Anti-Heróis

9 Protegido Aqui


Notas iniciais
Olá, Crepusculetes! Queria começar agradecendo à krisbiangirl por ter favoritado a fic e á Nubs por marcar que está acompanhando. Estas interações são muito importantes para mim! Queria também agradecer pelo acolhimento que tive no capítulo anterior e por todas vocês terem entendido tão bem do que se trata a história. Muito obrigada de verdade! Vamos ao capítulo de hoje?

Edward Cullen

— Puta que o pariu, eu não acredito nisso. — Jasper falou assim que eu fechei a porta. — O que a gente conversou, Edward Cullen? Diz pra mim o que a gente conversou!

— Shh! Fala baixo. — Sussurrei com urgência.

— Pelo amor de Deus, de novo você com essa garota? Eu já disse para você parar de se iludir.

— Jasper, me ouve, OK? — Pedi, agarrando os seus ombros e fazendo com que ele parasse de falar. — Eu fui comprar os seus doces e ela estava lá, parecia perdida em pensamentos olhando a vitrine de doces. Você viu o tamanho das olheiras dela? Não tem ideia do cheiro que esta garota estava quando eu cheguei perto dela.

— Merda. O que aconteceu? — Perguntou preocupado e cruzando os braços.

— Eu não faço ideia, não a forcei a falar, mas não parece bom. — Suspirei e passei as mãos pelos cabelos.

— E agora ela vai ficar aqui?

— Está tudo bem para você? — Mordi o lábio inferior, observando o meu amigo.

Jasper suspirou profundamente e desviou o olhar, passando as mãos pelos seus fios de cabelo.

— Sim, é claro que sim. A garota é legal, mas você me preocupa. — Seu olhar voltou a encontrar o meu. — Não quero vê-lo machucado mais uma vez, meu amigo. Ainda mais depois de saber sobre o envolvimento de vocês.

Eu havia contado à Jasper sobre o nosso beijo — ou quase beijo -, sobre o meu discurso, sobre o nosso almoço, sobre tudo. Àquela altura ele sabia tanto quanto eu e Bella. Era o meu melhor amigo e, como eu queria alguém para desabafar, sabia que ele era a minha melhor opção. Jasper havia me aconselhado, pedido para me afastar, deixar com que o tempo agisse em nossas vidas e eu estava deixando. O destino sempre tratava de nos reunir.

— Eu estou fazendo exatamente o que você pediu, Jasper. Mas sabe que estou fazendo isso como um amigo, como ser humano que viu o quanto ela precisava de ajuda. Não podia deixá-la na rua aos prantos. — Me expliquei, vendo o meu amigo se sentar na cama.

— Claro, eu entendo. Ela não me incomoda, pode ficar o tempo que quiser. — Seu olhar encontrou o meu e ele suspirou. — Eu sei onde isso tudo vai dar, Edward. Mas saiba que eu estarei aqui quando tudo desmoronar.

Cruzei os braços, me recostando na parede oposta à ele e o observando por um momento. Nós não sabíamos onde tudo aquilo ia dar, tinham tantas opções, mas eu sabia que todas elas acabavam comigo apaixonado por aquela mulher tão misteriosa e frágil. Eu estava fodido desde o dia em que colocara os olhos em Isabella naquela boate.

— Obrigado. — Soprei, abrindo um pequeno sorriso e saindo dali.

Encontrei Bella sentada no sofá enquanto assistia The Good Place, mas parecia apreensiva.

— Quer pegar suas roupas na lavanderia comigo? — Perguntei, tirando a garota dos seus devaneios.

Ela assentiu e se colocou ao meu lado prontamente, andando comigo até a lavanderia em completo silêncio. As suas roupas estavam secas e eu comecei a recolhê-las, ajudando a garota a dobrar.

— Ele não gostou da ideia de me ter por perto, certo? — Ela murmurou um tempo depois, me fazendo olhá-la. — Pode dizer, eu aguento.

— Do que está falando, Bella? — Franzi o cenho, parando o que fazia para olhá-la. — Está sugerindo que Jasper não a quer em nosso apartamento?

— Eu deveria pensar diferente? Sei que não pertenço à lugar algum. — Bella deu de ombros, continuando a dobrar as roupas.

— Isabella, olhe para mim, por favor. — Pedi e ela o fez, parecendo esperar pelo pior. — Em momento algum Jasper disse que não a queria conosco. Isso não entrou em discussão dentro daquele quarto. OK?

— Então o que veio, Edward? — Quis saber, cruzando os braços.

Respirei fundo e voltei a dobrar as suas roupas.

— Isso não vêm ao caso. — Murmurei.

— Claro que vem. É sobre mim. — Bella sentou em cima de uma das máquinas e continuou a me olhar, mas eu me mantive em silêncio. — Não vai me contar?

— Não.

— Por que não?

— Porque não. Podemos mudar de assunto? — Suspirei, olhando para ela.

— Não. — Sorriu.

— Por que não?

— Porque não. — Deu de ombros, me fazendo rir e revirar os olhos. — Viu como é ruim?

— Você é impossível, garota.

— Tudo bem. — Suspirou em derrota. — Eu vou deixar passar. Mas só dessa vez. — Apontou o dedo em riste na minha direção.

Voltei a rir, balançando a cabeça em negação e agradecendo mentalmente por aquela conversa estar finalizada sem exposição ou Bella poderia achar que eu era maluco. Tudo o que eu menos precisava era espantá-la.

xxx

Eu estava arrumando a minha cama para que Bella pudesse dormir em lençóis limpos quando ela adentrou o quarto com os braços cruzados, parecendo tímida.

— Ei. — Sorri e comecei a recolher os lençóis que antes estavam na minha cama. — Já está pronta para você.

— O quê? — Franziu o cenho.

— A cama, Bella. Você vai dormir aqui. — Esclareci.

— Com você? — A garota pareceu surpresa e amedrontada.

— Não, não se preocupe. Eu dormirei na sala. — Passei por ela com meus lençóis e travesseiro em mãos.

— Edward, não. Jamais. Por favor, eu durmo no seu sofá. Eu posso...

— Isso não está em discussão, Bella. — Cortei o que ela estava dizendo, passando a arrumar o sofá. — Você ficará na minha cama a ponto final.

— Isso não está certo. Você é quem trabalha no dia seguinte, eu não estou colocando dinheiro aqui, não mereço...

— Não é por merecimento. — Me sentei no sofá e a olhei. — Estou cedendo a minha cama porque eu quero. Consegue apenas aceitar o agrado de um amigo?

Bella suspirou e esfregou o rosto, passando os dedos entre os fios de cabelo.

— É claro que eu aceito, só acho que o meu amigo está cedendo demais sem receber nada em troca. — Cruzou os braços em frente ao peito, erguendo a sobrancelha na minha direção.

Revirei os olhos e me deitei de lado, olhando a televisão sem realmente ver o que passava.

— Pois lide com isso, porque eu realmente só vou querer que você aceite tudo sem reclamar ou achar que vou querer algo em troca.

— Você é um homem estranho, Edward. — Murmurou.

— Vou levar como um elogio. — Sorri e a ouvir rir.

Alguns minutos se passaram enquanto ela continuava ali, apenas olhando para a televisão. Me sentei no sofá e dei dois tapas no lugar ao meu lado, atraindo a sua atenção.

— Venha. — Pedi e vi sua hesitação. — Eu sei como novas situações podem ser assustadoras. Prometo que estou oferecendo isso como um amigo.

Bella pareceu pensar por um momento antes de finalmente ceder, se sentando na outra ponta do sofá completamente encolhida. Naquela posição e com as minhas roupas, ela ficava adorável.

— Eu estou cansada. — Sussurrou, apoiando o queixo em seus joelhos. — Mas não estou com sono. Sei que vai ser difícil cair no sono.

Ela estava se abrindo comigo e eu apenas escutava com atenção. Era bom saber que estava ganhando a sua confiança.

— Você pode ficar aqui até cair no sono. — Dei de ombros e o seu olhar encontrou o meu. — Eu posso esperar até que você esteja cansada o bastante para dormir.

Por um momento, nós éramos apenas olhares e eu abri um pequeno sorriso. Bella continuou com a mesma expressão impassível por um longo momento antes de suspirar profundamente e dizer:

— Você é tão bom pra mim o tempo todo.

Meu sorriso se alargou e eu apenas dei de ombros.

— Talvez essa seja a minha missão: mostrar à você que pessoas boas realmente existem.

— Você é um em um milhão, Edward. — Balançou a cabeça em negação e voltou o seu olhar para a televisão. — Podemos ver The Good Place?

Assenti e passei a colocar a série em silêncio. Me perguntava sobre tudo o que ainda não sabia sobre aquela mulher, sobre tudo o que eu ainda queria descobrir, sobre tudo o que ela deveria ter passado para se tornar essa pessoa tão desconfiada.

Lá pelo terceiro episódio, Bella caiu no sono em cima de seus joelhos e eu temi assustá-la. Não queria acordar a garota e muito menos tocar nela para que pudesse levar à minha cama. Então apenas me levantei, coloquei um travesseiro ao seu lado e coloquei o lençol aos seus pés.

Me levantei, pronto para ir ao meu quarto, mas parei na cozinha para tomar uma água. Quando passei pela sala novamente, apenas para desligar a televisão, notei Bella já devidamente ajeitada no sofá enquanto ressonava. Eu não fazia ideia se aquilo fora intencional, mas ela havia conseguido o que queria naquela noite. Mas eu não cederia, insistiria para Bella dormir em minha cama. Ela merecia o pouco de conforto que eu conseguia dar à ela.

xxx

Bella ainda dormia quando eu saí para trabalhar com Jasper. Parecia que a garota estava muito cansada então nós apenas deixamos o café pronto com um bilhete.

As horas não pareciam querer passar e, na pausa para o almoço, eu decidi ir comprar um celular. Não sabia ao certo porquê estava fazendo aquilo, mas eu queria presentear Bella com um celular para que não ficasse incomunicável quando estivéssemos longe. Parecia loucura, talvez eu estivesse louco, mas fazia sentido. E se o apartamento pegasse fogo? E se ela se acidentasse? E se tentassem invadir o apartamento?

— Você enlouqueceu? — Jasper perguntou quando eu contei à ele sobre o celular na volta para casa.

— Vai dizer que não faz sentido?

— Não faz o menor sentido! Você só está arrumando desculpas para a loucura que cometeu.

— Você está sendo tão racional. O que está acontecendo? Conheceu alguém? — Provoquei, não me importando com a sua represália.

— Não mude de assunto! — Jasper apontou na minha direção tentando conter o sorriso.

— Então realmente tem alguém! — Arregalei os olhos. — Vou fingir que estou impressionado com Jasper apaixonado pela vigésima vez só esse ano. Vamos com calma, garotão, estamos apenas em abril. — Provoquei.

— Não dá pra conversar com você. — Resmungou, revirando os olhos.

— Por quê? Só porque eu falo algumas verdades? Aprendi com o melhor. — Dei tapas leves em suas costas.

— Acho que esse novo ano chegou para nos enlouquecer. — Murmurou.

— Talvez. — Dei de ombros. — Mas eu estou adorando.

Continuamos a conversar amenidades até em casa e eu me peguei pensando o que Bella teria feito o dia todo. Será que estava tudo bem? Será que ela havia fugido? Quando entramos no apartamento, Bella estava arrumando a mesa e um cheiro bom vinha da cozinha.

— Boa tarde, garotos. Eu fiz o jantar. — Ela sorriu timidamente na nossa direção.

— Está cheirando bem. — Jasper falou. — Vou tomar banho antes de me juntar à vocês. — Ele olhou para mim e piscou antes de se afastar até o banheiro.

— Oi. — Sorri para ela e me aproximei. — Não precisava ter feito o jantar.

— Ah, tudo bem. Eu estava morrendo de fome e havia apenas comido o café da manhã que vocês deixaram. Não foi nada. — Mordeu o lábio inferior e checou uma das panelas.

— Poderia ter feito almoço, sabe? Fique à vontade. Esta também é a sua casa. — Falei, lavando as mãos na pia ao seu lado.

— Eu sei. Só não queria ser tão invasiva. — Deu de ombros.

— Não seria. — Sequei minhas mãos e a vi desligar o fogo das panelas. — Eu tenho um presente para você.

Bella olhou surpresa para mim e me acompanhou com o olhar. Voltei com a caixa do celular em mãos e vi os seus olhos se arregalarem.

— Edward, não. Não, não, não. Não mesmo! — Apontou na minha direção e empurrou a caixa. — Você ficou maluco?

— Por que todo mundo fica me perguntando isso? — Murmurei. — Aceite. É o meu presente.

— Eu já aceitei muito de você. Por Deus, eu não posso aceitar um celular! — Falou, exasperada.

— Claro que pode. — Empurrei a caixa na sua direção. — É para podermos nos comunicar caso você precise de algo, como o apartamento pegando fogo ou algum arrombamento ou apenas queira que compremos algo para comer no caminho para casa.

— Essa foi a desculpa que você arrumou a si mesmo para cometer essa loucura? — Ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços.

— Sim. Agora aceite, por favor. — Pedi, olhando em seus olhos e voltando a oferecer o celular.

Bella me olhou por um momento e suspirou em derrota, pegando a caixa.

— Você é maluco, Edward. Isso está passando dos limites. — Bufou, analisando a caixa. — Pretende me ensinar a mexer nesse negócio?

— Vai ser um prazer. — Disse, com um enorme sorriso no rosto.

A garota apenas riu, revirou os olhos e balançou a cabeça em negação enquanto sumia até o meu quarto para guardar o seu novo brinquedo.

Notas finais
E aí? O que estão achando? Não esqueça de deixar o seu comentário, ele é muito importante para mim.