos, espalhados, deixando os demais cômodos para Sirius decorar como bem entendesse.

Graças a magia, seu quarto já estava tomando forma, tudo estava indo surpreendentemente bem, então Remus só precisava agora fazer um pequeno teste para confirmar como as coisas funcionariam entre ele e Sirius dali em diante.

Trancou a porta do quarto dando duas voltas na chave, o que era exagero, mas lhe divertia pelo drama extra. Então trancou a fechadura com magia, isso sim sendo um excesso óbvio, mas aquilo era um teste, então tinha que ter algum controle da situação enquanto estivesse dormindo.

Remus acreditava que havia uma pequena possibilidade de Sirius nem sequer ter cogitado que não teria mais acesso ao seu “lugar seguro” todas as noites. Inclusive, ele poderia ter pensado justo o oposto, colocando esse item como um tremendo pró em sua lista mental a respeito da mudança do amigo para o apartamento comprado com a herança que ganhou do tio.

Seria bem divertido ver – ou sonhar, já que estaria dormindo – com a cara de surpresa de Sirius descobrindo a nova realidade. E a melhor parte seria no café da manhã, porque, estando sozinhos, Remus iria poder sorrir vitorioso o quanto quisesse, sem ter que se explicar para mais ninguém.

Adormeceu com um sorriso travesso no rosto, mas despertou pouco tempo depois, ainda no escuro da noite, levemente surpreso. Demorou para reconhecer o novo ambiente, porque o intruso lhe abraçando era bastante familiar.

Ok, droga, havia esquecido de trancar a janela do quarto com magia, mas, em sua defesa, achou que estaria subestimando a capacidade de Sirius de entender mensagens nas entrelinhas! Obviamente, na verdade, ele havia superestimado o bom senso da criatura.

Remus até pensou por um segundo, enquanto Sirius começava a passear com a boca pelo seu corpo, que eles poderiam finalmente acender a luz e ver um ao outro, agora que estavam sozinhos em um quarto. Porém, logo se distraiu e esqueceu da ideia por completo.

No fim das contas, eles tinham todos os outros sentidos a disposição e, Remus supunha que, com a animagia, Sirius provavelmente tinha inclusive à visão ao seu dispor. Assim como ele.

E a verdade era que os dois nunca haviam precisado de luz em todos esses anos, então, para que mudar agora, não é mesmo? Afinal, o escuro, para eles, não era nem um pouco assustador.

Qualquer lugar contigo
Eu faço de abrigo
Bem do jeitinho que a gente entende
É meu porto seguro
Tô te querendo, eu juro
Que é no escuro que você me acende

Notas finais
Resolvi escolher uma Wolfstar e quase me arrependo, porque fazia quase um ano que eu não escrevia uma fic, então voltar com duas criaturinhas que eu gosto tanto foi um grande desafio.

Espero que tenha ficado legal e é isso meu povo, bom restinho de Natal para vocês!

Bjuxxx
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!