Antes Do Início
1 Antes do Início
Notas iniciais
– Eclipse, prepare-se!
Era assim, dia pós dia, como rapaz de cabelos e olhos esmeralda chegava à ela. Independente de onde estava, ele sempre a encontrava e a desafiava para um duelo por ele sempre perdido. Grandark tinha essa persistência sobre-humana — claro, nem humano ele era — e dificilmente deixava aquela pálida moça albina em paz.
– Você não se cansa de apanhar?– Dizia ela, de pé diante dele estirado no chão. Ambos cobertos com o sangue um do outro e pedaços de grama perdidos entre os folículos. Ela ajeitava o cabelo após menosprezá-lo, deixando os fios prata tremularem brevemente ao vento. — Faça-me um favor e cresça, Grandark.
O cenário do confronto mais recente era uma colina aberta, vazia pois os urros que a dupla de demônios dava durante a luta espantavam qualquer vivalma presente. E só para constar, era uma floresta bem fechada, foi o poder descomunal de ambos que a dizimou e tornou-a tal colina.
– É o que você quer?– Embora completamente acabado, o rapaz ria; sua gargalhada insana chegava a expelir sangue. Ele a encarava atrevido, prometendo que no dia seguinte seria diferente, afinal seu desejo sempre foi superá-la, e então... — Arrie minhas calças que eu te mostro o quão posso crescer.– Tomá-la para si.
Eclipse revirou os olhos e grunhiu diante da fala dele. Bastaram alguns passos para que o ladeasse e então pisasse com força na virilia do rapaz; ele só pôde urrar.
– Meça suas palavras, canalha.
– Vadia.– Sorriu, mesmo dolorido.
Ela voltou a chutá-lo na cintura nua, vezes e mais vezes e ele apenas ria ante aquilo. Eclipse o via como um louco, um masoquista, e por mais que ele a irritasse, não era capaz de matá-lo de uma vez.
– Admita que gosta de mim, Clipsy, meu charme é irresistível.
– Quando puder me derrotar– Ela disse após um último chute na face dele — pensarei no seu caso, Grandy.– Chamou-o num riso seco.
Grandark virou o rosto para cuspir, talvez, o sangue que ainda lhe restava. Não se demorou a voltar a devorar a moça com o olhar esmeralda e lhe exibir um sorriso malicioso.
– Vamos, admita.– ele provocou.
Eclipse bufou impaciente. Logo a albina se pôs sobre o rapaz, cercando-o primeiro entre suas pernas e depois sentando-se sobre seu peito. Ela o agarrou pela nuca, cravando profundamente as unhas afiadas ali, apenas para erguer o rosto do moribundo e beijá-lo com gosto.
Aquela seria a segunda batalha do dia: disputar o espaço na boca do outro. E esta parecia ser uma luta ainda mais feroz, com os urros trocados por grunhidos profundos e gemidos excitados. Se Grandark pudesse se mover, ele com certeza teria avançado ainda mais e impedido Eclipse de se separar.
Ela soltou a nuca dele arrancando um pedaço da carne dali para segurar-lhe o o maxilar, encarando-o com bem de perto e com desprezo.
– A única coisa que gosto em você, seu filho da puta, é o sabor do seu sangue.
– Isso porque ainda não provou do resto. — Em nenhum momento Grandark desfazia aquele sorriso desprezível. A albina o soltou atirando o rosto dele ao chão. — Por que não me mata de uma vez? – Provocou de novo, sendo ignorado enquanto ela se levantava.
De pé, Eclipse jogou os cabelos ao vento mais uma vez, dando as costas para o ser estirado na poça de sangue.
– Eu vou te matar quando isso valer a pena. Vermes infames como você merecem viver a agonia de saber que existe alguém mais forte que eles.
– Heh, está dizendo que não há ninguém que a supere, Clipsy?
– Se existir alguém assim, eu mesma o matarei. – Dizia já desaparecendo no horizonte escarlate, sem dar atenção ao "na mesma hora amanhã?" que Grandark gritou em seguida.
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