Anjos E Demônios.

19 Um pouco do passado - Parte I


Notas iniciais
Vamos voltar um pouco no tempo.

Massachusetts, Boston. 1973 – 14 de junho.

Ian era apenas um demônio comum, quer dizer, quase, ele não matava pessoas, ele tentava ser alguém normal, como Dave hoje me dia, só que ainda com sua vontade de matar, até que conheceu Steicy, uma anja do mal.

Steicy era uma das piores qualidades de anjo e muito cruel.

Era um dia chuvoso, Ian estava em um bar em Boston, bebendo, pois não tinha nada melhor para fazer. Bebeu, bebeu, jogou um pouco de sinuca, bebeu mais um pouco, até que uma hora entrou uma mulher, realmente deslumbrante, ele logo fixou seus olhos nela.

— Uma descrição da mulher que entrava no bar –

Ela tinha cabelos que iam até a metade de suas costas, levemente cacheados nas pontas e liso na raiz, seu rosto tinha traços suaves, ela era alta, olhos verdes, verdes claros, muito claros, de um corpo definido, ela estava com um vestido branco simples que ia até seus joelhos, uma bota baixa preta, uma jaqueta de couro também preta e um colar pouco chamativo com uma pedra verde.

Ian não conseguia desviar seu olhar dela. Ela estava vindo em sua direção, ele reagiu normal, mas com pensamentos meio maliciosos.

— Oi! – disse Steicy em seguida de um pedido à garçonete do balcão.

— Oi! – Ian retribui um pouco tímido.

— Percebi que ficou me olhando desde que cheguei. – ela fala com um olhar o condenando.

— Ah, sim, nunca te vi por aqui, quase todos que estão aqui eu conheço, digamos que você é – ele procura as palavras certas – nova no pedaço.

— Ah sim – ele fala levando sua mão em direção ao copo de uísque que ela havia pedido.

O silencio toma conta entre os dois, mas Ian logo o quebra dizendo:

— O que te traz nesse bar tão, eu sei lá, velho? Você parece uma mulher tão chique, tão sofisticada para este lugar.

— Não, eu não sou nenhum pouco chique nem sofisticada e eu estava de passagem, precisava de uma bebida, estou de carona, esse foi o primeiro bar que avistei, então, estou aqui!

— Ah sim.

Os dois ficaram trocando conversas por quase uma hora, depois Ian pediu para os dois ir para fora. Os dois saíram logo Steicy o jogou na parede seguida de uma pergunta:

— Você ainda não percebeu?

— O que? Que esta afim de mim? – ele fala sarcasticamente.

— Não, eu sou uma anja, sei que você é um demônio, senti sua presença logo que entrei.

— Claro que percebi, mas como eu finjo ser um humano, não me importei, porém, demorei um pouco a perceber que você era uma anja, porque falou comigo? Geralmente os anjos tentam, sabe, me matar, nem que seja em publico, eles sempre tentam.

— Eu não sou aquele tipo de anjo.

— Como assim?

— Eu sou o que dizem ser um anjo/demônio.

— Como assim? – ele fala com uma expressão de surpresa – você é um anjo e demônio ao mesmo tempo?

— Não, eu sou uma anja, mas eu não sou boa, tipo demônios, eu mato, eu não gosto de ser anjo, entendeu?

— Ah, então, acho que também sou esse anjo/demônio, eu sou um demônio, mas eu sou bom, não gosto de matar, mesmo tendo essa vontade, não sei, uma certa pessoa me abriu olho, acho melhor assim.

— Que pena, iria me juntar a você, mas vejo que vou ter que te matar, um anjo tão, eu não sei, atraente.

— Ta de brincadeira, eu sou praticamente um velho bêbado.

— Você pode ser isso, eu gosto de homens mais velhos e mais, digamos, experientes na sua vida, e o que são esses olhos? Nunca vi olhos dessa cor, são cinza, prata?

— Eu não vou me juntar a você! – ele fala a empurrando e andando em direção a porta do bar.

— A qual é? – ela fala o seguindo – você é um demônio, demônios não maus e são mais fortes que anjos, você pode matar eles.

— Eu não quero. – ele fala separando as palavras e andando mais rápido.

— Quer saber, você vai sim.

Ela o pega pela gola de sua blusa, o puxou e o beijou.

Ian ficou paralisado no momento, parecia que ela havia jogado algum feitiço nele, ele ficou imóvel, com seus olhos fechados.

— Ian, você se junta a mim?

— Claro! – ele responde ainda imóvel e com seus olhos fechados.

Realmente ela fez alguma coisa para ele, como se tudo o que ele disse e o que ele pensava sobre não matar e tudo mais fosse apagado em sua mente.

Ela o pegou pelo braço e o levou para o carro que estava de carona, ele parecia estar hipnotizado, não fazia nada alem de andar e se sentar no banco traseiro do carro com os olhos bem abertos.

— O que você fez? – perguntou o homem que estava no banco da frente junto de Steicy.

— Nada, apenas um dos meus melhores e preferidos truques.

— Já imagino. – ele retrucou.

— Daqui algumas horas ele acorda de verdade, não vai se lembrar de nada, a não ser que ele sempre foi meu parceiro de matança. – ela da uma piscadela para o homem que estava dirigindo.

Eles vão para um hotel bem retirado, numa rua quase deserta, o hotel era um pouco velho. O homem que estava dirigindo se chamava Chris, ele estaciona em frente ao hotel, os três saem do carro, agora Ian estava novamente consciente, porém ele pensava ser do mal.

— Vamos, eu estou realmente cansada, preciso dormir até amanhecer, sem ninguém me atrapalhar de preferência não é Chris. – ela fala olhando para Chris.

— Não se preocupe, eu vou passar a noite em outro lugar, tenho coisas para resolver, coisas para cobrar de idiotas.

— Eu sei como é, então, vamos Ian? – ela fala em seguida de um sinal com a cabeça para entrar.

— Claro, também estou cansado, como se tivesse bebido a noite toda.

Os dois entram no hotel, entram no quarto onde eles iriam ficar. Não tinha nada além de uma cama de casal e uma de solteiro, uma TV que parecia não prestar, um guarda-roupa, as paredes de cor amarela e descascadas, com um carpe e umas manchas nele, havia duas janelas, uma do lado da outra com a vista para o beco ao lado do hotel.

Os dois entraram, Steicy jogou a bolsa que estava em sua mão em um banquinho ao lado do guarda-roupa, cada um deitou em uma cama, estavam exaustos, logo dormiram.

No meio da noite, quando estava quase amanhecendo, alguém entrou no quarto onde eles estavam. Os dois estavam em sono profundo. Logo que esse alguém entrou atacou Ian mas em silêncio, Steicy não viu nada, pois ele fez Ian adormecer.

Notas finais
Quem era essa "alguém"? Tem a parte II também.