Anjos Infernais
8 Capítulo 8
Notas iniciais
"Atras deles um lobo andava de um lado para o outro enquanto emitia seus roucos uivos, olhos vermelhos furiosos se destacavam sobre o corpo formado apenas por chamas azuis."
–Corram.-K.T ouvira Cronnor a suas costas, o tom de sua voz era confiante mas ao mesmo tempo tremulo. Por índole teria negado a obedece-lo, questionaria sua ordens, e princípios. Porém antes que pudesse formular quaisquer frase concreta, Lira já lhe havia agarrado os pulsos, puxando-a com força. O solavanco fizera a cabeça de K.T ricochetear, dando-lhe dores no pescoço, Lira sem mais delongas, correra, arrastando-a.
–O que...- ela tentava falar, mas correr cobre o terreno irregular, tentando não tropeçar a distraia -Aquela coisa...
–Exter-Cronnor respondera firme.
–Ajudou muito-resmungara, manterá a voz baixa, quase como um sussurro. Tropeçara enumeras vezes, Lira ajudava como apoio, mas também lhe causava o desequilíbrio.
O uivos dos lobos se tornavam distantes, mas mesmo ao longe continuavam estrondosos. Já estavam distantes o bastante, para que se tornasse apenas uma chama brilhando por entre as arvores. K.T o observava por cima do ombro, sua presença intrigava-a.
Por alguns estantes só ouvia seus passos sobre folhas secas. Ela firmara os pés no chão, o lobo havia sessado. Lira que ainda a segurara, por pouco não caíra com força no chão. Mesmo estando distante, podia ver que o lobo deitado sobre a folhagem seca de outono, que se estendia sobre o chão como um tapete, composto por infinitos tons de laranja. As folhas não queimavam em contato com seu pelo, apenas chiavam sobre o calor. K.T olhava para Cronnor, pela primeira vez, a espera de ordens. A luz o iluminava apenas de relance. Os chifres prateados a refletiam fracamente, os olhos brilhava na quase escuridão, como os de um felino.
K.T desviara o olhar do demônio, ela havia o desafiado antes, mas começar a perceber sua absurda estupides, Cronnor a pouco luz se tornava medonho e ameaçador, com olhos crepitantes como as chamas do próprio inferno, com garras e chifres afiados, venenosos, era digno de ser temido. Quando os uivos voltara a ouvir, olhara repentina o lobo, este permanecia deitado, com os olhos vermelhos neles vidrados, como um predador observando a presa.
–Se escondam.-a voz de Cronnor estava tremula.-Vamos rápido.-Ele apoiara devagar os pés de Layck no chão, sua cabeça tombara para o lado, o corpo inteiro estava bambo, frio, sem vida.
–Mas... por que... temos que nós esconder?-Lira perguntara, evitando olhar diretamente para o demônio, se aproximou devagar.
–Para evitar uma morte dolorosa.-ele falava calmo- Agora venha cá, pegue seu amigo. -Lira se chegara mais perto. Devagar Cronnor entregara Layck a ela. Com todo o cuidado, como se fosse fito da mais fina porcelana. Lira passara o baços por baixo dos dele, segurava-o sem jeito algum.
K.T estava preste a ajudar Lira, porém congelara ao uivos ouvir, em tons diferentes, mas todos com a mesma rouquidão. Cronnor olhou o lobo, suas chamas queimavam com mais intensidade, mais vivas. Ele permanecia deitado, os olhos vermelhos como sangue, crepitavam vorazes, vazios, sem vida.
–Escondam-se.-Cronnor disse solene. Adentrara na floresta, aos poucos desaparecia, misturando-se com a sombria escuridão.
K.T ajudara Lira a arrastar Layck para traz de uma arvore, da qual o tronco era largo o suficiente para esconde-los, a sua volta arbustos se erguiam deixando-os menos expostos. Layck estava apoiado na arvore, seus batimentos diminuam aos pouco, respirava fracamente, de modo quase imperceptível, as linhas negras haviam se alastrado todo o corpo, ele se tornara frio como gelo, não reagia mais a nada. Ao olha-lo K.T tinha a sensação que estava... morto. Apenas se prestasse atenção, podia notar que ainda não se tornara um cadáver sem o menor sopro de vida... ainda.
–Onde está aquele garoto?-K.T perguntara a Lira, havia desligado a lanterna, para ficarem mais ocultas na floresta, ela não conseguia ver Lira, mas sabia que estava a vigiar lobo.
–Ele estava enrolado...-ela sussurrara de volta.
–Enrolado?-tentara abaixar o tom de voz, o que antes esquecera de fazer.
–Sim, estava mesma forma... de que quando o encontramos.
–Como pode ter certeza que era ele?
–A criatura tinha olhos verdes... como os dele.
K.T permanecera em silêncio, Lira estava perdida demais na própria mente, algo que com frequência acontecia. Continuara a bagunçar e arrumar os cabelos de Layck. Não sabia ao certo o porque isso lhe fazia bem. Talvez porque achava que o tranquilizava, ou porque a tranquilizava. Desde que o conhecera, tinha a maninha de transformar os cabelos do garoto em um quase ninho. Não pode deixar de sorrir.
Se assustara, estava concentrada em suas lembranças, os uivos a arrancaram violentamente de volta a realidade.
–Ah...K.T eu acho... acho melhor você... vir aqui.-a voz de Lira estava tremula, como da primeira vez que vira um fantasma, alguma coisa a assustara, como o espectro atormentado, que uma vez encontraram nas catacumbas.
Apoiara Layck delicadamente na arvore, certificando-se que não havia a possibilidade dele tombar para os lados. Fora ateando a arvore, a procura de Lira. A qual fora encontrada com um chute na perna. Lira resmungara algo entre os dentes, algo haver com o chute.
K.T olhara pela copa, Lira estava a observar agachada no chão, e ela estava de pé, olhando incrédula, bem ao longe podia ver, como cometas corriam sobre a terra, deixando rastros enfraquecidos de luz, lobos, com corpos em combustão, com olhos vermelhos como o mais vivo sangue, uivavam nervosos, raivosos. Um grupo parecia se aglomerar em volta de uma figura negra, que junto a eles corria. Os corpos eram pura chama, mesmo assim não iluminavam seu redor, o que quer que corresse junto a eles, permanecia opaco nas sombras.
Os lobos avançaram, deixaram para traz a criatura. Corriam velozes como verdeiras estrelas cadentes, suas formas iam se perdendo, tornaram-se apenas chamas, que seguiam em direção ao lobo, que ainda encarava a escuridão. As chamas que antes foram vorazes lobos, se juntavam, criando estrelas cada vez maiores. Finalmente o lobo deixara a escura floresta de lado, se levantou, virou-se, para os cometas, soltara um uivo, desta vez, mais belo do que a canção de qualquer ave. As chamas começaram a rodeavam-o, se via no olho do furacão.
Todas as chamas se juntaram ao furacão, sua luz mesmo não iluminando envolta, quase segara os olhos de K.T. Girava violento, acertando e queimando as arvores. Folhas voavam ao seu redor, mesmo estando bem distantes, K.T percebera correntes de vento, que logo cessaram, junto a rotação do furação, as folhas caíram no chão. O furação, ficara parado, suas chamas mudavam, começavam a outra forma tomar. O lobo se erguia mais uma vez, mas agora como uma voraz ferra, que esmagaria facilmente K.T com apenas uma só pata. Olhava para a outra parte da floresta, de onde a figura sombria vinha.
Só conseguira vê-la com mais clareza quando tirara o capuz, os olhos azuis brilhavam como chamas vivas, a luz iluminava seus cabelos loiros, e os chifres prateados.
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