Antes. Bem Antes.
2 Pego uma carona no Sedex
Notas iniciais
Hermes me ajudava em tudo.
Faculdade, tarefas, amigos, essas coisas. Ele virou um amigo.
Nos víamos todas as tardes, exceto uma. Bom, a princípio...
- Só hoje, May! — ele implorava.
- Não, Senhor Hermes! — disse eu impaciente.
- Já conversamos a respeito de "Senhor" diante a meu nome — ele falou meio aborrecido comigo.
- E este vocabulário? Ah, Hermes! Francamente!
- May Castellan, já chega!
- O que eu fiz?
Ele bateu o pé no chão enfurecido.
- Não me permite ir ao Monte Olimpo? — gritou Hermes. — Só isto, talvez!
- Ah, sim! Logo hoje!
- O que tem hoje? — ele parecia surpreso.
- Você prometeu se apresentar aos meus amigos.
- Conversa agradável: "Olá, mero mortal! Sou Hermes, um deus grego!"
- Ah, pare com isto, homem! Não deus! — hesitei. — Tanto faz!
- Sim, tanto faz não é? Tudo é tanto faz!
- Nem tudo!
- A maioria!
- Ah, cale a boca!
Hermes abriu a boca para começar uma frase. Eu me aproximei e o beijei. Pela primeira vez, havíamos selado uma briga em que eu consegui calar ele. Incrível!
- Isto, srta. Castellan! Exatamente! — ele falou satisfeito, tentando me aproximar novamente.
- Ah, por favor! Pare com isso! — acho que arranhei ele, pois senti minhas mãos afundando em sua pele. Sua pele divina. (Literalmente divina).
- Eu não sinto dor — ele resmungou.
- Mas não se sente vencido? — perguntei tentando persuadi-lo. — Só uma vez? Por mim?
- Ah, claro! — ele falou irônico.
- O que? Um mortal não pode vencer um deus? Uma vez as coisas não podem sair do padrão?
- Imagine tudo fora de órbita. Pense, May — ele falou tão profundo que me senti culpada. — Tive experiências ruins com mortais.
- Ora boas. Ora ruins. — falei meio brava.
- Chega! Pare com isso! Eu não mencionei nada disso.
- Até agora.
- Sei que você não é assim. Não brigamos muito, May!
- Duas semanas, Hermes! Duas semanas!
- E daí? — ele deu de ombros.
- Ah, vá para o Olimpo de vez!
- Venha comigo, então!
- E os perigos? Sabe que são vários. — e de fato, ele sabia.
- Sei. Muitos. Mas você pode enxergar até demais. — seu tom de súplica era notável.
- Mas eu não posso entrar! — insisti.
- Só me acompanhe.
- Tá legal — resmunguei.
E foi assim que Hermes levou uma entrega especial para o Olimpo. Mais um fardo de preocupação. Mas de fato, era estranho. Eu e Hermes falávamos nisso com frequência. Ele me acalmava dizendo que estava tudo bem. Mas ele estava errado. O problema era muito claro para nós:
Eu.
Fale com o autor