Annabelly

22 Capítulo 22


Notas iniciais
A parte em itálico foi inspirada no último capítulo de Crepúsculo (Twilight). Contém algumas falas modificadas de Edward e Bella.

*~*

No dia seguinte, acordei e desci até a cozinha. Minha mãe me esperava preparando um café gostoso, mas eu não estava com a mínima fome. Meus olhos ardiam como fogo. Conseqüências de uma noite sem dormir e muita choradeira.
- bom dia, filha. Está se sentindo melhor?
- nem um pouco. – respondi desanimada.
- anime-se Anny. Você não pode simplesmente desistir da vida por causa dele. Se você não quis ouvir o lado dele, a culpa não pode ser toda dele.
- a senhora queria que eu fizesse o quê? O chamasse pra entrar e o convidaria pra tomar café?? Como se fôssemos eternos amigos?
- não estou dizendo isso. Mas talvez você devesse ouvir o que ele tem pra falar, em vez de ficar aí sofrendo por nada.
Eu não respondi. Estava muito furiosa por ouvir tantas verdades. Será que teria sido mais fácil deixa-lo falar??
- estou indo pro trabalho. Qualquer coisa me ligue, ok? – ela se despediu de mim com um beijo na testa.
- a senhora vai mesmo voltar a trabalhar no posto... – concluí com desânimo enquanto ela saía. — Cuide-se.
Ficar sozinha em casa depois de tanto tempo não era algo muito bom. Sem emprego, grávida e sem o homem da minha vida. Pior impossível.

Depois do café, me joguei na cama e fiquei pensando em quem não devia. Já era triste demais saber que ele ia se casar, mas sem dúvida era pior saber que meu filho não teria um pai por perto.

Fiquei lembrando de uma de nossas conversas, no nosso antigo apartamento, entre nossos antigos lençóis...

\"Eu sonho em estar com você por toda a eternidade\". – eu disse olhando em seus impenetráveis olhos verdes.
\"Anny\". Seus dedos lentamente traçaram os contornos dos meus lábios. \"Eu vou ficar com você — isso não é o suficiente?\"
Eu sorri por baixo dos dedos dele. \"É suficiente por enquanto\".
Ele fez uma careta com os lábios, diante da minha resposta.
Eu toquei o rosto dele com as pontas dos meus dedos. \"Olha\", eu disse. \"Eu te amo mais do que tudo no mundo. Isso não é o suficiente?\"
\"Sim, é suficiente\", ele respondeu sorrindo. \"Suficiente pra sempre\".
E ele se inclinou e nossos lábios se juntaram mais uma vez.


Com algumas lágrimas caindo no rosto, cheguei à conclusão de que eu não tinha mais como evitar o amor que exaltava dentro de mim. Eu deveria me acostumar com isso, meu filho não me ajudaria a esquecê-lo. Nunca.
Gerard era parte de mim agora. Pra sempre.

*~*

Alguns meses se passaram desde então. Gerard não tinha mais entrado em contato desde o dia na porta da minha casa. Eu estava profundamente abalada, ainda mais com minha mãe repetindo dia após dia que eu tinha perdido a chance de ter feito tudo certo quando ele esteve aqui.

Eu já estava com 7 meses de gravidez. A barriga enorme, estranhamente grande para a quantidade de meses que eu estava, era um empecilho para as mais simples atividades. Subir escadas? Nem pensar. O quartinho de entulhos do primeiro andar virou meu refúgio desde quando minha barriga começou a me incomodar e eu passava a maior parte do meu tempo lá dentro, aos prantos. O choro era causado em sua grande parte pela falta que Gerard fazia e em outra parte pela ridícula sensibilidade de uma grávida. Eu chorava por tudo, tudo mesmo!

*~*