Notas iniciais
** Não revisada.

Não olhe para mim, você não estava aqui quando eu precisava.

Não diga o que eu tenho que ser,

Pois você nunca se importou realmente comigo

O que eu era aos seus olhos?

Eu ainda consigo sentir a sensação do sufoco, a sensação de não ter mais ar para respirar, consigo sentir o meu corpo molhado, meu corpo se debatendo enquanto cada vez mais se afunda a profundeza. Se afunda cada vez mais no escuro do mar. Eu tento me lembrar em como você se sentiu, se conseguiu perceber que eu estava caindo cada vez mais?

Assim como o céu tem suas cores, o céu limpo e azul é classificado para mim como extrema felicidade. Quando há poucas nuvens, feliz. E quando está todo coberto e escuro preste a derramar milhões de água, triste, uma tristeza profunda. Sempre gostei mais dos tempos fechados com a garoa fina intensificando-se a cada minuto, até se estrondar e virar uma tempestade imensa. Assim como as tempestades ela vem destrói tudo e depois passa, deixando para trás as migalhas destruídas para que você conserte.

Será que aos seus olhos você conseguiu perceber que eu estava caindo cada vez mais? Acho que ela veio igual um resfriado, sem previsão de chegada e sem pressentimento de saída. Ela nunca foi embora, se prendeu a mim como um cadeado, me enferrujando aos poucos. Você teria me ajudado se eu permitisse? Será que eu me arrependo das escolhas que eu fiz? Dos caminhos que eu poderia ter escolhido seguir? Aos seus olhos o que você enxergou em mim? Eu esperei até o ultimo segundo, até a última faísca de esperança que tinha em mim. Até o ultimo suspiro a ultima gota de ar que meu pulmão respirou. A última coragem que meu corpo quis para continuar tentando, continuar sucumbindo à escuridão.

Observo as gaivotas comendo algumas migalhas de pão na areia enquanto elevo meu olhar para observar um homem tirando fotos das gaivotas e das pessoas que ali então a caminhar. Nessa manhã chuvosa e frienta você tem um olhar distante e triste, mas isso não é importante. Será que aos seus olhos você me enxerga agora? Vejo você caminhando em minha direção e eu não consigo conter um sorriso, noto seus olhos encontrarem os meus e involuntariamente você sorri, erguendo a câmera para me fotografar. Senta-se perto de mim e eu caminho lentamente para uma distância segura. Eu mapeio todo o seu rosto, desenhando mentalmente um bosque cheio margaridas onde eu poderia encostar meu rosto e apreciar o seu cheiro, seu toque suave, seus lábios.

Respiro fundo observando as ondas da janela enquanto tento bordar uma borboleta no tecido sobre minha perna. Escuto o badalar do relógio na parede tocando a cada segundo, observo cada vez mais as ondas intensificarem e você aparecer correndo no tempo em que notar o céu fechando, entrar em casa todo encharcado de água dando risada e dizendo que a água esta muito boa. Mas você não irá aparecer, nem hoje e nem amanhã. Você partiu e levou uma parte minha com você ao mesmo tempo em que você deixou cicatrizes em mim que nunca irão cicatrizar-se. Ainda posso ouvir sua voz ecoando pela casa quando gritava e eu sabia naquele exato momento que mais uma noite eu dormiria chorando.

Observo da janela moldada em madeira crianças pulando cordas, enquanto grãos pequenos de areias sobrevoam nos cabelos e até mesmo dentro dos olhos, elas pulam e erram e continuam. A vida é feita de erros e acertos, tão pequenos que nem devem saber que é nessa idade que começa a ser testada a persistência para as coisas da vida. Noto-o uma me olhando atentamente enquanto vagarosamente inclina a cabeça para o lado talvez pensando em falar comigo, ou me tocar quem sabe? Mas não vou ficar aqui para testar minhas teorias. Caminho lentamente para longe da garotinha de vestido turquesa e sinto o vento forte batendo em meu rosto fecho meu olho e curto a trajetória.

Penduro-me em um galho enquanto observo-o debaixo da arvore tentando ajeitar nosso piquenique embaixo da arvore. Levanto-me agarrando minhas mãos ao braço da árvore para não cair, e tento andar como se estivesse testando meu equilíbrio em cima de um meio fio. Seguro o galho acima de mim dando risada ao escorregar e sento-me novamente sentindo meus batimentos saltarem do meu peito, igual quando você começa delicadamente me beijar, me sinto com borboletas sobrevoando por todo meu corpo? Será que aos seus olhos você consegue enxergar que você me deixa nervosa? Você se levanta pedindo para que eu desça da arvore, e novamente eu sinto a sensação de estar caindo, caindo sem parar a voz sumindo da minha boca e eu não consigo gritar, estou paralisada em seus braços. Você me lança um olhar preocupado e eu ouço sua voz calma que tenta não soar em meus ouvidos, desespero:

— Você está bem?

— Estou bem.

Desespero, eu senti quando tive que recomeçar depois de uma longa semana de mudança, com o meu coração batendo a mil encarando todos aqueles olhares curiosos, meus olhos encontraram os seus e por um momento eu me sinto mais calma, mas logo ela estava lá para rir da minha cara e eu me afoguei mais um pouco nesse dia. Sentei-me no fundo envergonhada por estar ali. E você olhou sobre o ombro e disse àquela palavra que me deixou mais nervosa ainda, posso jurar que conseguiu enxergar meu rosto ruborizar-se:

— Oi!

Notas finais
Olá? Tudo bem com você? Espero que sim. Então o que está achando do conto? Quais são suas teorias?