Antriostatem
3 Descoberta
POV. Harley
Cheguei em casa correndo como nunca tinha corrido antes. Meus pais estavam na sala em pé me esperando, os dois abraçados e minha irmã sentada aos pés deles:
–Por que você tem que ir embora? -disse Nicole
–Ah, Nicole. Eu sinceramente não sei -Fui até ela e a coloquei em meu colo- você sabe que eu te amo muitão né? E que eu vou voltar pra você.
–Eu sei, mas vou sentir saudades. -ouvi um soluço, e vi que minha mãe chorava sem parar, meu pai abraçou-a. Levantei e me juntei ao abraço, Nicole fez o mesmo.
–Nós te amamos filho, e desculpe por não ter contado sobre a origem de nossa família antes. Mas foi para o seu bem. -disse meu pai.
–Está tudo bem, mas eu tenho que correr, Jeffrey me deu apenas vinte minutos e já se passaram quinze. Obrigado por terem arrumado minha mala, o que vocês colocaram aqui?
–Tudo que vai precisar, coloquei também, seus livros, seus mangás, seu Macbook, e uma coisas que você pode precisar. -assim que minha mãe terminou de falar, voltou a chorar.
–Vamos te levar de volta, vá para o carro, Nicole ajude seu irmão a por as malas no carro.
–Sim papai.
Já tínhamos colocado as malas, entramos, Nicole me abraçou, mas não foi uma abraço qualquer, foi o mais sincero de todos. Não disse nada, apenas fiquei em silêncio, retribui o abraço e percebi quando ela começou a chorar.
Meus pais entraram no carro. Meu pai ligou a ignição, deu ré e acelerou em direção a casa de Ana. Na metade do caminho, minha mãe se virou e me entregou algo prateado e começou a falar:
–Querido, quase me esqueci disso, esse é o Lobo Branco, o animal guardião da nossa família. Enquanto estiver usando esse colar, e enquanto o sangue do clã Lewis correr em suas veias, você estará seguro. Promete que vai usar?
–Prometo. -parei para observar o colar em minhas mãos. Um colar feito de prata, com um pingente de lobo perfeito, atrás do pingente estava escrito algo em uma língua que eu não conhecia:
–A Ana tem um igual, porém é um tigre. E o que está escrito aqui?
–É verdade, o clã Pureblue é guardado pelo Tigre Branco. Nossas famílias são aliadas desde os tempos da criação. E sobre o que está escrito aí, você saberá quando falar a língua dos Lobos.
Chegamos a casa de Ana. Desci correndo e fui direto para a sala. Lá, os móveis tinham sido afastados e Jeffrey estava desenhando algo na parede, um pentagrama. Por fim quando já estava quase terminado o desenho (na minha opinião estava acabando), meus pais entraram na sala, minha mãe foi em direção a Elizabeth e Joshua, os pais de Ana. Meu pai me entregou minhas malas, me abraçou fortemente e saiu sem dizer nada:
–Está tudo pronto. -disse Jeffrey
–O que está pronto? -falou Ana descendo as escadas.
–O nosso portal para Aceldama. Temos que partir agora. -Jeffrey recitou algo que parecia uma música, porém em uma língua aparentemente desconhecida. Então o desenho na parede brilhou, e se expandiu.- Vamos?
Olhei para meus pais, agora os dois choravam, e os pais de Ana também. Fui correndo até eles e dei um abraço de urso, dei um beijo no rosto de minha mãe e outro no de meu pai. Minha irmã me cutucou, olhei para ela, enxuguei as lágrimas, e sorri. Dei um último abraço nela e um selinho (era uma mania nossa). Quando estava indo em direção a Jeffrey, Nicole veio correndo e me entregou George, seu urso de pelúcia favorito. Aquilo foi como uma facada em meu peito, não consigo descrever a dor que senti. Ana já estava do meu lado. Patrick e Raphael -que eu não havia notado até agora- já estavam quase entrando no portal, seguidos de Jeffrey, Ana e eu.
–Eu te amo mãe! Eu te amo pai! -disse Ana
–Nós também te amamos!
–Até mais pais. Sei que vamos nos ver de novo. -disse. Os gêmeos já tinham pulado no portal, Jeffrey virou-se para Ana e eu e disse:
–Quando entrarem no portal, pensem apenas na palavra Aceldama, se não vocês podem acabar parando no vácuo do mundo, e morreram, magia de portal é complicada e difícil de ser feita, tomem muito cuidado! -e pulou no portal.
Era nossa vez, eu e Ana, demos as mãos e quando íamos pular:
–Espere! -eu disse- Quase me esqueci, EU AMO VOCÊS!
E pulamos.
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Dor, era só isso que eu sentia. olhei para os lados procurando por Ana, ela aterrissou a alguns metros de mim. Tentei ficar de pé para ir na direção dela mas, no momento em que botei meu pé no chão a dor aumentou e eu percebi que tinha quebrado o pé. Ana veio até mim:
–Ei, tudo bem?
–Mais ou menos, acho que quebrei o pé. -Ana olhou nos meu olhos, como se estivesse com pena e então caiu na gargalhada.
–Se fodeu! Haha.
–Nossa, obrigado em.
–De nada, é isso que melhores amigos fazem.
–Cala a boca e me ajuda aqui, piranha! -Passei o braço em torno do pescoço de Ana que me ajudou a ficar de pé.
–Obrigado, você viu o Jeffrey e os gêmeos?
–Acho que eles pararam mais pra frente, vamos!
–Partiu. -A dor ainda era muita mas com ajuda eu conseguia caminhar.
Caminhamos uns cem metros até nos encontramos com Jeffrey.
–Tudo bem pessoal? -Disse Jeffrey.
–Sim, mas o Ley quebrou o pé. -Falou Ana.
–Ley? Quem é Ley?
–Ah, é o apelido que eu dei pro Harley, Harley é muito cansativo de falar.
–Tá né. Vamos, Patrick e Raphael foram na frente para avisar os guardas dos portões. Ah, já que é assim, me chamem de Jeff.
Jeff nos guiou até os portões de Aceldama. Grande, muito comprido, cheio de armas de defesa e ataque, e alguns brasões espalhados pela muralha. Era parecido com a muralha da China porém maior, muito maior, e com armas e tudo mais, como uma barricada de guerra e a cor, preta o muro era todo preto, havia torres de vigilância com guardas lá em cima, de onde estávamos era apenas pontinhos pretos. Jeff foi a frente e começou a falar, não sabia como ele esperava que os sentinelas o ouvissem mas pelo visto ouviram:
–Jeffrey Morahollow, Quarto Esquadrão, com dois novos recrutas.
Os portões baixaram e Jeff acenou com a cabeça para seguirmos ele, e foi o que fizemos.
No túnel do portão era todo pintado, as pinturas contavam uma historia na qual n consegui prestar atenção por causa da dor. Vários guardas estavam espalhados pelo túnel, todos nos olharam com uma expressão aconchegante, como se fossemos todos da mesma família.
Ao sairmos do túnel uma menina veio correndo em nossa direção. Era asiática, cabelos prateados com mexas rosas, roxas e azuis, era raspado dos lados.
–E aí, Jeff. Quem são esses?
–Oi Soldado Fukashi. São os novos soldados, preciso que você arrume um horário os mais rápido possível para o teste do dois!
–Já falei pra não me chamar de soldado! Eu tenho um nome!
–Mas eu não ligo. -A menina revirou os olhos e olhou para nós.
–E aí pessoal! Muito prazer, Aline Johio Fukashi, Terceiro Esquadrão, Espionagem.
–Muito prazer, Harley Gabriel Lewis, essa é Ana Caroline Pureblue. Hm, não sei qual é nosso esquadrão.
–Ai meu Deus! Clã Lewis e Pureblue! A tempos não vimos nenhum de vocês, são os primeiros em quinze anos. Um dos clãs mais poderosos de Aceldama. Meu clã é o Fukashi, o animal guardião é o Cervo Branco. Vocês iram fazer o teste para determinar seus esquadrões quando seus três Dons já tiverem aparecidos, já tem algum?
–Nem temos ideia do que você tá falando. -Disse Ana.
–Aline, leve eles ao alojamento temporário, Harley precisa ir para a enfermaria, coisa simples, pé quebrado, qualquer estagiário com o Dom de Cura da conta do recado. -Disse Jeff
–Beleza! Vamos?
–Vamos. -Falei
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