Anjos Caídos
5 Cidade Alta
Notas iniciais
Anjos Caídos
Capítulo 5 – Cidade Alta
Rose
Eu havia chegado no bunker havia mais ou menos uns 30 minutos, e nenhum sinal do meu irmão. Já estava ficando preocupada com ele.
Liguei para o celular dele umas quinze vezes, mas nada de me atender.
Quando eu já estava prestes a sair, finalmente ele apareceu.
Ele estava muito inquieto e apressado, típico de quando ele está determinado.
—Finalmente o senhor decidiu aparecer, né?! Onde você estava? — Eu perguntei.
—No encontro. Agora tenho que resolver um problema sério. Rose, qualquer coisa que aconteça, não saia daqui.- Ele respondeu, de forma assustadoramente séria.
—Espera um pouco! Onde você está indo e fazer o que? — Eu perguntei.
Até aí ele estava pegando uma de suas máscaras de roubar bancos, dessa vez a sua icônica máscara de lobo-anjo e um fuzil AR15 com uns 6 pentes de munição.
—Rose, você vai ajudar ou não? — Ele perguntou, ignorando a minha pergunta e deixando claro o que ia fazer.
—Espera aí, eu não faço idéia do que você vai aprontar! — Eu respondi.
—Então sente-se e preste atenção. — Ele disse enquanto pegava seu celular e se sentava em uma cadeira encostada em uma mesa.
Eu me sentei junto a ele, que começou a explicar o que ia fazer.
—Olha aqui, Rose, o lance é simples mas é difícil. Tem um grupo de jovens que estão andando na Cidade Alta, e tem um traficante manda-chuva que acha que eles estão vandalizando seu espaço. Daqui 2 horas, ou seja, às 12:30, eles vão estar andando por essa rua sem saída para entrar em casa. Acontece que esse traficante mandou aproximadamente 6 bandidos para matar eles, e eu e Ginko queremos evitar isso. Eu poderia fazer isso sozinho, mas você já fez curso para ser policial, e pode ser útil. Nosso objetivo é intervir na operação dos criminosos, eliminá-los e garantir que os jovens cheguem em suas casas inteiros. Tenho fotos dos 3 que estarão lá no momento. Pronta? — Ele explicou enquanto mostrava fotos de ruas, ou do tal traficante.
Logo depois ele mostrou a foto de três mobians, um ouriço azul, uma ouriça rosa e outro ouriço preto.
—Esse ouriço da esquerda me lembra muito o Nightwalker. Apenas essa listra na cabeça… — Max disse, falando sobre o ouriço preto, que realmente lembrava o tal do Nightwalker que apareceu nas TVs ontem.
—Para de ser paranoico, Max. Eu topo. Mas pega leve comigo. — Eu disse.
—Fala isso pro traficante, não para mim.- Max respondeu bruscamente.
—Ah, e eu também quero uma máscara e uma arma, por favor.- Eu disse.
Logo após isto, Max começou a mexer na sua caixa de artigos militares e me lançou um kit da polícia para eu usar. Uma MP5, uma G19 junto com 2 granadas de fragmentação e luz e uma bandoleira de 2 pochetes grandes para munição cheios, um espaço para uma arma secundária e outro para uma primária, um colete a prova de balas e uma jaqueta, junto com uma máscara de teatro de tragédia.
—Vista isso que eu joguei aí. Depois eu te arrumo uma máscara decente. — Ele disse.
Eu coloquei o colete primeiro, depois vesti a jaqueta, e então vesti a bandoleira com minhas armas e equipamento. A máscara vinha junto com a bandoleira da arma primária, igual a Max.
—Vamos.- Max disse enquanto apressadamente enquanto fazia o sinal da cruz e saía do bunker.
Depois de nós dois estarmos no carro seguimos em frente a Central City.
2 horas depois
Finalmente havíamos chegado em Central City, e depois de subir o morro inteiro morrendo de medo, pois Max era ousado demais.
Cidade Alta era horrível. Dava pra escutar tiros de G3 de longe. Cada um deles Max nem dava atenção.
Bem, ele já esteve na guerra de Kin, da até pra entender. As coisas que ele já teve de ver, sentir, ouvir e fazer naquele lugar que antes era tão pacífico, eram horríveis.
—Aí Rose, chegamos. Sobe até aquela laje lá que eu fico nessa.- Ele disse.
Eu subi até outra laje que ficava em outra casa, e graças a Deus que eu entendia bem de códigos militares, porque se não eu estava fodida.
—Espera eles aí. Coloca a sua máscara porque a porra vai ficar louca já, já.- Ele disse.
Essa foi a última coisa que ele me disse, pois depois disso os moleques apareceram.
Era bem como Max previu, três ouriços, um preto e o outro azul, e a outra era rosa.
O ouriço preto era a cópia viva de Nightwalker. Parecia até que estávamos protegendo o tal.
Quando olhei para Max, ele estava encarando o ouriço preto de forma bizarra, o que estava me incomodando.
Eu dei um estalo de dedos para ele acordar, e fiz um sinal de atenção para as janelas, pois vi um dos criminosos os observando.
—Aí, perdedor, cortou nenhum pipa hoje, hein. Que merda, hahah.- O ouriço preto disse, zombando do azul.
—Não era minha culpa que o vento estava forte demais, né, Shadow, seu ótario.- O ouriço azul disse.
—Dá para os dois pararem de brigar?- A ouriça rosa disse.
Até aí já estava apontando minha arma para o criminoso em uma das janelas, e Max para outro.
Quando os jovens se encostaram na parede, Max fez o sinal de ataque e começou a disparar contra um que estava na janela de um condomínio.
Ele até tentou disparar de volta, mas Max foi muito mais rápido.
—No chão vocês três aí!- Max gritou para os jovens, que se deitaram na hora.
Eu, pela primeira vez, disparei contra alguém na minha vida.
Eu acabei matando o criminoso que estava observando eles, pois sabia que ele ia avisar os fogueteiros.
—Rose, vamos descer agora! Vai dar mal!- Max disse, enquanto descia as escadas para o térreo da casa.
—Entendido!- Eu disse, enquanto descia as escadas junto, ainda meio abalada por ter matado alguém.
Quando eu cheguei no térreo, Max estava atirando no semi-automático, para não acertar civis.
—Segura essa, seus otários! — Max disse para os traficantes.
Eles responderam disparando uma rajada de 7.62, mas se deram mal do mesmo jeito.
Depois de Max disparar mais umas 2 vezes, o tiroteio parou.
—Tá limpo, Rose. Vamos até os pivetes e tira a sua máscara. — Ele disse enquanto ia em direção aos jovens.
Quando chegamos neles, o ouriço azul e a menina estavam muito assustados, mas o preto estavam completamente calmo.
Ele e Max ficaram se encarando por uns segundos, até que o ouriço preto soltou umas palavras.
—Você é estranho.- Ele disse.
—Hmph. Já nos vimos antes?- Max perguntou de ínicio.
—Também ia te perguntar o mesmo.- O ouriço respondeu.
Enquanto os dois discutiam eu fui até o resto da turma.
—Vocês estão bem?- Eu perguntei.
—Quem são vocês?- O ouriço azul perguntou, assustado.
—Depois eu explico. Pergunta pro meu irmão que ele entende bem a situação.- Respondi.
— Muito obrigada, moça! — A garota me disse, enquanto me dava um abraço.
Ela estava muito nervosa, e foi a única que entendeu a situação.
—Agradeça ao meu irmão.- Respondi.
—Seu irmão é o cara que está discutindo com o Shadow agora?- O ouriço azul falou.
Quando eu me virei, os dois estavam discutindo.
Max estava encarando o ouriço preto com uma certa raiva, e Shadow o encarava da mesma maneira.
—Pois é. Desculpem o transtorno.- Eu respondi.
Shadow estava cínico demais em relação a situação. Não era a toa que Max estava discutindo com ele.
—Ei, me respondam uma coisa. Quem são vocês e quem é o seu amigo lá? — Eu perguntei mudando o tom de voz.
—Meu nome é Amy Rose. Ou pode me chamar de Amy. — A garota respondeu.
—Meu nome é Sonic, prazer. Qual o seu? — O ouriço azul perguntou.
—Me chame de Rose. — Respondi.
—Bem, agora voltando a Shadow, ele é diferente de nós. Ele é o único adulto aqui, e tem um passado ruim. Sei que fazia parte da ARK, aquela organização que Eggman destruiu e que perdeu alguém querido lá. E ele trabalhava para o Eggman uns anos atrás. Isso é tudo o que eu sei. — Sonic disse.
—Obrigado, Sonic. Agora deixe eu cuidar da situação. — Disse.
Eu fui até Max separar os dois antes que desse merda.
O passado dele era bem parecido com o de Shadow. Max, quando um pouco mais jovem em sua carreira de justiceiro, estava intervindo na guerra junto com um grupo de outros justiceiros.
Pelo que vi, todos eles morreram, exceto Max. Mas que esse grupo causou várias mudanças importantes, isso não há como negar.
Max realmente mudou depois que saiu da guerra. Dizem que ele matou mais de 1000 GUNs em sua carreira, e mais de 300 criminosos como justiceiro.
Era composto por 4 pessoas, agora por quem eu não sei dizer.
—Aí, Max, parou. Vamos voltar.- Eu disse, enquanto o puxava para trás.
—Hmph. Estranho. — Shadow disse antes de virar de costas.
—Diga, Rose. — Max perguntou.
—Vamos logo. — Eu disse, enquanto insinuava que queria ir embora.
—Calma. Tenho que falar com os garotos. Shadow pode ser útil. — Ele disse.
—Útil no que? — Eu perguntei.
—Depois eu explico. — Ele respondeu.
Max foi até os garotos, e pelo que dava pra ver, ele e Sonic estavam tendo uma conversa até que amigável, e ele estava acalmando Amy.
—Aí, Sonic, qualquer coisa é só me ligar. — Max disse.
—Pode deixar. — Sonic respondeu.
—E Amy, pode ficar tranquila que eu não vou deixar ninguém te machucar.- Max disse.
—O-Obrigada. — Amy respondeu, ainda meio assustada.
—Bem, galera, tenho que ir. Falou. — Max disse antes de ir embora.
Depois disso nós descemos o morro inteiro até chegar no nosso carro.
Depois que entramos no veículo, Max me disse:
—Essa é a primeira vez que dispara em alguém?- Disse ele.
—Sim, porque?- Eu disse, com um pouco de raiva.
—De agora em diante se prepara, porque você tá junto nessa comigo. Você vai se acostumar. Pensa nessas ações como uma limpeza de rua. Cada um desses lixos que você remove da rua, já está colaborando com a sociedade.- Ele falou friamente.
—Então é assim que pensa sobre a vida humana? Nunca pensou na dor que a morte de alguém querido causa a outra pessoa?- Eu disse, já irritada.
—Se eu nunca pensei? Você não entende a minha dor e o que eu tive de passar para aceitar a realidade.- Ele respondeu.
—Ah é? Pensei que depois que nossos pais morreram, você havia amadurecido, mas pelo visto estive enganada! Você virou um assassino!- Eu disse.
—Você pensa igual Thomas. Se tivesse visto o que vi na guerra você não pensaria deste jeito.- Ele respondeu, meio que decepcionado.
—Hmph. Vou ter que engolir essa.- Eu disse.
1h30m depois
Depois de uma longa viagem, chegamos no bunker. Já não via a hora de me deitar e esquecer sobre o que aconteceu.
Depois que entramos no bunker, Max foi direto para o seu quarto junto com seus equipamentos para resolver alguns assuntos, e eu joguei os meus no chão.
Nem tirei o meu traje, apenas me deitei e dormi em seguida.
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