Another Day With You
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Depois daquela conversa, que foi no mínimo estranha, eu precisava andar um pouco, ficar sozinho. Decidi não ir para casa. Lá era o último lugar que eu queria aparecer. Fiquei andando sem rumo por muito tempo e pensando em Frank até ter coragem de enfrentar meus pais. Assim que cheguei em frente à minha casa, suspirei. A porta estava trancada. Não podia nem entrar quieto e me trancar no quarto para não sair de lá nunca mais. Dei duas batidas na porta. Para minha sorte Mikey foi quem atendeu à porta.
– Eu soube do que aconteceu com você. Você vai se ferrar com mamãe e papai, Gerard, eles vão ficar furiosos quando souberem.
– Nossa Mikey, muito obrigado. — eu amava meu irmão mas odiava essa mania dele de ficar aterrorizando os outros.
– Só estou dizendo a verdade. — ele fez a mesma cara de sempre, aquela de poucos amigos.
– Eu já sei da verdade, não preciso que você me diga. Agora sai da frente.
– Saindo. — ele se inclinou pro lado, deixando a passagem livre e colocou as mãos para o alto. Eu ia subir ao meu quarto quando ouvi a voz da minha mãe.
– Mikey, é seu irmão que chegou agora? — meus olhos procuraram os de Mikey, eu faria qualquer coisa para ele dizer que eu não estava ali. Mas não adiantava se não fosse hoje, amanhã seria. Eu teria que enfrentar logo essa conversa.
– Sou eu sim, mãe. — respondi antes que Mikey abrisse a boca.
– Tenho que conversar com você mocinho. — ela veio se aproximando de mim. Até surgir no porta da sala. Mikey automaticamente se dirigiu as escadas que subiam para os quartos. Ele não ia me ajudar.
– Recebi uma ligação da escola. Sua diretora disse que... — ela começou a contar toda a briga que eu e Frank tivemos. Eu só concordava com a cabeça, até ela terminar.
– Então, falarei com seu pai, e veremos o que será sua punição.
Caralho, outra punição? Como eu tenho sorte.
– Agora suba, tome um banho e depois venha jantar. Até lá já falei com seu pai.
Ela me deu um beijo na testa e voltou à cozinha. Eu subi me arrastando. Sabia que não ia ter uma boa notícia no jantar.
Meia hora depois me sentei à mesa. Meu pai me lançava um olhar meio indecifrável. Não sei se estava decepcionado, envergonhado ou com raiva. Talvez fosse os três. Depois de me dar um sermão daqueles ele finalmente revelou qual seria o meu “castigo”.
– Gerard, a partir de hoje você só sai de casa para ir para a escola. Nada de pegar meu carro emprestado. E vou confiscar aquela porcaria de vídeo-game que você adora. Um mês assim. Depois veremos o que acontece. Espero que se comportee não tente fazer nada que não possa.
A primeira coisa que pensei foi no meu “encontro” de amanhã, não eu não podia perder essa chance. E se eu não aparecesse Frank ia pensar que não queria ir ou que fiquei com medo. Mas sabia que meus pais não mudariam de idéia. Elas eram muito rígidos quando eu ou o Mikey aprontávamos. Acho que estava tendo a pior sexta-feira da minha vida.
Quando o jantar finalmente acabou fui até o meu quarto.Tinha uma janela a qual se podia ir ao telhado. Não pensei duas vezes. Fiquei muito tempo olhando as estrelas e o movimento da rua. Até que tomei uma decisão. Eu teria que fugir. Voltei para dentro do quarto, procurei o papel com o endereço de Frank. Estaria lá as 15 horas, não importava como, ou que acontecesse depois. Só precisava vê-lo. Naquela noite fui dormir tarde e consequentemente acordei tarde também. Olhei o relógio. Uma hora. Tinha que levantar logo.
Assim fui tropeçando meio sonolento até o banheiro. Liguei o chuveiro. Precisava de um banho para acordar. Depois de longos 20 minutos eu saí de lá. Meu cabelo molhado pingava pelo chão. Coloquei uma camisa preta, com uma jaqueta preta também. Tinha uma calça jeans jogada na cadeira do computador, peguei aquela mesmo e fui vestindo enquanto andava. Foi uma cena que qualquer um riria se estivesse vendo, principalmente porque tropecei e quase caí umas duas vezes. Finalmente eu estava pronto.
Chegou a hora mais difícil. Sair sem que ninguém me visse. Mikey estava no quarto, pude ver porque ele ouvia o som num volume significativo. Como de costume estava escutando Anthrax. Desci as escadas fazendo o menor barulho possível. Percebi que nem minha mãe nem meu pai estavam em casa. Pelo menos um pouco de sorte eu tinha. Seu eu chegasse antes deles ninguém saberia de nada. A menos que Mikey visse que aquilo na minha cama não era eu, e sim uma pilha de roupa suja e algumas almofadas e contasse tudo para nossos pais depois. Aí eu estaria bem encrencado.
Mas foda-se. Quero ver Frank hoje. Ao pensar isso fui tomado pela ansiedade. Segui pelas ruas de New Jersey, até encontrar a tal casa. Toquei a campainha, mais nervoso que nunca. Ouvi passos lá dentro que se aproximavam, ele estava vindo atender a porta. Quando a abriu, deu um sorriso involuntário. Mas eu podia jurar que aqueles hematomas estavam maiores. E que haviam se multiplicado pelo corpo dele. Mas isso era uma das perguntas que faria a ele daqui a pouco.
– Chegou bem na hora cara, meu pai acabou de sair daqui. Eu sorri, ainda incomodado pelas dúvidas que tinha ao respeito desse sujeito e porque Frank tinha tanto medo dele...
- Que bom, temos a casa só para nós agora então? — perguntei, em seguida pisquei para Frank, nós dois caímos na gargalhada.
- Sim, podemos fazer tudo que quisermos. — ele falou, tentando fazer uma voz sensual. Eu mordi o lábio ao ouvir isso. Automaticamente ele desceu o olhar para a minha boca.
- Vem conhecer meu quarto. — falou ainda observando meus lábios.
A aquela altura eu já estava levando tudo o que Frank dizia na maldade. Mas nem me importava. Eu havia descoberto uma coisa. Eu estava apaixonado.
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