Anti-Heróis
13 Quero Sentir Mais
Notas iniciais
Edward Cullen
— E então? — Perguntei para Bella.
A entrevista dela seria naquela manhã e nós havíamos combinado de almoçar juntos em seguida. Jasper havia dispensado a nossa companhia, mas desejou boa sorte à garota que nos acompanhou até o trabalho. O café ficava bem ao lado da biblioteca, pouco mais de dois metros de distância, e isto possibilitou que a acompanhássemos até lá.
Ela tinha a expressão triste e eu me preparei para o pior.
— Eu... Consegui! — Bella pulou em meus braços e eu a peguei, rindo junto com ela.
— Parabéns! — Falei, inspirando o perfume dos seus cabelos, que cheiravam ao meu shampoo, antes de soltá-la. — Quando começa?
Bella ajeitou as roupas novas e passou a mão pelos cabelos enquanto carregava um sorriso enorme nos lábios que fazia o meu coração se aquecer.
— Amanhã mesmo. Preciso apenas separar alguns documentos e posso trazer amanhã.
— Quer ajuda com estes documentos? — Perguntei, voltando a caminhar com ela.
— Ah, não. Não se preocupe. Eu acredito que já tenha tudo em mãos. — Abriu um pequeno sorriso e continuou a caminhar ao meu lado. — Às vezes me pergunto se estou sonhando.
— Eu posso te beliscar para você ter certeza. — Sugeri e a vi rir.
— Por favor. — Esticou o braço e eu a belisquei levemente. — Edward, se eu estiver dormindo, você com certeza não me acordou.
— Não quero te deixar roxa. O que a sua chefe vai pensar?
— É surreal imaginar que eu realmente tenho que me preocupar com o que a minha chefe pensa sobre mim. — Ela riu mais uma vez, balançando a cabeça em negação.
— Estou tão feliz por você, Bella. — Abracei a garota pelos ombros enquanto entrávamos no restaurante. — Eu sabia que você conseguiria.
— Não sabia nada. — Ela resmungou.
— Claro que sabia. Eu acreditei em você esse tempo todo. — Falei assim que nos sentamos em uma das mesas.
— Eu sei. — Suspirou e pegou o cardápio. — Estou tão animada, mas tão nervosa ao mesmo tempo.
— Por quê? — Sorri abertamente.
Bella colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e sorriu para o cardápio.
— Eu nunca trabalhei de verdade, sabe? É algo novo, diferente. Vou ter que aprender várias coisas novas. — Ela me olhou e mordeu lábio inferior. — Nem sei como te agradecer.
— Agradecer pelo quê? — Franzi o cenho, mas mantendo o sorriso no rosto.
— Por ter me salvado, Edward. Você me salvou.
Apesar do tom de seriedade, nós não tirávamos os sorrisos do rosto e eu quis beijá-la naquele mesmo segundo. Droga, como eu queria beijá-la. Mas me contive, apenas alcançando a sua mão que ainda segurava o cardápio. Bella pareceu se assustar em um primeiro momento, mas logo soltou o cardápio e tocou a minha mão.
— Eu teria feito de novo.
— Por quê? — Soprou.
No segundo seguinte, o garçom chegou se apresentando e querendo anotar os nossos pedidos, quebrando a nossa bolha. Nós não voltamos a falar sobre aquilo, ao invés disso ocupamos o nosso tempo fazendo planos sobre como seria a nossa rotina.
Eu fiquei pensando o porquê de ter salvo a garota, por ter insistido tanto nela, por ter ido atrás dela tantas vezes. Sabia que boa parte dos nossos encontros se deviam ao destino, como quando o ponto dela mudou para perto de casa ou no dia que a encontrei na rua. Alguma força maior sempre me puxava para ela, mas não havia um porquê.
Mal vimos a hora passar, logo eu tinha que voltar e Bella teria que ir para casa separar sua documentação. Eu parei em frente à biblioteca com ela e sorri.
— Nos vemos depois?
— Estarei esperando com o jantar pronto. — Garantiu, me fazendo rir. — Até mais tarde. — Ela se esticou e por um milésimo de segundo eu achei que beijaria a minha boca, mas desviou para o meu rosto.
Meu coração ainda estava acelerado e eu continuava estático quando ela já estava há quase um quilômetro de distância.
xxx
Bella entraria sempre às seis da manhã, então saía pouco antes das cinco de casa. Como eu e Jasper entrávamos apenas às dez da manhã, não conseguíamos acompanhá-la. Pelo que a garota havia contado, apenas de sair às duas da tarde, poderia almoçar conosco ao meio dia.
A hora parecia não passar e, no horário combinado, eu estava parado em frente ao café esperando para que pudéssemos almoçar todos juntos.
— Calma, cara. — Jasper falou e eu parei de mover minhas pernas de um lado à outro. — Aí está você. Achei que Edward ia morrer de ansiedade.
Bella riu e corou imediatamente.
— Cala a boca, Jasper. — Revirei os olhos. — E aí? Como foi?
— Vou contando no caminho, pode ser? Estou morrendo de fome. — Revirou os olhos e passou a mão sobre o ventre.
— Claro. — Eu assenti e nós começamos a caminhar pela rua, na direção do restaurante.
Bella começou a nos contar sobre a sua rotina e sobre como seus finais de semana seriam intercalados como o meu e de Jasper, fazendo escala com os outros funcionários. Também nos disse como estava cansada, mas animada com o novo trabalho.
— Eu nunca vou saber agradecer o suficiente por ter vocês na minha vida. — Ela suspirou. — Eu estou tão feliz.
— Nós também estamos felizes por você. — Jasper falou e eu assenti.
— Não se preocupe com o jantar, descanse o resto do dia e nós levaremos algo, OK?
— Têm certeza? Não é por estar acordando tão cedo que eu vá parar de ajudar vocês. — Bella olhou de mim para Jasper.
— Claro que temos. É a sua primeira semana, você está se acostumando. Nós damos um jeito. — Pisquei para ela.
— Tudo bem, mas eu também quero ajudar. — Alertou.
Logo nós entramos no restaurante e nos sentamos, discutindo sobre a comida e fazendo os nossos pedidos. Continuamos a conversar sobre o lugar, sobre como vinha sendo o nosso dia e Bella parecia animada, mas cansada.
— Amanhã nós almoçaremos com um amigo. — Jasper contou e eu olhei de esguelha pra ele.
— Oh, claro. Eu entendo. Posso lidar com o meu almoço. — Bella sorriu sem graça para nós.
— Não é que nós não queiramos que você vá, é só que...
— Tudo bem, Edward. Vocês têm todo o direito de almoçarem com quem quiserem, não quero viver grudada em vocês. — Ela fez uma careta.
— OK, mas eu só quero deixar claro que não temos vergonha de você. — Estiquei a mão na sua direção e ela olhou, ponderando por um momento antes de tocá-la.
— Eu vou ao banheiro. — Jasper avisou e nós assentimos. Sabia que ele só estava fazendo aquilo para nos dar um momento à sós.
— As coisas são complicadas entre eu e este amigo. — Comecei, engolindo em seco e apertando a sua mão.
Bella me olhou por um momento e arregalou os olhos, parecendo entender sobre o que eu estava falando. Franzi o cenho e esperei que ela dissesse algo.
— Tudo bem, Edward. Eu entendo. Já imaginava. — Ela sorriu em compreensão, acariciando os meus dedos com o polegar. — Como descobriu que era bissexual?
— O quê? — Arregalei meus olhos e comecei a rir. — Bella, não é nada disso...
— Achei que estávamos sendo verdadeiros aqui. — Franziu o cenho, parando a sua carícia. — O que está tentando dizer?
Respirei fundo e esclareci:
— Royal era o namorado do meu irmão.
Bella me olhou por um momento, parecendo pensar sobre a situação antes de voltar a questionar:
— Por que vai sair para almoçar com o ex namorado do seu irmão? Ele não deveria ficar bravo com você por isso?
Fiz uma longa pausa, olhando para as nossas mãos unidas e tentando ter forças para continuar a falar sem desabar ali mesmo. Não queria chamar a atenção e muito menos abrir a minha história para Bella em público.
— É complicado. — Soprei, bebendo um gole do refrigerante e soltando a sua mão. — Eu prometo te contar algum dia, OK? Mas não hoje.
Ela me olhou por um momento, dividida entre a desconfiança, a curiosidade e a preocupação.
— Tudo bem. — Assentiu e abriu um meio sorriso.
A comida chegou naquele momento e Jasper surgiu meio segundo depois.
— Ufa, ainda bem! Estava morrendo de fome. — Falou assim que se sentou, quebrando o clima estranho que havia prevalecido à mesa.
xxx
Eu estava esperando por Royal no restaurante. Jasper não poderia nos acompanhar, aparentemente haviam acontecido problemas na sessão dele e então eu tive que ir sozinho.
O ex namorado do meu falecido irmão não tinha pensado duas vezes antes de aceitar me encontrar. Sabia que ele sentia falta da minha companhia e da minha irmã, além do meu irmão. Meus pais o conheciam como apenas um amigo do meu irmão e também gostavam muito deles, mas nunca tiveram contato frequente, Royal nem mesmo tivera a chance de chamá-los de sogros.
Quando ele apareceu, eu notei que estava muito melhor do que a última vez, quando eu costumava vê-lo. Depois da morte do meu irmão, eu mantinha contato com ele e fazia com que pudéssemos superar toda aquela dor juntos, mas comecei a perceber que aquilo fazia mais mal do que bem ao meu amigo e decidimos que era melhor nos afastarmos. Desde então, tínhamos pouco contato ao telefone e nos limitávamos a conversas esporádicas por mensagens.
Eu o abracei fortemente, sorrindo quando nos afastamos e vendo o brilho em seus olhos azuis-violeta. Royal era um homem bonito, tinha cabelos loiros claríssimos e era muito simpático. Ele e meu irmão formavam um casal incrível.
— Edward, quanto tempo! Fiquei tão feliz quando me chamou para vir almoçar. Achei que o seu amigo loiro ia vir. — Royal disse, se ajeitando na cadeira à minha frente e desatando a falar.
— Tivemos alguns imprevistos na biblioteca. Mas então? Como você está?
Royal me contou que estava terminando o seu mestrado e que logo pretendia ser doutor em têxtil e moda. Eu estava feliz por ele, mas sabia que boa parte do seu foco em estudos fora para tirar o meu irmão dos pensamentos. Ele também me contou que conhecera alguém novo e que estavam caminhando para um possível relacionamento, mas que ainda era difícil para ele pensar em estar com alguém que não fosse Emmett.
— Tenho certeza que ele está feliz por você estar feliz, onde quer que esteja. — Garanti, sorrindo para ele e bebericando do meu refrigerante.
Ele limpou a boca com o guardanapo e também bebeu um gole da sua água com gás.
— Mas e você, Edward? O que me conta sobre a sua vida?
— Fora que eu me tornei um fracassado? Nada demais. — Dei de ombros.
— Você não é um fracassado por ainda não ter sido publicado. Qual é, você ainda tem vinte e três anos!
— E ainda sinto que nunca serei publicado. — Fiz uma careta.
— Você deveria ir atrás. — Royal falou, olhando para mim. — O seu irmão sempre me dizia o quanto te influenciava à isto e imagino que quando se foi ninguém mais o fez por ele.
— Não. — Murmurei.
— Pois eu não sossegarei até que você seja publicado. Pelo seu irmão, eu farei com que você consiga isso. — Sorriu para mim e piscou.
— Roy, não precisa se preocupar. — Revirei os olhos.
— Soube que Irina vai se casar. — Ele mudou de assunto e eu senti meu estômago revirar. — Como está com tudo isso?
Como eu estava? Fazia tanto tempo que não pensava sobre aquilo, que não a via, que não tinha notícias dela. Era difícil definir como eu estava.
— Já estive pior. Mas atualmente eu diria que estou indiferente. — Dei de ombros.
— Então quer dizer que tem alguém novo? — Royal ergueu as sobrancelhas sugestivamente.
— O quê? Não. — Eu respondi rindo e sentindo minhas bochechas corarem.
— Tudo bem, se não quiser contar, eu vou entender completamente. — Ele disse, recostando o corpo na cadeira e bebendo o seu refrigerante. — Mas não acho que você a esqueceria tão cedo. Eu me lembro do quanto se amavam. Ou de como você a amava, pelo menos.
— Foi um golpe de sorte. — Dei de ombros, mordendo o lábio inferior e apoiando os braços na mesa. — Talvez eu não a amasse tanto assim.
— Claro que sim. — Royal debochou.
Nós pedimos a conta, atrasados para os nossos compromissos e nos despedimos com um longo abraço do lado de fora do restaurante.
— Foi bom te ver. — Eu sorri para ele.
— Senti sua falta, Ed. Mande um beijo para a tampinha da sua irmã e para os seus pais. — Pediu e eu assenti.
— Claro. Nos vemos por aí?
— Pode apostar que sim. — Royal piscou e acenou, se afastando.
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