O carro estava correndo por volta de 180 km/h. A ponte Golden Gate ia chegando ao fim.

— Tem certeza de que realmente quer fazer isso? — perguntou a mulher. Ela era jovem, tinha cabelos tão pretos que pareciam uma noite sem luar, assim como seus olhos.

— Se essa profecia realmente estiver correta, esse será o local mais seguro para ele. — Disse o motorista que aparentava ter uns vinte e seus anos que tinha pele clara, cabelos loiros e olhos castanhos. Usava óculos e parecia apreensivo. Ele olhou pelo retrovisor para um cesto no banco de trás. Dentro deste cesto havia um bebê de oito meses de vida. Um bebê com cabelos pretos, pele clara.

Eles estavam quase chegando ao local que deveriam deixar o bebê.

— Está tudo dentro do cesto? — perguntou o homem.

— Sim. A carta, o cordão e a cânula, — disse ela — acho que depois desta curva já iremos vê-la. Tão pequeno, tão jovem e já sofre tanto. — Disse ela olhando o bebê no cesto. Assim que viraram na curva tiveram seu caminho interrompido por um ciclope.

Ele devia ter uns seis metros e estava com uma clava na mão esquerda. Apenas com um giro desta, ele jogou o carro longe. A mulher pulou e de algum lugar ela puxou uma foice de uns quinze metros. A mulher começou a crescer . Ela agora estava com uma armadura, um escudo e sua foice.

— O que quer com ele, Kylie? — disse ela — Deixe-o ir. Ele não terá nenhuma serventia nem a você, nem a nenhum de seus capachos.

— Ora, ora Nyx. Por que esta protegendo tanto o semideus? E por que aquela prole de Júpiter esta com você?

— Estou protegendo meu filho. Aquela "prole" de Júpiter é o pai dele. — falou ela olhando rapidamente para o carro capotado.

O homem havia saído com dificuldade, estava com um corte no rosto e suas roupas estavam ensopadas de sangue.

— Fuja, leve-o e o entregue a Reyna. Ela saberá o que fazer, eu o distraio o ciclope. — o homem pegou o cesto com o bebê e correu em direção a um túnel. Depois de correr com dificuldade ele chegou à entrada do túnel. Lá havia uma menina de uns dezesseis anos esperando por ele.

— Reyna, leve-o para o acampamento ou para Lupa. Ela saberá o que fazer — disse ele, mas era tarde. Um golpe o acertou em cheio nas costas matando-o.

Dan acordou suado, tremendo e ofegante em sua cama no dormitório da Primeira Coorte. Por sorte seu amigo estava lá. Alysson, Aly para os mais chegados, foi até sua cama e o entregou um copo d'água.

— De novo o sonho, Dan?- perguntou ele se ajoelhado ao lado da cama e acendendo o abajur

— Sim, é a terceira vez essa semana. Não sei por que ainda sonho com isso e é sempre do mesmo jeito.

— Talvez seja uma lembrança, por isso sempre é do mesmo jeito, com as mesmas pessoas. — Disse Alysson.

— Já tentou falar com algum dos filhos de Somno? Ou com a Hannah ou o Kall?

— Não quero os encher com isso. Eles tem problemas maiores, Aly. — Respondeu Dan.

— Tudo bem, isso é uma escolha sua. Mas se Reyna apareceu e Lupa foi mencionada, está óbvio que não é apenas um sonho. — Disse Aly.

De todos os amigos de Dan, que não eram muitos, Alysson era o mais fiel e chegado a ele. Eles se conheciam desde seus dois anos, e já tinham, ambos, dezessete . Aly e Dan haviam sido criados no Acampamento Júpiter, nunca pisaram fora da fronteira ou se quer conheceram seus pais (Olimpianos ou Mortais). Aly já sabia que era filho de Belona, e sabia que tinha descendência de algum deus ou deusa. Dan sabia que era legado de Júpiter, mas não quem era sua mãe ou seu pai.

— Alysson. — Disse Dan, para o qual parecia estar em outro mundo.

— Sim?

— Acho que eu estou destinado a ser como o Nick. Morar aqui por toda a vida e não saber quem é minha mãe ou meu pai.

— Não fale isso, Dan. — disse o amigo. — Mais cedo ou mais tarde você ira descobrir. Lembra uma das características mais marcantes dos filhos de Belona?

— Os músculos? — perguntou Dan.

— Não seu lerdo. Fazemos amizade com semideuses que são realmente poderosos, acredite esse seu legado não é lá aquelas coisas.

— É, eu sei. Bom obrigado por me ajudar, de novo. — falou Dan apertando a mão do amigo — Vamos voltar a dormir, amanhã temos Jogos de Guerra e não vou deixar a Quarta Coorte pegar o prêmio de novo.

— Ainda não sei como venceram da última vez. — Disse Aly rindo.

— Cara, metade daqueles soldados ou são filhos de Trívia ou de Mercúrio.

— Verdade. Boa noite, Dan. — Disse Aly, deitando-se em sua cama — Vê se agora sonha com algo mais bonito, sei lá, tipo eu.

— E ter pesadelos? Não mesmo, obrigado.- disse Dan virando-se para o lado, apagando a luz do abajur e indo dormir. Ele estava cansado, então logo adormeceu.

No dia seguinte, ele acordou com o sol em seu rosto. Levantou e Aly não estava lá. Sua cama estava arrumada, o que era estranho pois ele nunca a arrumava. Em cima da colcha roxa com SPQRs bordados havia um embrulho. Dan não deu muita importância, fez o de sempre. Levantou, tomou banho e foi correr.

Sua corrida durava em média uns cento e vinte minutos, ele corria por todo o perímetro dos Campos de Marte. Estava em sua última volta quando ouviu alguém lhe chamar

— Você realmente não desiste de tentar ser o melhor dos melhores, não é mesmo Dani? — ouviu alguém dizer, do alto da arquibancada. Quando Dan se virou viu uma menina o olhando. Era Anna, sua amiga.

— Olá, Anna, como vai? — Falou ele ofegante — Quanto tempo não te vejo, desistiu de treinar, foi?

— Não, eu estava em missão — disse ela — Filhos de Marte não param de treinar nem quando estão dormindo. E você, está gostando do dia?

— E porque não estaria? — Perguntou Dan.

— Esquece, você realmente é lerdo às vezes — falou ela bufando.- Depois passe no Quartel que quero falar com você. Ah, e Reyna estava lhe procurando.

— Reyna me procurando? — Disse Dan com cara de desentendido — Não me lembro de ter pegado nenhum romã ultimamente.

— Eu não sei o que ela quer com você. Preciso ir, preciso de um novo escudo. Emmeth destruiu o meu. — Disse ela subindo as escadas da arquibancada correndo.

Dan não terminou seu treino, retornou a seu quarto e decidiu tomar outro banho. Quando chegou lá Aly não estava, o embrulho ainda estava lá.

Dan saiu do banheiro enxugando o rosto.

— Bom dia flor do dia — Disse Alysson — Por que não abriu o seu presente?

— Meu presente, como assim?

— Sim, seu presente — disse Aly apontando para o embrulho intacto sobre a cama — Não, eu não creio nisso. Daniel, não é possível. Que dia é hoje?

— Sei lá, trinta?

— Não, hoje é oito de agosto, Dan. Seu décimo oitavo aniversário. Por Júpiter, como consegue ser tão esquecido?- Falou Aly rindo.

— Obrigado por lembrar. Depois eu abro. Como sabe, pra mim é apenas um dia comum. Agora vou me encontrar com sua irmã, quer ir comigo?

— Sim — disse ele seguindo-o.

Eles saíram do prédio da Primeira Coorte e andaram em direção a Via Pretoriana. Dan estava subindo uma das ladeiras e disse:

— O que deve ter acontecido?

— Que? — Disse Aly.

— É, sei lá, nunca infringi nenhuma lei de Nova Roma, por que será que Reyna quer falar comigo?

— Talvez seja para lhe dar algum presente — disse Aly correndo na frente, andando de costas e virando-se para Dan — ou talvez ela queira te dar alguma nomeação importante, afinal você está aqui à o que, uns vinte anos?

— Vinte, como estou a vinte se só tenho dezoito? Não sabe mais contar, Alysson?- disse Dan, fazendo uma cara engraçada — E tem mais, por quê eu receberia determinado cargo, estou ótimo como Centurião.

— Talvez ela queira te dar uns beijinhos ou uma arma

— Tomara que seja uma arma, pois Reyna tem idade para ser minha mãe. – disse ele, rindo, chegando em frente a uma construção enorme e branca — Vamos, em frente.