Anjos e Demônios

2 Jace Herondale


Notas iniciais
Oii, boa leitura! :D

26.03.2015 Londres

– Clarissa Adele Fairchild, se não tiveres cá em baixo em 1 minuto, vamos embora sem ti.

Ok, pensei, também não queria ir mesmo.

Olhei-me no espelho mais uma vez. Tinha posto um vestido branca de alças com alguns detalhes dourados, também estava a usar algumas braceletes douradas e o colar com um patinho — também dourado — que o meu pai me deu quando eu fiz 5 anos.

Desde esse dia sempre levava o colar ao pescoço.

Depois de dar mais uma olhada no espelho esperei um minuto para ver se a minha mãe ia realmente embora.

Uma Charlotte furiosa entrou pelo quarto a dentro.

– É assim Clarissa...oh, pelo anjo filha, paereces um anjo.

Revirei os olhos com aquele comentário desnecessário. O meu cérebro pareceu congelar com a palavra anjo. A minha mente voltou a ontem á noite, esperava que aquilo fosse um sonho, mas eu sabia que não tinha sido. Ele era um anjo, disso eu não tinha dúvidas, eu vi as asas, bem no alto a arder. Eu tinha tantas perguntas e sabia que todas elas estavam longe de ser respondidas.

– Claryyyyy?

– Mãe, eu realmente tenho de ir?

Fiz beicinho.

– Sim! Agora mexe-te.

***

– Entenderam? — A minha mãe perguntou pela décima vez.

– Não desaparecer misteriosamente durante o almoço, sim entendi. — Rolei os olhos.

– Não flertar com nenhuma menina, entendido. — Charles revirou os olhos.

Assim como eu Charles também tinha o hábito de revirar os olhos.

– Não comer todos os bolos ou qualquer tipo de doce, ok. — Foi a vez de Matt. — E se ninguém quiser mais?

– Matthew! — A minha mãe repreendeu-o.

– Ok, entendi. — Disse ele rapidamente.

A casa dos Herondale era grande, não tao grande como o Instituto, mas grande o suficiente para 3 famílias viverem lá dentro.

Tessa estava á porta de casa, apesar de já ter uns 30 e poucos, ainda aparentava ter 19 anos.

– Charlotte!! — Gritou Tessa, abraçando-a.

Depois de muitos beijos e abraços e todo o tipo de lamechices, entramos em casa. Enquanto o Instituto era antigo, esta casa era bem moderna toda em tons de dourado.

A casa tinha 2 andares, o andar de baixo com uma sala enorme, uma cozinha que estava ligada á sala por uma porta de abanar e do outro lado da sala havia um pequenos degraus que ligavam a duas portas grandes.

Uma sala de armas.

Will saiu da porta que dava á cozinha.

– Oi Will, o que vai ser o almoço? — Matt perguntou.

Abafei um riso.

– Porque não vais ver? — Will disse com um sorriso na cara.

Matt não respondeu, apenas andou em direção à cozinha.

– Desculpa Will. — A minha mãe disse corando.

– Oh não faz mal, adolescentes, sei como são.

– Matt já tem 23 anos, não é propriamente um adolescente.

Os meus olhos captaram uma silhueta acima das escadas.

Lucie...

Ela vestia um longo vestido azul que ficava perfeito nela. Lucie tinha os cabeços pretos e olhos azuis de Will.

– Desculpem a demora. — Ela desceu os últimos degraus e veio até mim. — Clary é sempre tao bom ver-te.

– Também é bom ver-te, Lucie.

Abraçei-a assim que ela chegou a mim. Apesar de Tessa e Will serem altos, Lucie não herdou essa altura, ela é talvez uns 10cm mais alta que eu.

É, eu sou pequenina mesmo.

Separamo-nos e ela olhou-me de cima a baixo o que me fez corar.

– Estás linda!

– Obrigada Lucie, tu também.

– E os teus irmãos? eles vieram? — Lucie perguntou, percorrendo com os olhos a sala á procura de Matt ou Charles.

Suspirei.

– Oh sim, sabes como são...rapazes...

– Lucie.

A minha mãe veio ter connosco e abraçou Lucie. Antes de elas se separarem, deu-me uma olhar tipo 'vai procurar os teus irmãos!'

Sai, deixando elas a falar, passei por Will que deu-me um sorriso fofo e fui em direção á cozinha, há procura de Matt. Abri a porta e entrei. Percorri os olhos pelo lugar e vi que Matt não estava lá dentro, o que era estranho porque em cima da mesa havia todo o tipo de coisas que faria qualquer criança (e Matt) babar.

Virei-me de costas para ir procurar Charles quando esbarrei em alguém.

– Mas tu não ves por onde andas?

Virei-me completamente até ter uma visão completa de Mellanie.

Oh, a adorável Mellanie está aqui, ironizei.

Revirei os olhos e dei a volta para ir embora.

– Sabes normalmente quando esbarras numa pessoa pede-se desculpa! — Ela falou com a sua voz irritante.

– Onde é que está a pessoa?

Dei um sorriso de lado e continuei a andar.

– Sua... — Ela começou.

Não dei hipótese de ela continuar, não ia perder esta oportunidade.

– Eu não sou muito de pedir desculpa a animais, ainda por cima aqueles nojentos. — Comecei. — mas eu abro uma exceção para ti... Desculpa!!

Fiz uma vénia desajeitada ao mesmo tempo em que os meus lábios se abriam em um largo sorriso.

Virei-me outra vez em direção à porta e fui-me embora. Odiava Mellanie, o sentimento era mútuo, não sei quando começou, mas sei que eu a odiava! Ela é irritante, sempre tem que ser tudo á maneira dela, ela sempre consegue o que quer, custe o que custar.

Voltei para a sala e os pais de Mellanie vieram cumprimentar-me.

– Clary, como estás? — Cecily perguntou, vindo abraçar-me, Gabriel veio logo atrás e abraçou-me também.

– Estou bem e vocês?

– Nós também, olha para ti, Clary, estás linda! — Cece disse.

– Obrigada Cece, tu também tas linda.

– Oi aí, boneca.

Olhei por cima do ombro e deparei-me com Gabe Lightwood, irmão mais velho de Mellanie.

– Gabe! — Abraçei-o com força ao que ele correspondeu.

– Como estás baixinha?

Ele deixou o braço no meu ombro, não me importei com isso, eu e Gabe éramos como irmãos, pelo menos é como eu o vejo.

– Estou bem e tu?

– Ah sabes como é! — Sorriu.

Gabe não é do tipo certinho, ele é um dos melhores amigos de Charles.

– Sei, sei.

– Olha vai haver aquele baile estupido lá na Academia e eu como bom amigo que sou, vou deixar-te vir comigo. — Gabe disse, dando aquele sorriso de lado que encanta qualquer menina.

– Sim, acho...

Alguém começou a deixar as escadas e quando eu olhei foi como se um balde de água fria tivesse sido despejada pela minha cabeça abaixo.

Anjo...asas...chamas...

A minha cabeça girava cheia de pensamentos e memórias de ontem à noite. Toda a gente naquela sala pareceu desaparecer só ficado eu e aquele rapaz de olhos dourados. Sim aquele é Jace, eu não tinha duvida disso. E naquele momento tudo pareceu bater certo, o facto de ele ter fugido deixando tudo para trás. Ele não abandonou Alec e os seus pais, ele protegeu-os.

Eu não sabia o que pensar o que dizer ou mesmo o que fazer, eu só sabia que: Jace Herondale é um anjo!