Anjos Turvos
2 Capítulo 2 - Reconhecimento
(...)
- Está com medo de alguma coisa? – sussurrou.
Neguei com a cabeça, olhando para o mar, para o nascer do sol. Sentindo o cheiro das águas salgadas misturadas ao leve cheiro de tabaco em Edward me inebriar, sentei em uma cadeira ao seu lado, fechei os olhos e afirmei, suspirando levemente:
- Não.
(...)
Acordei bem disposta naquela manhã. Havia me certificado de tomar meus remédios na madrugada de ontem, antes de dormir novamente. Como resultado, não tive nenhum outro sonho. Olhei para o despertador ao meu lado e constatei que já se passavam das 10h00min. Não me preocupei, aquela era a minha primeira semana de férias da residência no hospital.
Peguei o meu celular no criado-mudo e liguei para a minha mãe. Essa semana completava quatro meses que eu não falava com ela. Duas semanas que havia parado de tentar. Como de esperado, ninguém atendeu. Não a culpo, minha mãe é uma pessoa muito ocupada, deveria estar em alguma conferência médica. Magoa-me muito o fato de que já não conversamos mais, mas já havia me acostumado a viver sozinha. Quando Jacob estava comigo, andávamos com seus amigos, mas nada duradouro. Apenas colegas de boemia.
Depois que Jacob partiu, eu parti. Em pequenos e doloridos pedaços. Após um tempo, a vida sozinha parecia mais fácil, sem muito com o que se preocupar. Apenas seguir um curso, um plano de vida. Num simples dia-a-dia mecânico, os mesmos movimentos, as mesmas palavras.
Depois de certo tempo cheguei à conclusão de que alguns humanos não são domesticados o suficiente para viverem em grupos, de que humanos deveriam evoluir mais antes de se comprometerem uns com os outros. Porque a vida em grupo são conflitos inacabáveis. Somos como selvagens e vivemos em guerra. Essa é a realidade mal aceita na sociedade. A vida solitária tem mais facilidades. No entanto, reconheço que é difícil se acostumar, porque apesar de tudo, temos sentimentos, e é isso o que torna tudo insuportável. A dor. O coração torna a solidão mais cruel. Somos dependentes uns dos outros, e isso é inegável. Talvez seja pela dor que tomei a decisão de continuar sozinha por todo esse tempo. Qualquer tipo de relacionamento com outras pessoas é arriscado. Seja uma amizade, um namoro, ou até mesmo um sentimento fraternal. Não se envolver com as pessoas é menos doloroso do que se envolver. Porque nunca se sabe o que vai mudar no dia de amanhã.
Meu primeiro motivo por decidir não voltar à Miami foi esse. Depois de tanto tempo afastada das pessoas, já havia superado quase que inteiramente a perda de algumas delas. Não queria me arriscar de novo. Não queria me envolver de novo. A perda de Jacob fora um grande choque em minha vida. Eu abri mão de muitas coisas para me jogar de cabeça em nossa relação. E então ele se foi. Levando uma grande parte de mim com ele.
Mas tudo isso não muda o fato de eu já estar cansada de minha vida parada. Esses últimos meses, me peguei constantemente pesando na balança se valeria, ou não, a pena voltar a ter uma vida ativa. Era algo difícil de pensar, pois mesmo com saudades de minha vitalidade, eu tinha o meu medo. O maldito medo. Medo das pessoas. Medo do futuro.
Tomei um banho e vesti uma roupa confortável de caminhada. Pretendia andar um pouco na praia. Saí do quarto, e constatei que Edward não estava mais em meu apartamento. Eu não esperava por isso, e de certa forma fiquei triste. Havia sentido uma ligação, uma conexão especial entre nós. Embora não o conhecesse direito, achei que poderíamos ser bons amigos.
Mesmo frustrada, me conformei. Era o combinado. De manhã ele voltaria para a sua casa em Miami. Isso não foi motivo para me derrubar, já havia me acostumado com perdas em minha vida. Tomei um café rápido, calcei meu tênis e saí.
A rua em frente ao meu prédio que ia de encontro à praia estava quase vazia, como de esperado. Apesar de ser uma praia maravilhosa, não era muito visitada. Talvez por não ser adequada ao surf. Caminhei um pouco a frente e avistei um pequeno grupo de amigos conversando em um banco na areia. Os únicos naquela praia.
O sol desaparecera mais cedo, então, mesmo no verão, fazia um frio insuportável. Não era comum fazer tanto frio em Palm, muito menos no verão. Tentei ignorar, mas acabei por voltar ao apartamento para buscar um casaco. Ao sair do elevador constatei que a porta de casa estava levemente aberta, balançando pelo vento forte vindo da varanda. Assustei-me, mas logo concluí que havia esquecido a porta aberta ao sair. Não é de se surpreender, além de desastrada nunca observo nada. Peguei o casaco e desci novamente. Coloquei os fones de ouvido e comecei a caminhar, no intuito de relaxar um pouco.
Andei por aproximadamente vinte minutos até chegar ao píer. Ficava em uma praia mais movimentada, com vários estabelecimentos comerciais. Cansada, resolvi sentar em um dos bancos na ponta do píer, e descansar um pouco. Três pescadores conversavam em frente a um mar aparentemente sem peixes, na entrada do local. Passei pelos pescadores e avistei Edward sentado no banco velho e enferrujado.
Um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. Ele estava de costas, de frente para o mar. Mas eu o reconheci. Estava sozinho, inclinado para frente no banco, olhando o horizonte. Vestia a mesma roupa de ontem, com o peito enfaixado, sem camisa. Fumava um cigarro. Não compreendi como ele estava tão relaxado sem camisa diante do frio incômodo que fazia hoje. Aproximei-me hesitante. Talvez não quisesse me ver, por isso foi embora mais cedo. Ignorei tais pensamentos.
- Faz frio. – pronunciei, atrás do banco.
Edward continuou olhando para frente, sem se virar para olhar para mim. Suspirei frustrada. Deu uma tragada e respondeu.
- Não posso, não sou o homem da neve. – sorriu debochando, e virou a cabeça me encarando.
Sorri com seu humor mais leve.
- O que faz aqui? Não dormiu esta noite? – perguntei, me sentando no banco.
Edward estava muito melhor, pude constatar na luz da manhã. Seus hematomas estavam surpreendentemente mais claros e seus lábios haviam desinchado. Olhei para sua roupa suja, me perguntando se ele havia tomado banho desde ontem. Ri baixinho. Edward ignorou. Mesmo sem tomar banho, Edward exalava um aroma agradável de menta com tabaco. Eu adorava aquele cheiro. Mas me entristecia por lembrar-me Jacob. Esse era seu cheiro constantemente.
- Não muito, acordei cedo e vim para cá. – falou, passando os braços por meus ombros, e olhando para frente.
Olhei também, e entendi o que ele tanto admirava. O céu estava lindo. Um pouco escuro, mas tranqüilo, relaxante. Alguns pássaros brincavam, voando abertamente em frente aos pequenos raios de sol. Suspirei. Invejei aqueles pássaros, desejava poder voar, assim como eles.
- Achei que havia ido embora. – falei em um fio de voz, quase inaudível.
Edward sorriu.
- Só tenho 50 dólares no bolso. Não posso ir embora. – pronunciou.
Ri levemente.
Edward olhou para mim, seu sorriso havia desaparecido de sua face.
- E também... Preciso arrumar uma forma de agradecer a garota que salvou minha vida.
Enrubesci. Olhei para o lado, tentando disfarçar. Ele sorriu.
- Não precisa agradecer. – falei, olhando para baixo.
- Ei, — puxou o meu queixo.
Nossos olhares se encontraram.
- Não é qualquer pessoa que teria a coragem de se arriscar do jeito que fez, para me salvar. – disse sorrindo.
Fiquei um pouco desconcertada, mas sorri também. Edward deu uma tragada, olhando para o horizonte. Alguns minutos se passaram, em silêncio.
- Por que estava lá? – perguntei, não conseguindo conter minha curiosidade.
Ao ver a expressão dura de Edward, me arrependi amargamente. Deveria respeitar a sua dor, qualquer que fosse ela.
- Desculpa. – murmurei.
- Eles me levaram para lá. – respondeu relutante, ainda olhando o horizonte, com o semblante sério.
- Eles? – tentei encorajá-lo a continuar.
- É uma longa história. – tentou se safar.
Olhei no relógio, marcavam 11h00min.
- Eu tenho tempo. – sorri.
Ele deu um meio sorriso. O mais lindo que já havia visto. Levantou o pé esquerdo, apoiando no banco, e olhou para baixo. Virei-me em sua direção, ansiando ouvir a sua história. Passado algum tempo, Edward se virou pra mim.
- Não é grande coisa. – suspirou pesadamente e continuou. – Eu tinha esse amigo desde a faculdade, e tivemos algumas brigas bem pesadas. Ele viajou e desde então nunca mais nos falamos. Ultimamente tive notícias dele. Aconteceram algumas coisas e ele mandou alguns homens que trabalham para ele me sequestrarem para me torturarem no show, e sabe-se lá o que fariam comigo depois.
Olhou para um ponto no chão com a expressão vazia. Desejava saber o que ele estava pensando.
Edward deixara tantas incógnitas em sua afirmação, que acabou por não me acrescentar quase nenhuma informação. Após um tempo, sorriu de leve, olhando em meus olhos. Permaneci naquela mesma posição, apenas absorvendo. Queria apenas entender o que lhe causara tanta dor. Mas quem sabe com o tempo, não conheceria Edward melhor? Ainda poderíamos ser amigos. Olhei em seus olhos e retribuí o sorriso. Voltamo-nos para frente.
- Como conhecia o píer? – perguntei.
- Já vim aqui antes. – olhou novamente para o horizonte. – é uma das vistas mais belas de Palm.
Segui seu olhar. Observei o movimento dos pássaros alegres novamente. Ao vê-los voarem tão levemente conseqüentemente me senti mais leve. Já havia um bom tempo desde que não tinha um diálogo com alguém sem formalidades ou coisas relacionadas a trabalho. Sorri animada com a idéia de ter um amigo novamente. Talvez eu estivesse disposta sim, a arriscar.
Alguns homens caminharam até a ponta do píer com uma grande gaiola e umas iscas, aproximando-se dos pássaros no intuito de captura-los. Edward observou os pássaros com um olhar curioso, enquanto os homens se preparavam para prendê-los. Comerciantes, provavelmente.
- Se eu pudesse voar, optaria pela liberdade. – afirmou, enquanto levantava-se e corria na direção dos pássaros, os fazendo voar longe.
Gargalhei embasbacada quando Edward puxou o meu braço e saímos correndo, enquanto os homens xingavam-nos de tantos nomes que mal pude entender. Ainda ria, quando paramos na frente de um restaurante de frutos do mar, ofegantes.
- Não sabia que você era um amante tão devotado de pássaros, arriscou nossa pele por suas liberdades! – comentei arfante.
- Toda liberdade requer um preço, Bella. – afirmou, rindo.
– Nesse caso, quem pagou fomos nós.
Ele sorriu, enquanto eu prendia o meu cabelo em um coque.
- Estou com fome. – afirmou. – Vamos entrar?
- Você vai entrar assim? Sem camisa? – perguntei, encarando o seu peito enfaixado.
- Não tem problema. Vamos. – respondeu afobado segurando minha mão, me puxando junto com ele.
Tirei meu grande casaco e lhe entreguei.
- Você não está com frio? – perguntou.
- Não é frio lá dentro. Pode usar. – afirmei sorrindo.
(...)
Entramos no estabelecimento e fomos servidos de acordo com nossos pedidos. A comida estava deliciosa e eu estava realmente com fome, mas nada comparado a Edward, que atacava tudo com vontade. Estávamos conversando já havia um bom tempo, após nos satisfazermos.
- Não deveria estar trabalhando agora? – perguntei curiosa por saber um pouco mais de sua vida.
- Trabalho com meu irmão e já lhe informei devidamente sobre o imprevisto. – respondeu olhando para o prato a sua frente, sem me encarar.
Achava estranho o modo como Edward mudava imparcialmente. Nunca sabia como seria um diálogo com ele, quando achava que poderia estar começando a conhecê-lo melhor, ele me surpreendia novamente. Uma hora com palavras doces, descontraídas, e em outra, sua postura mudava completamente, com palavras sérias, duras e formais. Conversávamos em um tom descontraído, e de repente, como se eu tivesse falado algo errado, sua expressão mudava. Sua instabilidade emocional começava a irritar, não sabia o que estava fazendo de errado e queria saber o que se passava em sua cabeça. Seus gestos me lembravam de Jacob.
- Voltarei à Miami hoje à noite. – completou levantando o rosto e olhando para mim.
Não esperava por aquilo. Esperava que ficasse por mais um pouco. Eu estava me afundando em falsa esperança. Esperança que eu havia criado para mim mesma, esperando que as coisas mudassem por um tempo. Queria desviar o meu olhar agora, seus olhos estavam duros, quase secos. Mas não conseguia decifrar o que havia dentro deles. Estava mergulhada em frustração e não queria que Edward percebesse. Olhei para baixo, a fim de me livrar de seus olhos em mim. Mas involuntariamente soltei um suspiro baixo e frustrado.
Torci para que Edward não tivesse visto, mas para meu mais puro azar, ele ergueu uma mão tocando minha face, me fazendo encará-lo. Estava corada, afundada em embaraço.
- Está de férias, certo? – perguntou.
Confirmei com um movimento de cabeça, observando seus olhos azuis marinho, com misturas em tons verde-claro, quase como o oceano.
- O que acha que irmos a um clube hoje à noite? – perguntou, sorrindo levemente.
- Edward, você foi espancado por correntes há menos de vinte e quatro horas! Estou surpresa por conseguir andar! – resmunguei incrédula.
- Eu já estou bem melhor, Bella. Não precisa se preocupar.
- Outra pessoa em seu lugar estaria numa cama de hospital. Como consegue se mexer assim? Não dói? – perguntei incrédula.
Edward ficou um pouco tenso, mas logo sua expressão relaxou e ele respondeu.
- Eu não me importo com a dor. Ignoro-a e ela desaparece. – sorriu. – Talvez os remédios que me deu ontem ainda estejam em ação. Eu me recupero rápido. Pode confiar. – concluiu.
- E o seu trabalho? – perguntei, tentando focar na proposta.
Um clube? Depois de mais de oito meses sem sair de casa. Eu nem me lembrava mais como era me divertir em uma boate.
- Posso voltar amanhã. – respondeu abrindo um sorriso maior.
Tentei entender porquê tamanha animação, achando que tinha perdido parte da conversa por estar tão concentrada em suas mudanças de expressão. Devia estar com a cara mais idiota do mundo. Mexi a cabeça rapidamente, tentando me recuperar. Edward se afastou um pouco, surpreendido por meus movimentos.
- Pode chamar os seus amigos, tenho alguns conhecidos na cidade e chamo-os também. – falou parecendo um pouco inseguro.
- Eu não tenho amigos na cidade. – confessei com vergonha.
Sua expressão a seguir foi quase cômica, me forcei para não rir. Uma sobrancelha completamente levantada e a outra baixa, sua boca entreaberta. Corei violentamente com sua reação. Era realmente tão embaraçador não ter amigos?
- Mora aqui há quanto tempo? – perguntou descarado.
- Um ano. – respondi constrangida.
- Por que não tem amigos? – perguntou, me deixando novamente embaraçada.
Pareceu notar meu desconforto com a conversa e corrigiu rapidamente.
- Pergunto por que você parece ser uma pessoa bem sociável. É muito simpática. – deu uma pequena pausa – E definitivamente tem um bom coração.
Não pude deixar de sorrir ao ouvir sua percepção sobre mim. Permaneci em silêncio, enquanto Edward esperava por minha resposta.
- Vamos Bella! Conte-me por que não tem amigos. – incentivou.
Hesitei um pouco, mas por fim resolvi compartilhar um pouco sobre a minha história com ele.
- Bom, eu costumava ter bons amigos quando cheguei de Miami...
- Você é de lá? – perguntou, me interrompendo.
- Não, na verdade vim da Eslováquia. Minha família toda é daqui, mas nasci e morei por um tempo lá. Até completar sete anos, acho. Porém minha vida foi em Forks, interior de Washington. Mudei-me para Miami quando completei 18 anos.
- Quantos anos você tem agora, eslovaca? – perguntou com uma expressão curiosa.
- Vinte e três.
- Vinte e três? Você parece ser mais nova, sabia? Se bem que eu poderia imaginar tamanha idade, vendo que mora sozinha e já trabalha. Seus pais não...
- Edward, será que posso continuar ou vai me interromper novamente? – perguntei falsamente irritada.
Então Edward começou a gargalhar. Olhei para sua expressão divertida e revirei os olhos, incrédula, enquanto ele batia na perna como um retardado. Parou de rir e ficou olhando para mim, sorrindo. Não eram as interrupções que me irritavam. Eram suas mudanças bruscas de humor que me perturbavam.
- Tudo bem, eu amo ser interrompida. – afirmei sarcástica.
Perdi-me em seu sorriso enquanto ele me observava, mas continuei demonstrando falsa irritação.
- Você fica linda irritada. – Edward afirmou, olhando em meus olhos.
Corei violentamente, mas sorri um pouco, olhando para baixo.
- Corada também. – completou.
O silencio a seguir foi desconfortável, e logo Edward o quebrou.
- Conta o resto da história. – ordenou sério.
Abri a boca incrédula.
- Que foi?
- Claro que não! – respondi elevando o tom de voz.
- Por que não? – perguntou cínico, erguendo uma sobrancelha.
- Porque zombou de mim. Não falo mais nada! – respondi malcriada, cruzando os braços no peito.
Edward gargalhou novamente.
- Não seja ridícula! Estava só brincando. – disse sorrindo.
Tentei ser dura com ele, mas ele sorrindo e gargalhando daquele jeito me desarmou. Logo seu sorriso desapareceu, e o vi muito interessado na conversa. Dei-me por vencida.
- Ok. Como dizia, aos dezoito anos mudei-me para Miami com uma amiga. Queria começar um curso de enfermagem na faculdade, e como Miami tem um dos melhores cursos na área, do país, resolvi me mudar para lá. Como minha amiga queria tentar moda, resolvemos ir juntas. Entramos na faculdade, começamos a trabalhar e assim comecei a construir minha vida. Tinha amigos, muitos amigos em Miami. Mas foi por um desses amigos que conheci o meu namorado. – suspirei pesadamente ao lembrar-me de Jacob.
Pensei que talvez não tivesse forças para continuar aquela conversa. Nunca havia conversado sobre Jacob com ninguém desde sua morte. Fechei os olhos. Sentia-me vulnerável com as emoções mais fortes que surgiam ao lembrar-me de meu passado junto com ele, e mais vulnerável ainda pelo fato de estar prestes a me abrir com um homem que conheci noite passada. Reuni forças e resolvi eliminar algum diálogo mais profundo sobre Jacob.
- Está tudo bem? – perguntou Edward, estendendo sua mão e tocando a minha, em cima da mesa.
Sua mão fez uma leve carícia na minha e num impulso a afastei. Comecei a sentir o peso de seu efeito sobre mim e, assustada, tentei manter uma distancia mais segura.
- Sim, está tudo bem. – respondi sorrindo amarelo, e continuei. – Nós éramos muito próximos e... – hesitei antes de continuar.
Não queria parecer tola para Edward. Sabia que a minha história não era de se orgulhar. Nem um pouco. Talvez esse tenha sido o maior erro que já cometi em toda a minha vida. Mas os olhos de Edward me fitavam com tanto interesse e curiosidade, que cedi.
- Bom, depois de um tempo juntos, ele recebeu uma proposta imediata e irrecusável de trabalho em Palm e me chamou para morar com ele. A contra gosto de meus amigos eu aceitei. Logo consegui um emprego de enfermagem na cidade. E então, onze meses depois... – suspirei – Jacob sofreu um acidente e faleceu. – estremeci ao falar o nome dele pela primeira vez em voz alta depois de tanto tempo.
- Jacob? – perguntou num sussurro.
- Jacob Black. – respondi.
Para a minha surpresa, Edward congelou. Sabia que era uma história desagradável, portanto as pessoas lançavam olhares de pena e pesares ao ouvi-la. Mas Edward paralisara. Seus olhos perderam o foco por alguns minutos e eu, surpreendida por sua reação fiquei parada apenas esperando um sinal de vida. Impaciente, tentei quebrar o silêncio.
- Edward? Você está bem? – perguntei.
Passei uma mão em frente a seu rosto, procurando o foco de seu olhar, tentando chamar sua atenção.
- Edward? O que foi? – insisti.
Com uma expressão profundamente assustada, Edward abaixou a cabeça, encarando meu prato. Depois de um tempo arfando pesadamente, ergueu a cabeça, e olhando profundamente em meus olhos, sussurrou:
- Isabella Swan.
(...)
Continua...
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