Antagônico

1 Fim do mundo


Notas iniciais
acho que não nasci para isto, não sei o que estou a fazer. acho que não devia postar, mas vá, vou tentar. espero que gostem e digam alguma coisa e se não acharem graça nenhuma por favor digam na mesma! não sejam timidos. isto é uma especie prefacio'sinho, ainda vai acontecer imensas coisas a partir daqui, já que eu estou cheia de ideias. para começar nem vai ser bem um romance é mesmo ficção cientifica e um pouco de filosofia para apimentar as coisas. bem é isso, kiss and bye bye ^^

A minha vista estava mais que cansada, mas mesmo assim não me dava como derrotado. Ao longe já podia ver o sol a nascer sobre os montes verdejantes, repletos de brutos pinheiros. Enrosquei-me ao acento do jipe troller t4, novo em folha, com o seu design moderno e faróis redondos, amarelo e espaçoso. Natalie barafustava ao meu lado, ora era o quanto as pessoas eram lentas ou o preço excessivo das portagens. Algo que eu já tinha previsto, após ela aparecer me em casa a tarde, com o seu novo carro que tinha custado os olhos da cara. Conduzia feita louca pela estrada fora, fazendo ultrapassagens que tirava o folgo a qualquer um. Podia jurar que tinha visto um flash mas ela insistiu que não passava de uma imaginação minha. Mas claro que eu podia jurar que quando chegássemos ao nosso novo lar, numa vilazinha distante do resto da civilização, iríamos encontrar na caixa de correio uma nova multa de excesso de velocidade. Isto já foi a sete horas sendo que passou algum tempo em que a passagem se tinha tornado monótona. Andávamos praticamente sozinhos na estrada, rodeados de bosques que traziam até nós a sua escuridão, que me davam arrepios. Uma das coisas que era capaz a vir a gostar, a cerca da vila, era o céu a noite, repleto de estrelas, completamente diferente do da capital Edimburgo, que para aquelas que não se dão a trabalho de terem boa nota a geografia, é a capital da Escócia. Seguindo, na metade da viagem já tinha acabado com os salgadinhos que tínhamos comprado numa bomba de gasolina. Não me perguntem qual foi a ideia de fazer uma viagem de carro de sete horas. Natalie apenas respondeu com um riso excitante “é maneira que ficas a conhecer as tuas origens.” Ao inicio até que era interessante, mas depois de ficar horas e horas acumuladas a ver montes de pastagem e uma casinha rural de vez enquanto, era de tirar o sério de qualquer adolescente no seu perfeito juízo.

Ela abriu a janela, entrando uma brisa fresca da madrugada. — Que bom .. Estamos quase a chegar! – Ela sacudiu o seu cabelo longo e escuro, que ondulava ao sabor do vento.

Embrulhei-me mais na manta, sentindo o frio invadido o meu espaço. – Está frio, fecha a janela!

- Mó.. – Ela torceu o nariz, reprovando. – És sempre um chato, tapa-te com a manta que isso passa-te.

Bufei e busquei a térmica, que continha o chá de tília, agora frio. – Hm, também quero.

- Fecha a janela. – Reclamei afastando a térmica do perto dela, dando um gole.

- Mas quem é que manda aqui? – Ela gesticulou a mão na minha direcção, tentando tirar me a garrafa. – Passa já o chá!

Eu dei uma risada seca e acabei por dar os últimos golos, com o ar mais snob de sempre. – Olha que pena..

- Eu devia punir-te! – Ela pegou a minha orelha, puxando me para perto dela, segurando com a outra mão o volante. – Criança, malcriada! Para onde foi o respeito aos mais velhos?

- Dói, dói, dói .. Natalie! Eu já não sou uma criança.

- É para doer criança, desnaturada! – Ela largou-me e eu levei automaticamente as mãos ao meu ouvido, massajando de seguida.

- Ve lá. – Fiz uma careta. – Era só chá. Olha só, criança és tu, que fica amuada por não ter o que quer.

Ela deu uma tapa na minha nuca e olhou-me de lado. – Shiu!

Eu ia protestar, mas a minha atenção virou-se para o mar que se estendia a nossa frente, majestosamente. Mesmo o tempo apresentar-se horrível não estragava a beleza daquele tom azul escuro que contrastava com o verde dos montes. Já nem me recordava da última vez que tinha avistado o mar. A capital está assente sobre uma região acidentada, logo nunca vejo praia a não ser na net ou na televisão.

Natalie ainda não se tinha referido para onde íamos, mesmo que eu tivesse insistido a viagem inteira pelo nome ou pelo menos umas dicas. Mas ela deve ter feito um pacto que eu só iria ficar a saber assim que puser os pés na misteriosa vila.

- Já chegamos? – Avistei uma marginal que conduzia para um porto e uma encosta com várias casinhas, tipicamente tradicionais.

- Ainda não. – Ela apenas disse.

***

Se não fosse o estúpido trabalho dela eu não estava quase a desmaiar de tão enjoado que estava. Tinha perdido noção de quanto tempo estava naquele barco de Trafaria, que se balançava de um lado para o outro. Já me tinha esquecido do “ majestoso ou belo tom azul escuro “, o único tom que eu via era verde. O meu estômago já tinha dado as suas reviravoltas e já não havia nada dentro dele. Mas claro que Natalie estava ali, em pé, junto a mim a borda do barco, rija que nem um carapau.

- Aguenta-te Jay, estamos quase a chegar. Olha já estou a ver.

- Porque a porra de uma ilha?! – Eu gritei desalmadamente.

***

- Muito bem. – Natalie falou pousando as malas no alpendre. – Chegamos!

- Mais longe só podia ser a china. – Eu murmurei mas ela não prestou atenção.

A casa ficava na encosta, com vista privilegiada para o mar. Lerwick era uma ilha do arquipélago Shetland, que era o mais a norte possível da Escócia. Basicamente eu estava no fim do mundo. A minha sorte era que havia wi-fi naquela espelunca.

- Então? – Ela abriu as portas deslizantes, dando lugar a sala que já estava devidamente mobilada. – Que achas? Não é assim tão mau.

- Pois. – Eu revirei os olhos e avancei pelo corredor, dando de vistas com a mini cozinha, que tinha o fundamental. Frigorífico, fogão, maquina de lavar a roupa de segunda mão. Bancadas de mármore e um lava loiça. – Lindo, vou ter que lavar a loiça a mão.

- E estender a roupa também! – Ela gritou da sala. – Já que não temos maquina de secar.

- Excelente. – Subi as escadas, acompanhado com o barulho do soalho velho que rangia a cada passada. No segundo andar o tecto era baixo demais, pois eu andava com a cabeça inclinada. Sem esquecer que só havia uma casa de banho, o que revelava as minhas manhãs de espera da miss Natalie. Apenas tinha dois quartos, claro que já tínhamos estabelecido, segundo as regras da miss, que eu ficava com o quarto mais pequeno e sem a varanda.

A sorte é que tinha ficado com a cama de casal. Atirei a minha mochila para o outro lado do quarto e praticamente mandei-me para cima do colchão, derrotado.

Notas finais
se tiver algum erro, é favor de dizer, please
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.