Ao Acaso do Destino

2 A primeira vez que saímos juntos...


Notas iniciais
Olá, meus amores. Devo dizer que eu estava ansiosa pra trazer esse próximo capítulo, porque essa é uma história linda, que gosto demais. Espero que gostem.

A cidade parecia diferente para Amber desta vez. Embora o incidente houvesse ocorrido já há alguns dias, ela continuava alerta. Talvez não por esse motivo. Havia algo novo no ar. Ou alguém.

Ela olhava para todos os lados, como se procurasse algo, mas não sabia dizer o que era. Ou então preferia fingir. Era estranho admitir uma possível atração tão rápida em um momento tão incômodo. No entanto, Amber esquecia-se que havia males que apareciam para o bem.

Estava levando Jack para a escola, naquela manhã nublada. No dia seguinte ao incidente, Amber quase teve vergonha de levá-lo, mas notou que era pura besteira, já que o próprio Jack parecia indiferente ao acontecido. Na verdade, ele parecia lembrar do ocorrido como uma grande aventura, depois que descobriu que sua mãe não estava o abandonando.

Sentia-se como um pequeno rebelde, que saiu sozinho para desbravar o bairro escolar e acabou por encontrar um novo amigo. Um amigo que cuidou dele, deu de comer e protegeu do frio. E agora, um amigo que ele não viu mais. Pensou em perguntar sua mãe, muitas vezes, quando veria Jacob outra vez, mas ela também não saberia responder.

Atrelado a mão de Amber, Jack caminhava apressado junto dela em direção a escola. Estava sonolento e pensou em fingir dor de barriga para faltar aula, porém sua mãe era perita em mentiras e não o deixaria de escapar.

Ela estava arrumada como sempre, toda em traje social. Dessa vez, os cabelos não estavam soltos, mas enrolados em um coque simples, algumas mechas frontais escorregaram do penteado e caíram sobre sua face, dando um ar mais descontraído. Jack sempre achava que ela tinha um trabalho importante por trabalhar arrumada daquela forma, mesmo que não entendesse muito bem o que uma secretária fazia.

Jack sempre gostou de observar a mãe. O modo como se vestia para ir trabalhar e para ficar em casa. Como era uma pessoa diferente trabalhando e outra em casa, embora com ele sempre fosse a mesma doce mulher de sempre, exceto quando se irritava. Era sua melhor amiga e a única que estava ao seu lado. Amber fazia de tudo para que ele se sentisse um filho especial, mesmo que parecesse não ter tempo para si mesma. Às vezes, Jack tentava imaginar sua mãe quando criança. Era difícil.

Eles pararam próximos a rua, esperando o sinal abrir para que pudessem passar. Amber checou o horário no celular em sua bolsa e, para sua surpresa, não estava atrasada para o trabalho. Conseguiria levar seu filho com calma para a escola e depois, quem sabe, tomar um café reforçado antes do trabalho.

Assim que guardou o celular de volta na bolsa e voltou a olhar o semáforo, algo aconteceu. De repente, Jack soltou sua mão e sumiu de sua vista. Antes que ela pudesse segurá-lo, ele já havia corrido para longe. Desistindo de atravessar, Amber perseguiu-o por entre as pessoas.

Estava prestes a dar um sermão sobre como não deveria soltar a mão de sua mãe e sair correndo, principalmente perto de carros. No entanto, quando seus olhos encontraram o destino do garoto, suas palavras morreram em sua garganta.

— Jacob! — Jack gritou, correndo em direção ao homem.

Jacob parecia não ter percebido a aproximação do garotinho. Estava caminhando distraído, rodando a chave do carro entre os dedos da mão esquerda. Apenas quando Jack se aproximou o suficiente para puxar seu casaco preto, ele voltou para a realidade.

Amber sorriu ao ver ele e o filho trocando cumprimentos com as mãos. Jack estava feliz em vê-lo de forma tão casual, assim como ele também estava. Bem, Amber não podia negar que compartilhava do sentimento. Aproximou-se devagar até os dois enquanto aproveitava a cena divertida entre eles.

Quando percebeu sua presença, Jacob ergueu-se. Eles se entreolharam por um longo instante, parecendo dois idiotas mudos. Amber sustentava o sorriso nos lábios ao tê-lo diante de sua vista, tão belo e imponente. Ainda que vestisse uma roupa mais casual, como um moletom preto e um jeans estilizado, ele era belo.

— Que bom que encontrei você. — ela disse, finalmente.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— É?

Por um momento, ela desviou o olhar do dele.

— Você esqueceu seu moletom com Jack, naquele dia. — avisou. Por baixo deles, Jack os observava. — Eu não estou com ele aqui agora, mas posso te entregar depois...

Jacob meneou, sorrindo.

— Está tudo bem, não se preocupe.

Ela comprimiu os lábios, sentindo-se uma idiota. Estava mesmo tentando arrumar uma desculpa para encontrá-lo outra vez e conseguiu estragar a situação.

— Ok. — suspirou, tomando a mão de Jack de volta a sua.

— Ok. — ele repetiu.

Jack franziu o cenho, tentando entender a conversa deles. Eles se despediram com um aceno de cabeça. No entanto, assim que começaram a se distanciar, ambos desistiram. E ambos, como se tivessem tomado um gole de coragem, voltaram até o outro.

— Então, eu... — disseram juntos e acabaram por rir da situação besta que criaram.

Amber passou a mão pelo rosto e depois acenou para que ele continuasse.

— Ia dizer alguma coisa? — perguntou, novamente sorrindo.

— Você tem um compromisso hoje à noite?

Mais do que depressa, ela negou.

— Não, não. Por quê?

— Bem, hoje eu tenho folga do meu turno, então... O que acha de sair para beber ou comer alguma coisa?

Dessa vez, Jack já compreendeu melhor. Era como acontecia nos filmes. O moço chamava a moça para jantar juntos. Sabia que ele não estava sendo convidado, mas não ficou triste. Era um bom sinal que sua mãe e Jacob estivessem se tornando amigos.

— Claro, seria um prazer.

Ele sorriu, parecendo aliviado.

— Tudo bem, então... Eu passo na sua casa para te buscar às oito, certo?

Ela concordou, ajeitando uma mecha de cabelo para trás da orelha. Jacob se perdeu, por alguns segundos, nesse movimento.

— Você lembra o caminho?

— Com todo respeito, claro que lembro.

Ele estendeu a mão a ela, que apertou com firmeza. Quando desataram o cumprimento, as mãos se afastaram bem devagar, escorregando lentamente, uma para longe do outra.

∾

A ansiedade fez o dia passar o mais lento possível, tornando cada passagem de ponteiro uma tortura. Debruçada sobre a mesa, terminando os agendamentos de seu chefe, Amber olhava para o relógio da parede, sem parar. Não aguentava mais esperar o fim do expediente.

Estava inquieta. De quando em quando, sua mente oscilava e Amber se perdia em pensamentos, esquecendo-se de cumprir suas obrigações. Pensava em que vestido usar, se deveria ser mais curto ou mais longo. Não conseguia decidir se deixava o cabelo solto ou preso. Ou se usaria batom vermelho ou uma cor mais delicada. Eram infinitas possibilidades e cada uma dessas combinações podiam dar diversas mensagens a Jacob e, em todas, havia algo que Amber gostaria de expressar.

Não era de se admirar que estivesse nervosa, afinal era o seu primeiro encontro desde que Jack havia nascido. Além de ter a obrigação de cuidar de uma criança em seus míseros dezessete anos, o pai de Jack conseguiu estragar toda a sua experiência com homens. Por muito tempo, Amber podia se descrever traumatizada em relação aos homens. Mas então, pela primeira vez em sete anos, Amber teria um encontro.

No entanto, havia outra parte dela que estava mais preocupada do que nervosa. Era a sua parte maternal e, talvez, pesasse mais do que a parte de Amber como pessoa individual. Estava tentando não se sentir mal por sair com outro homem, que não fosse o pai de seu filho. Por mais não suportasse aquele sujeito, essa parte sua a incomodava. Era como se houvesse algo dentro dela, tentando dizer que não era certo, mas ela sabia que devia ignorar. Embora não soubesse como Jack iria reagir àquele encontro, ela não conseguiria desistir.

Precisava analisar as possibilidades. E se aquele encontro desse certo? E ela estava torcendo para que sim. Como Jack iria reagir ao saber que sua mãe estava interessada em outro homem, que era seu amigo, mas não era seu pai? Havia a chance de rejeição da parte de Jack, pois não é pecado uma criança querer que seus pais fiquem juntos.

Por sorte, seu celular tocou e a arrancou de seus pensamentos mirabolantes. Precisava parar de pensar demais antes de agir, mas era difícil agir no impulso quando se torna mãe. Ela esfregou o rosto e estendeu a mão para atender o celular. Era Katie, uma opção de confiança para tomar conta de Jack enquanto estivesse fora.

— Olá, Amber. Você me ligou mais cedo, mas eu estava ocupada. Precisa de algo? — ela perguntou do outro lado, com sua doce voz de garota nova.

Amber pigarreou.

— Eu queria perguntar se você pode tomar conta do Jack hoje à noite. Eu não vou estar em casa e... Bem, minha mãe iria me fazer muitas perguntas.

Katie riu baixinho, como se entendesse o motivo da ausência de Amber.

— Claro que posso. Inclusive, até estou com saudades de Jack. Tem um bom tempo que não cuido dele.

— Sim, ele também está com saudades. — Amber sorriu aliviada. Não queria ter de apelar para sua mãe, pois teria de dar satisfações e não gostaria de saber a reação dela. — Então, pode ir às seis, certo? Depois você diz quanto irá custar, tudo bem?

— Não se preocupe!

Quando a ligação terminou, Amber sentiu uma pontada na barriga. Era a ansiedade. Aquele encontro estava mesmo para acontecer. E ela estava se sentindo como uma adolescente em seu primeiro encontro.

— Hm, pedindo terceiros para tomar conta do Jack? Alguma coisa aconteceu, com certeza. — uma voz feminina surgiu da mesa à sua frente.

Uma mulher mais velha, com cabelos curtos e ruivos. Ela olhou por cima dos óculos para Amber, que riu baixo e depois estalou os lábios.

— Talvez por eu ter um encontro essa noite, Dom!

Os olhos de Dom arregalaram e ela se debruçou sobre a mesa, causando uma risada em Amber.

— Ok, com certeza, isso é uma novidade! — olhando de um lado para o outro, para ver se seus superiores não estavam por perto, ela saiu de seu gabinete e foi até Amber, sentando sobre sua mesa. — Vamos, mulher, me conte... Quem é o sortudo?

Amber passou a mão sobre o rosto e apoiou o queixo em sua palma.

— Jacob. Aquele rapaz que...

— Que encontrou seu filho?! — Dom interrompeu-a de tão extasiada que ficou. — Caramba, isso parece coisa de filme!

— Sim, eu sei!

Elas riram juntas, parecendo duas adolescentes fofocando.

— Então, já sabe com que roupa vai?

Amber bufou, revirando os olhos. Deixou o corpo espojar sobre a cadeira.

— Não... Pensei em algum vestido, mas não pode ser muito curto, porque ele vai me achar atirada, mas também nem muito comprido...

Dom levantou a mão, interrompendo-a.

— Ah, Amber, não começa! Sem essas paranoias! — reclamou. — Solte esse cabelo, passe um batom vermelho, coloque um vestido decotado... O que é bonito é para se mostrar, mulher. E você é linda, aproveite enquanto pode.

Ela olhou para baixo, observando as próprias roupas. Estava sempre tão coberta com roupas sociais. Havia tanto tempo que não usava um vestido revelador, uma maquiagem marcante...

— Você está certa.

Dom piscou, mas antes que pudesse responder qualquer coisa, seus superiores apareceram no corredor.

— Bom, meninas, já basta, não é? Estão dispensadas.

Mais do que depressa, Amber arrumou suas coisas, pendurou a bolsa no ombro e se despediu de Dom, que desejou muitas diversões em seu encontro com Jacob.

Saindo do trabalho, Amber checou as horas, outra vez. Já estava no horário de ir buscar Jack na escola, então ela se adiantou pelo trajeto conhecido. Não precisava correr, mas como estava eufórica, não perdeu tempo.

Enquanto ia de encontro a Jack, decidiu que contaria a ele o que iria fazer aquela noite. Ser sincera era a melhor forma de abordar os assuntos. E esperava que ele entendesse e, quem sabe, ficasse feliz por sua mãe.

Ele estava esperando no portão, todo comportado. Desde seu sumiço, os coordenadores não tiravam mais os olhos dele, com medo de que ele pudesse aprontar de novo. Amber chegou com um sorriso acolhedor, mas fez diferente, não pegou sua mochila e nem deu a mão, apenas se ajoelhou a sua frente.

— Eu preciso te contar uma coisa, Jack.

Ele piscou, atento. Concordou balançando a cabeça.

— Essa noite, eu não vou estar em casa. Eu e Jacob, o seu amigo...

— Você e Jacob vão sair, como nos filmes, mamãe. Eu escutei vocês conversando. — ele a cortou, falando por ela.

— E você não vai ficar chateado comigo, por estar sair com outro moço, que não é seu papai, não é? — ela parecia apreensiva.

Jack olhou-a e deu de ombros. Os adultos e sua eterna mania de subestimar suas crianças. Jack não se importava com seu pai, porque seu pai também não se importava com ele. No entanto, ele queria ter um pai como toda criança deveria ter.

— Eu gosto do Jacob. Eu deixo ele ser seu amigo também.

Amber riu e, sem resistir, abraçou seu filho.

∾

O vento frio da noite invadia o banheiro, mas não incomodava a pele escura do corpo seminu de Jacob. Com a toalha enrolada em sua cintura, ele terminava de aparar a barba diante do espelho. Gostava dos pelos curtos, bem aparados em volta de seu rosto. Isso também refletia em seus cabelos, raspados bem rente a cabeça. Gostava desse estilo mais simples, além de ser mais fácil de manter.

Quando terminou, colocou as correntes finas e douradas, uma em volta do pescoço e outra no pulso. Então, vestiu a regata branca e a calça social, em tom marrom escuro. Depois, de volta ao quarto, sobrepôs a regata branca com uma blusa de abotoar, de mangas curtas e na cor salmão claro. Por fim, calçou um par de tênis simples e escuros, ajeitou o relógio em volta do outro pulso e voltou para o espelho, uma última vez.

Rose estaria orgulhosa de ver o filho tão bem arrumado para um encontro. No entanto, ele decidiu não contar nada a ela. Sabia que ela criaria inúmeras expectativas, iria querer conhecer a garota, insinuar um namoro... E de expectativas altas, já bastava as dele.

Não podia mentir que estava ansioso para aquele encontro, principalmente porque imaginava que Amber teria recusado o convite. Porém, ela aceitou de imediato, sem delongas. E Jacob não precisava ser experiente nesses assuntos para saber o que significava.

Amber era uma mulher bonita e interessante, apesar de ter tido pouco contato com ela. Era o tipo de pessoa que é bom descobrir aos poucos. Primeiro o nome, depois um toque ou um segredo... Justamente por isso, Jacob não se sentia afobado. Em geral, quando se envolvia com outras mulheres, era tudo muito rápido. No mesmo dia que se conheciam já dividiam a cama e sumiam no dia seguinte. Com Amber, ele não queria ser assim. Talvez em respeito dela ser mãe, mas, principalmente, porque não queria que ela se resumisse a apenas uma noite em sua vida.

Checando as horas de novo, percebeu que faltavam cinco minutos para a hora marcada. Então, decidiu se adiantar e ir para o carro. Não queria atrasar logo no primeiro encontro. E também já não aguentava mais esperar.

O tempo estava agradável do lado de fora, o que o deixou aliviado. O dia todo estava nublado e deixou Jacob preocupado com a possibilidade de chuva. Entretanto, não estava nem mesmo frio, apenas fresco com uma leve brisa.

Durante o caminho, Jacob pensava nos locais em que poderia levar Amber. Pensou em alguns restaurantes, mas não queria ter um jantar formal. Considerando as circunstâncias em que a conheceu, Jacob queria propor algo diferenciado.

A casa dela não era tão distante da sua, na verdade, era mais próxima do que a casa de sua mãe. Quando estacionou diante da casa, ele permaneceu dentro do carro por um momento, apenas observando. Era uma casa simples, até pequena. Sua frente era apenas uma porta de entrada e uma janela de madeira e vidro. As luzes estavam acesas e, de quando em quando, ele percebia algumas sombras. Imaginou como ela estaria se arrumando e ficou eufórico demais para permanecer no carro.

Atravessou o gramado, ajeitando a roupa amassada por conta do carro. Diante da porta, ele olhou para o relógio, estava pontual. Assim, tocou a campainha.

Não demorou nada para ser recebido, porém outra mulher atendeu a porta. Parecia uma adolescente, tinha a pele pálida e cabelos coloridos.

— Boa noite. A Amber está?

Um sorriso de expectativa estampou o rosto da garota, que assentiu depressa.

— Sim, sim. Ela está se despedindo do Jack, vou chamá-la! — disse, mas quando estava se virando, decidiu voltar brevemente. — Ela está linda. Muito linda.

Jacob mordeu o lábio inferior, ansioso para vê-la. Suas mãos demonstravam sua inquietação e ele precisou guardá-las nos bolsos da calça.

Da porta, Amber surgiu. E estava de tirar o fôlego. Seus longos cabelos estavam soltos sobre seus ombros, uma cascata de ondulações douradas. Seus olhos azuis pintados com maquiagem suave, mas seus lábios carregavam um batom vermelho intenso. O vestido era curto, de caimento nas coxas, era azul escuro com estampa florida em branco. Suas belas pernas alvas estavam a mostra e seus pés calçados em sandálias mais baixas e confortáveis.

A visão que Amber teve de Jacob não foi muito diferente. Ele estava tão lindo e charmoso, que fez seu coração acelerar. Além de tudo, estava cheiroso. Mesmo afastada, conseguia sentir o cheiro bom que emanava dele. Um homem bem arrumado é bom, mas também cheiroso, é ainda melhor. Jacob era uma visão de êxtase.

— E então? — ela perguntou ao se aproximar, abrindo os braços para que Jacob pudesse observá-la. — Jack disse que estou bonita.

— Eu achei que o ápice da sua beleza era estar descabelada e molhada de chuva, mas você está de parabéns!

Amber sorriu, toda sem jeito, depois passou a língua sobre os lábios.

— Digo o mesmo sobre você.

Jacob não havia percebido, mas ela trazia algo em mãos. Apenas quando ela estendeu o objeto, ele percebeu se tratar de seu moletom.

— Ah, claro. Achei que iria usar como desculpa para me ver. — ele piscou em sua direção.

— E quem disse que eu não estava usando?

Com um sorriso zombeteiro nos lábios, Jacob a conduziu para o carro. Estavam ambos ansiosos por aquela noite e não aguentavam mais enrolar.

Amber não perguntou para onde seria levada, queria ser surpreendida por Jacob. O início do caminho começou silencioso, mas Amber logo se sentiu na obrigação de falar qualquer coisa, pois queria aproveitar todos os minutos ao lado dele, mesmo que não fizesse ideia do que dizer.

— Jack não para de falar sobre você. — disse, dando um sorriso. Jacob arqueou as sobrancelhas. — Contou sobre você para todos os colegas de escola, principalmente sobre você ter deixado ele andar no banco da frente do carro. Ele te adora, é sério.

Jacob deu uma risada gostosa e contagiante.

— E o que ele acha de eu estar saindo com a mãe dele? — ele fez questão de observar a reação de Amber, que fechou os olhos e meneou.

— Ele disse que deixa você ser meu amigo também. — ambos riram diante da resposta.

Logo, Jacob estacionou o carro diante de um estabelecimento pequeno, mas com uma bela fachada. Parecia rebuscado e confortável. Amber nunca tinha tido um encontro em um bar como aquele. Raramente homens marcavam um encontro com mulheres para tomar cerveja, o que era uma pena. Amber mesmo adorava cerveja. E estava animada em fazer isso na companhia de Jacob.

Como o ambiente não estava cheio, eles conseguiram uma boa mesa, próxima ao balcão e a mesa de sinuca, no canto do estabelecimento. Não demorou a serem atendidos, ambos pediram cervejas e deram grandes goladas quando foram servidos. Jacob observou Amber bebendo, era uma bela visão, ainda mais depois que ela abaixou o copo e deixou um rastro de espuma sobre seus lábios. Quando Jacob a alertou, seu rosto ruborizou, tornando-a sensual e fofa, ao mesmo tempo.

Eles não tinham muitos assuntos a tratar, apenas variavam entre perguntas pessoais. Amber descobriu que Jacob trabalhava em um bar como aquele, mas que era ainda mais rebuscado, quase como o bar de um hotel. Ela também o contou sobre seu serviço de secretária e como desejava mais da vida do que apenas aquilo. Compartilharam as inconstâncias e as dificuldades de sua vida e Amber percebeu que admirava Jacob, pelas raízes que tinha e como nunca desistiu, apesar de tudo. Era um homem bom e único.

Por conta dos assuntos mais sérios, Jacob decidiu que queria descobrir mais sobre a vida de Amber.

— E então, como era sua vida antes do Jack?

Ela não esperava esse tipo de pergunta, mas gostou da curiosidade.

— Para ser sincera, eu quase não me lembro mais da minha vida sem o Jack. Eu tinha só dezessete anos quando descobri que estava grávida. — ela balançou os ombros, vendo-o arregalar os olhos. — Mas pelo que me lembro... Eu não era uma boa menina.

Ele franziu o cenho.

— Como assim?

— Talvez se eu falar, você desista desse encontro. — fez charme, balançando a cabeça.

— Tarde demais, não vou a lugar nenhum, senhorita.

O sorriso dos lábios dela brilhou nos olhos dele.

— Eu aprontei demais, estava sempre metida em problemas. Talvez pela necessidade que eu tinha de me reafirmar. Sempre quis ser mais do que poderia ser. Não estava satisfeita comigo ou com minha aparência. Eu só sabia existir quando era desejada... — ela pigarreou, tentando mudar de assunto, pois não queria citar o nome do diabo. — Fiz muitas coisas que me arrependo e outras nem tanto.

Jacob respirou fundo, observando a mulher a sua frente. Havia uma longa história por trás daqueles belos olhos azuis e ele estava ansioso por descobri-la.

— Jack faz parte de qual dessas coisas?

Ela comprimiu os lábios.

— Não me arrependo de ter o Jack, eu estaria perdida hoje em dia, se não fosse por ele. Arrependo-me de ter me envolvido com Frank, isso sim. Mas Jack... Eu aprendi muito com ele. Foi a única coisa boa que Frank trouxe para minha vida.

Jacob percebeu como a expressão e entonação de Amber mudou ao falar de Frank, o pai de Jack. Havia dor e mágoa em seu olhar e sua voz indicava raiva e arrependimento na ponta da língua. Ele teve receio de insistir naquele assunto, mas foi mais forte do que ele.

— Esse Frank... Ele machucava você?

Amber desviou o olhar, fugindo do assunto. Suspirou e voltou a olhar para Jacob. Seu coração se acalmou a perceber que era Jacob a sua frente. E era bom ter o olhar dele sobre si.

— Eu não quero que você tenha pena de mim, Jacob. Não quero que me veja como a coitada mãe solteira de uma pobre e doce criança. Quero que me veja como uma mulher, como qualquer outra, e que está atraída por você. — admitiu, mais do que gostaria, mas não se arrependeu.

Jacob mordeu o lábio inferior.

— Acredite em mim, é exatamente assim que vejo você.

Depois de admitir o desejo, a conversa fluiu para um lado mais interessante. Houve trocas de olhares mais instigantes, expressões corporais mais chamativas. Amber permitiu que sua mão tocasse a dele, fingindo não ser proposital. E quando as investida pareceram acabar, Amber olhou para a mesa de sinuca e teve uma brilhante ideia.

— Você sabe jogar?

— O suficiente.

— Por que não me ensina? Sempre quis aprender.

Era a desculpa perfeita para ficarem mais próximos, o que a mesa entre eles impossibilitava. Jacob, claro, concordou. Conduziu-a para a mesa, aproveitando que os outros clientes estavam assistindo televisão. Enquanto ele pegava o taco, Amber esperou alguma piadinha esperta, mas nada veio de Jacob. Estava mesmo lidando com um homem diferente.

Ele ficou por trás de seu corpo, causando o contraste de tamanhos. Ele era mais alto e mais forte, o corpo dela parecia um pequeno encaixe ao corpo dele. Envolveu as mãos em seus braços e a ensinou como segurar o taco e a postura para jogar. O rosto dele ficava a centímetros do seu, ela conseguia sentir a respiração dele em sua bochecha e o cheiro gostoso de seu perfume. Ele explicou algumas coisas, mas ela não conseguiu ouvir, estava encantada ao observá-lo tão de perto.

Depois, ele a induziu a fazer algumas jogadas e acabou surpreendido. Ela conseguiu encaçapar três bolas de uma vez. E, embora não estivessem jogando a valer, ele a elogiou.

— Olha, nem parece sua primeira vez.

Ela aproximou o corpo do dele.

— Talvez não seja. Talvez eu estivesse apenas usando de desculpa para ficar perto de você...

Os lábios dele estamparam o mais belo sorriso. E ele quase encostou o corpo no seu. O problema foi a porta do bar sendo aberta de forma abrupta, o que puxou a atenção dos dois.

De repente, Amber estava estática, encarando a pessoa que acabava de entrar. Um homem de estatura média e pele clara. Seus cabelos espetados eram castanhos, assim como os olhos. Era forte, mas ainda magro. Jacob percebeu a alteração de humor dela.

— Amber...

Ela respirou fundo, virando-se para ele.

— Podemos ir para outro lugar? Eu não... Eu não imaginava que ele estava na cidade.

— É o Frank?

Ela apenas assentiu e não precisou falar mais nada. Jacob segurou sua mão e a conduziu até o balcão, certificando-se de pagar a conta. Aproveitaram o ambiente movimentado para se esquivar de Frank, mas foi inevitável. Quando estavam quase saindo, a voz irritante e rouca alarmou Amber.

— Não fala mais com os outros, Amber? — ele perguntou, se aproximando. — Ah, eu esqueci que não temos nada mais que nos conecte. Exceto um filho.

Ele estava claramente alterado pela bebida, mas ela virou-se a ele mesmo assim.

— Não, não temos mesmo nada um com o outro. Você não tem filho nenhum, você mesmo disse isso para mim. — sua voz indicou um pranto engasgado. Jacob deixou que ela liderasse a situação, apenas permaneceu segurando sua mão. — Fique longe de mim e do Jack!

Ela puxou Jacob pela mão, mas Frank percebeu e não deixou que eles saíssem.

— Olha, vejo que encontrou outro... Está tentando me substituir?

Dessa vez, Jacob não deixou Amber dizer nada. Ele mesmo se aproximou de Frank, fazendo-o recuar.

— Ela já disse que não quer falar com você. Você é surdo?

Ele ergueu as mãos, recuando de medo.

— Calma, amigo. Não estou querendo briga.

— Eu não seu amigo. — disse sério, então deixou-o irritado para trás.

Mais do que depressa, Jacob levou Amber para fora do bar. Ela parecia afetada com aquela surpresa nada agradável. Não era para menos, não via Frank há quase um ano e mesmo quando via, das outras vezes, ele nunca fez questão de ver o filho. Ela passou a mão sobre o rosto, tentando evitar o pranto.

Jacob tocou seu ombro e, de repente, tudo pareceu ficar bem. Ela ergueu o olhar para o dele e sentiu-se confortável novamente.

— Você está bem? Se você quiser, nós podemos...

Ela o interrompeu, segurando em sua mão.

— Já sei um ótimo lugar para irmos. — ela sorriu e foi um sorriso sincero.

Não era longe dali, apenas duas quadras, mas usaram o carro mesmo assim. Também era um bar, mas em um ambiente mais aberto. Havia música e pessoas dançando. Parecia longe de tudo, embora estivessem no centro da cidade. Era um lugar ótimo para esquecer Frank e terminar bem a noite ao lado de Jacob.

Jacob ficou aliviado ao perceber que Amber não deixou o ocorrido destruir a noite dos dois. E mesmo que tivesse a afetado, ela não estava demonstrando. Era só sorrisos, demonstrando ansiedade ao puxá-lo para a pista de dança. O problema era que Jacob não tinha o costume de dançar, muito menos sabia dançar qualquer coisa. Gostava de música, até as mais agitadas, mas não as dançava.

Amber insistiu e ele arrumou uma desculpa melhor.

— Prefiro te assistir. Deixa eu ver você dançar.

Com o rosto ruborizado, ela não conseguiu negar àquele pedido acompanhado de um sorriso. Afastou-se um pouco dele e permaneceu em seu campo de visão, então deixou que o ritmo da música levasse seu corpo.

Ela era graciosa dançando. Seu quadril remexia de forma delicada e instigante. Seus cabelos dançavam junto de seu corpo, rodopiando em volta de sua silhueta. Os ombros faziam movimentos sensuais que refletiam em seus seios. Suas belas pernas a levavam de um lado para o outro, como se ela brincasse com os passos de dança. Era uma visão magnífica, que o fez esquecer de Frank por completo.

Poderia ficar assistindo-a dançar o resto da noite, mas percebeu que estava sendo idiota em não aproveitar. Portanto, ignorando sua inexperiência com dança, ele se aproximou dela. Vendo aquele belo sorriso e par de olhos azuis a recebê-lo, não se importou com mais nada. Apenas envolveu as mãos na cintura dela e deixou que os corpos colados dançassem juntos.

Era uma sensação deliciosa estar com o corpo colado ao dele. Seu corpo parecia encaixar perfeitamente ao dele. Tudo era bom. As mãos grandes dele em torno de sua cintura, fazendo-a parecer ainda menor. O balanço que provocava a fricção de seus seios no peitoral dele. E o cheiro dele era a melhor parte. Amber queria que aquele momento fosse infinito.

No entanto, como tudo o que é bom dura pouco, já estava tarde e ela tinha um filho para cuidar. Quando a música acabou e eles tiveram que separar, pareceu doloroso. Seguiram em silêncio até o carro, sem perceber que estavam de mãos dadas.

Houve um silêncio pesado durante o caminho. O silêncio da dor de ter que acabar um bom momento para seguir a vida. Eles estavam partindo de corpo físico, mas suas almas continuavam naquela pista de dança.

Em determinado momento, Amber respirou fundo e decidiu fazer uma pergunta:

— Você acredita no destino?

Jacob franziu o cenho diante da pergunta e encurvou os lábios.

— Não como a maioria das pessoas, eu... — ele pigarreou. — Bem, posso me aprofundar?

— Claro, por favor, adoro conversas profundas. — na verdade, gostava de ouvi-lo falar.

Ele tomou fôlego e, ainda concentrado na estrada, começou:

— Acredito que o destino seja um conjunto de acasos, mas nossas escolhas que determinam a concretização desse destino. Como no dia em que encontrei seu filho e então, você. Eu poderia ter continuado na casa da minha mãe, porque estava preocupado em deixá-la sozinha num dia de tempestade e porque ela fuma demais, mas eu tinha que ir trabalhar e ela me convenceu a ir embora. Então, eu podia ter pego outro caminho para minha casa, mas eu estava distraído demais ao volante para fazer isso. E seu filho estar lá, naquele exato momento... Isso é o destino. Pequenas oportunidades. E eu decidi acatar.

Amber não soube o que dizer, estava sem fôlego diante daquela resposta. Jacob também não cobrou uma resposta, pelos olhos dela conseguia ver o que estava sentindo e estava satisfeito. Estava satisfeito com tudo e nem a desagradável surpresa de Frank foi capaz de estragar.

Assim que estacionou o carro diante da casa dela, a porta se abriu, revelando Katie. Não deveria estar brava, mas já passava da hora. Eles se entreolharam por um momento.

— Obrigada pela noite. Foi perfeita.

Jacob estava para responder, quando um vulto veio de encontro ao carro. Era Jack e estava saltitante. Amber abriu a porta e foi até ele.

— O que está fazendo acordado? Já é tarde!

Ele balançou os ombros.

— Sabe que não durmo sem você me dar “boa noite”! — um sorriso brincalhão estampou seu rostinho. — E hoje... O Jacob pode me dar “boa noite”, também?

Amber olhou para Jacob, certificando que ele estava ouvindo. Com um sorriso radiante, ele saiu do carro de encontro a Jack. Pegou-o no colo e, junto com Amber, o levou até em casa. Antes de colocá-lo no chão, Jacob acariciou seus cabelos e beijou o alto de sua cabeça.

— Boa noite, Jack.

— Boa noite, Jacob.

Por fim, Jacob virou-se para Amber.

— Bem, acho que agora é minha vez de ganhar "boa noite".

Sorrindo, ele envolveu os braços em seu corpo e abraçou. Com o coração acelerado, Amber o abraçou com intensidade, sem a mínima intenção de soltá-lo.

— Boa noite, Jacob. — sussurrou, beijando a bochecha dele.

E mesmo a contragosto, Amber teve de deixá-lo partir.

Notas finais
Bem, como podem ver... Eu me empolguei! Eu poderia ter só mostrado o encontro dos dois, mas eu não consigo não desenvolver mais. Ainda mais por ser um casal original, que vocês estão conhecendo agora. E eu to amando os dois. Quanto a Frank... Bem, é a primeira aparição dele. Parece pouca, mas acreditem em mim, vocês vão desejar que seja pouca.