Antes do fim
14 A estrela no céu
A porta foi se abrindo aos poucos enquanto os dois ainda continuavam grudados em um beijo caloroso, fazendo com que ficassem com os nervos a flor da pele toda vez que elas se encostavam. Ana resumia em sua mente que estar com Pedro, naquele momento, era como uma onda de choques elétricos que guiavam o seu corpo ao dele fazendo com que nunca se descolasse. Era como se cada parte completasse a outra, assim como seus lábios faziam.
Uma onda fria pairava pelo quarto, mesmo que as janelas estivessem fechadas, a cama estava bagunçada e a guitarra jogada ao chão junto ao bloco de notas onde o menino estava escrevendo algumas músicas aleatórias enquanto pensava na garota. Ele empurrou a menina em cima da cama e começou a beijar o seu corpo, descendo lentamente sua boca pelo pescoço e seguindo o caminho até a barriga, ficando muito próximo de onde queria chegar.
Ana estava imersa naquela sensação, era como se estivesse deitada em mil pétalas de flores caras enquanto o seu amado acariciava seu corpo com aqueles lábios macios que tiravam ela de órbita. Pedro desabotoou sua calça enquanto ainda encarava a menina, que esperava o menino voltar para saborear sua pele novamente. Ela decidiu fazer o mesmo, tirando de leve a parte de baixo do seu pijama, ficando apenas de sutiã e calcinha. Pedro voltou novamente para perto e começou a beijá-la, a deixando mais próximo e fazendo com que soltasse alguns gemidos baixinhos.
— Posso? – Ele perguntou, descendo suas mãos devagar pelas costas da menina e indo em direção ao sutiã.
— Sim. – Ana deslizou sua mão sobre o peitoral do menino, desejando cada vez mais descobrir o resto do seu corpo.
Na medida que Pedro soltava o sutiã, uma barulheira começou a surgir de longe, fazendo com que ele reconhecesse de imediato.
— Droga. Não agora. – Ele falou consigo mesmo.
— Tudo bem por mim. – Ana rebateu.
— Não é isso... – Ele falou, se sentando ao seu lado e esperando que a menina também escutasse já que o barulho ficava cada vez mais alto. Eram ambulâncias e sirenes da polícia que pareciam rondar a cidade novamente. Não uma, nem duas, mas oito, talvez dez correndo com toda velocidade. Uma freada brusca aconteceu em frente a sua casa e eles se realizaram de que o pai de Pedro entraria em pouco tempo.
Ana se levantou em meio ao desespero, procurando suas roupas e colocando o mais rápido possível. Pedro achou graça da situação, mas ajudou a menina e desceu com ela para a sala fingindo que nada estava acontecendo. Como previsto, seu pai entrou na sala com uma cara de assustado, mas ao ver os dois sentados no sofá, tentou fingir que estava tudo bem.
— Tudo bem, pai? O que aconteceu?
— Depois conversamos. Ainda tenho que voltar a delegacia, tenho um prontuário a ser preenchido e preciso falar diretamente com... – Ele parou de falar e tomou um enorme copo de água em dois goles.
— Com quem que você precisa falar? – Pedro indagou.
— Está tudo bem. Eu volto no máximo em duas horas. Vocês estão bem?
— Sim, estamos. – Ana respondeu. – Sei que é um momento meio inoportuno, mas gostaria de saber se o senhor se juntaria a minha família na noite de natal.
O homem que estava com uma expressão preocupada, pareceu ceder um pouco e um sorriso meio leve apareceu em seu rosto. – Agradeço o convite, Ana. De coração. Estaremos lá. – Em seguida, conferiu se as chaves estavam em seu bolso e bateu em retirada para o carro que esperava do outro lado da rua.
Pedro ficou esperando que ele lhe desse um abraço, mas acabou apenas observando seu pai se esvair no meio das luzes coloridas que piscavam através da janela e se rastejavam pelo chão. Ana escorregou suas mãos devagar pelo braço do menino até que conseguisse encaixar sua mão na dele. O menino sabia que ela estava tentando falar que tudo ficaria bem, mais uma vez, já que as coisas não andavam iguais com o passar do tempo.
A garota se virou para o menino depois que as luzes se apagaram e só restavam os dois naquela sala em plena madrugada que também se esvaia aos poucos. O sol ameaçava aparecer e alguns pássaros passavam cantarolando em bando por cima da casa.
— Acho melhor eu voltar antes que meus pais percebam que ainda estou aqui. – Ana falou.
— Está fazendo frio, você quer um moletom ou algo mais quente?
“O que eu queria mesmo era você. A noite toda.” — A menina pensou consigo.
— Não, tudo bem. É aqui do lado, não precisa se preocupar tanto.
Pedro se aproximou lhe dando um abraço apertado e um beijo demorado em sua testa. – Se cuida, tá? E não se esquece...estou apenas a uma janela de distância.
A menina consentiu e bateu em disparada para casa, também sumindo na noite e deixando Pedro apenas com a própria companhia, no meio da casa vazia e fria.
***
O sol apareceu rápido, banhando toda cidade com raios quentes e não havia nenhuma nuvem no céu que impedisse aquela ação. Afinal, o destino estava próximo de ser mudado e ninguém imaginava o que estava prestes a acontecer.
Era véspera de Natal, uma das datas mais acolhidas pela população daquele local. As ruas estavam movimentadas, carros e pessoas subiam e desciam tentando comprar tudo o que precisavam entre comidas e presentes para seus amados ou familiares.
Ana se acordou aos poucos, tentando se mover em meio a preguiça que seu corpo se encontrava. O quarto estava frio, já que estava enrolada nos lençóis e o ar estava ligado. A menina se sentou a beira da cama e se levantou devagar, indo em direção a janela e puxando a persiana para conferir se Pedro já havia acordado, mas a janela dele ainda continuava fechada.
Pedro acordou pouco tempo depois, juntando todas as coisas espalhadas pelo chão e se lembrando de imediato da noite anterior na qual quase teve o momento com Ana. Ele agora a desejava mais do que nunca, sentia que era como o Indiana Jones e o corpo da garota o tesouro perdido que tanto procurava.
O menino deixou os olhos rondarem o quarto e pôde ver no notebook ligado que havia um email mencionando seu nome, na qual o vestibular que havia prestado estava anunciando algo. De imediato, correu para a frente e o fechou como se nunca quisesse ler aquela notícia novamente. Seu coração agora batia forte demais, mas se lembrou que mais tarde veria seus amigos e poderia finalmente ter um momento de paz, sem que nada acontecesse.
Ana passou a manhã arrumando a casa, colocando alguns assuntos em dia e pesquisando mais sobre as faculdades que possuíam a maior nota de conceito e aprovação nos estados ao redor. As horas passaram rápido, já que a menina também estava ansiosa para o evento a tarde, tendo em vista que precisava de um momento para relaxar e o Rio Azul para qual iria era um dos seus lugares preferidos na cidade, mesmo sabendo que não possuía tantas opções assim.
Depois de acertarem tudo por mensagem, os amigos marcaram de se encontrar às duas horas. Ana se preparou e esperou Pedro na sacada da sua casa, observando que o menino estava radiante, fazendo com que seus cabelos e sua pele brilhassem na mesma proporção do seu sorriso toda vez que seus olhares se encontravam.
O menino a recebeu com um enorme beijo de saudade e seguiram para o carro do pai de Pedro. Ana quis perguntar se ele já sabia de algo que estava acontecendo, mas o garoto comentou que seu pai estava dormindo fazia um bom tempo e preferiu deixar ele descansando. Assim, seguiram pelas ruas da cidade ouvindo música no rádio e cantarolando como sempre faziam em seus dias felizes.
Durante aquela tarde de verão, o sol que banhava a cidade lançava grandes onda de calor fazendo com que nenhuma nuvem no céu fosse capaz de apaziguar a temperatura de 31° graus que fazia em Baixa Estação.
Ana estava deitada sobre a sua canga colorida enquanto aproveitava os seus últimos dias de férias, na grama do Rio Azul. Contando as horas para que as aulas do último ano do ensino médio de fato começassem, a menina observava seus amigos se divertirem enquanto apostavam entre eles quem nadaria mais rápido até o outro lado.
Pedro se aproximou subitamente enquanto enxugava seus cabelos. — Você não vai entrar?
A menina que agora tinha toda a atenção voltada para o menino, observava o garoto de um metro e setenta, com cabelos lisos e caídos sobre os olhos e um sorriso incrivelmente assimétrico.
— Com certeza, só tirei um tempo para pensar um pouco. — Ana virou seu corpo para cima e passou a observar a grande imensidão azul acima dos dois.
— Muita coisa na cabeça? Você sabe que pode conversar comigo, não sabe?
Pedro se aproximou ainda mais da menina e pousou sua mão sobre a dela. — Eu continuo sendo o seu amigo e estou aqui pro der e vier.
Ana lhe lançou um sorriso meio tímido e afirmou com a cabeça sem falar nada. Eles ficaram três segundos se encarando até que Pedro pigarreou e voltou a se sentar, jogando a água que restava em seu cabelo sobre a menina. Aproveitando aquele momento, ele a observou sorrir e sem que percebesse a elogiou. — Você é tão linda quanto aquela estrela no céu. — Em seguida, apontou para cima, fazendo com que ela procurasse.
Ana se sentou, ajustando seu biquíni azul que modelava todo o seu corpo, e enxergou a tal estrela que o garoto a havia mostrado. Na medida em que tentava identificar, ela se questionou o que uma estrela tão brilhante fazia no céu em plena duas horas da tarde.
— Você não acha que é uma estrela? — Pedro indagou, enquanto olhava para o rio, percebendo que todos os seus amigos agora também prestavam atenção na grande luz que estava acima.
— Definitivamente não. — Ana respondeu. — E parece que está vindo em nossa direção.
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