Anti-Heróis

53 A Gente Se Ama


Notas iniciais
Olá Crepusculetes! Queria começar agradecendo às interações. Todas são muito importantes para mim! O capítulo de hoje é o último, mas ainda teremos três capítulos extras MUITO especiais. Por isso, não considero hoje como a nossa despedida, não ainda. OK? Vamos ao capítulo de hoje!

Edward Cullen

Havia combinado com meu pai às oito horas de um sábado em um restaurante italiano em Soho. Quando cheguei, cinco minutos adiantado, o encontrei me esperando em nossa mesa. Assim que me viu, o homem se levantou e parecia nervoso. Não poderia negar que estava tão ou mais nervoso do que ele.

— Boa noite, Carlisle. — Cumprimentei, estendendo a mão na sua direção.

— Boa noite, filho. — Ele disse, aceitando o meu cumprimento frio e nós nos sentamos um de frente para o outro.

Um garçom nos atendeu, oferecendo-nos o prato do dia e o vinho da casa. Aceitamos apenas o prato e pedimos por bebidas não alcoólicas, vendo o homem se afastar com os nossos pedidos.

— Este restaurante é muito bom. Foi uma ótima escolha. — Ele elogiou e eu apenas sorri sem mostrar os dentes. — Como está a vida? Soube que está trabalhando em um novo romance.

Alice deveria ter dito à ele, é claro.

— Estou e tudo está correndo bem. Tenho uma ótima inspiração em casa. — Confirmei, incapaz de conter o sorriso ao pensar em Bella.

— Está morando com Isabella, certo?

— Sim. Nunca fui tão feliz. — Garanti, vendo o homem abrir um enorme sorriso.

— Dá pra notar. Nunca te vi tão iluminado.

Nós agradecemos pelas bebidas que chegaram logo em seguida e eu tomei um longo gole do meu refrigerante.

— E você? Está namorando com a...

— Não. — Ele me cortou antes que pudesse continuar e eu assenti. — Aquilo foi um erro do qual eu me arrependo todos os dias. Um dos muitos.

— Que bom que reconhece... — Murmurei.

— Edward, eu quero que preste a atenção e tenha a mente aberta de verdade para o que eu tenho para te dizer.

Olhei para ele, realmente interessado no que ele tinha para dizer e sem intenções de fazer qualquer deboche.

— Sou todo ouvidos.

Carlisle respirou fundo e entrelaçou as mãos em cima da mesa, olhando em meus olhos antes de começar a falar:

— Eu sei que errei muito durante esses anos. Dava mais valor ao meu trabalho do que à minha família. Fui um idiota, perdi todos vocês aos poucos, perdi suas infâncias, perdi suas adolescências, primeiros amores, perdi todo o vínculo que poderia ter criado com a minha mulher e filhos. E o pior: por minha culpa, perdi o meu filho mais velho para sempre. E eu só consegui entender isso quando levei à terapia, quando percebi que eu estava sozinho, quando percebi que nada valia mais do que a minha família. Estou aqui para te pedir perdão, filho. Porque ainda dá tempo de pedir perdão à você, à sua irmã e à sua mãe.

Eu havia entendido perfeitamente sobre o que ele estava falando e não consegui evitar as lágrimas que se derramaram por meu rosto. Carlisle também fungou e limpou as suas próprias lágrimas, tomando um gole do seu suco de maracujá.

— Talvez um dia eu possa te perdoar pela morte de Emmett, mas não hoje, talvez não nesse ano. Um dia. — Falei, engolindo em seco e o olhando. — E estou disposto a te dar uma segunda chance, porque acredito que você possa se redimir com Nettie e os meus filhos com Bella no futuro.

Nossos pratos chegaram naquele momento e nós ficamos em silêncio. Carlisle abriu um pequeno sorriso e ficou me observando por um momento.

— Posso te dar um abraço, filho?

Fiquei olhando para ele, mas não quis ponderar por muito tempo e fiz o que meu coração mandava. Me levantei e ele fez o mesmo, vindo me abraçar apertado para si. As pessoas à nossa volta olharam com estranheza, mas eu não me importava. Não me lembrava a última vez que havia abraçado o meu pai e aquilo com certeza me fazia querer chorar pela emoção do momento. Nos afastamos pouco depois, mas sabia que ele estava tão relutante quanto eu.

— Obrigado por essa chance, Edward. Você não vai se arrepender. — Garantiu quando no sentamos à mesa e começamos a comer.

O resto da conversa seguiu com comentários sobre o restaurante, meus projetos e minha relação com Bella. Perto da sobremesa, eu notei que meu pai insistia em mencionar a minha mãe em qualquer assunto com mais frequência do que o necessário, sempre tentando encaixá-la de alguma forma. Por isso não foi novidade quando ele falou:

— Edward, eu sei que é errado, que isso vai soar péssimo e entendo se você não quiser, mas eu gostaria da sua ajuda.

— OK. Para o quê? — Perguntei, terminando o meu tiramisù.

— Reconquistar a sua mãe.

— Pai...

— Eu sei, você teme que eu a machuque. Mas eu juro que estou mudado e dou o aval para você realmente me acertar um soco caso eu volte a trair a sua mãe, o que eu não vou fazer.

Respirei fundo e o olhei, analisando a situação por um momento. Apesar de ter o aval da minha mãe para me reaproximar do meu pai, não sabia sobre como ela reagiria caso eu o ajudasse a voltar para casa. Tinha certeza de que ela ainda o amava por toda a história que eles haviam tido, mas não achava que deveria me meter.

— Pai, isso é algo que tem que ser resolvido entre vocês dois. Eu não vou entrar no meio. — Falei, cruzando os braços e balançando a cabeça em negação. — Você tem que se esforçar e merecer o amor da mamãe de volta. Se Alice aceitou essa loucura...

— Ela não aceitou. — Ele negou prontamente, tirando o guardanapo de seu colo e colocando sobre a mesa. — Pelo contrário, disse a mesma coisa que você. Nunca tinha percebido o quão parecidos vocês são.

— Ao mesmo tempo que tão diferentes, somos parecidos para tratar de problemas. — Assenti com um pequeno sorriso no rosto.

— Vocês tem razão quanto à isso e eu espero um dia realmente merecer Esme de volta. Percebi tarde demais o quanto a amo e amo a família que a gente construiu.

— Espero que você seja mesmo merecedor desse amor. Minha mãe não merecia ter passado por tanta dor sem o seu apoio. — Disse, sem me importar se a verdade o machucaria.

— Sinto muito. — Disse com verdade e eu assenti.

Quando a conta chegou, ele insistiu para pagar e eu permiti, vendo a satisfação ao fazer aquilo por mim. Ao nos despedirmos, Carlisle me deu um longo abraço enquanto esperávamos os nossos carros e me olhou quando nos afastamos.

— Eu tenho muito orgulho do homem que você se tornou. Do homem íntegro, sensível e inteligente que a sua mãe criou. Não tenho dúvidas de que não teria feito melhor. Ela fez um ótimo trabalho com vocês três.

— Espero que você consiga reparar os erros de mais de trinta anos. — Sorri e peguei as chaves com o manobrista. — Obrigado pelo jantar, pai.

— Obrigado pela segunda chance. — Ele acariciou o meu braço e eu me afastei.

Sentado dentro do meu carro e dando a partida, eu percebi que não me sentia tão leve há tanto tempo. Fora bom poder falar as verdades para o meu pai e sentir a verdade em seu olhar quando ele disse sobre estar verdadeiramente empenhado em se redimir conosco. Para nós ainda restava tempo enquanto para Emmett não.

Não sabia se seria capaz de perdoá-lo pela morte de Emmett, pela traição da minha mãe e tantos outros erros cometidos, mas eu manteria o meu coração aberto.

xxx

No mês seguinte, parti com Bella para em uma viagem ao exterior. Precisávamos de algumas semanas distantes da nossa família e já faziam mais de seis meses que não tirávamos um tempo para nós. Alice foi contra a nossa viagem, alegando que o seu bebê nasceria sem os tios por perto, mas nós sabíamos que era apenas drama e Nettie estava programada para nascer no início de setembro.

Precisávamos nos livrar também de todo o drama da tentativa de reconquista do meu pai com a minha mãe. Estava adorando como ela estava fazendo Carlisle merecê-la de volta.

Além disso, já fazia algum tempo que havíamos prometido conhecer Lucy, que completaria cinco meses em breve.

Tanya ainda morava na Eslováquia e, como havia garantido que tinha espaço para que nós ficássemos lá um noite ou mais, decidimos ir diretamente para lá e então poderíamos ir para a Grécia depois para ter um momento a sós.

Quando chegamos na casa de Tanya, fomos muito bem recebidos e, depois de lavar as mãos, nos aproximamos da pequena e sorridente Lucy. A bebê era loira e tinha os olhos azuis como pedras preciosas. Era a cópia exata da mãe.

— Eu sou muito linda, titio. — Falei para ela, sentado no chão com ela em meu colo. Lucy me olhou e gritou, abrindo um enorme sorriso. — É sim, é linda sim. — Brinquei com a sua barriga e olhei para Bella, que parecia encantada com a cena que se desenrolava à sua frente. — Quer segurar?

Bella pareceu hesitante e olhou para a amiga.

— Você não vai derrubá-la. Vem. — Tanya puxou a amiga e a sentou no sofá. Eu estiquei a bebê para a mãe, que logo passou a dar beijos em sua face, provavelmente procurando pelo seu peito. — Fique quietinha, sua esfomeada.

— Não é melhor você amamentá-la? — Bella perguntou, a sua expressão de medo não a deixava enquanto Tanya colocava a bebê em seu colo. — Deus...

— Não, não é Deus. É só a Lucy, que já foi amamentada e arrotou. Agora ela quer brincar com os tios pra mamãe ir tomar banho. — Tanya falou e eu não consegui conter a minha risada.

— Pode ir, Tanya. Nós ficaremos bem. — Garanti, notando que Bella e Lucy se encaravam.

A loira se afastou sem hesitar, nos deixando sozinhos com a sua filha. Me sentei ao lado de Bella, atraindo a atenção de Lucy, que logo abriu um enorme sorriso sem dentes para mim.

— Ela te adora. — Bella riu e eu assenti. — Meu Deus, ainda é estranho pensar que Tanya fez essa bebê linda.

— É muito legal, certo?

A mulher me olhou e riu.

— Você será um pai tão incrível. — Falou e mordeu o seu lábio inferior, voltando a sua atenção para a bebê. — Oi, bebê linda da titia. — Com um dedo no queixo gorducho da bebê, sua atenção foi tomada e a vez bebê gritou de felicidade para Bella. — Eu também te amo, minha linda.

Eu fiquei apenas admirando aquela cena, imaginando se um dia seríamos nós.

xxx

Bella estava chacoalhando a bebê em frente à TV ao som de uma música pop, perdendo totalmente o medo de estar com Lucy em seus braços, enquanto eu e Tanya lavávamos a louça juntos.

— Você faz tão bem à ela. — A loira comentou em segredo e eu a olhei. — Eu te odiei por roubar a mulher que eu amava e por fazê-la sofrer vezes demais, mas o amor de vocês é de outras vidas. Vocês são almas que precisavam se encontrar.

Abri um enorme sorriso e me virei para ela, parando o que fazia.

— Pretendo nunca mais fazê-la sofrer. — Garanti e atrai o seu olhar para o meu. — Na verdade, eu queria pedir a sua bênção. Vou pedir a mão dela em casamento em Mykonos.

— O quê?! — Sussurrou em choque, mas sem chamar a atenção da morena. — Meu Deus, Edward. Isso é demais! Está mais do que abençoado! — Falou, me abraçando para si. — Tenho certeza que vocês serão muito felizes.

Acariciei suas costas e sorri para ela quando me afastei.

— Obrigada, Tanya. É importante para nós dois que você esteja de acordo com a união matrimonial.

— Eu jamais seria contra algo que faz Bella feliz. — Piscou para mim, acariciando o meu braço antes de se voltar à louça e eu a acompanhei.

xxx

Foi difícil nos despedirmos da bebê Lucy e nós com certeza não demoraríamos tanto a voltar a estar com ela. Tanya guardou meu segredo da amiga e eu garanti que ela seria a primeira a saber a resposta de Bella, mesmo que insistisse em ter certeza sobre qual seria.

Passamos dois dias em Santorini sem nos desgrudarmos, parando apenas para um breve passeio e para comer. Decidi oferecer o jantar em Mykonos, ao qual ela aceitou de imediato. Depois de comermos em um dos restaurantes de cidade, rindo e conversando sobre a nossa vida, decidi dar um passeio com ela pela praia de Agios Ioannis.

O céu estava limpo, sem nuvens ou estrelas, o mar estava calmo e a temperatura estava agradável com uma leve brisa que soprava em nosso rosto. A praia estava quase vazia se não fossem pelos poucos transeuntes como nós.

Éramos iluminados pelas luzes da cidade e da lua. Eu tinha meus dedos entrelaçados aos dela e me perguntei se haveria uma oportunidade melhor que aquela para eu me declarar.

Com agilidade, passei para a sua frente, impedindo que ela continuasse a caminhar, e coloquei apenas um joelho apoiado no chão enquanto buscava a aliança no bolso da calça com a outra. O seu olhar confuso, que havia repousado sobre mim, se tornou surpreso.

— Eu estive preparando isso há semanas. — Comecei a falar, segurando a caixinha em mãos e apontando o anel de brilhantes na sua direção. — Isabella Swan, desde o momento em que eu a vi naquela boate seis anos atrás, soube que queria cuidar de você pelo resto da minha vida. Passamos por tantos problemas nessa vida até nos reencontrarmos que eu não pretendo sair do seu lado nunca mais. Nenhum mal vai nos destruir, porque é de amor que nós vivemos. Eu te prometo que serei fiel, que te amarei todos os dias um pouco mais, que estarei ao seu lado em todos os momentos de alegria e tristeza, e não mais te decepcionarei, mas saberei reconhecer os meus erros e pedir o sempre o seu perdão. Eu darei o meu melhor para ser o marido que você merece. Aceita se casar comigo?

Bella se ajoelhou em minha frente e tocou o meu rosto, olhando em meus olhos com lágrimas escorrendo por seu rosto.

— Aceito. — Respondeu sem hesitar e beijou os meus lábios brevemente.

Assim que se afastou, esticou a mão esquerda na minha direção e eu coloquei a aliança em seu dedo anelar, dando um beijo na joia e deixando a caixinha de lado para voltar a beijá-la apaixonadamente.

Eu estava completo.

FIM

Notas finais
Como eu havia dito NÃO É O FIM! Ainda teremos os três capítulos extras e conto com vocês pra me acompanhar até domingo, OK? Não esqueça de deixar seu comentário e até quarta! ;)