Notas iniciais
Olá Crepusculetes! Queria agradecer à SoaresNathalia por ter favoritado a fic. Todas as interações são importantes para mim. E vamos ao capítulo de hoje!

Bella Swan

Edward não conseguia dizer uma palavra, a minha única reação foi voltar para dentro do quarto e começar a juntar todas as suas roupas.

— Bella, o que está fazendo? — Ele perguntou, mas eu o ignorei. — Isabella!

Fui impedida de continuar quando ele apareceu na minha frente e tocou os meus braços. Não fui capaz de olhar nos olhos daquele mentiroso, mirando os meus próprios pés.

— Anjo, por favor, olha pra mim. Vamos conversar. — Balancei a cabeça em negação e ele tocou o meu queixo, fazendo com que eu me afastasse um passo.

— Por que mentiu pra mim? — Perguntei, a voz trêmula e as lágrimas escorrendo por meu rosto. — Por que escondeu a gravidez de Irina?

Edward se afastou, seus olhos marejados e os dedos se embrenhando nos fios cor de cobre, um sinal de desespero. Tinha vontade de soltar todas as roupas e abraçá-lo, mas eu não podia fazer aquilo. Ele era um traidor.

— Eu não sei! — Ele voltou a se aproximar e eu me afastei. — Por favor, Bella. Me desculpa, não faz isso comigo. Por favor. — Pediu e eu vi lágrimas descendo por seu rosto.

Por mais que eu quisesse, não poderia fazer aquilo. Eu confiei em Edward, confiei que ele me diria qualquer coisa, que compartilharia comigo cada aflição e problema da sua vida. Mas ele havia escondido algo tão importante quanto a possibilidade de um filho e eu não poderia perdoá-lo.

Me afastei, voltando a juntar as suas roupas e ouvindo o seu choro alto. Eu lutava contra as minhas lágrimas, mas era em vão.

— Por favor, me perdoa. — Ele pedia em meio ao choro. — Vamos conversar, meu anjo.

Juntei todas as suas roupas em cima da cama e peguei uma das suas malas, passando a colocar tudo ali de qualquer jeito. Me assustei quando o vi abraçado em minhas pernas, a cabeça recostada na minha coxa enquanto ele chorava copiosamente.

— Bella, não faça isso com a gente. Não faça isso com o nosso amor. Por favor, de novo não. — Pediu, olhando para mim com o rosto lavado pelas lágrimas.

Me desvencilhei dele e limpei as minhas lágrimas com raiva.

— Eu não fiz nada! Foi você! Tudo você! — Apontei na sua direção e o vi continuar chorando, ajoelhado e me olhando. — Você quem escondeu esse possível filho, você quem mentiu pra mim o tempo todo! Então não venha colocar a culpa em mim!

Voltei a colocar as suas roupas na mala e a fechei com alguma dificuldade, tirando da cama e indo na direção das escadas. Fui até a garagem e peguei a chave do seu carro para abri-lo, colocando a mala no banco traseiro e jogando a chave no banco do motorista.

Quando voltei para dentro da casa, Edward terminava de descer as escadas e correu na minha direção. Ergui a mão espalmada na sua direção, impedindo que ele continuasse a se aproximar. Eu não queria sentir o seu toque, era fraca demais para resistir aos seus encantos.

— Você vai embora. Não me interessa se é para a casa da Irina, da sua mãe, do Jasper ou sei lá. — Gesticulei exageradamente, soluçando e passando a mão pelo meu rosto. — Só vai embora da minha casa.

— Bella, por...

— Vai! — Gritei, vendo o homem se assustar. — Me deixa sozinha! Eu preciso ficar sozinha!

Edward me olhou por um momento, as lágrimas ainda caindo por seu rosto, e assentiu.

— Tudo bem. — Ele falou, a voz embargada. — Mas, por favor, me chame para conversar. Eu quero ser ouvido, eu quero fazer as coisas funcionarem. Sei que errei e...

— Edward... — O interrompi, enfiando o rosto nas mãos. — Eu estou te pedindo. Vai embora!

Quando voltei a olhar para o homem, ele recomeçava a choradeira e passou por mim, indo em direção à garagem. Eu esperei pelo barulho do motor do carro, que demorou a ser ligado. Também esperei que o barulho sumisse para ter certeza de que ele havia partido de vez.

E, por mais que eu tivesse implorado pela sua partida, me sentei no chão e afundei o rosto nas mãos, chorando copiosamente. Silenciosamente, Sweet se deitou em meu colo e eu a abracei, buscando forças naquele ser que tanto me lembrava o homem que havia me machucado.

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Sabia que tinha contrato para promover o filme, mas eu preferia pagar uma multa alta do que continuar no mesmo evento que homens como Edward Cullen e Paul Lahote. Por isso eu cancelei todos os meus compromissos, fiz as minhas malas e voei em direção para a Grécia na semana seguinte.

Edward continuava a me mandar mensagens, continuava a tentar me ligar e sua família fazia o mesmo, mas eu não queria ter notícias dele. Estava magoada com por ele ter escondido algo tão grave de mim.

O que me dava arrependimento era apenas pensar que eu tinha algo tão ou mais grave escondido dele. Apenas refletir sobre aquilo me dava vontade de gritar e chorar, por isso eu comecei a correr pela casa em busca do meu celular, ouvindo ele tocar em cima do balcão da cozinha. Peguei rapidamente, finalizando a ligação da minha melhor amiga.

Eu não falava com Tanya há muito tempo e aquela era a primeira vez que ela me ligava. Mas eu precisava conversar com Zafrina, precisava me acalmar, e foi isso o que eu fiz. Sentada no chão da cozinha, eu esperei que a mulher me atendesse enquanto aconchegava Sweet em meu colo.

— Isabella? — A voz de Zafrina perguntou do outro lado da linha.

Aos poucos, fui me deitando no chão com Sweet em meus braços e fechei os olhos, desabando a chorar.

Por que tudo sobre a minha vida tinha que ser tão complicado?

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Tanya chegou à Grécia no sábado, depois de eu ter passado dias me isolando do mundo e resolvido voltar a falar com ela. Eu precisava ficar sozinha, curtindo a linda cidade que era Santorini antes de voltar ao mundo real. Ela ainda não fazia ideia do que havia acontecido e eu temia pela sua reação.

Quando decidi dar uma chance para as minhas antigas relações, liguei o celular. Eu havia bloqueado os números de Edward e sua família. Para a minha surpresa, ele não voltara a me contatar e assim era melhor. Troquei poucas mensagens com James, mas ele ainda parecia irritado com a minha falta de comprometimento e problemas que estava lidando com a mídia. As especulações sobre o meu não-comparecimento aos eventos de Monstros iam de gravidez à término, mas eu queria ver e falar sobre isso o menos possível.

Ouvi batidas na minha porta e prontamente fui atender, sabendo que era a minha melhor amiga. Assim que abri, a recebi com um forte abraço, sem intenção de soltá-la por longos minutos.

— Eu senti tanto a sua falta. — Falei ainda abraçada à ela, mas sentindo algo entre nós e me afastando para ver a sua barriga cada vez maior. — Meu Deus, como está grande! Já está até chutando a titia! — Arregalei os olhos na sua direção e vi seu enorme sorriso, mas seus olhos marejados. — O que foi, querida? Não chore! — Pedi e voltei a abraçá-la.

— Estou feliz. — Ela garantiu e acariciou as minhas costas. Mais um chute aconteceu e ela se afastou, acariciando a barriga. — Droga, fique quieta Lucy!

— Lucy? É uma menina? — Perguntei, ajudando a mulher com as malas e dando espaço.

— Sim, uma menina. Estou tão feliz! Mal posso esperar para te mostrar as roupinhas que encomendei para ela. — Disse enquanto entrava na minha casa e via Sweet correr na nossa direção. — Ei, garota! Ouvi falar sobre você. — Falou, acariciando a cabeça da cachorra.

— Sweet, saia de cima da Tanya. — Ordenei, pegando a cachorra e a colocando no chão, vendo correr pela casa. — Desculpa por isso.

— Não se preocupe. — Sorriu e acariciou o meu braço.

— E então? Como está?

— Bem. — Assentiu e se sentou no sofá, e eu a acompanhei. — É difícil me esconder da mídia, ainda mais depois dessa barriga enorme.

— Felix foi atrás de você?

O produtor musical, pai da bebê de Tanya, que era casado, não fazia ideia sobre o bebê, mas também não sabia se ele havia ido atrás para saber sobre e eu temia quanto ao que ele pudesse fazer à minha amiga.

— Foi. — Ela mordeu o lábio inferior e alisou a barriga, olhando para o movimento. — Eu contei a verdade. — Falou e seu olhar encontrou o meu.

— E o que ele disse? — Perguntei, abraçando as minhas pernas e apoiando o queixo ali.

— Que ia se separar, que iríamos viver juntos e todo aquele papo. — Revirou os olhos e respirou o fundo. — Eu disse à ele que queria criar a menina sozinha e que seria bem vindo se quisesse participar da nossa vida, mas que faríamos do jeito certo. Não quero que ela seja um segredo e que um dia a mulher descubra. — Deu de ombros e entrelaçou os dedos em cima da barriga. — No calor do momento, ele disse que contaria para Renata, mas até o momento não fez. Eu não terei esperanças de ficar com Felix, porque nem quero. Mas acho importante a presença dele na vida da Lucy, o nome dele nos documentos dela. Tudo se for feito de bom grado, é claro.

Eu assenti e me aproximei dela, deitando a cabeça em sua barriga e acariciando.

— Eu sei que homens podem ser babacas. — Falei, fechando os olhos e sentindo Lucy de mexer. — Mas eu estarei aqui por vocês duas.

— Você tem a sua própria vida também. — Tanya falou e eu voltei a me sentar, olhando para ela. — Nós ficaremos bem.

— Tudo bem, mas serei o seu suporte quando você precisar. — Falei em tom de promessa, abrindo um pequeno sorriso e acariciando os seus cabelos.

— E então? Como você está? O que aconteceu?

Engoli em seco e respirei fundo, me virando de frente para ela e brincando com um fio solto da minha calça de moletom.

— Edward estava me escondendo um possível filho com Irina. — Mordi o lábio inferior, sentindo as lágrimas se acumularem nos olhos. — Pode falar que você avisou, eu sei que você quer.

Tanya se aproximou de mim e ergueu o meu rosto, vendo algumas lágrimas escorrerem por e limpando logo em seguida.

— Eu jamais faria isso. Estou aqui para te dar suporte e mandar arrancar as bolas desse homem filho da puta que só te faz sofrer. — Falou com seriedade, mas eu não consegui evitar um risada baixa. — Não consigo entender como esse homem, que tem a oportunidade de te amar, que tem todo o seu amor, faz uma coisa dessas.

— Isso não é verdade. — Balancei a cabela em negação e segurei em suas mãos. — Ele não tem todo o meu amor.

— Você sabe bem sobre o que eu estou falando. — Ela ergueu as sobrancelhas.

— Eu sei... — Suspirei e mordi o lábio inferior. — Me desculpe...

— Não, nada disso. Você não tem culpa. — Tanya acariciou o meu rosto e sorriu. — Você já conversou com ele? — Balancei a cabeça em negação. — Por quê?

— Eu não estou pronta. — Engoli em seco e a olhei. — Você sabe... Sobre o...

— Eu sei, Bella. — Me cortou, impedindo que falasse sobre aquilo e trouxesse mais dor. — Falou com Zafrina sobre isso?

— Todos os dias desde que soube sobre essa criança.

Tanya assentiu e me abraçou para si. Voltei a me aninhar em seu colo e suspirei, fechando os olhos para curtir um momento de paz. Como eu sentia falta daquilo, da minha melhor amiga e nosso carinho mútuo.

— Eu pretendo contar no ano que vem. — Quebrei o silêncio, mas não a olhei. — Quero descansar um pouco dessa loucura antes de tomar uma atitude.

— Tudo bem. — Tanya beijou os meus cabelos e continuou a acariciar o meu braço. — Eu estarei ao seu lado, saiba disso. Mas você precisa conversar com ele, não deixe passar mais cinco anos.

— Eu não vou. — Garanti e acariciei a sua barriga. — Não aguentaria, não mais. Eu o amo apesar de tudo e quero entender os seus motivos.

— Assim como ele vai querer entender a sua situação. Ai! Lucy, eu já entendi que você gosta da tia Bella. — Emendou quando a bebê a chutou.

Eu ri e me afastei.

— Lucy, pare de maltratar a sua mamãe. — Pedi e me levantei. — Está com fome?

— Morrendo. — Confessou e se levantou com cuidado. — Vamos fazer algo para comer.

— Você? Querendo fazer algo para comer? A gravidez te mudou mesmo. — Elogiei e fiz um pequeno bico.

— Eu tenho alguém dentro de mim que precisa de nutrientes, certo? — Deu de ombros. — Espero que tenha alguma comida decente aqui.

— Ei!

— O quê? Eu te conheço, Isabella. — Falou, começando a olhar os armários. — Nada mal.

— Eu sou uma adulta responsável e que pensou no bem estar da amiga grávida.

— Melhor amiga. — Tanya corrigiu e me olhou. — Espero que você não tenha me substituído, vadia.

— Não substituí. — Mostrei a língua e a vi revirar os olhos com um pequeno sorriso nos lábios. — Só não mencionei o título porque achei que estava ciente dele.

— Não estou, pode mencionar sempre. Agora venha aqui me ajudar. — Pediu.

E eu fui. Era bom finalmente estar bem com a minha melhor amiga e ter um momento de distração da loucura que era a minha vida.

Notas finais
Vocês vão entender o porquê das atitudes da Bella muito em breve. O que acharam do capítulo? Não esqueça de deixar seu comentário ;)