Antes Que O Dia Acabe

2 Capítulo 2- Amber/ Sue


Amber

Era uma manhã comum em Dilkon, ensolarada e silenciosa. Amber fez seu café e separou a papelada da sobrinha, que viria morar com ela por problemas com drogas. Amber era a irmã mais velha de Elizabeth e tinha saído de Chicago aos 20 anos, pois recebera uma proposta de trabalho como colunista num jornal local. Ela tinha uma ótima condição financeira, por isso aceitou acolher Lia por alguns meses. Assim que acabou de comer, foi direto para a escola mais próxima, onde matriculou a menina. Comprou todo o material necessário e foi comprar roupas mais adequadas ao Arizona para a sobrinha. Em 3 horas ela chegaria e ninguém sabia quando seria a hora de partir.

Sue

–Claro! Eu ligo para a Mary. Até mais!

Sue desligou o telefone e o colocou em cima da mesa. Tantos segredos, tantas mentiras para a garota que sempre foi como uma irmã para ela. E tudo isso por popularidade. Mais popularidade. A pergunta que ela não conseguia tirar da mente era Será que isso tudo valeu a pena? Eu realmente consegui tudo aquilo que sempre quis? Valeu a pena sacrificar a vida da menina que cresceu comigo, que foi para mim mais do que meus irmãos foram? E a resposta palpitou em sua mente, e era muito simples. Sim. Valeu a pena. Popularidade era tudo o que sempre quis e que sempre mereceu. Ela era a mais linda, a mais esperta, a mais interessante. Ela precisava ser a mais popular também. Quando Sue ligou para Mary, ela atendeu ao primeiro toque:

–E ai? Falou com a Lia?

–Nossa, oi para você também, Mary.

–Desculpa, Sue, mas você sabe como eu sempre fui contra tudo isso. O que você fez com ela não tem perdão. Ela foi sua melhor amiga desde que vocês tinham 5 anos! Como você pôde roubar o namorado dela? Ainda por cima depois do que ele fez com ela.

–Ah, Mary! Por favor! Você realmente acha que ela não queria? Ela sempre o amou, desde que éramos pequenas, mas ela era feia e anti-social. E eu não roubei o namorado dela! Ele teve o que quis dela, e depois ele terminou com ela. Mas comigo vai ser diferente, eu não sou que nem ela. Eu me dou valor. Não abro as pernas para qualquer um.

–Tudo bem, Sue, ache o que quiser. Mas eu nunca faria isso com ela. Temos que vê-la antes de ela ir embora. Estava pensando em passar na casa dela daqui a pouco. Quer ir comigo?

–Na verdade, eu te liguei para falar isso. Marquei de encontrá-la daqui a 45 minutos na lanchonete. Ela quer que você vá também.

–Ok. Nos vemos lá. Até mais.

Sue desligou o celular e o colocou numa linda bolsa de coro marrom que combinava com seu vestido vermelho. Depois, sentou-se na cadeira macia de seu quarto e refletiu sobre o passado. Seria isso que ela fizera um erro? E mais uma vez ela se convenceu de que este era seu destino. Brilhar.