Aon
19 Coração de Dragão
Notas iniciais
Karnos estava pasmo ao ver Lamúria, o segundo dragão mais forte da linhagem suprema Ein. O Dragão não o atacava, apenas o encarava como se compartilhasse do mesmo sentimento, as palavras de Karnos tentavam sair de sua boca, mas se enrolavam em sua língua e quebravam em seus lábios trêmulos. Eduarda que desconhecia a cultura dos elfos sulistas se aproximou de seu tio para descobrir o que estava acontecendo.
– Tio o que está acontecendo? Por que o senhor Yvon não acaba com ele como fez com os outros? Haourin desviou o olhar do Dragão e encarou Eduarda.
– Vou te explicar como funciona a cultura sulista, pelo menos a parte de se unir a um dragão, mas vamos nos afastar por hora. Somente Karnos pode enfrentar Lemúria.
Os elfos Dry’akos são como nós, descendentes dos primeiros seres élficos de AON antes conhecida Reitan*. O povo sulista sofria com a seca e nevascas, sua raça era inferior e fraca devido as condições locais que não permitiam o plantio e um vulcão semi-ativo que lançava sua fumaça tóxica esporadicamente ao céu. Quando as tribos perceberam que não sobreviveriam ao inverno, decidiram enviar seus sábios em busca de uma nova terra onde pudessem fazer o uso de seu solo e acesso a água e minerais para forjas e outras funções. Entre os três sábios somente um conhecido com Nulu o sagaz foi capaz de encontrar um local para morar, ou melhor dizer alguém que oferecesse um local melhor. Nulu foi enviado mais ao sul próximo as cordilheiras de Nynrath, onde é possível encontrar uma floresta de Tunarã, incríveis arvores negras que conseguem crescer até mesmo entre rochas. O frio naquele local parecia ser mais intenso, porém de alguma maneira aquelas arvores conseguiam sobreviver naquele local assim como algumas formas de vida. Nulu que já se aventurava a semanas naquela terra estava prestes a chegar ao seu limite, seu corpo já fraco de fome e água não era capaz de se esforçar por muito mais tempo.
O sábio adentrou uma caverna mais a fundo da floresta com galhos de Tunarã em suas mãos e se livrou da nevasca, acendeu sua fogueira e desmaiou sabendo que aquele seria seus últimos momentos, mas ainda inconsciente sentiu um liquido escorrer por seu rosto congelado e seus lábios adormecidos, em reflexo ele engoliu e sua sede foi saciada. Mesmo assim não poderia mais ser salvo, seu corpo havia adoecido de passar tanto tempo no frio assolador. Em alguma horas conseguiu recobrar a consciência e se deparou com a fogueira ainda acesa e um homem de roupas pretas sentado sobre uma pedra a sua frente. Nulu tentou se levantar, mas seu corpo não tinha mais forças e ele apenas se recostou sobre a parede da caverna e encarou o homem de pele albina e um olhar profundamente negro, mas havia um brilho diferente como se olhasse para as estrelas no céu dentro dos olhos do homem.
– Não sei se você pode me entender, mas obrigado por me ajudar mesmo que eu não sobreviva, gostaria de ter algo a lhe oferecer como agradecimento. Disse Nulu ao homem.
– Posso lhe entender muito bem meu amigo, na verdade eu que gostaria de fazer uma oferta de vida? Disse o homem sem demonstrar se quer uma expressão.
– Uma oferta de vida? O que é você? Um Deus ou um Demônio? A voz de Nulu se tornou pesada e assustada, mas estava fraco de mais para uma reação mais intensa.
– Não, não sou um demônio... Deus? Bom pode se dizer que já fui um! Eu sou Ein o Dragão do Conhecimento. Respondeu o pálido homem com um sorriso no rosto.
– Dra.. gão? Mas vocês foram extintos a muito tempo atrás. Estava cada vez mais difícil para Nulu, seu corpo já estava desfalecendo.
– Bom, não é o momento de lhe contar toda a história da era dos Dragões. Seu corpo não aguentará por muito mais que uma hora e com o meu poder eu posso lhe salvar, mas isso tem que ser agora. Explicou Ein.
Nulu apenas assentiu com a cabeça, sua garganta queimava fortemente e já não conseguia mais pronunciar suas palavras.
– Vou explicar rapidamente o que vai acontecer. Vou transferir parte do meu coração a você, assim você terá acesso a parte do meu poder e conhecimento, ah e claro minha vitalidade. Seu povo se tornará próspero e quase tão eterno quantos elfos do leste. Mesmo que você morra eu ainda viverei, mas se eu morrer você morrerá junto comigo, pois seu corpo não suportaria a alma de um dragão.
Assim que terminou a explicação Ein inciou o processo de divisão, ele recitava um encanto inaudível, todo o som do mundo parecia ter sido tomado. O corpo de Nulu se ergueu sozinho e seu peito assim como de Ein começaram a brilhar fortemente. A dor era dilacerante, porém Nulu não conseguia gritar e subitamente tudo se tornou escuro. Despertaram tempos depois com uma leve enxaqueca, o sábio sentia o universo correr em suas veias, como se um enorme fluxo de conhecimento e vida corresse por todo seu corpo.
Nulu notou que sua pele antes clara tomou um tom mais queimado e seus olhos enegreceram assim como o do Dragão. Ein que apenas observava suas reações se pronunciou assim que o pensamento de salvar seu povo surgiu em sua mente.
– Espere. Disse o Dragão antes que Nulu se retirasse. Não adianta correr sem ter alguma prova e contar uma história mirabolante a seu povo. Leve essas frutas como prova, reúna-se com os outros sábios e escolha doze elfos e assim retornem para cá.
– E assim surgiu os treze clãs Dry’akos. Explicou Haourin.
– Entendi, então quer dizer que Lamúria é o coração compartilhado do karnos e ele sente os ferimentos do Dragão. Falou como se estivesse anotando aquilo em uma enciclopédia mental.
– Isso, agora vamos sair daqui, os outros já estão nos chamando é melhor deixar Karnos o enfrentá-lo sozinho. Disse o elfo enquanto se dirigia para o batalhão do sul e seus amigos.
O grupo se uniu e começou se afastar em direção ao castelo, mas começaram a ser seguidos por sombras entre as arvores. Os vultos eram rápidos e em grande quantidade.
– Aquele maldito está passando dos limites. Pensou o elfo enquanto fazia um sinal para os amigos se dispersarem.
Guilherme apenas parou de correr e esperou que fosse cercado por seus inimigos, Paloma e Victor foram para um campo mais aberto a esquerda onde a devastação era maior, Haourin e Eduarda adentraram os restos da floresta enquanto Glauber e Carol se mantiveram na estrada passando o grupo de elfos sulistas.
A Batalha entre Karnos e Lamúria estava prestes a começar, mesmo que o elfo se negasse a isso. O Dragão se distorceu para uma forma humana com asas, Sua pele era extremamente branca, com longos cabelos negros e os olhos ainda brilhavam azulados com traços negros até o queixo. Como o Elfo não demonstrou qualquer sinal de que atacaria, o dragão rapidamente se movimentou, mas karnos conseguiu se defender e fora jogado para longe. Lamúria começou ataca intensamente até que encontrou uma brecha na defesa do elfo e o atingiu com uma forte joelhada no rosto.
Karnos teve dificuldades para se levantar, enquanto o dragão permanecia o encarando. O jovem Dry’akos limpou o sangue de sua boca e lançou um olhar receoso a Lamúria, que vendo a má vontade do elfo invocou uma lança negra e partiu para um novo ataque. Nesse momento o elfo percebeu que teria que lutar a sério se não seria abatido e no ultimo momento sacou sua espada, conseguindo defender fortes ataques do dragão.
A luta ganhou ritmo e estava balanceada, Karnos desviava e contra atacava, mas o dragão dificultava as coisas mais e mais. Em um giro mais rápido com a lança realizado por Lamúria, Karnos conseguiu se abaixar rapidamente e fazer um corte na perna esquerda, mas o dragão em uma resposta rápida antes de cair de joelhos no chão usou uma magia de chamas azuis diretamente no rosto do elfo que foi capaz de se defender graças a carapaça que se formou em sua face segundos antes do impacto. O Elfo deu três saltos para se afastar e invocou sua armadura completa, uma armadura totalmente negra que não deixa nenhum espaço desprotegido, seus olhos se tornaram iguais aos de Lamúria. A velocidade e a cadência de seus golpes aumentaram, o dragão se protegia com maior frequência agora enquanto o elfo realizava sequências incríveis de golpes. O dragão tentou voar, mas Karnos o laçou com uma corrente que saia de sua armadura e o fez bater contra o chão e o puxou de volta, mas lamúria aproveitou-se do impulso e o atingiu com a ponta da lança e Karnos o atingiu com a sua espada.
Os dois se afastaram e caíram ajoelhados com a dor, mas logo em seguida se puseram de pé novamente. O elfo desfez de sua máscara e olhou profundamente nos olhos de Lamúria, o dragão fez o mesmo e entendeu o que o elfo faria. Ambos se afastaram um pouco mais, invocaram suas chamas mais fortes e lançaram um contra o outro. Após a forte explosão tudo aconteceu rapidamente, Karnos estava no chão por baixo de Lamúria com a ponta da lança encosta em seu pescoço, mas o elfo também mantinha sua lâmina no pescoço do dragão. A tensão durou por mais alguns segundos até que Lamúria abriu um largo sorriso e retirou a ponta da lança do pescoço do elfo e o ajudou a levantar. Karnos não sabia como reagir ao ver seu dragão gargalhando a sua frente em meio a tosses engasgadas com sangue.
– Que bom que você não amoleceu nesses tempos que não nos vemos. Disse o dragão.
– Seu desgraçado, você não estava sob o domínio de Eragon não é? Disse irritado e tentando acertar um soco no dragão que o derrubou no chão.
– Acalme-se jovem príncipe, já sei, vamos beber para esquecer isso e eu precisava ver se você ainda era digno de ser meu protegido. Lamúria estava completamente descontraído, totalmente diferente da criatura com o olhar assassino que mantinha minutos atrás. – Bom, melhor irmos. Disse o dragão.
–Ah.. seu maldito. Respondeu o elfo.
Fale com o autor