Anxiety wants to play

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
A fic foi inspirada pela creepypasta "Audino Wants To Play", imagino que quem conhece deve ter desconfiado pelo título k Espero que gostem, apesar do tom mais sombrio. :o Links para a creepypasta: http://www.poke-blast-news.net/2014/01/creepypasta-audino-wants-to-play.html (aviso: body horror!) https://tokenduelist.deviantart.com/art/Audino-Wants-to-Play-ORIGINAL-PASTA-201864377

Estava com problemas. Era a quarta vez que Nate se propunha a enfrentar Roxie em seu ginásio e terminava a luta em derrota, o dinheiro que dispunha quase se esgotando, provavelmente sendo possível apenas mais uma luta, e não havia mais treinadores próximos para desafiar.

Tinha apenas dois pokémon até aquele momento, um Patrat e um Servine, que com dificuldade tentavam suportar o Venoshock que o Whirlipede da líder de ginásio possuía.

Restava-lhe como opção apenas fazer seus pokémon lutarem contra os pokémons selvagens que àquele ponto poderiam oferecer pouquíssima experiência. Quer dizer, teve uma surpresa quando, ao passar pela grama alta algumas vezes, a procura de “desafiantes”, encontrou um Audino e, derrotando-o, ganhou três ou quatro vezes mais experiência do que normalmente seus pokémon conseguiriam.

De um canto obscuro de sua mente, lembrou de um conselho de Cheren quando estava saindo de sua cidade natal. “Que a grama que se mexia mais que o normal podia esconder algo interessante”. Ficou mais contente. Não demoraria para chegar até a próxima cidade, ainda havia muito lugar para explorar. Muitas pessoas e amigos para conhecer...

Se ele soubesse de sua existência antes, ele adoraria ter tido um Audino em sua equipe. Mas, por aquele momento, estava seguindo uma dica de uma das pessoas que conheceu até ali de manter um time equilibrado, de “tipos” diferentes. E ele já tinha seu Patrat como tipo Normal. Então, apenas tinha se concentrado em derrotar o outro pokémon.

O que não contava era que, após o término da luta, depois de mais alguns passos pela grama, encontrou mais um Audino para uma batalha. Nate achava que suas aparições deveriam ser mais especiais?

De toda forma, ali estava mais um Audino, e apesar de sua aparência lhe incomodar para que fosse um adversário, ele não queria se demorar mais tanto tempo naquela cidade depois de conhecê-la o suficiente. Dessa forma, ele sacou seu pokébola mais uma vez.

Tinha sido um gesto automático, recentemente tinha realizado lutas pokémon o suficiente para que aquele posicionamento já se tornasse um hábito, mas se surpreendeu com o estado do pokémon que encontrou. Aquele Audino não deveria ter energia o bastante para lhe oferecer um ataque sério, muito menos para manter aquele olhar intenso sobre ele.

(Era impressão sua, ou aquele pokémon estava querendo lhe dizer alguma coisa?)

Contudo, o Audino mesmo naquelas condições se jogou contra seu Servine para usar um Double Slap. Nate estava confuso com aquela situação (por quê aquele pokémon selvagem estava se forçando àquele ponto?), e acabou por não dar um comando para seu Servine.

Entretanto, pressentindo perigo, o pokémon reagiu utilizando um Vine Whip em seu agressor.

Com a energia já baixíssima, o Audino foi derrotado. Como o anterior, que Nate e seu time tinham enfrentado antes desse, correu para dentro da grama alta, desaparecendo da frente dele e de seus pokémon. Era mais uma vitória, e seu Servine pareceu mais forte por conta da experiência adquirida.

Provavelmente mais algumas poucas lutas seriam o bastante para que ele voltasse a desafiar a líder de ginásio. E tudo se resolveria: ele enfrentaria os outros líderes, bem como conheceria novos pokémons, e pessoas, e cidades, continuando sua aventura por aquela região. Mas não sem antes encontrar aquele terceiro Audino...

Andando mais um pouco, a sua frente apareceu uma grama que se movimentava mais que o normal, e isso não deveria ser comum, realmente. Pensou em se comunicar com Cheren por meio do Xtransceiver que recebeu. Todavia, seus movimentos, por um motivo desconhecido, travaram.

(Não era tão desconhecido assim, mas ele não queria admitir: a ansiedade estava aparecendo, pesando seus músculos e bloqueando sua fala, um desconforto lhe vinha como se tivesse sido acertado por um Wrap)

Ele ficou encarando aquela grama se mexer mais e mais, ficando cada vez mais violenta. Mais urgente. Anxiety* estava aparecendo, grudando em sua pele como um Sand Attack, e ele se sentia aos poucos se perdendo. (Ele “não queria morrer”, apesar de que sua mente estava justamente começando a dizer o contrário do que gostaria. Aquilo não deveria ser real, não mesmo)

Ia ser a terceira vez, por isso, não dava para negar a realidade, já era coincidência demais. Quando apareceu cansado/impaciente/irritado/enlouquecido pela demora de Nate em ir encontrá-lo, aquele Audino apareceu péssimo, sua voz era bem mais abatida que as dos outros dois Audinos, isso porque era o mesmo.

O Vine Whip de seu Servine se mostrava existir no olho ensanguentado do pokémon, que provavelmente tinha sido acertado em cheio ali pela última batalha. Isso junto as marcas no corpo que o Strength de seu Patrat havia feito na primeira luta se mostrou um conjunto terrível no corpo do Audino.

Queria ter dito “sinto muito”, mas não parecia que o pokémon tinha espaço em seu coração para qualquer palavra sua. Apesar de ele continuar sorrindo, mesmo com lágrimas de dor saindo de seus olhos.

Nate tinha alguma escolha? Ele poderia tentar capturar aquele Audino naquelas condições, mesmo com todo aquele ódio que mostrava, e levá-lo para o centro pokémon mais próximo.

(Não... tinha certeza que tinha um médico por aquela área que poderia ajudá-lo nesse caso.)

Olhou para seus pokémon, seu time, de forma que conseguisse algum apoio mental para fazer isso, pois seu corpo todo tremia, seu raciocínio a custo se mantinha. Mas qualquer boa intenção sua se quebrou, junto a estabilidade de seu coração, quando seu olhar concluiu seu percurso.

Só existiam Audinos. Audinos e mais Audinos em seu time. Também ao redor, movimentando cada vez mais depressa as gramas, tornando-as cada vez mais violentas. Sufocantes.

E estavam todos sorrindo para ele. E estavam todos machucados também. Por ele? Não... provavelmente só tinha tido muito azar, muito azar mesmo...

Uma vez que só havia Nate naquele lugar, naquele momento, para terminar a brincadeira que havia começado sem ele saber. Que tinha se tornado tão comum que nem ao menos se observou o dano feito, aquele brilho se perdendo daqueles olhos...

... ele realmente tinha morrido aquele dia. Nunca mais seria o mesmo...

...

...

... algo havia mudado. Algo com certeza havia mudado. Sua cabeça estava leve, mas não era de uma leveza pacífica. Estava se sentindo cansado, como se tivesse acordado de um longo pesadelo.

E se alguém lhe perguntasse porque haviam apenas Audinos em sua equipe não haveriam explicações claras...

(Ele apenas daria um sorriso, prestes a chorar.)

Notas finais
* Está escrito com letra maiúscula, pois se trata de ler essa emoção como um golpe, assim como Wrap, por exemplo. Até!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!