Antigos Sentimentos
21 Cartas na mesa/ parte dois
Notas iniciais
Este cap está grande, desculpe-me não deixa-lo menor, mas achei que era muita tortura.
Pov: Autora.
Ela ainda estava de olhos fechado, quando sentiu a aproximação de alguém, impossível não saber que era depois de tantos anos de convivência. Era Thalia, com sua respiração pesada e passos barulhentos. Com certeza viria tomar satisfação sobre os fatos ocorridos, mas nada Annie poderia dizer-lhe, afinal, de uma forma ou de outra ela sabia que seria, e pensando por um lado, tudo estava indo até fácil de mais. Nada de monstros ou ameaças realmente perigosas, de uma forma ou de outra, o caminho até ali fora fácil. Exceto pelas incansáveis mudanças de planos de data e hora do sacrifício de Helena. O mais difícil, eram os conflitos internos que estava sofrendo, a constante volta do passado, de certa forma aquilo estava matando-a por dentro, á cada dia doía mais àquelas cicatrizes que ele fizera em seu coração e que ela nunca conseguiu curar.
Ela sentiu Thalia chegar mais perto. A morena estava prestes a começar a falar, mas antes que a mesma pudesse tomar um pouco de ar ara falar, a loira a interrompeu.
-Eu sei o que vem fazer aqui Thalia, mas Rachel está certa. Sem falar que eu não quero arriscar perder nenhum de vocês. E quando falo vocês quero dizer vocês quatro. –a loira disse de uma vez, deixando a morena assustada.
-Do quê está falando?
-Você sabe. –ela abriu os olhos. E Thalia suspirou.
-Desde quando sabe? –ela perguntou.
-Desde uma semana antes de Helena desaparecer, eu vi você vomitando. Duas semanas?
-Acho que sim... Você é muito chata Annie, eu não contei nem para ele.
-Eu sei guardar segredo.
-Isso não tira todas as minhas dúvidas. Vai mesmo confiar na Rachel?
-Vou, sei que é assim. Sempre foi. Você tem que aceita isso. Apenas me deseje sorte. –Annabeth disse, sua voz parecia cansada.
-Odeio quando está sempre certa. –Thalia suspirou.
-Eu estou com medo. –Annabeth confessou depois de um segundo.
-Promete que vai tomar cuidado?
-Prometo. –elas se abraçaram, uma coisa não só de amigas, mas de quase irmãs.
Já se passara alguns segundos, Annabeth se levantou, deu adeus aos amigos e caminhou até Percy, que já estava dentro do carro. Seu coração bateu forte, estava com medo por Helena, mas também pelo fato de estar tão perto dele. Ela queria odiá-lo, queria gritar que sua presença lhe trazia repulsa, mas nem isso conseguia, nem mesmo mentir sobre isso. Uma parte dela queria correr daquele carro, sem dar explicações e salvar a filha sem ajuda, mas a outra parte, a parte sensata, sabia que isso era suicídio. Ela não queria morrer, ainda não, não sem antes esclarecer, saber de tudo, mesmo que a verdade doesse mais do que as mentiras e confusões do passado. Mas a única coisa que ela foi capaz de fazer foi, sem nem sequer olhar para aqueles lindos olhos verdes, colocar o cinto de segurança e fingir que eles eram apenas conhecidos que estão num ato supernormal de dar carona uma para outro. A cabeça dela martelava, assim como o coração, mas uma vez ela via-se dividida entre a razão e o coração, antes, ela confiou a vida e as escolhas ao coração, e viu no que deu, mas de certa forma, a razão fazia com que o caminho, a pesar de seguro, ser doloroso, e definitivamente, ela não queria sofrer mais.
Mas num súbito, ela quis saber de algumas coisas, aquilo iria perturba-la pelo resto da vida, e como não sabia ao certo o que lhe aguardara, resolveu perguntar, logo depois de Percy ligar o rádio do carro:
-Por que fez isso? –ela perguntou sem olhar para ele.
--Queria ouvir musica.
-Não estou falando disso. Quero saber por que me deixou lá sozinha depois de tudo que aconteceu. –ela gritou com raiva.
-Tenho um bom motivo. –ele disse sombrio.
-Diga-me.
-Não posso.
-Ora, Percy não me faça de besta.
-Eu apenas não podia, achei que você iria entender.
-Ah me poupe... Acha que eu iria simplesmente levar numa boa? Você não sabe o que fez, e nem sabe o que quebrou!
-Eu tive um bom motivo...
-Então, me diz!
-Deuses.
-É só isso que vai me dizer... “Deuses”
-Ok, quer uma explicação. Você vai ter uma explicação! Eu estava tentando salvar a sua vida!
-Como?
-Se eu ficasse com você, se eu continuasse com você, as harpias iriam invadir o quarto e nos matar dormindo!
-De quê raios está falando?
-Eu sonhei com uma invasão, e com você morta! Se eu não fosse lutar contra elas, provavelmente você estaria morta agora! –ele gritou, eles não tinham percebido, mas o carro estava parado.
-Ah, nossa, o quê você quer? Que eu me ajoelhe e aclame o quanto herói você é?
-Não, outra coisa serve.
-O quê?
-Me beije.
-Ora, não seja besta, acha mesmo que eu vou fazer isso?
-Sim acho, não custa nada você engoli um pouco o seu maldito orgulho.
-O meu “maldito orgulho” é a única coisa que me mantem ainda sensata. Você não sabe o que me fez, não sabe pelo que eu passei.
-Não tenho culpa do que aconteceu no passado!
-Tem sim, se você tivesse me dito a verdade antes, se tivesse me procurado ao menos. Não sei, mas isso poderia ser bem mais fácil hoje.
-Eu não te procurei porque você já tinha uma vida.
-Ah, claro, a minha vida solitária de ter de educar uma garotinha sem poder dizer que o pai dela não me procurou e nem sabe da vida dela. Eu não quero nem saber como foi a sua vida, eu até imagino, você com seus amigos loucos, curtindo a vida nem boates e quem sabe até em Vegas!
-Eu não fiz nada disso. Poderia fazer isso e pensar que eu passava minhas tardes, noites e dias esperando uma ironia do destino para poder te ver de novo.
-Você sabe que eu não segui em frente, sabe que eu fiquei presa no passado te esperando!
-Então...
-Então... O quê?
-Faça o que eu te pedi... –ele disse como uma brincadeira. Sorrindo maroto.
-Eu esperei tanto por você...
-Ei. –ele olhou nos olhos dela, bem no fundo, se perdendo no cinza, coisa que ele tanto ama. – Não sei se você se lembra, mas... Eu te amo.
-Eu também...
E assim, ele uniu os lábios dos dois, com sempre, ela pode ver fogos de artifício, o cheiro de maresia predominava, e ela não pode deixar de corresponder. Um beijo tão delicado quando profundo, ela não poderia quere coisa melhor. Mas, como sempre há um “mas”, algo tinha de lembrar que sua vida não era um conto de fadas. Eles ouviram um barulho, como se algo fosse jogado em cima do carro.
-Percy, olha para frente! –gritou Annabeth vendo o monstro que os observava.
-Droga! O carro não pega. Vamos ter que lutar.
-Você ainda tem anaklusmos?
-Claro.
-É um começo!
Eles saíram do carro, Annabeth empunhou sua velha faca de bronze celestial. E eles partiram para a luta. Mas antes que qualquer um pudesse fazer algum movimento. Uma flecha surgiu do nada. Atingindo Annabeth.
-Não! –Percy gritou quando a viu caindo ao chão.
Notas finais
Beijos.
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