Essa talvez não seja a história de amor mais convencional do mundo, poucas são, de fato. Não é todo mundo que possui o privilégio de vivenciar um verdadeiro conto de fadas, ou pra ser um pouco mais realista, um conto digno de novela de horário nobre da televisão. Nem mesmo a chance de ter um romance como o de um livro renomado, ou de um filme superestimado. Kai’sa está muito longe de ter uma vida comum, quem dirá ter uma experiência amorosa de verdade. Aqui as coisas são um pouco mais trágicas, como a vida real geralmente é.

Kai’sa Cellest, ou como é conhecida no meio da patinação artística, “Kai, the Angel”, não poderia reclamar da vida que tinha até então. Ela já fez inúmeras apresentações em diversas competições diferentes, sempre com a certeza de levar uma medalha pra casa e, de vez em quando, o troféu de primeiro lugar. Não só ela como seu parceiro, Ezreal Lightfeather, outro patinador excelente. Mas, de nada adiantaria patinar bem sem as instruções de sua treinadora, Fiora Laurent, uma francesa que viu nela e em Ezreal o potencial para se tornarem a dupla mais comentada do ramo pelos próximos vinte anos. Desde que começaram o treinamento juntos, Kai’sa e Ezreal não ficaram muito próximos, diria que são quase amigos, a aproximação deles é recente devido a muitos receios da própria Kai em largar sua carreira solo e iniciar uma parceria com Ezreal Lightfeather, ou melhor, Tiger, seu nome artístico. Kai aprendeu a patinar antes mesmo de aprender a andar, fora treinada pela mãe, ex-patinadora que largou a carreira para cuidar dela, e com o tempo foi aprendendo a se virar sozinha, nunca passou pela sua cabeça patinar com outra pessoa, mas Ez lhe convencera a ser sua parceira e, por conseguinte, chegamos à atualidade, onde os dois encontraram uma sintonia no gelo sem igual e fazem o maior sucesso no YouTube.

E por falar em amigos, Kai não tinha muitos além do próprio parceiro. Ela gostava de considerar seus patins seus melhores amigos, mas isso era melancólico demais até pra ela, que buscava a perfeição como forma de reparar o fato de ter acabado com a carreira de sua mãe. Não que a mãe de Kai tenha lhe dito isso, mas era nisso que a australiana acreditava. Mesmo sendo uma criança mais reclusa e de aparente frieza, a pequena Kai’sa fez uma amizade de infância com Irelia Xan, que também praticava patinação na mesma pista que ela naquela época, porém infelizmente teve de desistir por conta de uma série de lesões que sofrera em seus treinamentos. Irelia era uma das pessoas que mais apoiava Kai em sua carreira, a acompanhava nos treinos apenas pra dizer que estava perfeita e ia nas competições torcer por ela. As duas cultivaram uma amizade intensa, Kai confia muitas vezes à Irelia coisas que ela não consegue confiar a mais ninguém.

Este era um desses momentos de confidência.

— Ave Maria! Isso é sério, Bokkie? Vocês realmente tiveram um lance? — Irelia tinha uma expressão de choque no rosto, como se não esperasse por aquela revelação.

— Não foi “um lance”! Foi uma transa, na época que eu estava com meus problemas com bebida! — justificou-se a Cellest, alongando o corpo.

— Então até você já caiu na rede dele! — a mais velha ri maliciosa.

— Aquilo foi muito antes de eu decidir ser parceira dele, já toquei a real e disse que nunca mais vai se repetir, eu tava’ louca de bêbada! — resmungou, se sentando no banco para colocar os patins.

— Também explica o fato de ele ter dado em cima de mim logo em seguida, e fazer aquela festa maluca na mansão dos Lightfeathers. Ele realmente não superou seu fora! — brincou Xan.

— Por tudo o que você considera mais sagrado, não conte a ninguém sobre isso, Rely! — implora, olhando nos olhos da amiga — Já basta nos shipparem por todos os cantos, somos só uma dupla, não temos envolvimento amoroso.

— Se eu fosse você, pegava ele de novo! O cara é um gato! — riu, Kai’sa revira os olhos ametista e bufa, terminando de amarrar os cadarços — Eu juro que não vou contar pra ninguém, mas sério, vocês dois tem muita química, não entendo por que não repetiu a dose ainda, se ele ofereceu.

— Ele não ofereceu “outra dose”. — Kai se levanta — Eu o recusei antes que ele fizesse qualquer coisa, Ezreal é insuportável quando fica convencido. Ele pode jogar o charme dele pra todas as garotas que quiser e conseguir fazê-las correrem atrás dele, mas isso não funciona comigo e ele precisava entender isso. — e assim ela se retira do vestiário, indo na direção da pista de gelo.

Como sempre, Ezreal estava atrasado. Fiora já havia lhe dado diversos sermões em relação a isso, se continuasse daquele jeito as Olimpíadas seriam apenas um sonho e a carreira dele e de Kai não poderia se sustentar apenas com competições pequenas. Disputar um mundial é uma honra para poucos, e desta forma, também é o sonho da maioria. Kai acreditava no próprio potencial, mas isso não era nada comparada as incertezas que possuía em relação a se apresentar com Tiger para uma mídia global ao vivo. Ela aprendeu rápido como é a dinâmica de uma dupla, pra quem passou uma década de sua vida como solista, esse feito fora uma façanha desmedida, tudo isso em pouco mais de seis meses de convivência. Era bem verdade que Kai, o anjo das pistas, chamava atenção pelo seu talento individual entre os patinadores que frequentavam a pista Icycreek, Tiger já estava de olho nela desde essa época, a admirava e desejava patinar com ela, porém Kai recusou a primeira proposta dele logo de cara, alegando não ter capacidade de lidar com outro patinador para lhe atrapalhar.

Sim, Kai era fria e esse era o seu maior charme, palavras da mídia, não minhas.

— Oi, oi, oi! — Ez entrou rapidamente na pista de gelo e deixou-se deslizar até estar perto de Kai e Fiora — Desculpa a demora!

— Já não me surpreendo! — suspirou Kai, com uma clara feição desgostosa — Vamos logo, não tenho tempo a perder!

Durante o treino, muitos que compartilhavam a pista para treinar tinham vontade de parar o que estavam fazendo só para observar a dupla Kaiger, o rapaz dono dos cabelos loiros e olhos azuis era bom condutor, sempre fora, porém o que realmente interessava era o anjo de gelo e suas habilidades incríveis, Kai fazia tudo isso com a mesma expressão indiferente que se acostumara a carregar, era graciosa e bela, contraste perfeito para a ferocidade que Tiger esbanjava. A patinação no gelo pode ser considerada um esporte de suavidade, mas Ezreal é o oposto disso e consegue funcionar muito bem para ele e sua parceira, as apresentações eram diferenciadas e marcantes.

Claro, todo mundo acha que só dá certo porque é de Kai, the Angel que estamos falando. Se ela trocasse de parceiro, poderia funcionar da mesma forma, ela era o centro das atenções nas coreografias, ela tinha a função mais importante, o papel de destaque.

A busca pela perfeição pode te privar de muitas coisas e uma delas era a convivência com sua família. Kai já era adulta e morava sozinha num pequeno apartamento não tão próximo da pista Icycreek – ela gostava de ir até lá correndo para já dar uma aquecida antes do treinamento –, sua mãe dedicou uma parte da sua aposentadoria forçada como sua treinadora, e agora que Kai tinha Fiora à sua disposição, essa dedicação se resguardou posteriormente para Seraphine Cellest, meia-irmã mais nova de Kai. A garota só tinha dezenove anos e tinha como ídolo a irmã mais velha, não convivia muito com Kai’sa, pois ambas tinham seus compromissos com a patinação, mas sempre fora um doce com a irmã e nunca escondeu sua admiração por ela.

— Tá a fim de sair pra beber hoje? — e essa era a terceira vez naquela semana que Ezreal fazia aquela proposta para a morena.

— Sabe que não deveria beber desse jeito, sendo um atleta, não sabe? — ergueu uma sobrancelha.

— Um dia só não faz mal! — deu de ombros com um sorrisinho dançando em seu rosto — Você nunca sai, pesseguinho. Precisa se divertir de vez em quando!

— Pode, por favor, parar de me chamar por esse apelido estúpido? — intimou, se preparando para saltar. Como era de se esperar, Ezreal consegue segurá-la com exímia perfeição, erguendo-a acima de sua cabeça, girando lentamente sobre o gelo riscado e em seguida colocando-a no chão — E não force uma amizade que não existe, Ez. Somos companheiros, mas não o suficiente pra sairmos numa noitada aleatória!

— Temos muita química e você sabe disso. — retrucou, não se dando por vencido — E eu não tô’ forçando, estou convidando. É totalmente diferente.

— Ah, claro. — revirou os olhos, os dois executam um triple toe em sincronia e voltam a dar as mãos — Essa química só existe quando estamos patinando. Fora da pista de gelo, somos desconhecidos.

— E o que custa você tentar estreitar nossa química para fora do gelo? Pode ser bem benéfico pras nossas futuras apresentações. — argumentou.

— Da última vez que permiti que a sua “química” me atingisse, acordei nua na sua cama com dor de ressaca e atrasada para o meu treinamento, o que acarretou no meu quase fracasso como patinadora. — Kai se afastou dele, deslizando em direção a saída da grande pista.

— Você sempre se lembra disso, eu não tô’ te convidando pra transar, tô’ te chamando pra bater um papo que não seja profissional, qual é! — o loirinho a segue e prossegue com o falatório, Kai já estava perdendo a paciência.

— Se eu concordar, você para de me encher o saco? — voltou-se para o Lightfeather, que já tinha um semblante vitorioso por ela ter finalmente cedido.

— Prometo não te chamar pra mais nenhuma saidinha, se e somente se... Você não gostar da noite.

Kai riu incrédula, aquele garoto era muito abusado.

— Presumindo que eu goste, talvez até possa se repetir, mas não se acostume, não bebo com frequência. — por fim deu-se por convencida e Ez sentiu um gostinho de vitória depois de muitas tentativas falhas de chamá-la pra sair — Se me levar para aquele bar podre da esquina, eu juro que não lhe escuto mais!

— Esteja pronta às oito, passo no seu apê pra te buscar. Não vai se arrepender, prometo.

O loiro se aproveitou da passividade da mais velha e, pega totalmente pela sua própria distração, Kai não consegue revidar ao sentir os lábios do mais novo em contato com a sua bochecha num selar rápido.

— Garoto! — esbraveja quando percebe o que ele fizera, Ezreal patinou para fora da pista rindo como se tivesse feito a melhor das traquinagens.

Não conseguiu segurar a própria risada com a infantilidade do parceiro, Kai pode até não aturar Ez quando ele resolve dar uma de convencido pra cima de si, mas no fundo ele era um bom rapaz e tinha seu lado divertido, por mais que na maioria das vezes em que conversavam Kai perdesse a paciência facilmente por causa de suas constantes provocações com conotação sexual e o seu estrelismo. O treinamento da manhã se encerrara, Fiora havia lhe advertido para que não treinasse mais do que o necessário, Kai tinha a tarde livre por agora. Quando saiu da pista, deu de cara com Irelia Xan e sua expressão maliciosa.

— O que foi aquilo, Bokkie? — questionou a morena de olhos azuis.

— Ezreal sendo um bobo, nada de novo sob o sol! — deu de ombros, colocando a proteção de borracha debaixo da lâmina de seus patins para caminhar sem arranhar o chão.

— Eu vi. — afirmou a mais velha.

— Viu o quê? — rebate Kai’sa, se desfazendo da máscara de anjo perfeita e voltando a ser só a melhor amiga de Irelia.

— Seu sorrisinho bobo quando percebeu que ele te beijou.

— Foi um beijo na bochecha, nada demais. E eu não sorri! — refuta.

— Sorriu sim, que eu vi! — insistiu Xan, toda risonha.

— Ah, pare! — resmungou a mais nova — Ele me chamou pra sair pela milésima vez e eu decidi aceitar, pra ver se ele para com isso!

— Uau, dessa vez ele conseguiu amolecer seu coração de gelo? — Irelia estava surpresa — Lembre-se de não ficar doida de álcool, pelo que você me contou, foi assim que você foi parar na cama dele.

— Rely, você quer ou não quer que eu fique com o Ez? Uma hora me fala pra me jogar, em outra fala pra não beber!

— Dar uns pegas nele não inclui ficar bêbada! — justificou-se Xan.

— Tá, você tá certa. Não pretendo beber, de qualquer forma. — suspirou.

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Quando não estava patinando, Kai’sa costumava visitar sua irmã mais nova, porém neste momento ela está no vestiário se preparando para treinar o programa longo para uma competição juvenil, e ela não queria atrapalhar sua pequena. Portanto, Kai’sa e Irelia decidiram ir até o hotel que, porventura, fora o local de trabalho da Cellest por dois anos, quando ela desistiu pela primeira vez do mundo da patinação. Sim, o período mais difícil da vida dela, quando ainda possuía seus problemas com álcool e outras drogas, não fazia ideia de como conseguia encarar o gelo e fazer saltos desde que aquele incidente infeliz ocorreu, destruindo-a por dentro.

O locutor anuncia o nome de Kai, the Angel, o público vibra quando a figura belíssima desliza até o centro da pista, as luzes, câmeras e olhos fixaram-se em sua imagem esbelta. A música da vez fazia parte do famoso ballet “Lago dos Cisnes”, Kai estava vestida à caráter com um collant branco com degradê cinza-azulado, pedras prateadas incrustadas e pequenas plumas brancas faziam seu papel de adorno, junto de uma tiara de prata em seus cabelos negros, presos num coque baixo perfeitamente alinhado, a maquiagem leve apenas realçava a beleza daquela patinadora, porém, seus olhos não estavam tão focados.

Kai sente um incômodo em suas retinas devido a luz e toda a “branquitude” do local, efeito de alguma droga que ainda estava presente em sua corrente sanguínea. Ninguém percebeu que ela estava agindo de maneira estranha, seus passos ainda eram bem executados, e somente sua mãe, lá da plateia, notou que tinha alguma coisa estranha acontecendo ali. Fazer giros acelerados deixou-a ainda mais tonta, seus olhos vagavam pelo gelo, o som do atrito da lâmina de seus patins com o piso congelado era alto demais, mas seu cérebro meio que lhe ordenava a prosseguir com a apresentação.

Quando tentou executar um triple toe, o inevitável aconteceu. Ela se desequilibrou e caiu de costas, batendo a cabeça com força no gelo, provocando seu desmaio imediato. Interromperam imediatamente a apresentação e os socorristas foram ao seu encontro, o cenário branco foi tomado pelo vermelho, sangue escorria da parte de trás de sua cabeça, sua mãe ficou desesperada e a plateia se tornou um caos.

Kai’sa jura que essas memórias ficaram no passado, mas cada vez que encara uma garrafa de bebida, ela se lembra dos erros que cometera. Como está acontecendo agora, nesse exato instante, diferentemente dela Irelia poderia beber o quanto quisesse e, mesmo sendo uma da tarde, Xan não se abstém de um drink. Cellest é retirada de seu mundo de relembranças com um copo de suco sendo servido para si por uma mão amorenada e conhecida.

— Devaneando, KaiKai? — o garçom sorri.

— Isso é novidade pra você, por acaso? — riu sem humor, bebendo um gole mínimo do suco.

— Estou acostumado a te ver quieta e pensativa, mas pensar demais faz mal pra cabeça, às vezes. — replicou, apoiando-se no balcão com os cotovelos, expostos pelas mangas dobradas.

Esse é Akshan Amir, outro amigo que Kai’sa fizera quando se viu sem patrocínio e dinheiro para um treinador, tendo que trabalhar como garçonete num hotel de luxo que, por ironias inacreditáveis, pertencia à família Lightfeather e era o lugar onde Ezreal morava. Durante o tempo de serviço, a única amizade que Kai’sa conseguiu cultivar fora com Akshan, o barista indiano dono de longos cabelos escuros, barba alinhada e pele morena. Ambos eram sonhadores, ela desejava brilhar sob o gelo por mais tempo, pois não se via fazendo outra coisa da vida que não fosse patinar, e ele queria esquiar profissionalmente, o que era totalmente oposto ao que deveria fazer, segundo os planos de seu pai. O rapaz conseguiu passar numa faculdade de medicina, contudo ele não se via praticando o ofício. O fato de terem essa paixão por profissões não muito reconhecidas os aproximou e depois de Irelia e Seraphine, Akshan é a pessoa mais próxima de Kai’sa e uma das poucas que conhecia quem ela era de verdade, debaixo do manto de anjo de gelo.

— Por isso que eu não penso! — Irelia intrometeu-se na conversa — Mais um shot, faz favor.

— Vai ficar bêbada antes do sol se pôr, Rely? — Akshan nega com a cabeça, gesto contraditório considerando que não se recusara a oferecer mais uma dose do whisky que a taiwanesa saboreava.

— Eu não sou tão fraca pra bebidas quanto vocês acham! — resmungou.

— E é por isso que você não pensa direito, Rely! — brincou Kai’sa, os três riram.

— Hey, Ash, adivinha só? Nossa preciosa Bokkie vai sair num encontro hoje à noite! — revelou Irelia indiscreta, recebendo um revirar de olhos por parte da mais nova.

— Não é um encontro! — alegou a patinadora.

— Sério? Vai sair com quem? — perguntou Akshan, visivelmente interessado.

— Ez me convidou pra sair, e como eu já sabia que, se recusasse, ele faria a mesma coisa amanhã, decidi aceitar de uma vez pra ele sossegar. — tornou a beber o suco de maneira despretensiosa, evidentemente querendo contornar o assunto.

— Quem mais vai? — questionou o Amir.

— Ué, ele me chamou pra sair, só eu e ele! — Kai’sa franziu o cenho, confusa com a indagação do amigo.

— Isso se configura como um encontro, Bokkie. — concluiu o barista, Irelia solta uma risadinha debochada e Cellest suspira.

— Tanto faz. — resmoneia a australiana.

— Ela não quer admitir que isso é um encontro, quando claramente é! — Irelia vira o pequeno copo de vidro e toma todo o restante do conteúdo — Mais alguém tá vendo o bar girar? Porque eu estou e não vejo nada girando assim desde que parei de praticar patinação!

— Tá bêbada! — constatou Kai’sa, terminando de beber seu suco e deixando dinheiro sobre o balcão, pagando pelas bebidas — É melhor eu levar essa doida pra casa, me dá as chaves do seu carro, Rely.

— Boa sorte! — Akshan sorri, pegando as notas entregues pela ex-colega de trabalho.

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Ez:

Falta uma hora para que eu te encontre

Não precisa vestir nada muito formal, até porque você fica bonita de qualquer jeito

[18:58]

Você:

Vindo de você fica óbvio que não iremos pra um restaurante ou coisa parecida

E não tente me cantar, já disse que não funciona comigo

[18:59]

Ez:

Só estou dizendo a verdade :)

[18:59]

Você:

Ez fala sério

Você só diz isso porque fui a única que, depois de uma noite, não foi te procurar mais

[19:00]

Ez:

Boa teoria pesseguinho

Esquece que dormiu comigo

(embora eu saiba que essa é uma tarefa extremamente difícil ;D)

Estamos saindo pra beber e conversar apenas

[19:00]

Você:

Convencido

Estou saindo com você porque senão vou invadir a pista de gelo pra treinar mais

Fiora me mataria

[19:00]

Ez:

Você prometeu sair comigo de novo se a noite for proveitosa

E eu vou me esforçar pra torná-la boa o bastante pra você, pesseguinho

[19:01]

Você:

Quando eu prometi isso?

E pare de me chamar assim

[19:01]

[Visualizado por último às 19:01]

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— ...E é um pouco bizarro você descobrir que seu pai tá namorando uma pessoa dez anos mais jovem. Depois de tanto tempo que me acostumei sem a minha mãe por perto, ter uma madrasta me assustou. — e aqui estava Ezreal e Kai’sa, pessoas totalmente diferentes das personas Tiger e Kai, conversando sobre suas experiências de vida como se fossem velhos amigos.

— Tina parece ser legal. — comentou a morena.

— E ela é mesmo, conseguiu a Fiora como treinadora pra mim, mesmo ela não tendo paciência com crianças. — riu — Fiora é uma ótima treinadora também.

— Um dos privilégios que obtive ao aceitar ser sua parceira, presumo. — Kai’sa sorri.

— Realmente, é uma oportunidade única na vida. — respondeu Ezreal — Mas não imagino como deve ter sido pra você, digo, sua treinadora sempre foi a sua mãe!

— É... Foi um pouco estranho, mas muito mais fácil. — revela, o par de ametista fitando a janela à esquerda de modo vago — Minha mãe nunca disse isso, mas sei que estraguei a carreira dela.

— Não acho que tenha estragado. Ela fez uma escolha, pesseguinho. — o loiro põe sua mão sobre a dela, chamando sua atenção.

— Ai, ainda me chamando por esse apelido bobo... — os olhos dela vacilam e focam-se em suas mãos, encarar Ezreal estava sendo uma tarefa perigosa no momento.

— Ela dedicou a aposentadoria em lhe treinar, e tenho certeza de que ela tem orgulho de você.

— Não sei. Nossa relação não parecia de mãe e filha, nunca pareceu. As coisas ficaram ainda mais estranhas quando me acidentei e desisti de patinar pela primeira vez na minha vida. — Kai’sa decide colaborar com o rumo da conversa, não era justo somente Ezreal mostrar-lhe suas cicatrizes do passado, ela também possuía as suas próprias feridas mal curadas — Foi tão fácil pra ela desistir de mim e passar a dar atenção pra Sera... Eu não a julgo por duvidar de mim, eu mesma não sabia se conseguiria encarar o gelo novamente.

— Foi um acidente grave? — questionou.

— Tudo o que me lembro é de ver tudo branco e girando, e em seguida tudo ficou escuro. Eu rachei a minha cabeça naquele gelo, meu sangue ficou ali e deixou um público de mais de cem mil espectadores em choque.

Sem dúvida Kai’sa era uma pessoa diferente de Kai. Ela estava sendo franca com muita facilidade, o anjo perfeito jamais jogaria conversa fora sobre suas falhas, tão descaradamente. A constante mudança de personalidade dentro e fora da pista de patinação poderia confundir muitos, o que corroborava para que ela fosse minimamente antissocial no dia a dia. Nem todos conseguiam discernir essa mudança, alguns não faziam questão, como Akshan e Irelia. Ezreal estava experimentando pela primeira vez o que era um diálogo franco com Kai’sa Cellest, e não com Kai, the Angel.

— Mas você voltou pras pistas. — pondera Ez — Conseguiu passar por tudo isso e hoje estamos aqui, parceiros, amigos... — ousou acariciar a pele macia com o polegar, novamente chamando a atenção da Cellest para suas mãos. Desde que colocara a sua acima da dela, não a moveu um milímetro do lugar, tampouco Kai’sa o fizera.

— Alguma coisa boa tinha que acontecer na minha vida. — os dois riem do comentário dela e um silêncio se fez presente. Ficaram se encarando por um período que optaram não cronometrar, Kai’sa poderia mentir o quanto quisesse, mas era inegável o charme que Ezreal possuía, ela compreendia a razão de muitas garotas caírem aos seus pés, só não o fazia por ter dignidade e noção do ridículo.

Contudo, não se arrepende de um dia ter se aventurado pelos lençóis do Lightfeather.

— No que está pensando agora, Kai’sa Cellest? — questionou após um tempo.

— Que Ezreal Lightfeather ainda não soltou minha mão. — brincou, o mais novo sorri.

— Não pretendo soltar.

O sentido figurado excedia explicações, ambos captaram a mensagem nas entrelinhas da frase do loiro. Todos desistiram de Kai, inclusive ela mesma. Ele viu potencial onde ninguém mais viu, acreditou na força de alguém que se considerava um fracasso sem tamanho. Talvez Ezreal não seja tão insuportável quanto Kai’sa pensava, deixar as máscaras de lado realmente tornou a noite interessante.

— Acho que essa noite pode se repetir algum dia. — foi a última afirmação dela, antes de descer do carro do mais novo e rumar para seu prédio.

Ezreal sorriu como um abobalhado, o objetivo principal fora concluído com sucesso. Kai’sa Cellest estava afrouxando as rédeas e ele não perderia a oportunidade.

Notas finais
Saudações! Essa fanfic originalmente era uma one-shot de quase 15k de palavras do shipp Vrene (V do BTS + Irene do Red Velvet), pertence ao meu antigo projeto no Spiritfanfics denominado Star Garden. Agora que o projeto fechou por lá, estou fazendo adaptação de alguns plots para shipps de LoL, e dessa vez resolvi trazer essa fanfic aqui com um shipp que queria muito trabalhar: Kai'sa X Ezreal! A história já está toda pronta, teremos ao todo 4 capítulos. A fanfic foi inspirada fortemente na série "Spin Out", que foi tristemente cancelada pela Netflix na 1° temporada ;-; Dito tudo isto, vamos aos comentários desse capítulo. Kai'sa tem uma personalidade mais difícil, como puderam notar ahashash Se distanciem da Kai'sa do K/DA, que costuma ser sempre a meiga pisciana. Aqui vamos de Kai'sa raiz, Kai'sa boladona destruidora do Vazio! Sobre o Ezreal, a personalidade dele continua o que se espera de um loirinho burguês ashashash Mas eu garanto que ele será bem desenvolvido.