Ano Baka (Aquele Idiota)
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Masoquê? Duas recomendações de uma só vez? É muito emoção para uma Akemi só! O lindo do Lord Pein e maravilhosa Haruno deixaram palavras lindas para a FIC, fiquei emocionada! Por isso dedico esse cap aos dois fofos que fizeram uma escritora mais feliz quando gastaram um pouco do valioso tempo deles para recomendar minha FIC. Muito obrigada mesmo!
Agora a história...
Guys, eu não ganhei nada mais nada menos do que uma puta polêmica ao abrir a votação para definir se a Sakura transaria ou não com o Kakashi. Foram exatos 12 votos para SIM e 12 votos para NÃO!!! Eu ri muito conforme os dias foram passando e o pessoal votando e não desempatava nunca! Por isso resolvi que encerro a votação nesse momento e vou eu mesma decidir o que será feito, levando em consideração não só os votos mas o que vocês comentaram também. Espero não decepcioná-los...
Kakashi saiu de cima de Sakura e começou a vestir as roupas desajeitada e apressadamente. Sakura não entendeu a atitude dele, pois segundos antes ele parecia completamente tomado pelo desejo de possuí-la.
— O que foi? – ela perguntou achando que algo que fez o tivesse feito perder o interesse, mesmo que minutos antes ela própria estivesse se negando.
Pela assinatura do chakra, Kakashi já sabia quem era. Em pé do outro lado da sala, a pessoa os observava.
— Vista-se – ele ordenou com a voz fria.
Sakura vestiu-se enquanto Kakashi cobria o rosto com a máscara e acendia a luz. Ele simplesmente apontou na direção da pessoa meio sem jeito e Sakura, ao virar o rosto para ver quem era, tomou um susto tão grande que fê-la gritar.
Coberta de sangue, com vários machucados expostos, Ino estava parada no meio da sala. Sakura correu para acudir a amiga que desfalecia naquele exato momento.
*************
A noite caía quando Hinata resolveu voltar para casa, lembrou que teria que ser para a casa do Uchiha já que não era mais bem vinda na sua. Evitou pensar na mãe e na irmã, mas ao lembrar de como o pai olhava para ela com os olhos fuzilando de ódio, enquanto gritava ofensas e como ela era vulgar e inútil, ela não conseguiu e algumas lágrimas escorreram pela sua face. Se pelo menos ela tivesse tido a chance de ocultar a gravidez mais um pouco, mas tudo tinha sido culpa do Kiba, no final ele agiu como um cachorro, mostrando que não era tão apaixonado assim como se dizia. Mas ela já não ligava, agora que seria amante do Hokage estava pouco se lixando para ele, só gostaria que ele não tivesse a delatado daquela maneira tão cruel. Os homens eram tão vingativos quando sentiam ciúmes, ela não entendia isso. A vida toda sentiu ciúmes do Naruto com a Sakura mas nunca sequer tentou fazer nada de mal para a rosada, pelo contrário, até queria que fossem amigas. Só que dessa vez mesmo sem querer ela tinha feito um mal imenso que não havia como remediar. Mas no fundo ela julgava o amor da Sakura pelo Naruto muito pequeno, já que a vida toda tinha sido apaioxonada pelo Sasuke, então Hinata achava que ela não deveria estar sofrendo tanto assim.
Resolveu caminhar de volta para a casa do Sasuke, ela não queria mas não tinha jeito, estava começando a esfriar e ela tinha fome. Ao chegar não sabia se entrava direto ou batia. Sua situação era tão humilhante, mas não invadiria a casa dele, afinal era uma menina bem educada e aquela era uma situação provisória. Acabou batendo e depois de alguns minutos ele foi abrir a porta, ele tinha uma toalha enrolada na cintura, os cabelos molhados e a olhava seriamente, embora ela achou ter visto um sorriso disfarçado nos lábios dele.
— Hinata-san? Pensei que não fosse voltar mais. O Hokage não conseguiu um lugar pra você? – era impossível não perceber a ironia na voz dele.
Hinata não queria entrar nos joguinhos dele, ele a cansava demais. Ela só temia que ele de repente tivesse mudado de ideia sobre agir com cavalheirismo e obrigá-la a fazer “favores” a ele como meio de pagamento pela sua estadia. Ainda assim, a casa era dele, se ela fosse agir como dona da casa era o mesmo que admitir que aceitava ficar ali com ele. O melhor a fazer era agir com humildade e decência, ele não poderia fazer nada contra ela se ela agisse assim.
— Posso entrar, Sasuke?
— É claro. – ele disse e deu passagem e deixou-a entrar.
Hinata entrou e ficou parada no meio da sala. Ela não sabia se sentava, se iria para o banheiro tomar um banho, se ia para o quarto, ou se iria para a cozinha procurar o que comer.
— Fique a vontade.
A frase dele não ajudou em nada. Ela continuou parada lá no meio e observou quando ele entrou no próprio quarto, depois de alguns minutos saiu de lá usando uma bermuda. Era só o que faltava, ter o Uchiha andando semi nu pela casa toda. Se ele resolvesse fazer isso, ela não poderia reclamar, afinal a casa era dele, ela estava lá de favor. Viu quando ele foi para a cozinha e começou a mexer nas panelas, ficou imaginando que ele cozinharia. Será que ela deveria oferecer ajuda? Ela sempre ajudava a sua mãe com o jantar, será que deveria ajudá-lo também? Ela não sabia porque nunca havia ficado na casa de outra pessoa, exceto na noite anterior. Caminhou até a cozinha e se aproximou timidamente, ele cortava uma peça de carne em fatias finas, na sua frente uma grelha e ao lado alguns temperos e acompanhamentos.
— Gosta de churrasco? Vou preparar um pra gente.
Ele disse com um sorriso aberto, era a primeira vez que ela via ele sorrindo daquele jeito. A forma como os lábios se alargavam mostrando os dentes brancos e alinhados. Ele era lindo, lindo até demais, chegava a irritar e deixá-la com raiva, como se toda aquela cobertura atraente pudesse ocultar a monstruosidade que havia dentro dele. Ela sabia como ele era capaz de enganar, mentir e usar as pessoas então não se deixaria seduzir por seus doces sorrisos e seu corpo sedutor que ele insistia em deixar a mostra, como se por acaso ela fosse fraca ou volúvel o suficiente para se deixar levar somente pela sua beleza.
Sasuke percebeu que Hinata o olhava com raiva, ele sabia que ela não estava contente de estar ali, mas também não a queria com aquela cara o tempo todo. Resolveu tentar deixá-la a vontade.
— Hinata, pode ir tomar um banho enquanto eu preparo tudo, isso ainda vai demorar um pouco.
Hinata continuou parada no mesmo lugar. Queria voltar pra sua casa, ela não via maneira alguma daquilo funcionar, provisoriamente ou não.
— Sasuke, isso não vai dar certo.
— Isso o quê?
— Eu morar aqui com você.
— Por que não?
— Porque eu te odeio, simplesmente por isso!
— Eu sei disso, mas você não pode me tolerar pelo menos um pouquinho? Eu sou tão inadequado assim para você?
Hinata não entendia o Sasuke, tão orgulhoso e arrogante para o resto de mundo, enquanto para ela, ele reservava o tratamento mais doce e humilde, isso a desarmava de querer continuar o ofendendo, ela simplesmente não conseguia ofender ou humilhar ninguém, só havia feito isso com ele, e agora ele agindo daquela maneira, ela simplesmente não sabia mais o que fazer.
— Não é isso... – ela respondeu – é que... bem...
Sasuke viu seu embaraço e percebeu que já havia ganhado aquela batalha. Largou o que estava fazendo e lavou as mãos, depois secou num pano de prato. Então se aproximou dela, ela com certeza teria recuado, mas já estava encostada na parede, a única maneira de sair dali seria correndo, mas ela não queria que ele percebesse que o cheiro da pele dele a deixava confusa a ponto de querer fugir. Então apoiou as mãos firmemente na parede, se ele tentasse algo ela o empurraria com o próprio peso, e nem que tivesse que virar uma mendiga, não dormiria mais naquela casa.
— Hey, Hina-chan – ele disse enquanto pegava uma mecha do cabelo dela e ficava analisando como se ele fosse uma raridade ou coisa assim – eu sei que isso não vai ser fácil para você, mas não vou mentir, isso para mim será demais.
A raiva dela aumentava mais ainda, com ele querendo dar uma de bonzinho. É claro que seria demais, ela já podia imaginar tudo o que ele faria com ela, esse era o sonho de qualquer homem.
— Sasuke – ela disse suspirando raivosa, enquanto tirava o próprio cabelo das mãos dele – eu estou aqui contra a minha vontade sim, você sabe disso. Mas não é porque não tenho casa e nem nada que vou deixar você me usar como bem entende.
— Quem falou nisso? Eu não vou fazer nada contra você.
— Então nunca mais, ouviu? Nunca mais encoste a mão em mim!
— Eu não encostei em você.
— Você pegou no meu cabelo!
— Sim, porque eu adoro ele. Parece com o cabelo da minha mãe. Eu lembro que eu costumava sentar na mesa enquanto a observava preparar a comida ou lavar a louça. Ela mantinha os cabelos para trás, eles eram assim, longos e negros como o seu. Eu lembro do brilho e do toque macio, só o seu cabelo é igual ao dela.
Hinata não pôde aguentar ele apelando para essas questões maternais que ele sabia que mexeria com ela.
— Não importa! Mesmo assim não toque mais em mim!
— Tá bom.
Ele disse mas permaneceu onde estava, sem tocá-la, porém a apenas dois centímetros de distância.
— E também não fique muito perto de mim!
Sasuke já havia entendido tudo, estava claro como água que ela se sentia atraída por ele, mas não queria dar o braço a torcer e deixá-lo perceber isso, por isso a insistência em “não toque!”, “fique longe!”. Atração física já era um ponto importante, e se ele se mostrasse para ela, como ele realmente era, não como se mostrava para os outros, era possível que ela viesse a gostar dele, nem que fosse um pouco. Como o ninja inteligente que era, ele percebeu que se fosse com calma obteria mais sucesso do que se fosse com toda sede ao pote, então se afastou.
— Por que não faz o seguinte, vai tomar um banho relaxante enquanto eu preparo a comida. Depois quero conversar algo importante com você.
Hinata saiu sem falar nada. Ficou imaginando o que ele teria para falar, nada que prestasse, obviamente. Tirou o belo vestido de seda que ele havia dado para ela, era lindo demais para usar no dia a dia, mas pelo visto não teria outra coisa para vestir durante um bom tempo, já que não tinha como ir buscar suas roupas e não tinha dinheiro para comprar outras. Ela teria que arrumar algumas missões, assim poderia pelo menos se sustentar sem depender dele. Mesmo grávida havia várias missões que ela poderia participar, estava aí mais um álibi para poder ver o Naruto, iria pedir para ele colocá-la em algumas missões que ela pudesse participar. Ao sair do banho viu que havia uma caixa sobre a banqueta, abriu e viu que continha um kimono feminino, um yutaka florido de seda suave, aquela com certeza não era uma roupa da defunta mãe do Sasuke, ficou pensando se cada dia o imbecil não iria tentar comprá-la com um presente novo. Ao invés de vestir o sexy yutaka que mal cobria suas coxas de tão curto que era, vestiu uma camisetona velha e larga dele. Ela não o queria empolgado de maneira alguma. Ao sair do banheiro viu que ele olhou-a e sorriu desapontado.
— Não gostou do presente?
— Não, e não quero que me dê mais nada.
— Hinata você não tem nenhuma roupa, aceita pelo menos isso que posso te oferecer.
— Sim eu não tenho, mas não vou me rebaixar aceitando nada seu. Vou pedir para o Naruto me colocar em algumas missões, assim terei algum dinheiro para mim e pro meu filho.
— Claro, faça isso. – ele respondeu sem sarcasmo, mas por dentro odiava que ela ainda estivesse falando no Naruto. – você é uma ninja habilidosa, com certeza há muitas missões que você possa participar sem causar danos ao nosso filho.
— Esse filho não é seu, mas não quero mais discutir isso.
Sasuke sorriu, ele havia terminado de cortar e temperar a carne, além de ter preparado alguns acompanhamentos para o churrasco, legumes e verduras, e para beber claro, saquê.
Hinata observou ele colocar a mesa, tudo metodicamente arrumado, estava quase bonito. Em seguida ele levou a grelha já quente e colocou algumas fatias de carne para assar, como era o costume deles comerem churrasco. Enquanto a carne assava, ele se serviu de uma porção de legumes em conserva, Hinata estava morrendo de fome, e já que teria que ficar ali por um tempo teria que comer, nem que fosse a comida dele.
— Hinata, eu estava pensando. – ele começou entre uma pausa e outra – Não quero que as pessoas comecem comentar sobre você, esse povinho de Konoha é muito medíocre.
— Comentar o quê?
— Não sei, sobre você estar grávida e não ser casada, esse tipo de coisa.
— O filho é do Hokage, ninguém vai ousar falar nada, mas se falarem eu não me importo.
— O filho não é dele, mas mesmo assim, eu imagino que pelo menos para a sua família você deve satisfação.
— Não mais, agora que não sou mais parte do clã.
— Hinata, seu pai não deve ter falado sério sobre isso. Ele pode ter ficado desapontado, mas tenho certeza que não quer o seu mal.
— Você não conhece o velho Hyuuga.
Sasuke serviu-a com as fatias de carne já assada e aguardou as próximas ficarem boas para ele mesmo comer.
— Hinata, o que quero dizer é que independente do que você ache, eu como Uchiha não acho certo você ficar aqui sem a sua família saber exatamente o que está acontecendo. Então eu resolvi que vou amanhã mesmo conversar com o seu pai, gostando ou não, ele tem que saber onde e como você está.
— Fique a vontade, ele vai te espantar de lá igual a um cachorro. – ela riu imaginando a cena.
— Ele pode fazer isso se ele quiser, mas eu vou fazer o que acho certo. Assim vou aproveitar e comunicar a eles sobre o nosso casamento.
— Que casamento? Está louco? Não haverá casamento algum! – Hinata estava indignada.
Sasuke serviu-se de uma porção de carne e ficou comendo em silêncio, o olhar baixo, fingindo não ter ouvido a revolta dela.
— Hein, Sasuke? Você não ouse falar em casamento para o meu pai!
— Tudo bem Hinata, se você assim prefere. Mas ele vai saber que você está aqui e está comigo e que vou assumir o nosso filho.
— Eu posso estar aqui mas não estou com você, e esse filho não é seu! – ela concluiu olhando-o com raiva.
Sasuke ficou em silêncio. Uma das coisas que havia aprendido ao longo dos anos é que as pessoas poderosas e centradas sempre ficavam em silêncio na hora certa. Ele não precisava responder a tudo para mostrar que já havia ganhado, ela perceberia isso depois, mas aí já seria tarde demais. Hinata estava com raiva, pois ficou imaginando o pai a tratando com rudeza novamente e a humilhando mais ainda agora que estava vivendo com o Sasuke. Será possível que ele queria destruir tudo dela? Se ele achava que isso iria fazer ela gostar dele, ele estava muito enganado, isso só alimentava mais ainda o ódio dela por ele, ele iria arruinar a sua imagem diante da sua família de uma vez por todas, e depois disso ela poderia se considerar uma ex-Hyuuga para sempre. Não se admirava se o pai mandasse lhe tirarem os olhos, do jeito que ele era, assim ela não teria mais nada de Hyuuga mesmo.
— Sasuke, não fale com o meu pai. – ela pediu com a voz chorosa.
— Hinata, ele precisa saber de você. Quanto mais você se afastar da sua família, pior será.
— Você não entende? Ele me queria casada com um Hyuuga, se você chegar lá falando que o filho é seu e que quer casar comigo ele vai me matar!
— Não vai não, porque eu não vou permitir.
— Mesmo assim, por favor. Não fale nada com ele.
— Sinto muito, Hinata. Eu vou ter que falar.
Hinata sentiu os olhos encherem de lágrimas. Sasuke percebeu que aquilo era importante para ela.
— Tá certo, eu não vou falar nada... por enquanto – ele reconsiderou.
Se Hinata não odiasse o Sasuke, ela teria pulado no pescoço dele e o enchido de beijos, tamanho o alívio que sentiu. Agora ela teria algum tempo para convencer o Naruto e se livrar do Sasuke. Quando o pai descobrisse, ela provavelmente já estaria com o Hokage e aí ninguém em Konoha poderia separá-los.
— Mas você vai ter que fazer uma coisa para mim.
“Eu sabia”, Hinata pensou “que tipo de favor o maldito vai querer?”.
— O quê?
— Não quero mais que você vá atrás do Naruto.
— Por que não?
— Por que será, hein?
Ciúmes, puro e simples. Sasuke queria Hinata longe de Naruto porque conhecia as intenções dela e porque sabia como o amigo era sangue quente. Se ele não havia resistido da primeira vez, com certeza não resistiria uma segunda. Hinata concordava consigo mesma que não era legal ir atrás do Naruto e ser tratada como lixo por ele, principalmente na condição delicada em que se encontrava, grávida, sem casa e ainda por cima apaixonada por ele, embora soubesse que sua ausência poderia por a perder o trato de que seriam amantes. Mas se fosse para ganhar algum tempo para pensar no que fazer a respeito da sua família e arrumar um jeito de se afastar do Sasuke, ela faria o sacrifício.
— Tudo bem, não vou mais atrás dele.
Sasuke teria dado um sorriso de satisfação, mas contentou-se em continuar a comer em silêncio.
***************
Kakashi correu para ajudar Sakura, ele colocou Ino sobre o sofá que antes servira de leito amoroso para ambos. Sakura observou de perto os machucados da amiga, não eram graves, então aquele sangue todo deveria ser de outra pessoa. Ela estava quase que completamente sem chakra, estava muito debilitada, mas não pelos ferimentos, algo além disso havia drenado as forças de Ino.
— Sakura, Ino precisa da sua ajuda agora. Vou imediatamente reportar o ocorrido ao Hokage.
Uma voz muito fraca foi ouvida.
— Não faça isso...
Era Ino sussurrando para que ele não contasse nada. Como Ino estava muito debilitada, Sakura começou a aplicar chakra nela para restabelecer as forças. Em alguns minutos ela estava boa o suficiente para falar.
— Kakashi-senpai, por favor não fale nada à Hokage. – ela implorou assim que pôde falar.
— Ino, você foi atacada a caminho da vila, não foi? Preciso relatar ao Hokage, isso pode evitar problemas para a vila.
— Não, eu não fui atacada a caminho da vila.
— Não me diga que...? – Sakura não teve coragem de terminar aquela pergunta.
Na sua mente, imaginava que Gaara tivesse de alguma maneira voltado à loucura de quando era um gennin e machucado Ino daquela maneira em algum desentendimento.
— Foi o Gaara? – Sakura continuou temendo a resposta.
— Foi.
Até Kakashi se assustou com a declaração. Ele havia presenciado o casamento da jovem e mesmo que o Kazekage não demonstrasse, até ele percebeu que Gaara parecia muito apaixonado.
— Não é exatamente isso o que vocês estão pensando. – Ino continuou.
Então ela relatou uma dolorosa história, que narrava que assim que se casou e foi para Suna com ele, Gaara manteve a mesma frieza e distância que demonstrou na época em que namoravam. Somente a noite ele a procurava, mas durante o dia, eram como completos estranhos um para o outro. Além disso, Ino não tinha permissão para fazer nada e ele havia colocado dois guarda-costas para acompanhá-la onde quer que ela fosse, não dando liberdade alguma à ela.
Suna, era uma país árido não somente pelas areias que cobriam quase toda a sua extensão, as pessoas também eram muito secas. Toda a tentativa de aproximação que Ino tentou fazer fora ignorada. Cada qual parecia viver a sua própria vida sem se importar com os outros. A alegre e sorridente kunoichi aos poucos foi murchando e perdendo a vontade de ficar lá. Ela só se lembrava da época em que foi feliz morando em Konoha, com todos os amigos que possuía. Ao tentar falar com Gaara sobre o assunto, ele simplesmente dizia que no país dele as pessoas eram daquele jeito mesmo e que o melhor seria ela se portar como a esposa de um Kazekage. Ele não precisava mais do que isso para deixar explícita a sua irritação com a maneira que a esposa agia. Absolutamente todos os passos de Ino passaram a ser vigiados e por várias vezes ela viu quando um ou os dois seguranças que ele colocara atrás dela reportavam os acontecimentos do seu dia para o Kazekage. Ela se sentia muito ofendida com isso, no final das contas Gaara não confiava nenhum pouco nela. A cada dia que passava, Ino ia ficando cada vez mais solitária e triste. Gaara parecia não notar isso, já que à noite, os únicos momentos onde ela encontrava alguma alegria nos braços dele, ambos eram os mesmos de quando se conheceram.
— Então – Ino continuou sua narrativa – cansada disso, eu resolvi que voltaria para o meu país, para a minha família, amigos e todas as pessoas que amo.
Sakura e Kakashi somente ouviam a narrativa calados. Kakashi muito constrangido por ter participado de uma conversa daquele teor, mas como ninja ele precisava saber se a vila estava em perigo ou não.
— E porque está ferida assim? – ele perguntou.
— A viagem foi longa e cansativa, quando estava entrando nos arredores de Konoha, fui atacada por uns ninjas de classe inferior. Devido ao meu estado físico já bastante fraco, acabei ficando cativa deles. Depois de alguns dias descansando, recuperei meu chakra e pude enfim fugir. Não sem antes derrotá-los... mas eu tive que matá-los.
Sakura agora entendia o estado de espírito da garota. Ino era do tipo ninja estratégica, seu poder não era bruto ou físico, mas sim inteligência e controle da mente, então ela sabia que mesmo sendo uma ninja, a amiga nunca tinha precisado matar ninguém. Era compreensível que ela estivesse abalada por tudo o que acontecera e mais por ter tido que matar, mesmo que fossem pessoas que tivessem feito mal à ela.
— Entendo – era Kakashi que falava com a voz séria – mesmo assim preciso relatar ao Hokage.
— Não, Kakashi-senpai! Por favor não faça isso. – Ino implorou de novo.
— Ino, é minha obrigação. E se esses ninjas fizerem parte de um grupo que pretende atacar Konoha? Se eles estão mortos, alguém vai aparecer exigindo vingança.
— Mas se Tsunade-sama avisar que eu estou aqui, o Gaara vai mandar me buscar e eu não quero voltar.
— A Tsunade-sama não é mais a Hokage, agora é o Naruto – Sakura sentenciou.
— O Naruto? – Ino perguntou espantada – pelo visto fiquei cativa mais tempo do que imaginava.
— Enfim – Kakashi continuou – não importa quem é o Hokage, importa que ele precisa saber o que está acontecendo.
— Então conte sobre os ninjas, mas não conte que o que aconteceu foi comigo. – Ino pediu desesperada.
— Ino, você agora é uma ninja de Suna e ainda por cima você fugiu. Se a mantivermos aqui seria como se fôssemos seus cúmplices, isso pode arruinar as relações entre ambas as vilas.
Ino começou a chorar, de novo aquela história da aliança entre as vilas sendo colocada no meio da sua vida como uma pedra, não permitindo que ela vivesse livremente como queria.
— Eu te imploro, Kakashi-senpai. – ela pediu com o olhar choroso.
Kakashi suspirou profundamente. Se ele não fosse tão coração mole e se derretesse a qualquer pedido de uma bela jovem em apuros... mas ele era.
— Tudo bem, Ino. Vou manter silêncio por dois dias. Você tem esse prazo para solucionar esse assunto. E por solucionar eu quero dizer voltar para Suna, entendeu?
— Kakashi-sensei... – era Sakura que estava impressionada com a frieza do seu professor.
— Tudo bem, Sakura. Em dois dias estarei mais do que recuperada. Se não tenho mais casa em Konoha, posso encontrar outro lugar, mas não será Suna, podem ter certeza disso.
Kakashi olhou-a por sobre a máscara, a garota parecia mesmo determinada. Estava aí um motivo pelo qual ele sempre relutava em firmar um compromisso com alguém, depois de se amarrar ficava difícil desatar alguns nós. Ele saiu da sala despedindo-se com um mudo aceno de cabeça, Sakura o seguiu.
— Kakashi-sensei, por favor não conte nada ao Naruto, vamos dar um tempo à ela, você ouviu tudo o que ela contou, ela deve estar sofrendo muito – Sakura falou já do lado de fora da casa.
— Eu dei minha palavra, Sakura. Ela tem dois dias. Se eu não estivesse aqui você daria abrigo à ela indefinidamente?
— Com toda certeza.
— Mesmo correndo o risco de colocar a vila toda em perigo?
— Ela é minha amiga, Kakashi-sensei. Eu arrumaria um jeito de proteger a vila e à ela.
Era isso o que Kakashi mais adorava em Sakura. Sua incrível capacidade de encontrar meios de fazer a coisa certa e ao mesmo tempo proteger as pessoas que amava. Ele sorriu por debaixo máscara.
— Pelo visto você não esqueceu a primeira lição que te ensinei.
— "Quem quebra as regras são considerados lixo, mas quem abandona seus amigos, são piores que lixo” – ela citou a frase que ouvira do professor há mais de sete anos atrás e ficou lisonjeada por ver o sorriso dele por debaixo da máscara escura.
Kakashi se aproximou e deu-lhe um beijo por cima da máscara. Somente um roçar de lábios, não era propriamente um beijo. Não comparado ao que Sakura havia recebido momentos antes.
— Quando essa confusão da Ino acabar a gente continua do ponto em que paramos. – ele disse e depois sumiu num jutsu.
Sakura ficou apreensiva. Ela queria que a amiga resolvesse todos os seus problemas de uma vez por todas, mas com aquela sentença de Kakashi ela torceu para que demorasse um pouco mais do que só dois dias.
Notas finais
Sasuke e Hinata tomaram conta de maior parte do cap. A Hinata voltou com o rabinho entre as pernas e claro, que o Sasuke mesmo apaixonado, resolveu usar isso a seu favor. Não tenham dúvidas de que mesmo a amando ele vai manipulá-la para conseguir o que quer, afinal ele ainda é o Sasuke e não está acostumado à negativas. Mas ele está sendo sincero em relação aos seus sentimentos (só os meios é que são meio escusos) e ele também não é nenhum besta de deixar a mina dele ficar correndo atrás de outro à toa. Critiquem-o à vontade, mas admitam que ele é esperto. Kissu!
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