Notas iniciais
Oe mina!!! Olha eu me antecipando com um cap. São dois os motivos: estava entediada e resolvi publicar logo o que escrevi e como vou viajar não poderei publicar por vários dias, esse também é o motivo de ser um cap mais longo. Enjoy!

Sakura acordou abatida e sentindo-se muito mal, ela não havia se alimentado direito no dia anterior, estava fraca e sem motivação alguma para levantar da cama. Mas teria que levantar de qualquer jeito. Lembrou-se do procedimento que tinha que fazer no hospital de Konoha e como seu atraso poderia prejudicá-la, como médica ela sabia que quanto maior o intervalo entre a relação desprotegida e o procedimento menor a eficácia do método, e engravidar naquelas circunstâncias era algo completamente fora de cogitação. Tomou um banho e um bom café da manhã e preparou-se para sair. Encontrou um papel dobrado na soleira da porta. Abriu e constatou que era a letra do Naruto. O bilhete dizia o seguinte:


Sakura-chan

Estou muito preocupado, pois não consegui encontrá-la e ninguém mais sabia de você. Sei que você não está em missão porque a Tsunade obaa-chan me falaria. Espero que não tenha se arrependido de ter ficado comigo, porque eu não me arrependi e nem vou me arrepender de ter ficado com você, aquela foi a noite mais especial da minha vida. Quando ler esse bilhete venha me procurar por favor, pois já estou louco de saudades.

Sempre seu,

Naruto


Sakura ficou com muita raiva ao ler o bilhete, como ele poderia ser tão cínico insistindo tão descaradamente em enganá-la? Chegava a ser cruel e ela não conseguia acreditar que ele era capaz disso. Rasgou o bilhete e jogou no lixo e saiu em direção ao hospital. Novamente passou pelo mesmo local onde havia visto ele junto com a Hinata e quase desabou em lágrimas, mas manteve-se firme. Ao chegar no hospital, pedia para falar com a médica responsável, uma ninja de meia idade.

— Sakura-san, que bom tê-la aqui! Quando vai largar essas missões que a Hokage te obriga a participar e se dedicar inteiramente ao hospital? Precisamos de você aqui. – a médica dizia alegremente.

— Obrigada, fico feliz com a confiança, logo logo Tsunade-sama vai me liberar e poderei trabalhar integralmente aqui. – Sakura respondeu com um sorriso tímido. – Hoje preciso de tratar de um assunto delicado e gostaria de contar com o sigilo da senhora.

—Mas é claro! Nem precisa pedir! O que você precisa?

Sakura contou e conforme foi relatando, viu o sorriso da médica ninja mudar de alegre para levemente constrangido.

— Quando foi a relação? – a médica perguntou tentando ocultar seu constrangimento.

— Foi antes de ontem a noite. – Sakura estava mais constrangida do que ela.

— Que horas mais ou menos?

— Creio que por volta das nove da noite.

— Bom, então já se passaram mais de 36 horas da relação, você sabe que o procedimento pode não dar mais certo, não sabe?

— Sei sim. – Sakura respondeu de cabeça baixa.

— Sakura-san, não pretendo entrar na sua intimidade, nem posso fazer isso, mas porque não veio ontem? Ainda mais você que sabe detalhadamente como esse procedimento funciona. – a médica mostrava-se realmente preocupada.

— Eu queria ter vindo, mas não consegui. Onegai, faça o seu melhor, se não der certo eu assumo as conseqüências. – Sakura pediu curvando-se com as mãos ao lado do corpo, como era costume ao pedir algum favor muito importante para alguém.

A médica tocou-lhe o ombro e pediu que se acalmasse, que ela faria todo o possível. O procedimento era algo extremamente simples, consistia em uma injeção combinada de anticoncepcionais e hormônios, ela deveria tomar duas doses num intervalo de doze horas, mas devido a já estar com o prazo esgotado, a médica administrou as duas doses de uma só vez e pediu para ficar no hospital no período da manhã para observação, para qualquer efeito colateral que pudesse ocorrer.

Após ela sair, Sakura ficou deitada na cama mais uma vez pensando em tudo o que havia acontecido nas útimas semanas, ficou impressionada em como a sua vida toda tinha virado de cabeça para baixo em tão pouco tempo, tudo o que ela acreditava sobre Sasuke e Naruto eram mentiras. Ela nutriu durante muito tempo, a ilusão de que Sasuke seria um amante maravilhoso e apaixonado, mas ele havia se revelado um grosso estúpido, culminando com a monstruosidade de estuprá-la. O Naruto que ela achava que era bobo e sem graça, revelou-se o homem mais doce, querido e apaixonante, mas somente para depois despedaçar-lhe o coração. E agora o medo de acabar ficando grávida, justo do Naruto, seu amigo de infância, o destino era algo muito irônico mesmo. Sakura estava perdida nas suas preocupações, rezando para que o procedimento funcionasse, quando de repente Ino entrou no quarto.

— Sakura! Sua testuda maluca! Está querendo matar todo mundo de preocupação? – Ino dizia exasperada.

— Oi pra você também, Ino. – Sakura respondeu apática.

— Oi nada! Como que você apronta uma dessas? Tá todo mundo doido atrás de você, você sumiu!

— Sumi nada, estava na minha casa esse tempo todo.

— Como se o Naruto foi lá várias vezes e tão te viu?

— Ele não me viu porque eu não quis ser vista por ele. – Sakura respondeu séria.

— Mas por quê? O que aconteceu?

— Aconteceu tudo que você possa imaginar Ino, tudo.

— Sakura, ele te fez alguma coisa? Por que você está aqui no hospital?

Sakura precisava conversar com alguém mas ali não era o lugar.

— Ino, daqui a pouco a médica chefe vai me liberar. Se você quiser me aguardar nós podemos ir até a minha casa e conversaremos, porque não vou poder contar pra você aqui tudo o que aconteceu.

— Tudo bem, eu só vim trazer alguns relatórios, assim que ela te liberar eu te acompanho. – Ino disse preocupada e saiu.

Como Sakura não apresentou nenhum efeito colaterial mesmo com a alta dosagem de medicamentos, a médica a liberou e pediu que voltasse dentro de sete dias para fazer os exames para verificar se o procedimento havia funcionado. Encontrou-se com Ino e foram conversando no caminho. Ino estava radiante contando sobre suas aventuras amorosas com o Kazekage, Sakura sentiu um pouco de inveja, porque ela própria não tinha nada de bom para contar no que se referia a assuntos amorosos, mas ficou feliz pela amiga.

— Agora a senhorita vai me contar tudo. – Ino ordenou assim que entraram na casa de Sakura.

— Ai Ino, nem sei por onde começar, foram tantas coisas que aconteceram nesses dois dias. – Sakura estava mais do que desanimada, Ino achou que a amiga tinha os sinais do início de uma depressão.

— Primeiro, me conte o que estava fazendo no hospital, deitada numa maca, cheia de picadas no braço, o que aconteceu? Você está doente?

— Não, na verdade é pior que isso. – Sakura queria omitir essa parte, mas não teve jeito – eu fui lá fazer um procedimento.

— Procedimento? Que procedimento?

— Você sabe, Ino... aquele procedimento emergencial?

Ino ficou a olhando muito confusa e de repente seu olhar se arregalou como se tivesse finalmente captado a mensagem.

— Sakura! Não me diga que... é o que eu estou pensando mesmo? Aquele para evitar a gravidez?

— Sim, esse mesmo.

— Mas por que só hoje, se você esteve com o Naruto antes de ontem? Você sabe que a eficácia diminui depois de 24 horas.

— Sim eu sei. Mas não consegui ir ontem.

— Por que não? Isso deveria ser a primeira coisa que você tinha que fazer ao acordar. Ou não foi com o Naruto? Foi ontem? Foi por isso que você sumiu? Não me diga que foi o infeliz do Sasuke?!

— Calma Ino. É melhor eu contar tudo desde o início.

Então Sakura contou detalhadamente, desde o encontro com o Naruto, como fizeram amor e ele gozou nela e depois como o encontrou aos beijos com a Hinata no dia seguinte, sendo esse o motivo de ela não ter conseguido ir ao hospital de tão arrasada que havia ficado. Ela não citou o nome do Sasuke e nem o que ele havia feito com ela, pois achou que seria muita coisa pra Ino processar.

— Mas isso é impossível! Naruto e Hinata? Desde quando? Ele nem gosta dela! – Ino estava em choque.

— Pois para mim parecia que ele gostava e bastante, pela maneira que ele a acariciava e a beijava, parece até ser um caso antigo o dos dois. – Sakura disse desgostosa.

— Mas Sakura, ontem ele apareceu lá no bar, ele estava desesperado atrás de você! Não é possível que ele seja tão falso assim!

— Entendeu agora como eu fiquei? Ino, esse Naruto é o pior, ele é o pior! Ele me enganou esse tempo todo, dizendo que me amava, só até eu transar com ele e ele me jogar fora! Agora eu sei que tudo o que o Sasuke me disse era verdade! – o ódio podia ser facilmente percebido na voz dela.

— Isso é muito estranho Sakura. Mas pensando bem, ele e Sasuke estavam numa boa ontem, conversaram normalmente e saíram juntos em direção ao escritório de Tsunade-sama. Embora o Sasuke tenha falado que não iria até o escritório, ele iria para outro lugar.

Sakura ouviu isso com os olhos cheios de lágrimas. O Naruto havia prometido que daria uma lição no Sasuke, e aparentemente eles eram novamente os melhores amigos. Ficou pensando se o Sasuke havia contado sobre o estupro e os dois rindo dela, isso fez as lágrimas aumentarem.

— Sakura, fique calma, não precisa chorar por causa disso. – Ino continuou confortando-a. – tem alguma coisa muito estranha nessa história, isso não é típico do Naruto.

— Ino, você vai continuar tampando o sol com a peneira? Não ficou claro que essa imagem de bom moço é só para iludir as meninas e depois usá-las? Ele mesmo me confessou que teve inúmeras parceiras, ele se faz de bonzinho para pegar geral! Ele é assim, só que nós nunca percebemos nada porque ele faz aquela carinha de orfão e todo mundo acredita nele. Eu só fui mais uma na lista dele, só mais uma! – Sakura dizia sem se importar com as lágrimas que escorriam livremente pelo seu rosto.

Ela deitou-se na cama e cobriu o rosto com o travesseiro para abafar os gritos de desespero. Ino abraçou-a e ficou a confortando por um bom tempo, quando finalmente Sakura se acalmou, Ino disse.

— Sakura-chan, se foi isso mesmo, então a melhor coisa a fazer é não engravidar dele, de jeito nenhum!

— Não tem mais o que fazer! Eu fui lá hoje, a médica me deu a dose dobrada, mas só vamos conseguir saber se deu certo daqui a uma semana. Até lá é só rezar.

— Ai meu Buda! Espero que esse negócio funcione, senão vai ser o fim! – Ino estava mais desesperada que Sakura.

— Se você pensa assim, imagine eu? Imagine como eu estou? Eu estou destruída Ino, o Naruto era o único que eu realmente confiava, agora não posso confiar em mais ninguém.

— Em mim você pode! – Ino protestou.

— Sim, mas com você eu não posso fazer as coisas que eu fiz com ele. Ino, sabe o que me dói mais? O Naruto é um sonho, ele é delicioso, maravilhoso, eu nunca vou conseguir esquecer aquela noite que passei com ele. Só de pensar que a Hinata é que vai usufruir de tudo aquilo eu fico louca de ciúmes! Louca! Mas eu não posso fazer nada agora, foi ele que me usou, ele que me traiu! Não posso correr atrás dele.

— E nem vai! Mas tem uma coisa que você pode fazer... pode provocar o ciúmes nele também! Você tem um estepe ainda, lembra?

— Quem?

— O Sasuke, oras!

— Mas nem a pau! Nunca! Nunca!

— Sakura, eu até entendo que o Naruto seja o tal na cama, mas só uma noite foi suficiente para você esquecer de vez o Sasuke?

— Não Ino, você não entende. Cada minuto que passei com o Sasuke contribuiu para que eu o esquecesse, isso não tem nada a ver com o Naruto!

— Tá, ele é um grosso sem graça, mas com algum treino ele pode melhorar, não pode?

— Não é só isso, Ino. Tem uma coisa que não te contei...

— O que mais? Não é possível que tenha mais coisa ainda.

— Sim tem, e é muito pior do que você possa imaginar.

Então Sakura narrou toda a história depois que ela fez o kage bunshin e obviamente deu errado. Contou como naquela noite mesmo, ele invadiu o quarto dela e ameaçando-a com a espada, a estuprou. Cada palavra que Ino ouvia parecia fazê-la perder a fé na humanidade. Quando Sakura terminou a narrativa, ela caiu para trás na cama e ficou um bom tempo em silêncio. Depois sentou na cama e abraçou Sakura com toda a força.

— Foi minha culpa, Sakura. – ela sentenciou.

— Claro que não! Por que está falando isso?

— Foi minha culpa sim. Eu que te dei a ideia idiota de fazer o kage bunshin e enganar o Sasuke com isso. Se você não tivesse feito, nada disso teria acontecido, me perdoe. – Ino tinha lágrimas nos olhos.

—Relaxa Ino, o Sasuke fez o que fez porque é um monstro. E eu fui bem idiota de deixar ele chegar nesse ponto, você não tem nada a ver com isso.

Ficaram abraçadas por um tempo. Então Ino disse.

— Sakura, eu não sei você, mas eu vou matar o Sasuke! E quer saber mais? Ninguém vai sentir falta daquele traste!

— Não Ino, por favor, não faça nada! Ele é muito mais perigoso do que eu imaginava, estou com medo. Principalmente agora que sei que ele está mancomunado com o Naruto, eu não sei o que esses dois podem fazer.

— Não, mas o Naruto nunca agiria violento com você. – Ino ponderou.

— Tem certeza? Até antes de ontem achávamos que ele era um príncipe encantado. Eu não espero mais nada de bom dele, Ino.

— Tudo bem, mas você não pode deixar isso que o Sasuke fez passar batido.

— E não vou! Mas também não vou meter os pés pelas mãos. Vou ter que agir com frieza em tudo ao que se refere ao Sasuke, porque naquele dia eu vi que ele é capaz de matar sem nenhum remorso.

— E o Naruto? O que vai fazer com ele?

— Nada. Vou simplesmente fugir dele o máximo que eu posso e ignorá-lo. Vou dar todo o meu desprezo para ele e vou tirá-lo da cabeça e do coração. Não vai ser muito difícil, afinal esse nunca foi o lugar dele mesmo.

Ino olhou para Sakura preocupada. Ela não duvidava de nada do que o Sasuke tivesse feito, mas sobre o Naruto ela simplesmente não conseguia conceber a idéia. Resolveu que tiraria a história a limpo. Mas antes iria tirar satisfações com um certo Uchiha, pois ela tinha quase certeza que Sakura não faria nada em relação à ele.


*******************


Naquele mesmo dia a noite, Ino encontrou-se com Gaara no bar dos ninjas, ele avisou que partiria no dia seguinte para a Vila da Areia e depois não poderia retornar a Konoha por um bom tempo, pois estaria tratando de assuntos estratégicos de uma nova aliança que ele queria firmar com o País das Fontes Termais. Ino ficou encantada com ele dando satisfações dos seus passos, isso realmente era uma novidade, pois o Kazekage dificilmente compartilhava assuntos de Estado com ela e muito menos avisava sobre quando retornaria à Konoha. Mas ela havia percebido que depois da última vez que ele veio à Konoha e ela não pôde ficar integralmente com ele devido às suas próprias missões, ela percebeu que ele estava demonstrando mais o que sentia, trocando mais do que somente meia dúzia de palavras com ela e claro, dando-lhe mais prazer ainda, algo que ela o considerava um verdadeiro especialista. Cada dia que passava Ino sentia-se mais apaixonada por ele, tanto que ela já estava começando a ficar nervosa com a indefinição do relacionamento que tinham. As vezes ela pensava que ele mantinha algum outro relacionamento na Vila da Areia, por isso ficava semanas ou meses sem aparecer, mas Temari havia garantido que ela era a única. Isso a confortava mas não mudava o fato que ela queria que ele dissesse que eram namorados, ela queria oficializar logo o namoro. Estava pensando nisso tudo quando Sasuke entrou no bar e sem ser convidado, sentou na mesa deles. Temari e Shikamaru não se incomodaram com a presença de Sasuke, mas Ino estava fervendo de raiva só de pensar em tudo o que ele havia feito com Sakura, além disso o Gaara também não queria saber dele ali.

— Sasuke-san! Que bom que veio! Eu queria mesmo conversar com você. – Ino disse forçando um sorriso.

— É mesmo? Pois fale. – Sasuke respondeu seco.

Ino pediu licença a todos na mesa e o chamou para conversar de canto. Gaara ficou vermelho de ódio quando a viu conversando em particular com o detestável Uchiha. Ele não tinha gostado nem um pouco daquilo, então manteve os olhos nos dois durante toda a conversa.

— O que quer Ino? Não me diga que já enjoou do inútil do Gaara e vai voltar a correr atrás de mim. – Sasuke disse com um sorriso de escárnio.

— Ele não é inútil, Sasuke. Ele é o Kazekage da Vila da Areia, um posto tão alto que você com certeza nunca conseguirá alcançar. – ela não deixou barato.

— Isso porque você está dando pra ele, porque se estivesse dando pra mim sua percepção seria outra. – ele mantinha o mesmo sorriso.

— Seria mesmo, com certeza. – Ino fez uma pausa antes de continuar. – Seria a mesma percepção de um estupro, talvez?

Sasuke gelou quando ouviu aquelas palavras. Então ela sabia? Com certeza Sakura havia contado tudo para ela, ele ficou com muita raiva e pensou que estava na hora de uma outra visitinha, dessa vez mais entusiasmada ainda. Mas antes iria quebrar a cara daquela vagabunda que estava ali na sua frente o desafiando.

— Eu sei de tudo, Sasuke. – Ino continuou – sei o que você fez com a Sakura e embora eu ache que ela não vá fazer nada, pois está com medo de você, eu não tenho medo e não vou deixar passar batido a covardia que você fez.

— Eu não faço idéia do que você está falando garota, deve estar ficando doida. – Sasuke não confessaria de maneira alguma, pois sabia que um crime desse nível era passível com a expulsão de Konoha.

— Não se faça de desentendido! Eu sei muito bem que você ES — TU — PROU a Sakura, e ameaçou-a de morte se contasse para alguém! – Ino dizia com a voz bastante alterada e embora eles estivessem afastados das pessoas, a conversa deles começou a chamar a atenção de alguns ninjas ao redor.

Sasuke que estava preocupadíssimo em ser descoberto, pois não queria de maneira alguma sofrer as punições que o aguardavam, começou a perder a cabeça, ele se segurava muito para não cortar Ino no meio com a sua espada.

— Por que você não vai logo dar o cú para aquele puto da areia e me deixa em paz sua vadia? Você não sabe de nada do que há entre Sakura e eu, vá cuidar da sua vida.

Ino, ficou espantada com a baixeza das palavras dele, mas considerando que era o Sasuke, não se intimidou.

— Não vou deixar nada! Vou denunciá-lo para Tsunade-sama, você será no mínimo expulso de Konoha!

Sasuke perdeu a cabeça completamente, ergueu a mão e Ino tomaria um tapa muito forte, se não fosse uma nuvem de areia bloquear a mão do Sasuke. Gaara, que assistia a toda a discussão dos dois postou-se entre eles no momento exato em que Sasuke a agrediria.

— Encoste nela e eu te mato aqui mesmo seu verme. – A voz de Gaara era tão tenebrosa que até Ino temeu.

Sasuke não respondeu nada, simplesmente o encarou friamente, sua vontade era aproveitar aquele momento mesmo para resolver suas lutas pendentes com o Kazekage, mas até isso não era possível devido a relação diplomática entre ambas as vilas. Então deu um sorriso de desprezo para Gaara e Ino e retirou-se em silêncio.

— Vamos embora. – Gaara disse friamente para Ino.

Ao chegarem na casa de Ino, Gaara achou que ela iria convidá-lo para entrar como sempre fazia, e eles teriam uma noite de amor maravilhosa. Porém ela apenas disse friamente.

— Obrigada por me acompanhar até aqui Kazekage-sama.

Gaara ficou sem entender nada, pois quando estavam sozinhos, Ino tratava-o por Gaa-chan, apelido que ele achava ridículo, mas ela falava com a voz tão doce e cadenciada, que ele ficava louco de desejo quando ela o chamava assim. Ela virou-se para entrar na sua casa, então ele a segurou suavemente pelo punho. O olhar que ela viu era algo que estava entre implorar e ordenar.

— Ino-san, você sabe que vou ficar fora por vários meses sem poder te ver, achei que teríamos uma despedida adequada.

Ino não respondeu nada, somente ficou o olhando com os braços cruzados e a cabeça levemente inclinada, sua vontade era agarrá-lo e enchê-lo de beijos, mas estava cansada daquilo, estava cansada de não saber o que eles eram um do outro e principalmente o que ela era para ele.

— Sabe Kazekage-sama, estava pensando que estamos desse jeito há muito tempo, muito mais tempo do que deveríamos, então acho que podemos aproveitar esse seu período fora para encerrarmos isso que vem acontecendo entre nós.

Gaara estava em pânico. Ela estava tentando terminar com ele? Será que ele tinha entendido direito? Como isso era possível sendo que naquela noite mesmo ela o tratou com toda a doçura que ele estava acostumado? Ele não havia ouvido a conversa dela e do Sasuke, mas pelos humores alterados sabia que era algo bem grave, ficou pensando se ambos não tinham um caso escondido, um ciúme ferrenho cortava-lhe a alma, se fosse isso ele mataria o Uchiha naquela noite mesmo e dane-se qualquer tratado de paz que houvesse entre as vilas. Ele estava disposto a iniciar uma guerra, mas não deixaria barato.

— É o Uchiha? Vocês têm algo é isso? Por isso estavam discutindo daquele jeito? – a voz dele era fria, embora Ino pudesse perceber um leve tremor, como se ele estivesse se contendo muito para não explodir de raiva.

— Não é nada com o Uchiha. – ela fez uma pausa antes de continuar – é com você mesmo Kazekage-sama.

— Comigo? Mas o que eu fiz? – ele voltou a ficar sem entender nada.

— Não é o que você fez, é o que você não fez. – Ino agora tomava coragem para falar tudo o que sentia – Sabe, estou realmente cansada disso, você vem aqui e eu tenho que ficar à sua disposição o tempo todo, depois você some por meses e quando volta quer que eu continue à sua disposição, isso sem me dar garantia alguma que eu sou a única.

— Mas você é. – Gaara estava impressionado com a impetuosidade da garota, ela que sempre se mostrava tão submissa.

— Mas não parece que eu seja a única. Então, enquanto as coisas estiverem assim, eu escolho terminar com isso. – ela disse e mantinha o olhar firme o encarando.

Gaara estava desconcertado, então era isso, ela estava dando-lhe um ultimato para assumir o compromisso ou então tudo terminaria.

— Entendo, Ino-san. Você tem toda a razão sobre isso, não estou agindo como o homem que você quer.

Ino estava começando a se arrepender de ter dito tudo aquilo, essas últimas palavras do Kazekage soaram como uma aceitação, como se ele também quisesse por um fim no relacionamento. Ela temeu, mas também não voltaria atrás, se ele concordasse com o fim, então ela realmente esteve se enganando esse tempo todo e o melhor seria findar tudo aquilo, por mais que isso doesse e ela sentisse que ela nunca mais seria a mesma sem aquele amor.

— Então ficamos assim Kazekage-sama, já que não seremos namorados, seremos bons amigos de agora em diante. – ela disse firmemente, porém com o coração já se despedaçando.

— Exato Ino-san, nós não seremos namorados. – a voz de Gaara era fria e o olhar dele tinha um brilho estranho, Ino pensou se não era aquele o brilho de quando ele liquidava seus oponentes. – Nós seremos marido e mulher. – ele anunciou calmamente.

Ino demorou para processar aquela informação, ela não tinha entendido exatamente o que ele tinha dito. Percebendo sua confusão, Gaara aproximou-se e tocando de leve o seu rosto ele continuou.

— Se você me aceitar, é claro. – o tom da voz dele saiu mais sedutor do que ele esperava.

Ino ficou tão maravilhada com isso que mal se aguentava de emoção, queria chorar e rir ao mesmo tempo, mas acabou por não conseguir fazer nada, seus olhos somente brilhavam e a boca estava trêmula. Gaara tocou de leve no seu lábio inferior e deu-lhe um leve e delicado beijo.

— Então Ino-san? Acho que mereço uma resposta – ele disse após terminar de beijá-la.

— É que... isso é tão... isso é tão repentino... – sua voz estava trêmula.

— Não, não é. Essa é a minha intenção desde a muito tempo. Mas eu não achei que você fosse me aceitar, então preferi esperar para ver como as coisas se desenrolavam entre a gente, e hoje como você me disse tudo isso então percebi que já estava mesmo na hora.

— Mas é que... nós somos muito jovens...

— Sim, nós somos. Mas eu já sou o Kazekage da minha vila e logo terei que tomar uma esposa, isso será bem visto pelo conselho.

— É que... eu acho que...

— Ino-san, você está começando a ficar sem desculpas. – Ino pôde perceber um tom de diversão na voz dele.

— Tudo bem, eu aceito! – Ino disse finalmente com um sorriso radiante.

Beijaram-se apaixonadamente e quando pararam para tomar fôlego, Gaara disse.

— Vamos falar agora com Yamanaka Inoichi-sama. Quero a benção dele também.

— Mas já? – Ino disse assustada.

— Sim, assim você terá tempo de lidar com os preparativos da festa, nós vamos nos casar assim que eu finalizar esse período de reuniões com o País das Fontes Termais.

Ino mal teve tempo de responder e ele já entrava na sua casa.


*****


Inoichi Yamanaka ficou extasiado com a notícia, ele sabia que a filha estava de namoro com o Kazekage há bastante tempo, mas o garoto não havia falado com ele ainda e Ino sempre desconversava quando era esse o assunto. Então ele ficou muito feliz pela sua filha ter sido a escolhida de um Kage, isso era algo muito importante e embora a aparência exótica do rapaz, ele o achou muito centrado e responsável, nada parecido com os rumores que costumava ouvir, sem falar que embora demonstrasse frieza, Inoichi percebeu que o rapaz era perdidamente apaixonado por sua filha, e mesmo que ele não fosse o Kazekage, já teria a sua benção só por isso.

Ino insistiu para que Gaara ficasse mais aquela noite com ela, mas ele teria que partir junto com Temari se quisesse cumprir a agenda que o aguardava.

— Pelo menos um pouquinho então – ela dizia dengosa enquanto esfregava o rosto no peito dele, ela sabia que esse era o seu ponto fraco. – hein Kazekage-sama? Você mesmo queria uma despedida adequada, lembra?

— Tudo bem, mas pare de me chamar de Kazekage-sama, sabe que não gosto que você me chame assim.

— Mas esse é o seu título!

— Sim, mas eu quero que você me chame de um jeito diferente que as outras pessoas.

— Como quer que eu te chame? – Ino sabia a resposta mas queria ouvir dele.

— Você sabe como.

— Gaa-chan?

— Sim, mas daquele jeito... – ele ficou corado por ter que pedir isso.

— Humm, então é Ga — a — Chan? – ela disse pausadamente com a voz cadenciada, do jeito que ele adorava.

Sem perder tempo, Gaara envolveu-os numa nuvem de areia que os conduziu até o quarto de Ino, lá tiveram uma despedida realmente adequada.


*****


Gaara queria se despedir adequadamente de Ino pela quarta vez, mas foi impedido por Temari que o chamava para irem embora, pois já estavam mais do que atrasados. Depois que ele partiu, Ino ficou pensando em como tudo tinha mudado tão rapidamente. Há poucas horas atrás ela nem sabia o que ela era para o Gaara, agora estavam de casamento marcado para dali a poucos meses, ela estava tão feliz que momentaneamente esqueceu da dor que assolava sua pobre amiga. Mesmo estando muito feliz com a sua nova condição de noiva do Kazekage, ela não havia desistido completamente de fazer o Sasuke pagar pelo o que havia feito com Sakura, ela estava decidida a ajudar a sua amiga e faria isso.

Notas finais
Tão fofo o Gaa-chan e a Ino, agora vão se casar e nem preciso avisá-los de que esse casamento vai ser também palco de grandes emoções para os outros personagens. Kissu!