eu não conseguia me mecher, eu estava com os meus pulsos cortados, eu tinha
sido abusada, minhas pernas estavam roxas, meus braços estavam machucados e eu
não tinha forças pra mais nada. Foi quando eu ouvi uma voz desesperada
falando :

- meu deus, menina você está bem ? Aquela é sua mãe ? fale com a gente,
somos da polícia, vamos te ajudar ! responda, está me ouvindo ?

era um policial, por um momento fiquei feliz, alguém estava ali pra me
salvar, mais minha mãe havia morrido, e disse :

- eu estou bem, ajude a minha mãe rápido ! ele à esfaquiou !

o policial não se moveu, mais se ajoelhou ao meu lado dizendo :

- não há mais nada que possamos fazer.

minha mãe estava morta, e em meio à lágrimas, eu via Felipe sendo escoltado
pela polícia. Me lembro de ter entrado na ambulância, e envolta de mim, curiosos
estavam chorando, e gritando. Depois disso, me lembro que estava em um lugar
meio escuro, com apenas 1 abajur ligado, bem em meu rosto. Meus olhos foram se
abrindo devagar, para que eu pudesse me acostumar com a claridade. Ao meu lado
estava sentado um moço, eu nunca havia visto aquele homen e disse :

- quem é você ?

- shh, jajá vamos sair daqui.

- quem é você ?!

- seu pai sem muitas explicações Isabela, depois a gente
conversa.

eu me virei, e dormi. Acordei com a enfermeira dizendo :

- tudo bem, ela já pode ir embora.

eu iria embora daquele lugar, fiquei feliz por uns instantes. Me levantei da
cama, e fui me trocar. Aquele homen que dizia ser o meu pai se chamava Leonardo,
era bonito e tudo mais. Ele estava sendo muito legal comigo, estava me ajudando
demais. Me troquei, e o acompanhei até um carro preto que parecia uma
caminhonete. Então, perguntei :

- pai ? bom, é um momento legal pra se explicar.

- eu não moro aqui em Blumenau, sou de SP. Sua mãe fez faculdade lá, nos
conhecemos, saimos e eu não sabia que ela tinha ficado grávida. Ela não me disse
nada, nem depois que você nasceu. Hoje, você só tem a mim, vou estar aqui de
hoje em diante te ajudando, filha.

soltei um sorriso leve, tinha conhecido o meu pai. Sempre quis ter um pai, UM
PAI MESMO, diferente do monstro do Felipe. Ele estava preso, não me importava
mais. Eu estava meio vegentando dentro do carro, e começou a tocar uma música.
Se eu não me engano era “levo comigo”, e eu estava mudando de estação quando ele
disse :

- pode deixar, eu não me importo;

- tá — eu disse.

Ele me olhou meio irônico e disse :

- não vou me importar, se você disser que é fã de restart. Não sou um pai
cafona, eu aceito ok ?

- restart ? Não, eu não sou fã. Nunca parei muito pra
ouvir as músicas mais, seilá, não sou ligada a astros teens.

- aonde você mora, não tem fãs de restart ?! - ele disse rindo

- deve ter sim, mais eu não ando muito com elas, nem amigas eu tenho, na
verdade.

rimos e chegamos em uma pousada, aonde eu perguntei :

- o que estamos fazendo aqui ?

- só estou aqui porque vim te ver, hoje anoite mesmo estamos embarcando
para são paulo, você vai comigo, vamos recomeçar uma nova vida na
capital…

Fim do capítulo Anjos e Demônios