Antes De Partir
9 Cap. 8 – Uma história triste
Notas iniciais
Bom, espero que gostem desse capítulo ok?
Quinn P.O.V
_ Aonde nós vamos hoje? – perguntou Beth no banco de trás do carro.
_ Bom, eu tenho que ir provar meu vestido de noiva. – expliquei a ela – Depois podemos ir visitar a casa onde eu e o Puck vamos morar, assim você conhece o lugar... Que tal?
_ Quando é o casamento de vocês? – ela perguntou curiosa. Apesar de já fazer três semanas que estávamos nos aproximando, ainda não tínhamos muito tempo com ela. Eu tinha a faculdade e meu emprego de modelo, e o Puck estava bem atarefado com a banda. Isso sem falar na escola dela, que havia voltado no começo da semana, portanto ainda havia vários pontos de interrogação entre nossas vidas.
_ 18 de setembro.
_ E eu vou poder estar nele? – perguntou ansiosa e eu ri.
_ Claro que sim... – garanti – Você é nossa filha, não é?
_ Sim. – ela respondeu com um sorriso. Apesar da fácil aceitação, ainda havia alguns momentos em que ela ficava travada com o fato de não ser filha de Shelby e sim nossa – Mas nesse caso, eu não deveria ser a daminha de honra?
_ Se você quiser... – após conversarmos com Shelby, decidimos não pressioná-la a nada. Esse era o motivo dela estar indo comigo a prova do vestido: assim poderíamos ver vestidos para ela e ver se ela se interessava em participar da cerimônia.
_ Eu posso usar um vestido rosa? – perguntou ela animada e eu ri, concordando.
_ Que tal assim... No atelier do vestido tem alguns de daminha... Aproveitamos e vemos um bonito. – propus e ela concordou, se recostando em seu banco e encarando a janela em silêncio.
Eu podia jurar que algo a incomodava nos últimos dias, mas não quis perguntar. Sabia que quando ela estivesse pronta, ela falaria.
No atelier, ela logo se maravilhou com todos aqueles vestidos majestosos e começou a correr que nem uma louca de um para outro. Miranda, a estilista, veio me receber e, após uma curta explicação, fui apresentá-la para Beth.
_ Querida, vem aqui. – chamei e ela veio, parando ao meu lado e pegando minha mão – Beth, essa é Mirando. Ela quem desenhou meu vestido de noiva.
_ Muito prazer Beth. – cumprimentou a jovem senhora e minha filha lhe deu a mão – Sua mãe disse que você quer ver vestidos para daminha.
_ É... Mas é você quem faz eles? – perguntou curiosa e Miranda concordou – Então, se eu quiser um diferente dos que você tem aqui, você pode fazer?
_ Claro que sim... Que tal nós vermos alguns modelos e ai eu desenho um do jeitinho que você quer? – propôs e Beth concordou. Caminhamos em direção a mesa dela, sentando nas duas cadeiras que ali havia. Beth se apoiou na minha perna, se apoiando sobre a mesa.
_ Eu quero rosa. – disse rapidamente minha filha e Mirando riu, puxando algumas amostras de tecidos – Porque são clarinhos?
_ Você já viu vestido de noiva de cor escura? – perguntei e ela negou – Então, a daminha nada mais é que uma versão pequena da noiva. Só que ela pode usar o vestido colorido.
_ Mas tem que ser claro, pra não chamar mais atenção que a noiva. – explicou Miranda e Beth concordou, encarando as amostras.
_ Gostei desse, parece algodão doce. – riu ela mostrando um rosinha bem claro.
_ Então o tecido está resolvido... Você vai querer saia balão? – perguntou e Beth franziu a testa.
_ O que é isso? – perguntou e eu apontei um vestido.
_ Tá vendo aquele ali, que a saia é bem redonda? – perguntei e ela confirmou – É aquilo.
_ Não quero daquele jeito não... – disse ela – Eu quero sem nada armado.
_ Hum... – Miranda começou a rabiscar o papel rapidamente – Que tal assim?
_ Gostei. – disse Beth sorrindo e eu concordei – Mas esses dois triângulos aqui... Eles podem ser rosa mais escuro?
_ Acho que sim... Da mesma cor que o laço, que tal? – propôs Miranda e nós duas concordamos – Perfeito. Agora venha cá para eu tirar suas medidas.
Ela ficou impaciente enquanto Miranda usava a fita para medir todo seu corpinho, mas logo relaxou, querendo ver o meu. Nós a sentamos no sofá com alguns biscoitos enquanto Miranda me ajudava a por o vestido. Quando eu sai, sua boca se abriu em um perfeito O.
_ Nossa mãe... Você está linda. – disse ela com um sorriso enorme – Parece uma princesa.
_ Gostou querida? – perguntei e ela concordou, vindo até o meu lado no espelho.
_ Mas seu vestido já tá pronto? – perguntou ela e Miranda negou.
_ Ainda vou colocar a renda aqui na parte debaixo da saia e bordar o corpete... E você emagreceu novamente Quinn, desse jeito não vai sobrar noiva pro vestido. – eu ri junto com Beth – Marcamos a próxima prova pra daqui a dois meses, quando faremos a prova do da Beth também...
_ Ok, e o segundo vestido? – perguntei e Beth me olhou com a sobrancelha erguida.
_ Pra que outro vestido?
_ Pra hora da festa. – expliquei – É um vestido mais simples, já que eu vou dançar, andar entre os convidados...
_ Ah tá. – concordou a pequena, voltando ao sofá enquanto eu me trocava – Nós podemos comer antes de ir para a casa nova?
_ Claro. – concordei – Mas antes diga tchau para Miranda querida.
Beth a abraçou e eu também e logo já estávamos novamente no carro. Passamos pelo McDonald’s, onde comprei um lanche para mim e um McLanche Feliz para ela. Durante o caminho ela foi se divertindo com a pequena Barbie que vinha no lanche, praticamente esquecendo seu hambúrguer e fritas.
Chegamos a minha futura casa e Beth logo a olhou maravilhada. Pegamos os lanches e descemos, entrando na casa. As obras, felizmente, já haviam terminado e só o que faltava eram os últimos retoques do decorados. Sentamos na sala para terminar nossos lanches, enquanto ela observava o espaço vazio.
_ Podemos ver a casa? – pediu quando terminamos de comer e eu concordei. O lugar tinha três andares, sendo o terceiro dois escritórios e o porão. Um escritório seria minha biblioteca, e o outro, o estúdio de música de Puck.
_ Ele vai ter instrumentos aqui? – perguntou Beth e eu concordei – Que legal... Será que ele me ensina a tocar?
_ Se você pedir a ele, tenho certeza que ele ensina. – disse, enquanto descíamos para o segundo andar, onde havia quatro quartos – Bom, aquele ali com a porta fechada vai ser o meu e do Puck... Quer escolher um pra você?
Ela concordou, menos animada do que eu esperava, e começou a caminhar pelo cômodos vazios, observando tudo. Por fim entrou no último, onde havia uma janela balcão, e eu soube que ela escolheria aquele.
_ Quer esse? – perguntei e ela confirmou, se apoiando na grade e encarando o lado de fora – Beth... Tem alguma coisa errada?
_ Não. – mentiu e eu ri, a abraçando pelos ombros.
_ Vem, vamos conversar. – chamei a puxando para dentro e sentando com ela encostada a parede – O que está te incomodando?
_ De quem vão ser os outros quartos? – perguntou e eu não entendi.
_ Bom, vão ser quartos de hóspedes, para quando algum amigo vier nos visitar, ou nossas mães... – respondi e ela encarou os pés – Beth, o que foi? Você não gostou da casa?
_ Não é isso. – garantiu ela – É que eu fiquei pensando que... Bom, vocês compraram uma casa bem grande, com muitos quartos... Isso quer dizer que vocês querem ter filhos?
_ Claro que sim. – respondi ainda sem entender nada e vendo-a murchar – Meu anjo, não estou conseguindo entender aonde você quer chegar...
_ Vocês vão ficar com eles? – perguntou com a voz baixa – Com seus outros filhos?
Senti um bloco de gelo deslizar até o meu estômago ao ouvir isso. Eu sabia que uma hora ou outra a ficha dela ia começar a cair quanto ao que aconteceu e ela ficaria curiosa, mas eu não esperava que fosse dessa maneira, nem que eu estivesse sozinha com ela quando acontecesse.
_ O que você sabe sobre quando você nasceu? – perguntei depois de um tempo e ela deu de ombros.
_ Só que vocês tinham 16 anos. – disse ela e eu concordei, me sentando mais ereta e a chamando para perto de mim. Ela relutou um pouco, mas logo veio e eu abracei seus ombros.
_ Quando eu conheci seu pai, nós tínhamos quinze anos. Eu namorava o Finn, e ele e o Puck eram melhores amigos. – ela me olhou surpresa pela informação, mas não perguntou nada – Foi ai que, bom, que eu engravidei do Puck, mas eu menti, dizendo que você era filha do Finn.
_ Tio Finn era meu pai? – ela perguntou confusa e eu ri.
_ Eu falei que era, porque havia muitos preconceitos envolvidos. O Puck, assim como a Rachel, é judeu. Minha família era muito católica, meu pai em especial. E Puck era um grande badboy, enquanto Finn era quarterback e um bom rapaz. – continuei.
“Quando meu pai soube que eu estava esperando você, ele me pôs para fora de casa. Eu fiquei muito perdida, Finn também. Eu fui para a casa dele e, naquela época, havia uma mulher, Terri, ela estava fingindo para o marido que estava grávida. Ela ia ficar com você...”
_ Eu não gostei do nome dela. – reclamou a pequena – Me deu uma sensação ruim.
_ Bom, ela ficava te cobiçando tanto dentro da minha barriga que me dava medo, não me surpreenderia que isso tenha passado para você. – admiti e ela me olhou curiosa.
_ Como passaria para mim? – perguntou e eu tive que sorrir.
_ Bom, quando o bebê está na barriga da mãe, existe algo chamado cordão umbilical. É como um tubo que liga o bebê e a mãe, por onde o corpo da mãe manda tudo que o bebê precisa: vitaminas, nutrientes, oxigênio. E ele também mantém os dois ligados emocionalmente... Tudo que eu sentia, você também sentia. Eu normalmente ficava louca de vontade de dançar com certas músicas e você não se fazia de rogada, transformava minha barriga em um palco e saia chutando para tudo quanto era lado.
Ela deu uma risadinha fraca e eu sorri, mas ainda devia o fim da história para ela.
_ Por fim, Rachel descobriu que Finn não era seu pai e contou para ele. Então eu fui viver com o Puck e nós começamos a namorar. Mas éramos os dois imaturos, assustados com um bebê, com nossos sentimentos... – prossegui e ela me encarava em silêncio – Pouco antes de você nascer, eu fui morar com uma amiga, Mercedes. Eu e Puck já havíamos rompido a essa altura, e só o que nos ligava era o amor por você.
“Você nasceu no dia do nosso primeiro campeonato Regional... Eu dancei e pulei tanto que induziu o trabalho de parto. Quando a bolsa rompeu, você já estava quase pronta para nascer... Bolsa é o nome que se dá para o que reveste o bebê na barriga da mãe, é um lugar que fica cheio de um liquido que ajuda na formação do bebê.” expliquei diante da expressão confusa dela “Seu pai estava comigo na sala de parto, assim como minha mãe e Mercedes.”
_ Eu sei... – confirmou ela – Eu vi a foto.
_ Então... Você era tão linda... Parecia muito comigo, mais do que agora. – ela riu corando e eu sorri triste – Seu pai me perguntou se eu queria ficar com você. E eu queria, Deus sabe o quanto. Mas... – as lágrimas me invadiram, enquanto eu tentava controlar minha voz – Como eu ia cuidar de você? Meu pai havia deixado minha mãe, eu não poderia depender dela para cuidar de você. E seu pai... Ele se esforçaria, eu sei que sim. Mas nenhum de nós dois tinha a maturidade necessária para se cuidar de alguém tão pequeno, tão inocente, tão dependente... Logo depois disso, Shelby chegou, como um anjo do céu. Um anjo para cuidar do meu anjinho.
Fechei os olhos tentando reprimir o choro que me tomava, sentindo os soluços involuntários virem. Logo, os braçinho de Beth estavam a minha volta e eu senti suas lágrimas molharem meu ombro.
_ Desculpa mamãe. – pediu ela – Eu não queria te fazer chorar, e nem te causar problemas.
_ E-e-eu só não quero que você pense, nem por um minuto, que ao longo desses anos eu e seu pai deixamos, por um segundo que fosse, de te amar ou pensar em você. – garanti a ela, encarando seu rostinho marcado por lágrimas – Por mais difícil que tudo tenha sido, foi o que nos deu força e motivação para seguir em frente, crescer, ser quem somos hoje. Tudo graças a você minha princesa.
Ela concordou, se aninhando a mim. Eu apoiei meu queixo no topo de sua cabeça, sentindo algumas lágrimas escorrer de seu rosto ainda. Ficamos em silêncio por um bom tempo, até que eu senti um par de braços fortes a minha volta.
_ Há quanto tempo está ouvindo? – perguntei e ele deu uma pequena fungada.
_ Desde o cordão umbilical. – respondeu Puck com a voz rouca, passando seu braço pelo bracinho de Beth, que segurou sua mão.
_ Quando vocês tiverem outros filhos, eu ainda vou poder ter meu quarto? – perguntou Beth e eu sorri.
_ Cada um vai ter seu quarto. – prometi a ela – Assim, você pode vir sempre que quiser para ver eles.
_ E não pense que nós vamos amá-los mais ou menos que você. – pediu Puck – Vamos amar vocês todos, igualmente.
_ Mas como só temos você por enquanto... Que tal usufruir dos mimos de ser filha única? – perguntei rindo e os dois me acompanharam.
_ Podemos só ficar aqui, em silêncio? – pediu ela – Só abraçados?
Eu concordei e Puck também, nos apertando mais a ele. Beth se acomodou melhor no meu colo, deitando sua cabeçinha entre eu e Puck, e ficando em silêncio enquanto acariciávamos seu braço e perna. Depois de um longo tempo, suspirou baixo e disse:
_ Eu amo vocês mamãe e papai.
Notas finais
http://ask.fm/WaalPompeo
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