Anti-Heróis
11 Solto Eu Fico Muito Mais Bonito
Notas iniciais
Edward Cullen
— Nem pense nisso. — Intervi, me sentando ereto no sofá.
— Por quê? Qual o problema? — Jasper sorriu para mim e eu sabia que devia ter muito por trás daquela mente criminosa.
— Porque Alice é terrível, você não faz ideia do que aquele ser minúsculo é capaz de fazer. — Me virei para Bella e a vi confusa. — Nós podemos te ajudar.
— Edward, caia na real. — Voltei meu olhar para Jasper, que continuava com a expressão tranquila. — Nós não poderemos ajudá-la.
Suspirei pesadamente porque sabia que Jasper tinha razão. Mas apenas o pensamento de inserir Alice nessa loucura que estava sendo a minha vida me dava calafrios. Não era pelo passado de Bella, não era pela garota morando comigo, era sobre como minha irmã trataria tudo aquilo. Sabia que qualquer que fosse a sua reação, boa ou ruim, ela se excederia e aquilo poderia chegar aos ouvidos dos meus pais mais rápido do que eu gostaria.
— Qual é o problema com as minhas roupas? — Bella perguntou e nós nos viramos na sua direção.
— Não tem nada de errado com elas, Bella. — Sorri, umedecendo os meus lábios. — Você apenas merece roupas novas para começar a trabalhar em um local totalmente novo.
— Vocês vão gastar dinheiro comigo de novo? — Ela pareceu agoniada com a possibilidade. — Não. Chega. Isso já é demais!
— Bella, não é nada demais. — Jasper garantiu.
— Claro que é. — Bella se levantou e colocou a taça em cima da mesa de centro. — Eu não aceito e ponto final. Vocês vão ter que me respeitar.
Ela não esperou que disséssemos mais alguma coisa e se afastou até o quarto.
— Nem pense em mandar mensagem para a Alice. — Apontei na direção de Jasper assim que me levantei.
O meu amigo ergueu as mãos na altura dos ombro e manteve o sorriso esperto nos lábios.
— Sou inofensivo.
— É claro que é. — Debochei e segui para o quarto.
Bella estava deitada na cama, mexendo no celular novo com o cenho franzido. Abri um pequeno sorriso e me aproximei dela, espiando o que ela fazia e vendo que estava apenas jogando.
— Que jogo é esse? — Perguntei, atraindo o seu olhar.
— É um jogo com várias histórias, como um livro, só que eu posso tomar o rumo que eu quiser. — Falou, bloqueando o celular e deixando de lado.
— Parece ser legal — Comentei.
Ela ficou me olhando por um momento antes de finalmente voltar a falar:
— Se você veio aqui tentar me convencer a comprar roupas com o seu dinheiro suado, pode esquecer.
— Bella, não vai ser nada demais.
— Claro que vai! — Protestou.
— Vou gastar, no máximo, 300 dólares.
— E isso é pouco? — Arregalou os olhos.
Eu ri e balancei a cabeça em negação.
— Para mim é. Por favor, deixa eu fazer isso por você. — Pedi, morrendo de vontade de acariciar o seu rosto, mas mantendo minhas mãos unidas em minhas coxas.
— Você faz muito por mim. — Bella deitou a cabeça na parede atrás de si. — Não acha que já foi o suficiente?
— Não, não acho.
Bella suspirou profundamente.
— Existe alguma possibilidade de dizer não para você?
— Quando eu estou fazendo o bem? Não. — Dei de ombros, abrindo um pequeno sorriso e vendo Bella revirar os olhos. — Estou orgulhoso por você estar se esforçando para buscar um trabalho digno. Você merece muito mais.
Os olhos de Bella marejaram de imediato e ela mirou o teto acima das nossas cabeças.
— Não mereço. — Soprou.
— Bella...
— Eu não quero discutir, Edward. — Me cortou e se levantou, limpando as lágrimas. — Você vai sair com o Jasper?
O meu amigo havia em convidado para ir à uma festa, mas eu não me sentia disposto. Queria apenas ficar em casa e curtir a companhia de Bella. Nunca antes fora um homem que gostava de sair aos fins de semana e não era agora que começaria.
— Não. — Balancei a cabeça em negação. — O que acha de assistirmos The Good Place?
Bella me olhou por um momento, sentada na janela.
— Edward, por favor, não fique se prendendo por minha causa.
Eu ri e balancei a cabeça em negação.
— Acho adorável que você tenha a essa visão de que eu não quero ir por sua causa. — Suspirei e vi sua expressão surpresa. — É verdade, em partes, mas eu sempre fui um homem caseiro.
Ela abriu um pequeno sorriso e se aproximou da cama mais uma vez.
— Agora entendo o homem mau humorado que esteve na boate. — Piscou e me fez rir. — Vamos fumar um cigarro juntos na escada de incêndio antes de assistir a série?
— Achei que não fumava mais. — Disse, me levantando e a acompanhando até a escada de incêndio.
— A vida me obriga a fumar. — Contou, olhando para a rua à nossa frente.
— Talvez nós devêssemos parar de fumar juntos. — Sugeri.
— Sabe que vamos ficar insuportáveis com a abstinência, certo? — Perguntou, pegando o cigarro das minhas mãos e tragando.
— Eu te aguento se você me aguentar. — Dei de ombros.
— Coitado do Jasper. — Balançou a cabeça em negação. — Ele vai nos expulsar daqui.
— Ou no máximo sair com mais frequência.
— Talvez devêssemos projetar o vício em outra coisa. — Disse, pensativa e me entregando o cigarro.
— Tipo o quê?
Bella ergueu as sobrancelhas sugestivamente e eu tossi com a fumaça.
— Estou brincando. — Ela me empurrou com o ombro.
— Você é maluca, Bella. — Entreguei o cigarro à ela enquanto ainda tossia.
— E você adora. — Piscou para mim, voltando a fumar.
Não disse nada, porque ela tinha razão.
Deixei que ela terminasse o cigarro e entrei no quarto, me sentando na cama e passando a colocar na nossa série de sempre. Bella não demorou a se juntar à mim e então nós estávamos mais uma vez dentro da nossa rotina antes de dormir. Eu não tinha intenções de acabar com aquilo, pelo contrário, estava adorando cada segundo, sempre ansioso para aquela hora do dia chegar e nós estarmos unidos, apenas aproveitando a companhia um do outro.
Fiquei pensando sobre como ela tratava o assunto sexo com naturalidade mesmo depois do que havia acontecido. Sabia que ela não devia ter superado, que ainda devia doer em seu coração, que devia ter muito mais por trás do que havia me contado. Não deveria ser nada fácil agir com tamanha normalidade.
Olhei para Bella e fiquei apenas admirando a garota que mantinha um sorriso no rosto ao assistir a sua série favorita — provavelmente a única que havia assistido em sua vida. Queria ser capaz de acabar com qualquer pessoa que já fez mal à ela. Queria punir todos eles, fosse através das autoridades ou pelas minhas próprias mãos.
Apesar do que ela insistia em dizer, Bella não merecia nada do que lhe acontecera. O pouco que eu a conhecia já era o bastante para saber disso. Nenhuma mulher merecia o que ela havia passado.
Eu queria ser capaz de ajudar todas elas, mas Bella havia sido a felizarda, havia despertado a minha atenção e me fascinado de uma forma que nenhuma outra naquela boate fez. Sorte a minha ela tentar conseguir algum dinheiro comigo ou eu jamais poderia ajudá-la e sabe-se lá o que poderia acontecido àquela garota.
— No que está pensando? — Perguntou, virando o rosto na minha direção.
— Posso acariciar o seu rosto? — Soprei, olhando fundo em seus olhos chocolates.
Bella tocou a minha mão, causando um arrepio nos pelos do meu braço, levando até o seu próprio rosto e fechando os olhos. Minha mão era grande comparado ao seu rosto pequeno, meus dedos alcançavam o seu pescoço e o meu polegar acariciava a sua bochecha. Ela parecia apreciar a carícia.
— Você pode me tocar, Edward. — Bella abriu os olhos quando sussurrou. — Sempre que quiser e não precisa pedir por isso.
Eu vi sinceridade em seu olhar, por isso não precisei perguntar se ela tinha certeza, porque eu sabia que poderia confiar nela. Ter a liberdade de tocar nela e me acostumar com isso era um imenso passo na nossa relação de confiança.
Abracei os seus ombros e deixei que ela afundasse o rosto em meu pescoço. Seu braço passou por minha cintura e eu passei a acariciar suas costas. Sem demora, escorreguei nossos corpos pelo colchão e permitisse que ficássemos apenas aproveitando a companhia um do outro em completo silêncio. A série na televisão havia sido estrategicamente pausada quando ela iniciou a nossa breve conversa.
— Eu nem sei como te agradecer. — Ela sussurrou e eu a olhei, seu rosto tão próximo do meu. — Tem uma semana que eu estou dormindo tão tranquilamente como nunca antes.
— Eu já disse: agradeça aceitando mais da minha ajuda. Não é abuso nenhum. — Garanti pela milésima vez.
— Eu sei, mas não consigo deixar de me sentir mal. — Suspirou, voltando a deitar a cabeça em seu peito. — Não vamos discutir.
— Estamos apenas conversando. — Deitei minha cabeça sobre a sua enquanto continuava minha carícia.
— Eu sei, é só que conversar está me deixando cansada. — Bocejei.
— Durma. — Falei, abraçando o seu corpo para o meu.
— Você vai embora assim que eu dormir? — Perguntou em um sussurro.
— Como todas as noites. — Garanti.
Era isso o que ela queria, certo? Não perguntei e nós mergulhamos no completo silêncio. Bella não demorou a cair no sono e eu não estava nem perto disso.
Ainda fiquei lá por uma ou duas horas, não tenho certeza, antes de me desvencilhar dela. Cobri o seu corpo com o fino lençol, desliguei a televisão e verifiquei se a janela estava trancada. Saí dali e deixei a porta entreaberta para garantir que ouviria caso ela precisasse de algo.
Estava sem sono, meus pensamentos voando na direção dos meus irmãos. Me peguei chorando pela saudade de Emmett e como eu queria poder dividir aquilo com ele. A perda de alguém querido era sempre algo complicado demais de se lidar e eu achava que nunca poderia superar a morte do meu irmão. Assim como jamais perdoaria o meu pai por ter sua parcela de culpa.
Jasper estava de volta em casa por volta das cinco da manhã. Eu tomava um chá na cozinha para tentar me acalmar e conseguir dormir quando ele entrou sonolento e sedento por um copo d'água.
— Já acordou? — Perguntou, tomando um comprimido para dor de cabeça e engolindo a água de uma só vez.
— Ainda nem fui dormir. — Confessei.
— O que aconteceu? — Tinha preocupação em seu tom de voz.
Suspirei longamente, soluçando no processo.
— Saudades do Emmett. — Disse com a voz embargada.
Jasper se aproximou e me abraçou fortemente. Eu retribuí o abraço, deitando a cabeça em sua barriga e chorando em silêncio. Não queria fazer um grande escândalo e acordar Bella.
— Está tudo bem. É normal sentir saudades. — Meu amigo garantiu e se afastou, sentando na cadeira que estava na minha diagonal. — O que acha de encontrarmos Royal na semana que vem? Almoçar com ele e relembrar os velhos tempos?
Royal era o namorado do meu falecido irmão. Ninguém além de nós dois e Alice sabíamos sobre o seu namoro. Se o meu pai sequer imaginasse aquilo, não fazia ideia de qual seria a sua reação, mas imaginava que faria uma cena. Eu sabia que boa parte da doença do meu irmão tinha a ver com o fato dele não se sentir confortável o bastante com a sua sexualidade, nunca se sentir aberto o suficiente para contar aos nossos pais sobre isso.
— Tudo bem. — Assenti, fungando e limpando as minhas lágrimas. — Acha que seremos capazes de fazer isso sem desabar em lágrimas?
— Eu tenho certeza que não, mas ninguém tem nada a ver com a nossa vida, certo? — Piscou para mim e segurou a minha mão.
— Obrigado por ser meu melhor amigo, Jasper. — Abri um pequeno sorriso.
— Por que você sempre me coloca na friendzone? — Perguntou, fingindo mágoa.
Revirei os olhos e me soltei dele, terminando o chá e colocando a xícara na pia.
— Você é tão patético. Vai dormir, seu ridículo.
— Primeiro a friendzone e agora me xingando. Aonde foi parar o seu amor por mim, Edward?
Eu ri e balancei a cabeça em negação.
— Mais uma gracinha e eu vou dormir na sua cama. — Resmunguei, me deitando no sofá.
— Eu sei que você está louco por isso. — Piscou para mim.
Fingi que iria me levantar e o vi correr em direção ao quarto, me fazendo rir mais. Eu adorava o quanto aquele garoto me fazia rir e esquecer de todos os meus problemas. Jasper era um excelente amigo e havia sido um bom ombro quando Emmett se foi.
Antes de dormir, eu ainda consegui ouvir ele ir até o banheiro e o barulho do chuveiro me fez adormecer de uma vez por todas enquanto os raios de sol adentravam pela janela da sala de estar.
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