Anti-Heróis
25 VSF Você E O Seu Rostinho Lindo
Notas iniciais
Bella Swan
Conversei com a doutora Zafrina por horas antes de aceitar o papel e ter a certeza de que conseguiria fazer aquilo. Não fora pelo dinheiro, eu aceitaria a quantia anterior, mas quando tive a decisão em mãos James sinalizou que eles haviam dobrado a quantia oferecida anteriormente e eu não questionei. Precisaria de muito atendimento psicológico durante os meses de gravação e pagaria muito bem para isso.
Apesar dos questionamentos sobre o meu abalo psicológico com aquele livro, não havia contado à ninguém além de Zafrina sobre o meu passado com Edward e nem pretendia. Aquilo ficaria no passado.
Eu havia passado o último mês de férias com Tanya curtindo no Havaí. Ela precisava de um momento de descontração e eu consegui proporcionar isso para nós duas. Havíamos diminuído a frequência das transas porque era um pouco esquisito agora e ela concordava. Postamos bem pouco em nossas redes sociais, querendo apenas curtir e nos livrar das mídias enquanto ainda podíamos.
Rumores surgiram sobre um possível relacionamento entre nós quando estivemos em um restaurante e fomos flagradas um pouco alteradas em um momento em que permiti que Tanya bebesse. Nas fotos vazadas nós estávamos muito próximas, sempre nos tocando e falando com os rostos colados.
A maioria dos fãs reagiu bem e a mídia foi maldosa, mas nós não nos importávamos porque sabíamos que não era totalmente verdade. Estávamos nos divertindo com a história toda e o nosso filme estava lucrando alguns milhões a mais para a nossa sorte.
Quando fomos embora no jatinho de Tanya, fiquei mirando a janela ao meu lado. A garota estava enjoada e preferiu ficar no corredor caso precisasse correr para vomitar. Eu estava triste, não queria voltar para a realidade, principalmente por saber o que me aguardava.
— Bella? — Tanya me chamou e eu a olhei. — Sabe que pode confiar em mim, não sabe? — Assenti e pressionei os lábios. — Por favor, me conte o que está acontecendo. — Pediu em um sussurro.
Respirei fundo e mordi o lábio inferior, desviando o olhar para fora novamente. Não conseguia me abrir, não queria me abrir, porque não havia nada que ninguém pudesse fazer. O contrato estava assinado e eu estrelaria o best-seller de Edward.
xxx
Eu havia chego ao estúdio da Volturi Produções onde aconteceria a nossa primeira reunião. Ali estariam o elenco principal, os produtores e o autor do best-seller. Assim que entrei na sala com James em meu encalço, cumprimentei os presentes, incluindo Paul Lahote, que já estava ali.
— Olá, Isabella. É um prazer revê-la.
Dei um meio sorriso e me sentei ao seu lado. Eu já havia me encontrado com Paul pelos corredores de premiações, mas nunca realmente havia convivido com ele como teria que fazer nos próximos meses.
— Será um prazer contracenar com você. — Ele falou em minha nuca e eu respirei fundo, segurando a vontade de socar a cara dele.
— Claro. — Sorri para ele e assenti.
Quando me virei para a porta que se abria, meus olhos encontraram os de Edward. Os cabelos em um tom ruivo estavam mais comportados e aparados por alguém que não era ele, aparentemente. O rosto estava mais anguloso, tomando a forma adulta que não tinha antes. O seu maxilar marcado e com um pouco de barba quase me fez suspirar. O seu corpo estava mais musculoso e eu me peguei pensando se ele havia começado a malhar.
No entanto, os seus olhos verdes estavam sérios na minha direção e ele parecia levemente irritado comigo. Depois de tantos anos, mesmo com a nova forma adulta, ainda conseguia ver a mágoa, ainda havia muito sentimento ruim corroído ali dentro. Por que ele me queria tanto em seu filme então? Por que me queria por perto novamente?
— Bom dia, pessoal. — Edward disse em um murmúrio, cumprimentando cada um de nós.
Quando chegou na minha vez, eu tremia. Depois de todos esses anos, eu tremia. Não era medo, mas emoção. Eu quis abraçá-lo fortemente, quis pedir perdão pelo que eu havia feito, quis acertar tudo com ele, quis ouvir as desculpas dos seus lábios por sua insensibilidade naquele dia, mas apenas encostei nossos rostos em um cumprimento frio, não me permitindo nenhum toque além daquele.
— É um prazer conhecer os protagonistas. — Ele disse e se sentou em nossa frente. — Exatamente como eu imaginei. — Edward tinha os olhos semicerrados na minha direção.
— É um prazer, senhor Cullen. — Continuei com a farsa, como ele mesmo queria, e o vi pigarrear.
— Vamos à reunião? — Perguntou, olhando para cada um de nós.
Eles estavam ali para comentar conosco as suas expectativas, o que esperavam que nós fizéssemos, como seguiriam as gravações e quanto tempo duraria: três longos meses. Até o inverno eu estaria livre da expressão raivosa de Edward — ou o confrontaria e correria o risco de romper o meu contrato.
Em algum momento eles pediram para que eu contracenasse com Lahote rapidamente e aquela seria a primeira vez. Aquela também era a primeira vez que eu conseguia um papel sem fazer um teste e isso era incomum.
— Não percebe que...
— OK, acho que já deu. Ainda temos muito o que melhorar. — Edward me interrompeu na metade da minha fala. — Uma pausa para o almoço e começamos os ensaios?
Nós nos entreolhamos confusos. O combinado era que só começaríamos no dia seguinte. Quando fui questioná-lo, ele voltou a falar:
— Ótimo. Até mais tarde. — E saiu da sala.
— Mimado. — James murmurou ao meu lado e eu suspirei. — Onde vamos almoçar?
— Se não se importam, eu ficarei sozinha.
Caminhei para fora da sala, deixando o burburinho que começava a se formar para trás e indo até o meu novo camarim. Algumas roupas estavam penduradas na arara ao lado da penteadeira que logo abrigaria diversas maquiagens dos profissionais que atuariam na produção do filme. Também havia um sofá e um banheiro, mas eu resolvi me deitar no chão.
Sentia o meu corpo em chamas e uma falta de ar me dominando. Eu não conseguia respirar durante aquela reunião, cada vez que Edward me olhava com raiva eu me arrependia de não ter ficado, de não ter resolvido as coisas, de ter fugido com medo.
Ele estava tão diferente do Edward carinhoso, que me ajudou e cuidou de mim durante um grande trauma. Tudo o que um dia tivemos desaparecera para sempre e a culpa era toda minha. E eu me permiti chorar por longos minutos.
O que será que havia acontecido com ele nestes anos? Além de publicar um livro, ficava imaginando o que acontecera com a sua vida pessoal. Limpei as lágrimas e passei a pesquisar por ele, encontrando um breve resumo sobre onde tinha estudado, quem era a sua família e sua primeira publicação, que se tornaria um filme em breve.
Não me atentei à uma informação importante no canto direito da tela: Cônjuge — Irina Cullen (2022-presente). Me sentei de imediato, arregalando os olhos. Aquele filho da puta tinha casado com a ex namorada que largou ele? Eu com certeza não conhecia mais aquele Edward Cullen.
A porta se abriu e dali surgiu um homem loiro, com cabelos muito bem penteados e feições delicadas. Ele se assustou ao me ver no chão e logo sorriu para mim.
— Olá! Você dever ser Isabella Swan. Não esperava te encontrar aqui. Muito prazer, sou Royal Hale. — Ele entrou e estendeu a mão para me ajudar a levantar do chão.
— Oi. — Sorri e aceitei a sua ajuda. — Obrigada.
Royal se afastou e começou a tirar a sua maquiagem de dentro de uma enorme bolsa que tinha em mãos. Eu fiquei observando tudo sentada no sofá, atenta à tudo o que ele fazia.
— Vai fazer os testes de maquiagem? — Tentei puxar assunto.
— Vou. Meu patrão é muito exigente e quer a protagonista dele perfeita. — Royal brincou e eu imaginava sobre quem ele estava falando.
— Espero que a modelo ajude. — Brinquei.
Royal sorriu e se aproximou tocando o meu rosto, virando de um lado e outro para analisar.
— Tudo no lugar? — Perguntei.
Royal voltou à penteadeira e se colocou atrás da cadeira, indicando com a mão para que eu fosse até ali e foi o que eu fiz. Estava apreensiva, queria me dar bem com pelo menos alguém naquele lugar e Royal parecia ser um excelente candidato.
— Vou ter pouquíssimo trabalho, anjo. — Ele piscou para mim pelo espelho e eu sorri abertamente. — Eu estarei aqui para te auxiliar na maquiagem, cabelo e prova de roupa então acredito que teremos um bom tempo juntos.
— Acho que te sobrecarregaram. — Fiz uma careta.
— Ouvi dizer que gastaram muito com a estrela. — Ele me olhou sugestivamente pelo espelho enquanto mexia em meu cabelo. —
— Sinto muito. — Murmurei. — Para compensar, eu prometo que serei sua boneca: ficarei calada o tempo todo sem dar uma opinião.
Royal riu e se afastou para as araras, analisando as roupas.
— Obrigado, mas também estou fazendo isso como um favor. A boa notícia é que ficarei apenas com você e me concentrar em apenas um projeto será excelente! — Ele tirou um dos vestidos brancos da arara e o analisou. — Eu sou mesmo muito talentoso.
— Você quem os fez? — Franzi o cenho, caminhando até ele.
— Sim. Gostou? — Perguntou, sorrindo para mim.
Assenti e analisei a peça que ele tinha em mãos.
— São lindos.
— E feitos pensado na sua personagem. — Royal piscou para mim e devolveu a peça na arara. — Você já almoçou, Isabella?
— Por favor, me chame de Bella. E não, não estava com fome. — Mordi o lábio inferior.
— Perfeito. Pedirei alguns lanches enquanto inciamos as provas das roupas.
— Mas...
— Mas nada, não quero meus modelos ficando feios nesse corpo modelado. Vamos mantê-lo assim.
Revirei os olhos e ri, sem querer discutir com o meu mais novo amigo.
xxx
Nós passamos duas horas dentro do camarim entre prova de roupa, almoço, prova de maquiagem e cabelo. Quando já eram quase três horas, James bateu na porta do meu camarim para avisar que íamos dar início aos ensaios. Me despedi do meu mais novo amigo e segui James pelo corredor.
— Edward já está soltando fogo pelas orelhas pela sua demora. — Ele murmurou, apertando o passo.
— Me desculpa, eu perdi a noção do tempo.
James suspirou.
— Tudo bem. Não é sua culpa ele ser um cretino.
Mal sabia ele que era sim minha culpa Edward Cullen ter se tornado um grande babaca.
— Chegamos! — James anunciou.
— Chegaram cedo. — Edward debochou sentado em sua cadeira. — Podemos começar?
Me posicionei em frente à Paul, sentindo os olhares de todos em cima de nós, mas um em especial queimando em minha pele. Dei uma olhada rápida no papel que tinha em mãos com as minhas falas, respirei fundo e comecei a interpretar minha nova personagem, a personagem que Edward havia criado pensando em mim já que me quisera tanto para o papel.
A todo o momento, Edward nos interrompia para uma observação e aquilo estava me tirando do sério. Quando fizemos uma pausa, voltei para o meu camarim, que se encontrava vazio, e liguei para Tanya, me deitando no sofá. Não demorou para que ela me atendesse.
— Eu vou cometer um homicídio. — Falei assim que ela saudou.
— OK. Eu quero saber o porquê? — Ela perguntou com cuidado.
— Edward Cullen é o ser humano mais irritante da face da Terra. — Resmunguei, esfregando o rosto.
— E bem gostoso, diga-se de passagem. Passei a manhã pesquisando por ele e eu investiria se não fosse casado. — Comentou e eu ignorei uma sensação de ciúmes crescente em meu peito.
— Como se isso fosse algum impedimento para você. — Murmurei, mirando o teto branco acima de mim.
— Ei! Agora eu sou mãe, estou tentando melhorar. — Brincou e eu ri, balançando a cabeça em negação. — OK, o que acha que vir à minha casa para tomarmos um vinho e relaxarmos na minha jacuzzi?
— Por que isso soa como um convite para sexo? — Mordi o lábio inferior para conter uma risada.
— Não estou dizendo nada, mas os meus hormônios da gravidez podem responder mais tarde.
— Eca, Tanya! — Resmunguei e ela gargalhou. — Acabou com a clima. Não me lembre de que estou fodendo uma mulher grávida esporadicamente.
— É só um bebê, Isabella. — Ela disse e eu quase podia vê-la revirar os olhos. — E minha barriga nem está tão grande.
— Não, mas os seus seios...
— OK, cale a boca. Está me dando tesão. — Me interrompeu e foi a minha vez de gargalhar. — Convite aceito?
— Convite aceito. Até mais tarde, amiga.
— Até. Forças para você aí com esse homem gostoso.
Rosnei e desliguei ainda ouvindo a sua risada ao fundo.
Seriam longos meses ao lado do novo Edward Cullen.
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