Anti-Heróis
5 Caos Que Você Me Traz
Notas iniciais
Edward Cullen
— Não ouço muita música além daquela que toca na boate. — Ela deu de ombros, fazendo uma careta.
— Nem quando chega em casa? Quando vai fazer uma faxina, sabe? — Questionei, meus olhos curiosos sobre ela.
— O quê? Não. — Marie riu e bebeu um gole do vinho. — Você é engraçado, Edward. Não conseguiria escutar uma música inteira ao limpar minha casa. Ela é realmente pequena. Além disso, não tenho celular ou internet.
— Nem televisão? — Franzi o cenho.
— Tenho. — Ela revirou os olhos e se recostou no sofá. — Mas só pegam dois canais.
— E em nenhum deles toca música?
Marie deitou a cabeça no encosto do sofá e sorriu.
— Eu não sei. Não fico com a televisão muito tempo ligada porque acho que é um desperdício de energia elétrica.
— Garota consciente. — Elogiei, vendo o seu olhar encontrar o meu.
Ela pressionou os lábios e balançou a cabeça em negação.
— Vou deixar você me surpreender, Edward. — Piscou para mim e bebeu mais um gole do seu vinho antes de colocar a taça sobre a mesa.
— Não tenho exatamente um estilo, mas gosto de ouvir desde músicas clássicas até rock.
— Tudo bem. Eu não vou te julgar. Não conheço absolutamente nada. — Marie insistiu.
— Temos que mudar isso, Marie. — Falei logo após colocar The Neighbourhood para tocar.
— Comprarei um rádio se isso te deixa feliz. — Provocou com uma sobrancelha erguida. — Essa é boa.
— É uma das minhas preferidas. — Comentei com um pequeno sorriso. — Estou em um clima indie ultimamente.
— Indie... — Marie soprou, assentindo e olhando para o teto. — É muito boa. Se parece com o meu sentimento constante.
— Melancolia? — Questionei, atraindo o seu olhar.
Não consegui a sua resposta porque logo Jasper irrompeu pela porta, cortando a nossa atenção para ele.
— Olá! Uau, não achei que estivesse mesmo aqui. Achei que fosse apenas o Edward tentando me atrair para cá o mais rápido possível. — Jasper falou, sem filtro.
Marie riu e eu poderia jurar que corou.
— Podemos falar sobre um programa mais tarde, mas antes preciso que me ajude a falar com Chelsea ou Heidi. Acredito que Edward tenha dito à você que estou com alguns problemas de comunicação. — Ela disse, projetando o corpo para frente enquanto o meu amigo pegava uma taça de vinho para si.
Me surpreendia ainda com a naturalidade com que ela se oferecia para qualquer um de nós e não sabia se me acostumaria mesmo sabendo que ela era uma profissional que trabalhava com o corpo.
— Ele disse, mas acho melhor você tentar uma ligação do número dele porque não sei se elas me atenderão. — Jasper fez uma careta e se sentou ao meu lado.
Ao ver a expressão confusa de Marie, eu tratei de explicar:
— Jasper insistiu tanto em Chelsea e Heidi que elas acabaram bloqueando o número dele.
— E por que elas fariam isso? — Marie franziu o cenho.
— Eu sei, certo?! — Meu amigo exclamou e eu gargalhei.
— Porque ele se declarou apaixonado e, bom, elas não estavam procurando por um amor. — Dei de ombros.
Marie gargalhou, colocando a mão na barriga e eu a acompanhei.
— OK, OK. Não tem graça. Eu estava alcoolizado. — Jasper murmurou. — E se continuarem a rir, eu não os ajudarei.
— Claro que ajudará. — Marie disse após respirar fundo e jogar os cabelos sobre os ombros.
— É claro que ajudarei. — Concordou imediatamente e eu revirei os olhos.
Peguei o celular de suas mãos e passei a digitar o número de Chelsea em meu celular quando o encontrei nos contatos de Jasper. Entreguei o meu aparelho para a garota e ela pegou de imediato, caminhando para a cozinha para ter alguma privacidade.
— O que você estava pensando quando convidou este monumento para a nossa casa? — Jasper perguntou depois de bater em meu braço.
— Primeiro: ai. Segundo: para a sua surpresa, foi ela quem se convidou. — Olhei para Marie, que agora falava com a pessoa do outro lado da linha enquanto mordiscava a sua unha.
— Se eu fosse você pedia uma foda pelo favor. — Ele falou, chamando a minha atenção e eu lhe lancei um olhar feio. — O quê? Só estou dizendo que é o que eu faria e é o que ela está esperando.
— Não é por ela estar esperando que eu vou pedir uma foda ou qualquer outra merda.
— Seu celular está fazendo um barulho engraçado. — Marie se aproximou, entregando o aparelho para mim.
— Deve ser a comida que chegou. — Comentei, vendo que o entregador já havia chego. — Jasper, vá pegar a nossa comida.
— Mas... — Olhei para ele, trincando os dentes. — Tudo bem. — Resmungou, saindo do apartamento poucos segundos depois.
— E então? Tudo bem? — Perguntei, vendo Marie sentar ao meu lado.
— Tudo péssimo. — Ela bufou e deitou a cabeça no encosto do sofá. — Ao que parece, não adiantou o Laurent tentar subornar os policiais e nós teremos que esperar mais para a reabertura da boate. Pelo menos até as coisas se acalmarem. — Marie virou o rosto na minha direção.
— Ou seja...
— Ou seja, mais tempo na rua. E tudo por minha culpa.
Eu deitei a cabeça no encosto do sofá como ela e fiquei olhando em seus olhos castanhos tristes.
— Não fui sua culpa. — Murmurei e contive a vontade de acariciar o seu rosto. — Você tinha todo o direito de dizer não. A culpa é daquele babaca.
Marie franziu o cenho e ergueu a cabeça, aproximando o seu rosto do meu.
— Por que você é tão legal comigo? — Soprou com o seu rosto a centímetros do meu, nossos narizes quase se tocando. — Por que é tão legal e nunca quis nada em troca? Você é gay?
Ri baixo e balancei a cabeça em negação, olhando os detalhes das suas íris.
— Eu não sou gay, Marie. — Declarei e a vi se afastar no segundo em que a porta se abriu.
— Entendo. — Murmurou, se levantando. — É melhor eu ir.
— O quê? Não, espera! — Me levantei de imediato, entrando em sua frente. — O que foi? Fique conosco para o jantar.
— É melhor não, Edward. Eu preciso trabalhar. Estou aqui apenas perdendo tempo e dinheiro. — Falou, sem me olhar e tentando alcançar a sua bolsa no aparador.
Deixei que ela passasse, mas continuei atrás dela. Não queria ter aquela discussão na frente de Jasper, principalmente por saber que o meu amigo não tinha o filtro do cérebro para a boca. Repassei a conversa que havíamos tido há pouco, pensando se havia dito algo de errado, se ela havia entendido algo errado, mas eu nunca saberia se não perguntasse.
— Marie! — Chamei quando já estávamos na calçada. — Marie, o que eu disse de errado?
— Não disse nada de errado, Edward. — Marie se virou para mim e eu podia ver seus olhos marejados. — Esqueça, OK?
— Não vou esquecer. — Balancei a cabeça em negação e me aproximei dela. — O que eu disse que te magoou?
Marie deu uma risada debochada e balançou a cabeça em negação, desviando o olhar para a rua.
— OK, você não quer me dizer porque está muito irritada no momento, eu entendo. Mas o que acha de nos encontrarmos na segunda-feira e conversarmos com mais calma? — Sugeri e vi o seu olhar confuso na minha direção. — Eu te digo aonde trabalho e você pode me encontrar lá para um almoço.
A garota me olhou por um momento.
— Por que você se importa? — Perguntou em um sussurro.
Pensei por um momento, engolindo em seco e umedecendo os lábios.
— Eu não sei. Eu só me importo e quero ser o seu amigo.
Marie respirou fundo e assentiu.
— Amigo. OK, me diga onde trabalha e eu pensarei sobre a sua proposta.
xxx
— O que você fez para a garota sair correndo? — Jasper perguntou quando me sentei no sofá e comecei a comer.
— Não faço ideia, mas estou disposto a descobrir.
Nós ficamos em silêncio por um momento, mas eu podia sentir o olhar dele sobre mim e não demorou para ele voltar a falar:
— Edward, eu sei que não tenho nada a ver com a sua vida, mas não coloque toda a carga sentimental de Irina nessa garota. — O teor do assunto atraiu a minha atenção e eu parei de comer para olhá-lo. — Em primeiro lugar porque ela é uma puta e você notou por Chelsea e Heidi que elas não tem coração, e em segundo lugar porque não é justo com ela.
— Jasper, eu não estou criando expectativas de um relacionamento com a Marie. Só acho que ela mereça ter amigos que se importem com ela. — Dei de ombros.
— O que te faz pensar que ela não tem amigos? — Ele ergueu uma sobrancelha.
— Ao contrário de você, eu prestei a atenção de verdade na mulher e não só em seu corpo.
— Me desculpe por querer transar com uma mulher gostosa. — Jasper ergueu as mãos para cima logo após deixar a sua caixa de comida em cima da mesa de centro. — De qualquer forma, achei melhor falar do que deixar você mergulhar em algo sem futuro.
— Fique tranquilo, eu só estou sendo um bom amigo. — Garanti.
— Podiam ter benefícios. — Murmurou e eu semicerrei os olhos na sua direção. — Só estou dizendo!
— Você fala muita merda. — Resmunguei e peguei o meu celular, vendo mensagem de um número desconhecido e abrindo um pequeno sorriso. — Sua preciosa quer transar comigo.
— O quê? — Jasper pulou do seu lugar e veio sentar ao meu lado, tomando o celular das minhas mãos. — Merda! Você vai, não é?
— Claro que não. — Ri e comecei a juntar a sujeira do jantar, começando a levar para a cozinha.
— Talvez você devesse aceitar e então eu iria no seu lugar. — Sugeriu e eu revirei os olhos.
— Jasper, pode não parecer, mas isso não é um filme de comédia romântica. — Voltei para o sofá, deixando para ele lavar a louça. — O máximo que vai acontecer quando ela chegar lá e ver que não sou eu é te dar um soco.
— Tem razão. — Suspirou e me entregou o celular. — Talvez nós devêssemos sair hoje.
— A boate está fechada. — Pontuei, guardando o celular no bolso.
— Mas existem outros lugares, Edward. — Jasper se levantou e passou a andar em direção ao banheiro. — Vou tomar um banho e então nós sairemos em uma hora.
— Eu te odeio! — Gritei quando ele fechou a porta, deitando a cabeça no encosto do sofá e fechando os olhos.
Aquele havia sido um dia incomum e eu até me perguntava se havia sido real. Se houvesse uma escolha, eu com certeza preferiria me deitar e dormir, mas duvidava que conseguiria fazer isso tão cedo. Por isso me levantei e tratei de me arrumar. Precisava de uma distração e sabia que encontraria isso em bebidas e bocas desconhecidas.
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— Tchau. Foi um prazer. — Sorri enquanto fechava a porta de casa.
— Estou tão feliz por você ter perdido a virgindade! Como era o nome da consagrada? — Jasper se aproximou com os braços abertos e um sorriso imenso.
— Não faço ideia. — Confessei e arranquei uma gargalhada dele. — Cale a boca. Merda, minha cabeça dói. — Gemi, apertando a ponte do meu nariz.
— Eu farei o café da manhã e pego um remédio para a sua dor de cabeça. Você merece depois de tanto esforço. — Meu amigo continuou, dando leves tapas em minhas costas e rindo antes de se afastar.
— Não foi nada demais. — Resmunguei, me sentando na mesma. — Nem estava planejando isso, só aconteceu.
— Pelo menos pegou o número dela? Não vá deixar a garota triste.
— Acho que ela nem fez questão de deixar o número, Jasper. Foi só uma transa casual. Supere! — Balancei a cabela em negação e cruzei os braços, recostando o meu corpo na cadeira. — Você está muito apaixonado ultimamente. Talvez seja o momento de sossegar com alguma garota.
— As garotas com quem eu queria sossegar não quiseram sossegar comigo. — Murmurou, entregando o remédio com um copo d'água enquanto começava a preparar ovos e bacon.
— Talvez elas não sejam as garotas, Jasper. — Dei de ombros, engolindo o comprimido e bebendo a água.
— E como eu vou saber que é a garota certa?
— Não faço ideia. — Olhei para o meu amigo, que permanecia de costas para mim enquanto lidava com o nosso café. — Acho que nunca temos certeza. As coisas simplesmente acontecem.
— Adorei o Edward pós-gozo porque ele é filósofo. — Jasper comentou, colocando nossos pratos na mesa e servindo café em nossas xícaras.
— Jasper, você devia calar a boca às vezes. — Disse enquanto ainda ria.
— Eu sei, mas não me esforço porque isso te faz sorrir.
— Como a minha masculinidade não é frágil, vou apenas agradecer. — Falei, comendo um pedaço do bacon.
— É por isso que você é meu amigo.
— Digo o mesmo. Deus, obrigado por um colega de quarto que faz ovos e bacon tão gostosos. — Ergui as mãos e olhei para o teto, ouvindo Jasper rir.
Era bom viver dias felizes.
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