Antes Que Termine O Dia
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Esse capitulo eu terminei de escrever faz uns 10 minutos, entao, me desculpe qualquer erro.
Mais uma vez, me desculpe a demora e eu ja estou tentando trabalhar no proximo capitulo.
espero que gostem
Pov. Quinn
Rachel foi comprar as passagens enquanto eu a esperava impacientemente, tentando me livrar de qualquer forma dos pensamentos ruins.
“Prontinho, vamos?”. Rachel falou, me abraçando pelas costas.
“Para onde nós vamos?”. Perguntei sorrindo.
“Você falou que eu poderia escolher”.
“Ok”. Respondi a abraçando.
“Então para de perguntar, aprecie sem saber o que vai acontecer”.
...
“Espera um pouco”. Eu conhecia esse caminho.
“Esta pensando em que?”. Perguntou sorrindo hesitante. “Olha se não quiser parar aqui a gente pode ficar no trem ...”.
“Como é que você soube que aqui é a minha cidade?”. Perguntei confusa.
“Você me disse onde nasceu e eu nunca conheci sua família”. Ela me explicou com um sorriso triste.
“Eles... eles estavam ocupados”. Desviei o olhar para a janela.
“Eu quero muito ver onde você cresceu, quero ver a escola em que a pequena Quinn frequentou e foi líder de torcida”. Disse sorrindo enquanto segurava minha mão. “Eu quero ver de onde veio o amor da minha vida”. Completou olhando dentro dos meus olhos. “Se você tem alguma coisa a esconder, não deveria ter dito que eu podia escolher qualquer lugar que eu quisesse”. Ela falou para descontrair me fazendo rir.
...
“Foi um trovão?”. Me perguntou assustada olhando para os lados. Nós duas estávamos subindo uma colina e ela não parava de reclamar e fazendo rir. “Eu acho que vai chover, você sabia que iria chover não é?”.
“Esta querendo fugir da escalada?”. Perguntei dando risada.
“Eu estou, mas eu acho que não esta dando muito certo”. Ela entrou na brincadeira.
“Era bem mais íngreme quando eu era criança”.
“Vamos para aquela cabana?”. Me pediu esperançosa.
“Não, temos que chegar ate o topo, então, continua ai”.
“Tudo bem chefinha. O que tem no topo da montanha magica da Quinn?”.
“Nada”. Respondi dando risada da sua cara de indignada. “Nada além da solidão, longe de tudo e de todos. Eu ia la para ler ou pensar”. Completei e ela me deu um selinho mostrando que havia entendido.
“Eu acho que vai chover mesmo”. Quando ela terminou de falar isso, a chuva começou a engrossar nos fazendo correr ate a cabana o mais rápido possível. A porta da cabana estava destrancada e eu agradeci por isso.
“É, esta explicado o porquê de você nunca ter me trazido aqui”. Rachel falou enquanto me abraçava para nos aquecer. “Por que nunca me contou sobre eles? Eu estou sempre falando sobre meus amigos, os meu pais e você nunca fala dos seus”.
“Vamos esquecer tudo isso, eu só quero ficar aqui com você”. Fiz uma carinha de gatos de botas para convence-la.
Ela sorriu e eu fui pegar lenha e colocar na fogueira. Quando eu estava tentando ascender um fosforo, meu braço bateu na parede e eu escutei algo se quebrando, abaixei meu olhar para o meu pulso e vi o meu relógio quebrado, marcando onze horas. Meus olhos se encheram de lagrimas. Era verdade, o tempo todo.
Virei meus rosto em direção a Rachel e fiquei a apreciando, eu nunca conheci uma pessoa tão maravilhosa quanto ela em toda a minha vida e só agora que eu estou a perdendo é que eu percebo isso. Ela olha em minha direção e sorri pra mim, ela tem um sorriso lindo, capaz de iluminar tudo em sua volta, capaz de me aquecer e apagar todos os meus medos, todas as minhas inseguranças.
“Não quer mesmo falar do passado não é?”. Ela me perguntou hesitante.
“O passado não importa, tudo que importa é só o agora”. Respondi com a voz embargada pelo choro, me virei em direção a janela para que ela não visse minhas lagrimas.
“Você esta entranha hoje”. Rachel falou me abraçando por trás. Em seus braços eu me sentia segura, eu me sentia em casa. Rachel era a minha casa, sempre foi.
“Posso te fazer uma pergunta?”. Falei me virando em sua direção.
“Claro”.
“Se soubesse que não te resta muito tempo...”.
“Quer dizer hoje?”. Ela me interrompeu.
“Não, quero dizer de vida”. Falei me afastando. “Se só te restasse um dia, o que faria?”. Perguntei olhando nos seus olhos.
“Que pergunta estranha”. Ela falou com um sorriso.
“Eu só quero saber”.
“Bom, me deixa ver meu ultimo dia na terra...”. Fez uma cara de pensativa. “Eu compraria sapatos e comeria dez sorvetes com cauda quente. Talvez conhecesse alguma coelhinha da playboy para uma incrível aventura”. Respondeu dando uma risada maliciosa e se sentando na cama. Eu sorri. “É uma resposta fácil Quinn. Eu passaria com você”. Respondeu com um olhar amoroso.
“Serio?”.
“É claro que sim, nós ficaríamos juntas como agora, sem fazer nada”. Seus olhos estavam marejados.
“Só isso?”. Eu tentava segurar as lagrimas, mas estava difícil. “Quero dizer, mais nada?”. Perguntei sentando ao seu lado da cama.
“Proximidade. Uma proximidade intensa, a gente compartilhando coisas e bobagens, dificuldades. Isso é o que eu sempre quis pra nós duas, se conseguirmos ter isso, nada poderá nos machucar”. Ela falava isso olhando nos meus olhos e eu nunca me senti tão amada como agora.
“Eu te amo”. Eu disse. Ela me olhou surpresa, eu nunca havia falado isso para ela. Depois ela me lançou o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida e se aproximou juntando nossos lábios. Passamos o resto da tarde compartilhando o nosso amor, como se não houvesse amanha e na verdade, não haveria mesmo.
...
“Quinn, a chuva parou”. Rachel sussurrou no meu ouvido, enquanto me abraçava. “Quer ir até o topo?”.
“Não, eu quero te levar para outro lugar”. Respondi e lhe deu um beijo.
“Nós vamos ter que estalar?”. Me perguntou com uma carinha muito fofa e uma voz de criança, foi impossível não sorrir. Balancei a cabeça negando.
“Nós podemos esperar mais um pouco?”. Perguntou me abraçando mais apertado.
“Ótima ideia”. Respondi lhe dando um beijo na testa.
...
“Seu pai era muito bonito”. Rachel falou sorrindo olhando uma fotografia que estava grudada na parede. Nós duas estávamos no bar antigo em que eu costumava vir com o meu pai. “Então, eu acho que você puxou a sua mãe”. Ela disse me fazendo rir.
“Ele passava muito tempo aqui?”, perguntou enquanto se sentava ao meu lado.
“Depois de se aposentar em 1993, ele ficava aqui o tempo todo. Ele era o herói da minha infância, eu pensava que ele era o homem mais forte do mundo”. Falei sorrindo nostálgica. “Ele era tão orgulhoso, o trabalho na fabrica não era qualquer um para ele, sabe. Todos o amavam e a sua família o venerava”.
“Parece maravilhoso”. Rachel falou pegando a minha mão e sorrindo.
“Ele é... ele era”. Falei abaixando a cabeça. “O dono resolveu se mudar e todos perderam o emprego e ele nunca trabalhou de novo. Aqui era o seu segundo lar”. Eu já estava com lagrimas nos olhos, Rachel deu um aperto mais forte em minha mão me passando conforto. “Depois dos meus 15 anos, eu nunca mais o encontrei sóbrio e coloquei na cabeça que isso não aconteceria comigo, viver a minha vida pelo capricho alheio, pelo trabalho”.
“Você não tem que viver assim”.
“Eu sei disso agora, mas eu queria ter ajudado ele”. Falei abaixando a cabeça.
“Você era só uma criança querida”. Me disse colocando a mão no meu queixo me fazendo levantar o olhar.
“Eu sei, mas ver o seu pai, ver o seu herói se destruir assim na frente dos seus olhos”.
“Ama mesmo o seu pai”. Falou limpando minhas lagrimas.
“Queria que ele soubesse o quanto”.
“Onde quer que ele esteja, eu tenho certeza que ele sabe disso. Quinn a morte não coloca fim no amor”.
Depois que ela disse isso eu não aguentei e comecei a chorara como uma criança assustada outra vez. Se ela soubesse.
“Você acha?”.
“Tenho certeza”. Ela sorriu e me abraçou apertado. “Por que você nunca me contou isso?”.
“Acho que eu não queria sentir nada disso, eu... eu estou muito feliz que você esteja aqui comigo”. Sorri em meio as lagrimas.
“Eu também estou”. Me respondeu sorrindo ternamente.
...
“Como eu queria não ter que ir”. Rachel comentou enquanto estávamos andando pela rua.
“Ir pra onde?”. Perguntei.
“Voltar para Londres”. Respondeu como se fosse óbvio. “Minha audição de formatura...”.
“Esquece, nós não vamos voltar”. A interrompi, parando em sua frente segurando seus ombros. “A gente pega um trem e sai por ai”. Tentei convence-la.
“Me deixa pensar”. Fez sua famosa cara de pensativa. “Eu toco violino a 16 anos, estudei por 3 anos e vou me formar na melhor escola de musica do pais. Eu acho que vamos para casa sim”. Respondeu sorrindo e voltando a andar. “Você não vem?”. Perguntou quando percebeu que eu continuava parada no mesmo lugar.
Foi ai que eu percebi que eu não conseguiria faze-la mudar de ideia, que eu não poderia mudar o destino e que a única coisa que eu poderia fazer era estar ao lado dela até o fim.
“Eu vou sim”. Respondi depois de alguns segundos.
“Então vamos”. Ela disse me abraçando pela cintura enquanto eu a abraçava pelos ombros e voltávamos a andar.
...
Estávamos saindo da estação de trem e eu vi uma roda gigante logo a frente.
“Vem comigo”. A chamei e sai correndo em direção a roda gigante.
“Me espera Fabray, eu acho que a gente não tem tempo”. A escutei gritar.
“Deixa de ser boba Berry”. Gritei olhando para trás.
“Eu acho melhor nós voltarmos para casa”. Tentou argumentar, mas eu a ignorei.
“Vamos Rach, você me disse que sempre quis andar nesse troço”. Falei quando a vi hesitar.
“E sabe por que eu nunca andei?”. Me perguntou assustada. “Porque eu tenho medo de altura”. Exclamou me fazendo rir.
“Amor não fica com medo, eu estou aqui com você”. Falei a abraçando por trás e a puxando para dentro. Ela choramingou um pouco, mas acabou cedendo e a vista de la de cima era maravilhosa.
“É tão lindo”. A escutei sussurrar.
“Ainda esta com medo?”. Sussurrei de volta.
“Quando eu estou ao seu lado, eu não tenho medo de nada”. Respondeu olhando nos meus olhos, me fazendo sorrir. “Obrigada”. Ela falou.
“Pelo o que?”. Perguntei confusa.
“Pelo dia perfeito”.
“Eu que tenho que te agradecer por estar ao meu lado”. Aproximei para beija-la.
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