Anjos caem

4 Capitulo 4


O fim do dia foi de agonia, minha mente tentava se forcar no que li, e no fundo eu sabia o que tinha acontecido, mas sempre que eu chegava perto de um pensamento concreto algo me barrava e ainda tinha o fato de ter aceito ir para a viagem do colégio com Brian e o sentimento de culpa sabendo que eu só queria ir com os gêmeos. No domingo foi pior já que a viagem seria segunda e todos já tinha um parceiro, Brian tinha esperado até o último minuto para me contar, acho que para que eu não tivesse saída e ir com ele, mas isso não queria dizer que eu queria passar meu dia de folga com ele atrás de mim falando sobre suas pesquisas sobre a floresta que era incrivelmente antiga e que era incrível, aproveitei a falação dele e pesquisei mais um pouco enquanto ele procurava uma foto da floresta em um livro para me mostrar.

“Elevados e Caídos tem uma natureza distinta, e como óleo e agua, não se misturam, mas combinam, um mestiço e a junção disso e prova de que todos temos um lado bom e mal, seriam eles nossa próxima evolução.

Elevados se unem desde muito cedo, em geral suas magias e almas combinam o que causa amor e aproximação afetiva e intima, uma união eterna, classificados em geral como monogâmicos, sempre fieis e carinhosos são protetores com seus parceiros, tende a dar liberdade a pessoa amada para que ela se sinta livre para escolher por mais que isso possa doe. Ritos de ligação mágicos de casamentos similares como os humanos.

Caídos se unem a qualquer momento de suas vidas, em geral e uma união de magia, alma e sangue, quando na beira da morte dividem sua vida com a pessoa amada se unindo de forma mais intima, não se classificam monogâmicos, não sendo raros ver um casal com mais parceiros do que o habitual, quando encontram a pessoa perfeita não medem esforços para estar perto e satisfazerem seus parceiros, chegando a ser possessivos. Ritos de ligação de sangue em magia são usados onde os mesmos partilham o núcleo magico em duas ou mais pessoas.”

Era um pequeno resumo do que parecia ser um livro de bolso, claro que eu não acharia nada porque seria estranho uma biblioteca de Caídos falando de coisas que eles já sabia, assim como na do meu colégio não tinha nada sobre nós nem sobre eles, bufei mais uma vez quando Brian voltou e escondi o livro na cadeira ao lado enquanto ele parecia eufórico como se estivéssemos em uma viagem solo. Na segunda feira antes de sair do quarto me senti furiosa e inquieta, eu sabia que aqueles sentimentos não eram meus e mais uma vez pensei no que li no sábado, mas infelizmente sai do quarto e dei de cara com Brian sorrindo animado para nossa viagem, tentei me sentir feliz quando entramos no ônibus que parecia ser o único meio de transporte para o lugar, que era protegido naturalmente contra transportes mágicos, para minha sorte quando entramos só tinha um banco de dupla no fundo e ao lado estava os gêmeos, Sebastian estava na janela de olhos fechados e Vincent estava sentando no corredor lendo um livro.

— Este está cheio, vamos no outro. – Brian estava dando a volta quando vi Sebastian se ajeitar sentando me olhando antes de virar para meu amigo.

— Tem dois lugares no fundo do ônibus. – Ele parou me olhando por um momento.

— Pensei que não gostasse de sentar no fundo. – Eu não sabia que história era aquela, mas podia sentir que estava sendo observada e analisada.

— Eu nunca disse isso, e além do mais se sairmos podemos acabar indo em pé ou ao lado de um professor. – Falei sorrindo sabendo que já tinha ganhando quando ele encolheu os ombros e deu meia volta.

— Certo. – Andamos até o fundo do ônibus e percebi que Sebastian ainda dormia e Vincent ainda lia, mas eu sabia que a poucos segundos eles estava prestando atenção na minha conversa.

— Pode sentar na janela. – Brian parou atrás de mim esperando eu me sentar.

— Você sabe que fico enjoada na janela. – Falei dando espaço para ele sentar e sorri me sentando.

Tirei meu livro de dentro da bolsa e comecei a o romance que tinha achando na minha bolsa, qualquer coisa para distrair a cabeça, enquanto Brian lutava com sua bagagem e procurava o que parecia ser um livro eu relaxei pela primeira vez desde que cheguei no colégio, era uma sensação de estar completa, lembrei do que o primeiro livro falava e por um momento cogitei que essa sensação e por conta de estar próxima aos gêmeos.

— O que está lendo? – Olhei para o lado para encontrar Brian comendo e encarando meu livro.

— Pensei que já tivesse tomado café. – Comentei voltando ao meu livro.

— Já, mas ainda estou com fome, quer? – Ele ofereceu colocando o pacote do que parecia ser bolachas na minha frente.

— Não obrigada. – Continue lendo quando o ônibus começou a andar.

— Você avisou seus pais sobre a viagem? – Respirei fundo mais uma vez e olhei para o lado.

— Para que se você já fofocou para eles como uma velha, além do mais eles já estudaram no colégio e comentaram sobre essa viagem anual então provavelmente já sabem. – Dei de ombros e tentei voltar para meu livro.

— Assim me ofende Salem, eu não fofoco e sabe disso. – Ele revirou os olhos e por um momento pude ver meu melhor amigo.

— É claro que fofoca Fosten principalmente com meus pais. – Respondi rindo um pouco.

— Eu não precisaria se você lhes mandasse mais cartas e notícias. – Ele respondeu encostando na poltrona me olhando.

— Eles não ligam, só leem suas cartas porque gostam de fofoca igual a você. – Não pude segurar o riso e aquilo acabou de deixando mais feliz, ter meu amigo de novo era bom.

O restante da viagem foi tranquila e o dia foi rápido dentro do ônibus vendo a paisagem urbana mudando para algo mais selvagem, Brian parecia mais leve e eu me senti melhor.