Annie Electric

1 Revelações em Pallet


Notas iniciais
Talvez eu poste semanalmente, talvez mensalmente... Sou uma pessoa meio ausente.... (rimou)

Eu corro. Não sei quem ou o que está me perseguindo, na escuridão da noite tudo que consigo enxergar é o grande vulto negro que corre atrás de mim. Me viro para olhar meu perseguidor, mas meu pé se enrosca em uma raiz, tropeço e caio na terra úmida. Uma trovoada, chuva. As gotas geladas golpeiam minha pele, a neblina impede minha visão, minhas pernas latejam com o esforço, meus pensamentos estão embaralhados. Sinto que não vou aguentar muito tempo, minha visão escurece, uma mão agarra meu ombro, ouço um grito alto e agudo, no último segundo antes de apagar, percebo. O grito é meu.

Acordo gritando, na cama ao lado meu irmão se debate em pânico, deve ter tido aquele sonho de novo. Minha mãe aparece na porta, acorda meu irmão e senta na beirada da cama.

– Shhhh. Foi só um sonho. — Ela sussurra em meu ouvido enquanto nos abraça — Já passou, já passou. — Ela beija a testa de meu irmão e se levanta.

– Você pode ficar aqui com a gente? — Pergunto baixinho e meu irmão a olha com sua melhor cara de "por favor"

Você sabe que não — Diz ela, séria, ajeitando seu cabelo ruivo e olhando para nós com uma cara que diz que já ouviu isso um milhão de vezes. Ou ao menos 372 vezes, faz pouco mais de um ano que temos esses pesadelos. Os mesmos pesadelos. Penso em como ela é bonita e em como sou diferente dela, eu e meu irmão somos. Cabelos pretos, olhos castanhos e pele bem branca. Mamãe também é bem branquinha, mas seus cabelos são ruivos e seus olhos parecem melado,cor de mel eu acho. Meu devaneio continua, mas estou tão cansada...

Acordo de manhã bem cedo para alimentar os Pokémons, eles são selvagens, mas sempre aparecem no jardim, então já estou acostumada com eles, isso é um ótimo treino para quando eu tiver dez anos e puder me tornar uma treinadora Pokémon. Meu sonho é ser a melhor mestre Pokémon do mundo. Sento na grama com meu irmão e alimentamos alguns Pidgeys, Rattatas e dois ou três Poliwag que apareceram logo depois.

– Annie! Ash! — É mamãe chamando, deve ser hora do café da manhã. Corremos para dentro e nos sentamos à mesa esperando o mesmo de sempre: Sobras do jantar. Eu chuto as pernas de Ash e ele chuta as minhas, o mesmo de sempre, mas há algo diferente, o cheiro que vem da cozinha não é de frango xadrez ou yakisoba esquentado no micro-ondas, é um cheiro doce: Mel, leite e.... Canela? Olho por cima do ombro para ver o que é aquela 8 maravilha do mundo.

– Panquecas! — Grito entusiasmada. Nunca havíamos tido comida boa pro café da manhã.

– Mamãe — Diz Ash com cara de desconfiança — Por que você fez o café da manhã? Você nunca faz o café da manhã!

– Eu faço uma coisa legal e é assim que vocês me agradecem? — Mamãe diz em um tom de brincadeira — Eu fiz o café da manhã por que hoje é um dia especial.

– O que tem de especial hoje? — Pergunta Ash já com a boca cheia de panqueca.

– Hoje é dia 22 de maio — Ela fala como se fosse óbvio. Não entendo, é só uma quarta-feira como qualquer outra. — O aniversário de vocês.

É verdade, hoje completamos 9 anos de idade, o que quer dizer que falta apenas um ano para que possamos ser treinadores Pokémon! Eu acho que vou pegar um Bulbasaur. Ash acha melhor o Squirtle...

– Annie? — A voz de mamãe interrompe meu devaneio — Annie eu te fiz uma pergunta.

– Desculpa, eu não ouvi — Digo. Ash revira os olhos.

– Você nunca presta atenção em nada. — Fala ele rindo em tom de deboche.

– Cala a boca seu idiota! — Grito — Você não sabe de nada.

– Olha só quem fala — Responde ele também gritando — Sua bobona!

– Você que é, seu tonto!

– Você é mais!

A briga se segue, mamãe suspira, todo dia é assim. A mesma rotina de sempre, Mime Jr. está agarrado no pé da mesa observando nossa discussão, ele não gosta de ver mamãe chateada, então sobe no colo dela e grita "Mime Mime!!!!". Paramos, olhamos para ele com uma cara brava.

– Parem com isso — Mamãe diz irritada — Estão assustando o Mimie, vão brincar lá fora antes que quebrem alguma coisa.

Saímos de casa, corro até o laboratório do professor Carvalho, pulo a cerca e subo na minha Ponyta.

– Você não devia fazer isso. — Diz Ash, que aparece na cerca logo depois de mim.

– Você não manda em mim — Respondo — Além disso, sei cuidar de mim mesma. — Acelero, faço Ponyta pular por cima da cerca e desapareço na floresta.

Notas finais
Primeiro capítulo, cheio de revelações. No próximo capitulo: Gastly, Haunter e Gengar. Pânico na floresta de Viridian!