Annie Carter E As Tribos Dos Elementos

6 Capítulo 6- A verdade sobre tudo


Aquele era um depósito em algum estabelecimento, era um lugar tão empoeirado que imaginei que não fosse aberto desde os tempos medievais. E nem era tão longe de casa, nunca havia notado, mas era bem no meio do caminho que percorro até à escola.

Subi os degraus e olhei o relógio do meu celular, 13h00. Um detalhe: a imagem de fundo não era a mesma.

- Mexeu no meu celular? — Perguntei ao Patrick, quase gritando.

- Mas é claro! Eu estava vendo seus contatos enquanto você dormia. Deixei suas coisas no canto da sala para você não pensar em pegar seu celular e ligar para alguém.

- Você trocou a imagem! E é uma foto sua!

- Ficou bem melhor, não é? — ele sorriu como se realmente acreditasse que ele estava bem na foto.

- Não! Você é muito feio! Segui na frente para não continuar ao seu lado, e enquanto isso, ele mexia os lábios e os ombros caçoando.

Em casa, entrei na frente, abri a porta e vi meu pai, terminando de almoçar.

- Não teve aula filha?- Indagou.

- Eu... eu trouxe visita. — Permiti que Patrick entrasse.

Meu pai se levantou subitamente, puxou-me pelo braço e me trouxe para perto de si.

- Patrick? O que você está fazendo aqui? — Esbravejou, irritado e perplexo ao mesmo tempo.

- Calma. Não vou fazer nada. — O Sr. Sobretudo de Couro Sintético.

Eu esperneava , perguntando da onde eles se conheciam, mas não pareciam me ouvir.

- Não quero você perto da minha filha! Fique longe da minha vida!

- Steven Para! Você sabe que só estou fazendo meu trabalho! Não é para mim que deve dizer isso. De qualquer forma, você tem parte da culpa!

- Eu quero minha filha longe das tribos! — Meu pai olhou para mim e me colocou atrás dele, como se o Patrick fosse me roubar ou coisa assim.

- Parem! — gritei- Do que estão falando?

- Filha, você não deve saber. — Meu pai me olhava, com aqueles olhos azuis penetrantes, suplicando-me para não o pressionar.

- Vocês estão falando sobre mim, eu tenho direito de saber! — desviei meus olhos de meu pai, se não acabaria cedendo.

Nunca tinha visto meu pai tão bravo e tão preocupado antes. As únicas vezes que eu o vira gritar foram quando eu quebrei a janela com minha bola e quando eu peguei seu chaveiro. Na realidade, a segunda vez, ele estava mais preocupado do que bravo, parecia que aquele chaveiro era de um valor inestimável.

- Ela tem razão. — O Sr. Sobretudo de Couro Sintético disse encarando meu pai.

- Por favor. Papai disse bem baixinho, quase sussurrando.

Patrick olhou para baixo e soltou um desculpe bem fraco e triste.

- Então? — perguntei, afinal ninguém me explicou nada, estava completamente zonza com tudo aquilo.

Emma percebeu e me preparou um copo de água com açúcar e meu pai. Ela se mantivera calada durante toda discussão, eu nem havia percebido sua presença.

- Pequena Carter, é uma história longa e complicada, a forma mais fácil que encontro no momento de explicar a você, é a seguinte: Seu pai é descendente de uma tribo, a qual é desconhecida pela maioria das pessoas. Essa tribo tem o nome de Powietrze que, traduzido pra nossa língua, é Ar. Tem esse nome porque os tribais controlam o elemento ar. — Patrick me explicava até eu o interromper.

- Tipo, controlam mesmo? Fazem ventanias essas coisas? — indaguei.

- Isso! Seu pai também controla, e esse... Como posso chamar...? Esse poder é hereditário, você também é capaz de controlar, mas se você não começar a treinar, se tornará uma pessoa normal. Você se lembra da ventania que causou há pouco tempo atrás?

- Lembro sim. — eu falei quase ao mesmo tempo em que eu bebia a água com açúcar de Emma.

- Tem mais uma coisa, Carter. Você é a tubylec mais forte e mais rara em três séculos.

- O que significa tub... Tuby... Ahh! — bati o pé com raiva — Você me entendeu.

- Significa nativa, ou nativo, em polonês. É da Polônia que viemos. No plural é tubylcy

- Mas por que sou a mais importante?

Não existe só uma tribo. Existem quatro. Uma para cada elemento. Ninguém normal chega perto delas, as tribos se localizam bem no meio do Mar Mortal. Vocês o chamam de Triângulo das Bermudas, mas tanto faz. E não me faça perguntas sobre o Mar Mortal, essa parte da história não estou autorizado a contar. O importante é que você é uma mistura de Ar, Terra, Fogo e Água. Mas suas especialidades são Terra e Ar. Sua mãe é uma nativa da tribo Terra e eu sou nativo da tribo ar. Meu pai era controlador de fogo, minha mãe controladora do ar. Eu podia controlar os dois elementos, mas preferi treinar apenas um. Minhas habilidades com o fogo se foram. Porém, sua mãe era filha de uma controladora de Água e de um controlador de Terra, ela treinou os dois, mas ainda sim preferiu treinar mais sua habilidade com a terra, e começou a viver no Brasil. Lá tem muitas pessoas da tribo Ziemi (elemento terra), inclusive seus avós maternos. Suas habilidades com a água são poucas. — ele fez uma pequena pausa — Resumindo tudo, sua mãe é terra e água, mas só treinou suas habilidades terrestres, seu pai é fogo e ar, mas só treinou suas habilidades aéreas.

- Então se eu treinar todas as minha habilidades serei a única em 300 anos que controla os quatro elementos?

Eles se entreolharam, e papai disse:

- Sim, porém, será muito cansativo, você pode optar por treinar uma habilidade só. Ou nenhuma. É mais fácil.

- Sim, mas ela precisa treinar, quero dizer, é um direito dela.- disse Emma — E tem mais uma coisa que precisa saber... Eu e seu pai nunca fomos casados. Eu sou sua protetora e fui amiga da sua mãe. Prometi a ela que cuidaria de você.

- Eu estava completamente desnorteada, nada era o que parecia. Eu queria saber por que minha mãe sumiu, mas logo percebi que seria em vão. Além disso, Emma nunca havia se casado com meu pai e eu a destratei por pura maldade. Ela apenas cuidava de mim. Nunca me fez mal. Meu pai de repente virou um controlador do ar e eu sou a pessoa mais rara em três séculos.

- Sua amiga, Sally, está vindo para cá. Também é sua protetora e controla o ar. — Emma olhou para mim, com pena, como se não quisesse nem um pouco estar na minha pele. Bem, nem eu queria estar na minha pele.

A porta se abriu lentamente, revelando o rosto pálido de Sally.

- Com licença. — Sally não nos olhou nos olhos, entrou calada, com a cabeça abaixada.

- Então quer dizer que minha melhor amiga é minha outra protetora? O que mais eu deveria saber?- perguntei tentando parecer mais sarcástica e irritada do que eu realmente estava, apenas para deixá-los apreensivos, tanto quanto eu, e não parecer uma retardada em pânico.

Estava meio em choque com tudo, não é todo dia que alguém te sequestra e diz que você simplesmente tem poderes. Entretanto, eu não culpava a todos, afinal, como é que se joga uma bomba dessas no colo de alguém?

- Annie, eu continuo sendo sua amiga. Sempre fui. Sally parecia estar com muito medo de, sei lá, me perder, perder minha amizade.

- Eu sei, Sally. Mas eu estou realmente falando sério. O que mais eu tinha que saber?

- Ahn... — Sally parou para pensar- Já te falaram que você é a mais rara em 300 anos?- Eu havia me esquecido que Sally não escutou o começo da conversa.

- Já sim, eu me referia a mais algum protetor que não esteja nessa sala. — falei.

- Allison. — Sally me olhou nos olhos, analisando-me e tentando prever minha reação.

- Allison? Srta. Turner? Sabia que ela não era uma simples cientista!

Ela é na verdade uma espiã da tribo Wody. Ela controla a água. — Me lembrei de quando eu a encontrei na rua, estava com um livro em seus braços. O Mito das Tribos dos Elementos. — Allison não tem por que querer te proteger, afinal você só é ligada a tribo Wody indiretamente. Nunca teve uma experiência com a água. Mas sua fama é grande e acho que o Sacerdote- Chefe de Wody precisava se certificar.

- Se certificar que eu existo? Então sou muito famosa entre os... Hã... Tribais?

- Sim, sua fama é grande, isto quer dizer que tem mais alguém de olho em você, aquele que espalhou sua fama. Mas a pergunta é: quem?

Silêncio. Tudo em que eu acreditava acabara de desmoronar como areia na minha frente, por um momento pensei que todos estavam loucos, depois achei que eu sonhara tudo aquilo, até mordi a língua pra ter certeza (OK, eu sou uma retardada), mas foi em vão. Tudo o que eu vi estava realmente acontecendo. Sentei-me. Fiquei sem palavras, olhei ao redor e todos olhavam para mim, esperando alguma reação.

- É sério tudo isso? Não levantei a cabeça e nem queria ouvir a resposta.

- Não creio que pense que estamos brincando! — era a voz de Sally, confesso que ela me irritou bastante com essa afirmação, eles me contaram a história que merecia o prêmio Nobel de loucura, todavia, era melhor ficar quieta, ela sempre ganhava nossas discussões.

- Pai? — meu pai não deu uma palavra na conversa toda.

Queria saber o que ele achava de tudo. Porém, tudo o que ele fez foi protestar de uma forma meio original.

- Desgraçado! — Um jato de ar empurrou Patrick até a parede. — Não era pra isso acontecer assim. Não queria que minha filha se envolvesse com eles.

- Steven, eu sei de tudo isso. Mas se dependesse de você, ela nunca saberia. Ela perderia os poderes no ser aniversário de 14 anos se não começar a treinar.

- Eu preferia que perdesse! É perigoso demais para uma criança tão jovem, se tornar... — Não completou a frase. Fiquei com medo do fim daquela frase. Finalmente meu pai o soltou.

O show acabou, podem todos ir embora! Annie embarcará o mais rápido possível. — meu pai disse.

- Isso. Assim é melhor, Carter. — Patrick se virou e saiu primeiro, então todos foram atrás. Só restou eu, Emma e papai. Bastou eu voltar meus olhos para a direção deles, que desviaram o olhar, esperei uma explicação convincente do que acabara de acontecer, porém, apenas o silêncio continuou comigo na sala de estar.

Notas finais
"Capítulo muito bom do jeito que está, não precisa de segunda revisão ou de diminuição do texto. Parabéns. " *0* opinião da beta *-*

*Tubylec se pronuncia "tubilet"
* Tubylcy se pronuncia "tubíltci" a pronúncia do L é encostando a língua no céu da boca.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.