Annie Carter E As Tribos Dos Elementos

1 Capítulo 1- Excursão ao Museu


Estou aqui, na frente do computador, escrevendo minha história. Bem... Para entender melhor, vamos ao início de tudo.


Sou uma cidadã nova-iorquina, chamo-me Annie Carter, tinha 13 anos quando tudo começou.


Meus olhos castanho-claros têm um ar meio robótico, mudam para cores variadas, como verde claro, azul ou até amarelo. Posso não ser a mais bonita da escola, mas definitivamente meus olhos são os mais raros. Meus cabelos negros são cheios e ondulados, quase encaracolados. Gostaria de contar que sou uma menina comum, com uma vida comum de qualquer garota com espinhas por causa da adolescência. Eu estudo num colégio normal de Nova York, apesar de eu odiá-lo, sou obrigada a frequenta-lo. Felizmente, Sally existe!


Sally Baker é minha melhor amiga. Tem cabelos loiros, encaracolados e compridos, Sally os usa preso num rabo de cavalo de lado, os olhos são azuis claros, como diamantes. Sally é linda. Confesso que a invejo um pouco, ela é bonita tanto quanto uma modelo, ou até mais. Ela é magrinha, mas é magra de ruim, pois Sally ama filar meu lanche na escola!


Meus professores normalmente não gostam de mim, já que não costumam gostar de alunas difíceis e problemáticas. Minhas notas não costumam serem boas, sou o tipo de aluna que não se esforça, não se importa e se comporta mal, como diz a Sra. Peterson, diretora do colégio.


Eu me sinto como se eu fosse uma pedra no sapato de todos os professores... Sinto-me mal com isso.


Todo semestre há uma excursão no colégio que estudo. Neste semestre tentei não chamar atenção da Sra. Peterson. Ela vive colocando a culpa em mim se acontecer algo com qualquer outro aluno! Principalmente com Joe Clark. Um menino insuportável, que se acha melhor que todos e fica se fazendo de “valentão” para meninas e meninos mais fracos. Mas comigo ele não cresce, por isso, ele tem muita raiva de mim!


Sei brigar muito bem, mas eu não gosto de me meter em confusão. Da última vez, a Sra. Peterson me fez copiar um livro de 300 páginas.


– Se sua mão doer, use a outra, querida! — Dizia ela, com uma voz doce, mas com um olhar maldoso através dos óculos grossos, dando também um sorriso malicioso, deixando qualquer um com um friozinho na barriga.


Eu estava fazendo de tudo para não me meter em confusões. Porém era difícil, pois Joe estava disposto a me fazer perder o controle e dar um soco básico naqueles olhos negros, grandes e perversos. Estava me segurando para não colocar tudo a perder. Contudo a raiva percorria minhas veias junto ao meu sangue e o meu coração acelerava para bombear toda aquela carga de ódio! Meu sangue pulsava e eu podia sentir essa pulsação na ponta de meus dedos.


– Calminha. — Dizia Sally — Estamos apenas no começo da excursão. Vem mais por aí! Lembre-se que a Sra. Peterson está com os olhos grudados em você!


– Eu sei... – suspirei — Mas eu vou acabar puxando aqueles cabelos ruivos e enroladinhos do Joe e fazer travesseiro!


Estávamos indo ao Metropolitan Museum of Modern Art. A Sra. Wuliger, professora de arte, estava à frente da excursão, junto com s Sra. Peterson.


Saímos do ônibus e fomos direto à escada do museu, depois de sermos contados para não nos perder, passar pelo hall do museu, passamos por várias obras de variadas formas, havia egípcias, gregas, romanas, de todos os lugares, épocas e formas...


–Com nada menos que dois milhões de peças, divididas em dezenove departamentos, seu acervo conta abriga estátuas, pinturas, instrumentos musicais, roupas, armas, armaduras, objetos decorativos e de uso cotidiano dos povos de todos os continentes, desde a pré-história até os dias atuais.- explicou a Sra. Wuliger.- Esse quadro se chama “Ramo de Girassóis”, alguém poderia arriscar o nome do pintor ou pintora desse quaro?


– Picasso!- gritou uma menina lá no fundo. De fato o quadro parecia com “Os Girassóis” de Picasso. Mas não.


– Boa tentativa, Harper! Mas a resposta não está correta!


– Claude Monet. –sussurrei, acanhada, esperava não ser ouvida.


– Está certa! – Sabe algo mais sobre esse quadro?


– A obra foi terminada em 1881. – Afirmei.


– É tão inteligente, mas só tira notas abaixo da média! — E logo após, risinhos abafados. Simplesmente o ignorei, sabendo que não podia me exaltar, contei até dez e respirei fundo. Então a Sra. Wuliger liberou-nos para o lanche na praça.


Eu estava sem fome, olhando para o meu pacote de salgadinhos, tentando sentir vontade de comer, Sally olhou para mim e para meu lanche, com um ar de pedinte, eu o entreguei dizendo:


– Coma! – Sally devorou os salgadinhos e sua maçã vermelha ao mesmo tempo, na velocidade da luz, realmente, ela é magra de ruim.


Eu olhava os táxis, as ruas e os prédios, pensava em sair dali, ir para casa e encontrar o meu pai.


Um sentimento de dor inexplicável tomou conta de mim, eu começava a ficar ofegante, segurando-me para não chorar, afinal, eu sou forte o suficiente para não transparecer meus sentimentos!


Meu pai era a pessoa mais doce que já havia visto em toda minha vida, ele se chama Steven Carter, sinto tanta saudade dele...


Tudo bem que moro com ele, mas ele só está em casa quando estou no colégio e volta quando estou dormindo. Essa distância entre nós me machuca de forma tão devastadora que é difícil conter-me em meio às lembranças de criança, época em que meu pai me empurrava no balanço e me abraçava, ou quando eu sentia medo dos trovões e meu pai dizia “eu estou aqui para protegê-la, princesa”. Às vezes eu fico acordada até tarde esperando meu pai chegar, troco só algumas palavra com ele e o deixo dormir, pois sei que está cansado do longo dia de trabalho no hospital, visto que ele é o segurança de lá.


–No que está pensando?- Sally indagou.


– Eu queria poder fugir deste inferno... — respondi. Estava cansada da chatice do colégio, da excursão, da minha vida!


– Eu imagino como você se sente. — Disse Sally.


Eu ficava o dia todo trancada em meu quarto, quando não estava na escola, aturando minha madrasta Emma White. Não consigo crer que meu pai casou-se com Emma por amor. Ela é a pior pessoa que já conheci: gorda e grande, com falsos e feios cabelos louros, olhos malignos, grandes, e castanhos escuros. Emma só sabia comer e dormir, depois comia e dormia... Ela tinha um emprego de gerente de loja de chocolates, não sei como ainda não foi demitida, pois sempre faltava para ficar dormindo a tarde.


Ela gasta todo o dinheiro do meu pai em roupas cafonas e chamativas, como a calça que, além de ser ultra-colada, era um número menor que o dela! Imagine o meu desespero em ver a Emma Light (como eu costumo chamá-la) vestida naquilo! Ou talvez eu possa usar de exemplo a blusinha de oncinha cor-de-rosa super-discreta dela! Na realidade, não quero que Emma ocupe o lugar que é da minha mãe!


– Sally... — eu disse — Eu sinto falta da minha mãe. Adoraria saber algo sobre ela, gostaria de saber ao menos o seu nome...


–De que forma? Vai virar detetive? Annie, é impossível!


–Sei disso, mas, eu gostaria de conhecê-la! É como sentir falta de algo que nunca tive... Não tem explicação!


– Eu sei como você se sente. — Sally suspirou.


–Não! Você não tem ideia! — Eu retruquei.


– Sim, Annie! Eu sei!


Sally e eu nos entreolhamos, eu não tinha noção do porque Sally sentia a mesma coisa que eu. Então, ela suspirou como quem vai contar uma longa história...


– Annie, sabe que não sou de Nova York, não é mesmo?


–Sim, eu sei disso. Apesar de não saber onde você morava.


– Isso não importa! — Sally respondeu — Onde eu morava, assim como aqui, eu não tinha um pai, ou uma mãe. Digamos que quem cuidava de mim era uma espécie de tutor.


– Como assim? – indaguei.


–Você não entenderia... — ela me respondeu com um olhar diferente e misterioso, como quem sabia que um dia eu iria entender, então continuou — quando eu cheguei aqui, eu vim com um propósito e eu não queria falhar nesse propósito.


– Que propósitos? — indaguei.


– Não te interessa. — ela me respondeu secamente.


Às vezes, quando tocamos em assuntos que Sally não gosta, ela nos trata mal... Às vezes penso que essa grosseria toda era uma espécie de armadura que esconde que ela é apenas uma garota frágil.


–Aqui eu conheci você, e digamos que você leva uma vida um pouco melhor do que a minha, de quando eu vivia com meu “tutor”. Só espero que essa sorte não acabe!


Notas finais
comentem ;)