Notas iniciais
Sei que demorei muito, tipo, MUITO pra postar um cap novo. A quem acompanha peço mil perdões. Tem acontecido mta coisa, mas eu voltei pra esse lugar (história) que eu simplesmente amo. Espero que gostem desse cap.

— Eu sou o que? — Anna repete incrédula.

— Especial. — Elogia Meredith repetindo o que sua amiga fada disse e correndo para se juntar ao abraço, abrindo seus braços.

— Acho que vocês cometeram um engano. — Argumenta Anna.

— Apesar de sermos novas nisso, — explica Dayna — fomos bem treinadas e somos boas no que fazemos, acredite Anna, você é especial e é portadora de uma das cinco forças.

— Vamos lá, — encoraja Diluck — você devia sorrir e ficar orgulhosa.

— É uma honra ser portador de uma das fontes de energias mais poderosas do mundo. — Happy diz com sua empolgação seca e contraditória.

— O que vocês falaram sobre Celestina, — Anna volta a refletir em voz alta — não faz sentido, eu nasci e cresci em Sirloom, onde fica este lugar, Celestina?

— Nunca ouvi falar deste lugar até hoje. — Comenta Diluck.

— Do que importa onde você nasceu? — Conversa Flary — As cidades vivem mudando seus nomes, quem sabe se em algum momento da história Sirloom fora chamada de Celestina? O que realmente importa — ela se empolga — é que você é uma portadora de mana elemental, é a minha primeira reagente.

— Qual a sensação de encontrar um reagente Flary? — Pergunta a fada selvagem.

— É incrível, — responde Flary em êxtase — me senti tão poderosa e viva, como se eu e a Anna estivéssemos conectadas por uma energia grandiosa e infinita.

— Não vejo a hora de reagir em algum momento da minha vida. — Admite Meredith com um biquinho entristecido.

— Um dia isso vai acontecer para todas nós, — consola Dayna alisando o topo da cabeça de sua pequena amiga — até lá, continuaremos nossos trabalhos com muito esforço e dedicação. — Ela olha para o rosto de cada uma de suas colegas — Hoje celebraremos por Diluck e Flary acharem seus primeiros reagentes. — Todos sorriem batendo palmas comemorando a vitória das outras fadas.

— Eu sei que esse é um momento mágico, lindo, — intervém Happy — cheio de alegria, mas como nós iremos sair daqui?

— É uma boa pergunta cara amiga, — Dayna reflete expressando uma feição confusa — eu não tenho certeza.

— Talvez — sugere a fada espiritual — consigamos usar a energia mágica da própria gruta para canalizar uma magia de teletransporte.

— Não custa tentar. — Admite a fada mística.

Todas as fadas vão para o centro da cúpula junto a Anna que segurava a vassoura e Noturno em seus braços. As fadas estavam concentradas e repetiam palavras que pareciam preces, como num cântico antigo. As asas de todas bateram frenéticas e uma força mágica sugou todos para cima. A sensação era de que todos haviam pulado ao mesmo tempo, mas ao aterrissarem seus pés no chão, todos foram surpreendidos por um odor extremamente desagradável de carne em estado de decomposição. Todos olham em volta e percebem que aquele lugar estava longe de ser o querido e belo reino de Platina.

— Onde estamos? — Pergunta Meredith choramingando tampando seu nariz.

— Com certeza isso aqui não é Platina, — reclama Dayna — será que dissemos alguma palavra errada em nossa conjuração?

— Eu estou passando mal. — Segurando uma forte ânsia de vômito.

Anna observa ao redor com braço na frente de seu rosto, tentando sem sucesso nenhum evitar aquele odor pútrido nauseante. O lugar parecia um cenário pós-guerra, muito sangue escuro e mofado jorrado por plantas mortas, uma floresta não muito longe. Ao redor parecia que um massacre acontecera, mas sem nenhum corpo aparente, apenas um campo imenso e devastado coberto por sangue podre. Algo ali era familiar para garota do Vale, investigando atenta aos detalhes uma lembrança repentina toma conta dos sentidos dela.

— Pelas Deusas! — Anna grita apavorada causando um susto coletivo em todos os presentes.

— O que aconteceu? — Diluck confere se Anna por acaso se machucou, conferindo o braço da garota.

— Eu já estive aqui. — Anna admite incrédula.

— O que você fazia neste lugar horroroso? — Pergunta Meredith enojada, seu rosto estava roxeado de tão enjoada que a pequenina estava.

— Eu, — Anna pausa um pouco refletindo, mas decide confiar em suas novas amigas — sonhei com este lugar.

— Que tipo de sonhos maravilhosos, — Happy ouve suas palavras saindo de sua boca e olha ao redor desconfiada, observando os demais a encarando — quer dizer, que tipos de sonhos medonhos são esses que você anda tendo?

— Anna você sabe onde estamos? — Questiona Dayna.

— Impossível, — Noturno argumenta — você pode estar confusa, este fedor deve ter afetado sua cabeça. Como você esteve aqui por um sonho?

— Não é impossível. — Responde Dayna.

— No mundo mágico tudo pode acontecer, — ensina a fada espiritual, de um jeito rígido de um militar que só ele conseguia — agora sabendo que a Anna é uma portadora de uma das cinco forças, seus poderes podem estar aflorando.

— Anna, talvez você possa nos mostrar a saída. — Se anima Flary. — Pode nos contar o sonho, qualquer detalhe pode nos ajudar.

A garota do vale até esquece por um breve momento o odor tenebroso e esboça um sorriso de gratidão, por algum motivo provar que tudo aquilo existiu e que ela viveu aquele momento terrível, era realmente importante para ela.

— Aqui era um lindo campo de luzinas e o céu estava incrível, enfeitado por uma aurora colorida muito linda. Ah! Um pássaro de fogo cruzou as luzes da aurora e sumiu no horizonte — ela aponta para o céu, tracejando com o dedo indicador por onde a ave sobrevoou — então, essas criaturas humanoides começaram a surgir das sombras. Pareciam pessoas mortas e me cercaram até que eu acordei.

— Pessoas mortas? — Questiona assustada a fada selvagem.

— Nunca ouvi falar de criaturas mortas capazes de andar. — Admite Diluck.

— Acho que estamos em Lavory. — Afirma Happy.

— Você sabe onde estamos? — Flary pergunta ansiosa — Por que não disse antes?

— Eu não tenho certeza, estou especulando depois de ouvir o sonho de Anna. — Comenta a fada sombria — Mas posso estar enganada.

— Onde exatamente se encontra Lavory? E por que este lugar não existe nos mapas oficiais? — Diluck interroga sua amiga.

A expressão vazia no rosto de Happy, estava menos evidente, como se estivesse realmente ficando feliz. Todos prestavam atenção a fada sem cor, como um breve rabisco medonho em algum pergaminho qualquer, escorreu pelo rosto pálido uma lágrima junto há um sorriso tão sincero, que fez todos ali presente se arrepiarem de medo.

— Lavory é um mito, uma lenda que todas as fadas sombrias conhecem. — Happy olha ao seu redor enquanto admira o lugar. — Não se sabe exatamente a quanto tempo, mas por milhares de gerações a história de Lavory foi repassada por todas as fadas sombrias. — Aqui é a dimensão onde a vida e a morte se mesclam e o nosso antigo lar. Alguma coisa aconteceu aqui a milênios, expulsando nossa raça desta dimensão. Fadas sombrias mais novas nem acreditam que este lugar realmente existe.

— Você acredita que por Anna contar que viu pessoas mortas e vivas ao mesmo tempo, aqui seja este lugar, Lavory? — Pergunta Dayna.

— Eu não só acredito, como sinto. — Happy ergue sua mão cadavérica tão alva como uma nuvem, ela movimenta seus dedos ao ar. — Sinto que finalmente estou no lugar certo, que eu pertenço há algum lugar, como se estivesse preenchendo o vazio dentro de mim.

— Estou muito medo Didi. — Choraminga Meredith segurando a perna do Diluck, se escondendo da fada sombria agora em êxtase.

—Sei que você está tendo um momento maravilhoso, se reconectando a sua verdadeira natureza — Dayna reluta em fazer uma pergunta para sua amiga que parece tão feliz e confortável. — Você sabe como podemos sair daqui?

O semblante de Happy volta ao seu vazio costumeiro, ela olha para suas colegas e assente, balançando a cabeça num sim extremamente tedioso. A fada sombria abre seus braços e relaxa seu pescoço girando a cabeça. Com suas unhas pretas que mais pareciam garras de tão grandes, ela risca o ar e como se estivesse rasgando um tecido uma fenda vai criando forma. Os movimentos que Happy estava fazendo deu calafrios em Anna, lembrando rapidamente das criaturas em seus sonhos correndo em sua direção, avançando rápido de um jeito animalesco e morbidamente macabro. Happy completa a fenda, que logo ganhara uma forma oval e parecia um portal feito de sombras. O portal criado pela fada sombria parecia uma boca aberta de uma sanguessuga, com dentes roxos.

— Você não espera que a gente entre aí né? — Questiona Flary incrédula e enojada.

— É o único jeito de voltarmos a Platina. — Sorri a fada Alvinegra que parecia confortavelmente adorar o sentimento de medo generalizado.

— Eu não quero ser mastigada. — Chora a fada selvagem se agarrando mais ainda as pernas de Diluck.

— Não tem jeito. — Afirma ele franzindo as sobrancelhas. — Eu confio na Happy, quanto antes fizermos o que ela manda, mais rápido sairemos daqui.

— Eu concordo, todos de mãos dadas? — Confirma Dayna encorajando o grupo.

— Seja o que as Deusas quiserem. — Anna reza confiando em seus novos amigos.

Todos entraram no portal, com exceção de Happy. Ela admira o lugar um pouco antes de adentrar a gorja sinistra que criou. Com um forte suspiro ela deixa Lavory, o lar ancestral de sua raça feérica, agora com a certeza de que ele realmente existe. Talvez as fadas sombrias encontrem um jeito de voltar para casa algum dia e Happy fora preenchida com um sentimento desconhecido por toda sua breve existência. Seu coração estava repleto de esperança.

Notas finais
Bem é isso. Será que um dia saberemos se as fadas sombrias conseguirão voltar pra Lavory? Talvez. Obg a quem está acompanhado até aqui.