Ankward: Mundo Guardado
2 Isabela
Isabela estava ansiosa. Inquieta. E morrendo de calor naquele seu quarto. Revirava-se na cama, com os olhos abertos, e só depois de muito tempo notou que estavam arregalados.
Parecia que alguma coisa estava para acontecer, mas ela não sabia o que era. Isso a frustrava imensamente. “Tudo bem, que aconteça!”, ela gritava mentalmente. “Só me deixe dormir!”
Por fim, o sono a venceu quando era bem, bem tarde. Provavelmente, por volta das quatro da manhã.
Mal havia dormido quando ouviu a porta do quarto se abrindo suavemente. Subitamente, escancarou os olhos. Ela capitou uma silhueta estranha, um pouco maior do que si mesma se aproximando. No pouco tempo que levou para tomar fôlego para gritar, a figura se aproximou rapidamente e enfiou uma coisa no nariz de Isabela. Tinha cerdas macias, cheirosas. Assim como Antony, Isabela sentiu-se dominada por aquela coisa e caiu em um sono profundo.
***
A menina piscou. Uma, duas vezes. Estava sentada, sentindo seus braços amarrados atrás do corpo, com uma corda áspera. Os tornozelos estavam na mesma situação. Olhou em volta, certamente não sabia onde estava. Observou: estava no interior de uma cabana simples, com o piso de terra batida e paredes de pau a pique. Do lado esquerdo da sua visão, havia um garoto, preso como ela. Ele olhava fixamente para o chão, com os olhos verde-acinzentados vidrados. Tinha cabelos pretos encaracolados não muito compridos e o rosto corado, queimado de sol. O resto da pele ela não podia ver, pois o garoto usava um pijama de frio.
À frente de Isabela, sentado de perfil, um ser humanoide afiava um pedaço de pedra tranquilamente. Ele tinha a pele marrom-clara, os braços finos, a cabeça esquisita, retangular. No caso, seria um retângulo deitado, como uma caixa, sustentado por um comprido e fino pescoço enrugado.
A menina observou por um tempo, com a expressão horrorizada. Aquela... coisa, assim que iria chamar, não parecia velha, nem criança. Parecia mais um adolescente de 17 anos, isto é, se fosse um ser humano. Ao pensar nisso, Isabela imediatamente se contestou: “Que ridículo! Eu nem sei o que é isso para adivinhar a sua idade!”
“Peraí... eu não sei o que é isso!”
Isabela escancarou a boca mais do que esta já estava e gritou.
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