Anônimos
4 Apaixonado
Notas iniciais
Segunda-feira, 15:43
Estava procurando algum livro na estante da biblioteca pública sobre arte, pinturas e tals.
Caso vocês não saibam, eu amo desenhar, principalmente pessoas. As vezes eu sento em qualquer lugar, pego meu caderno de desenhos e escolho uma pessoa aleatória da rua para desenha-la.
Peguei um livro, comecei a folhear e vi que não tinha nada de interessante, então devolvi para a estante.
— Precisa de ajuda? — Olhei para o lado e vi um garoto alto, lindo, moreno, sorrindo pra mim, ele me parecia familiar.
— A-ah — Gaguejei — Não, obrigada. — Desviei o olhar dele e peguei outro livro na estante.
— Tem certeza? — Olhei pra ele de novo.
— Ta, eu preciso de ajuda. Tem algum livro que ensina a melhorar as habilidades de desenho? De preferência do realismo...
— Então você é uma artista realista? — Ele falou indo em direção de uma estante bem longe da que nós estávamos. — Se a resposta for sim, você tava no lugar errado.
— Ah, assim... Não digo que sou uma artista, mas eu desenho sim.
— Como é seu nome?
— Clara, e o seu?
— Pedro. Acho que a gente estuda na mesma escola — Ele falou depois de me analisar e pegou um livro na estante.
— Sabia que eu já tinha te visto antes.
— Esse livro é sobre o realismo, senhorita — Ele me entregou o livro.
— Hum — Comecei a folhear o livro e vi uns desenhos e pinturas bem legais, também tinha uns textos. — Beleza, vou levar.
— Não se esquece de mencionar no caixa o funcionário incrível que te atendeu.
— Pode deixar. — Me virei para ir em direção ao caixa, mas ele continuou falando.
— Posso falar com você na escola? — Eu me virei para ele de volta e respondi:
— Ah. Pode... — Falei rindo.
Fui até o caixa e paguei. E sim, eu mencionei o "funcionário incrível que me atendeu", mas falei só Pedro mesmo.
[...]
Sexta-feira, 16:54
Ouvi meu celular apitando loucamente e fui ver quem era.
Pedro: Oie
Pedro: Eu tava pensando aqui
Pedro: Você quer ir no Kaffen agora?
Ele se referia à uma cafeteria norueguesa que abriu á pouco tempo na avenida principal da cidade. Eu bem que estava com fome então aceitei.
Só vesti um casaco por cima da roupa que eu já estava, coloquei um tênis e pedi um uber.
[...]
Cheguei na cafeteria e ele estava sentado numa mesa mexendo no celular. Nós tínhamos nos aproximado bastante depois daquele encontro na biblioteca.
— Oi. — Falei me sentando na frente dele.
— Oi. — Ele largou o celular na mesa e olhou pra mim.
— Você já pediu alguma coisa?
— Não. Tava te esperando.
— Hum... Você ta estranho. — Concluí
— Eu to? — Ele franziu o cenho
— Aham — Falei levantando a mão para chamar o garçom, que logo veio — Eu vou querer um pedaço da torta do dia e uma água sem gás.
— Eu quero um waffle de queijo. Por favor.
O garçom anotou o nosso pedido e se virou indo para a cozinha.
— Então... — Olhei fundo nos seus olhos castanhos — Você vai me falar o que você tem o eu vou ter que bancar a agente do FBI? — Ele riu e ficou em silêncio, até que resolveu responder:
— É que... Eu acho que... — Ele não continuou.
— Fala logo.
— Eu acho que eu to apaixonado por você.
Eu levantei as sobrancelhas, encarando ele, que estava olhando para a mesa.
— Ah. — Foi a única que eu consegui dizer. Ele enfim olhou pra mim.
Eu não sabia o que dizer. Eu não sentia o mesmo por ele, o Pedro era lindo, divertido e tal, mas eu vejo ele apenas como um amigo.
— Pedro, eu... — Comecei
— Ta, é eu... devia ter esperado a gente estar quase indo embora. Agora vai ficar um clima estranho, né? — Ele falou rapidamente.
— É... — Falei levantando o canto direito da minha boca.
Os nossos pedidos chegaram e ninguém falou mais nada. Silêncio total.
Acabamos de comer e eu já ia pedir um uber para voltar pra casa, foi quando vi que eu tinha esquecido meu celular em casa.
— Merda — Pensei alto.
— O que foi?
— Eu esqueci meu celular em casa... Eu posso pedir um uber pelo seu celular e segunda eu te pago?
— A gente não vai se ver esse fim de semana? — Falei brincando.
— Huum, não sei.
— Toma — Me entregou o celular.
Eu pedi um carro e logo ele chegou.
— Er... Tchau — Eu falei e nos abraçamos meio sem jeito.
— Até mais.
[...]
Cheguei em casa e fui procurar o meu celular que estava jogado na minha cama. Vi que tinham muitas mensagens do Any Boy.
Any Boy: Oi Julieta.
Any Boy: Como foi seu dia?
Any Boy: Ok
Any Boy: Vai me ignorar agora?
Any Boy: Julieta
Any Boy: Clara
Any Boy: Droga Julieta, eu to ficando preocupado.
Any Boy: Ok, se você desinstalou o aplicativo, você nunca mais vai poder falar comigo.
Li todas as mensagem e não conseguia parar de rir.
Clra: Oie
Clra: Calma Romeu kkkk
Clra: Opa, Anthony*
Any Boy: Caralho, onde você tava?
Clra: Com um amigo.
Any Boy: Vai me trocar por ele agora?
Clra: Kkkkk
Clra: Não
Any Boy: Hum.
Clra: Ciúmes, senhorito?
Any Boy: Eu só fiquei preocupado ué.
Any Boy: Se alguma coisa acontecesse com a minha Julieta eu não sei o que eu faria.
Clra: Awwnn, que fofinho Romeu.
Any Boy: Sim, eu sou um príncipe.
Clra: E respondendo a sua pergunta: Meu dia foi estranho.
Clra: Meu amigo me mandou mensagem me convidando pra ir num café novo, eu fui e esqueci o celular em casa. Lá ele disse que acha que ta apaixonado por mim, aí ficou um clima estranho.
Any Boy: Hum
Any Boy: Se fosse eu você diria que ta apaixonada?
Clra: Que? kkkkk
Clra: Não sei
Any Boy: Eu diria
Clra: Vish
Any Boy: É sério, você é incrível e eu não paro de pensar eu você.
Eu não sabia o que mandar, então não mandei nada.
Any Boy: Você pode não estar apaixonada, mas você gosta de mim.
Any Boy: E também não para de pensar em quem eu sou.
Clra: Ta, isso é verdade.
Any Boy: Boa noite, Julieta
Clra: Boa tarde, Anthony.
Any Boy: Você pode me chamar de amor, mozão, gostoso ou bebê, porque Anthony não é um nome tão legal assim.
Clra: Eu gosto de Anthony.
Clra: E esses apelidos que você disse não combinam com você.
Any Boy: Como você pode saber que eu não sou gostoso?
Clra: Porque gostoso é a única coisa que tem a ver com a aparência, e eu não sei como você é.
Any Boy: Eu também não sei como você é, e eu gosto disso.
Nos despedimos novamente e depois eu fui tomar um banho, coloquei meu pijama quentinho e fui até a sala, me jogando no sofá e ligando a tv.
— Lena, ta dando Detona Ralph você quer ver? — Gritei chamando a minha irmã.
— To indoo! — Ela gritou vindo até mim.
Fale com o autor