Anjo Travesso

1 O dia em que o conheci.


Notas iniciais
Olá pessoal, este é o primeiro capitulo espero realmente que gostem.
Boa Leitura =)

Não há nada sobre mim que você precise saber. Até porque a minha vida só começou a fazer sentido quando o conheci.

22 De Fevereiro, 2009- Texas.

Voltar para a escola não era nada muito interessante, eu nunca fui a melhor aluna da classe nem mesmo a mais popular. Porém, sou conhecida como a nerd estranha do 04, que é o numero do meu armário. Meu nome é Carrie, tenho 17 anos e estou no último ano. Meu apelido por aqui é Carrie, a estranha. Por conta do filme da garota que é totalmente estranha e atá anti-social. Não que eu seja, apenas acho desnessesário conversar com pessoas que não tem nada de bom para falar e tentar ser carinhosa e atenciosa a quem não merece.

Estudo naquela escola a mais de 5 anos, quando me mudei para o Texas. Ás vezes, eu acabo sumindo, passo dias sem frequentar a escola, e ninguém sabe o motivo, nem ao menos fazem questão de saber. Todos acham que eu sou suicida por aparecer com manchar roxas nos braços após voltar de minha ausência. Na verdade, eu nunca di muita atenção para o que pensam de mim. Tenho apenas uma amiga, Lauren Sands. Ela sim é conhecida como a nerd da classe, somos amigas a mais de 4 anos. Ela foi a única da escola que não me julgou nem nada do tipo.

Eram 12:45 P.m, eu, minha mãe Morgan Moore, e meu pai Alexander Moore estávamos no hospital de câncer do Texas, para mais exames de rotina que eu teria de fazer. Mais um detalhe, eu tenho um câncer desde os 10 anos de idade. Leucemia mieloide aguda. Descobrimos por causa da minha grande falta de ar, que me impede até de correr durante um bom período de tempo. Além de hematomas que surgiam de repente. Vivo a 7 anos com isso, e desde então não faço atividades físicas na escola, o que causa indignação entre os colegas.

Estava sentada no banco do grande hospital, bebendo um copo com água e olhando os médicos correrem para lá e para cá. Minha mãe e meu pai estávam conversando com alguns conhecidos. Estava um grande movimento naquele hospital, praticamente a hora do almoço. Estava com uma fome imensa por não ter comido nada nas ultimas 22 horas, por conta do exame que teria de fazer. Estava enjoada, cansada e com hematomas em minha pele. Foi aí então, que eu resolvi levantar-me para jogar o copo descartável na lixeira. Caminhei alguns metros de forma horizontal quando senti alguém me atropelar.

Imediatamente cai ao chão, sentindo que aquela pessoa caíra em cima de mim. Assim que abri os olhos, vi um garoto extremamente lindo, moreno, de olhos castanhos e cabelos negros. Parecia ter a minha idade, era o garoto mais lindo que eu já havia visto. Mas toda essa beleza transformou-se em arrogância. Quando levantou-se de cima de mim, nem ajudou-me a levantar, ou perguntou se eu estava bem. Apenas levantou, e já correndo gritou:

- Olhe por onde anda, garota!

Então, vi ele sumir entre os corredores, coloquei minha mão sobre a cabeça sentindo dor. Meus pais se aproximaram e me ajudaram a levantar, então, vi algumas pessoas descontroladas correndo em direção por onde o garoto correu.

Sente-me novamente no banco.

- você está bem querida?

Pedia minha mãe, apenas assenti com a cabeça e esbocei um sorriso torto. Alguns minutos se passaram, então fui chamada.

- senhorita Moore? Sua vez.

Fui acompanhada de minha mãe, enquanto meu pai ficou do lado de fora. Era o doutor Robert Williams, meu médico desde sempre.

-então, como se sente? –perguntou.

-como sempre me senti.

Respondi já deitando sobre a cama. Minhas roupas estavam penduradas nos cabides e minha mãe segurava meu anel. Ao ver meu corpo novamente, o médico fez cara de quem não gostou. Não por eu estar nua, mas sim, pelos hematomas que continha em todos os lugares de meu abdômen.

- o que foi doutor? – pedia minha mãe.

Ele demorou alguns segundos para responder.

- Acho que os remédios não estão mais fazendo efeito.

- O que isso quer dizer? – perguntei rapidamente.

Então, ele parou de me examinar. Olhou para minha mãe, apreensiva. E depois olhou para mim. Que devia estar com uma cara muito assustada.

- teremos de começar as seções de quimioterapia.

Um silêncio se fez.

-Isso quer dizer que ficarei careca?

- Provavelmente.

Já via as lágrimas nos olhos de minha mãe.

-Tudo bem, nada do que eu não esperava. – respondi

Depois de algumas conversas com minha mãe, na tentativa de acalmá-la. Saímos do consultório. Meus pais foram até a enfermaria pegar alguns remédios, já eu, decidi caminhar um pouco lá fora. No lindo jardim que havia naquele ambiente horrível.

Haviam flores de todas as cores, o vento balançava meus cabelos e os pássaros cantavam alegres nas árvores. A grama estava verdinha, e o sol escaldante. Sentei-me em um banco que havia lá, e fiquei observando a paisagem.

Logo, vi um garoto sentado na grama ao longe. Parecia atordoado, chateado e triste. Parecia querer ficar sozinho, mas eu resolvi me aproximar. Caminhei lentamente em sua direção, ele mantinha as mãos no rosto, tentando se esconder entre os joelhos.

-Olá.

Disse lentamente, enquanto me sentava ao seu lado. Ele ergueu seu rosto e retirou as mãos de seus olhos, levei um susto quando percebi que aquele garoto era o garoto estressadinho que me atropelou no corredor. O mau-humorado que saiu correndo sem nem pedir se eu estava bem. Engoli em seco, e levantei-me rapidamente.

-Desculpe.

Disse de repente ao ver que eu iria me afastar.

-Está tudo bem? – perguntei sentando-me ao seu lado novamente. – Se importa de eu sentar aqui?

-Fique a vontade. – disse. – Não estou muito bem, e você?

-Acho que posso dizer o mesmo. – falei fitando minhas mãos. – o que aconteceu?

De repente o silêncio. Acho que eu estava sendo muito curiosa.

- Meu pai. – suspirou. – Acabou de morrer.

Engoli em seco mais uma vez. Primeiramente, fiquei em silêncio olhando seu rosto vermelho de choro.

-E..Eu sinto muito. – gaguejei.

Ele nada respondeu. Escondeu seu rosto entre as mãos como antes, e ouvi-o choramingar.

-Ele era uma pessoa incrível! –disse entre soluços. – Tão jovem, cheio de sonhos e desejos, não merecia isso!

Sem ter o que dizer, achei melhor abraçá-lo. Me assustei quando ele praticamente se jogou em meus braços e chorou em meu ombro. Passei minhas mãos em suas costas, fazendo cafuné, tentando acalmá-lo.

-Ele era um pai incrível, eu vou sentir tanto a sua falta!

-Tudo vai ficar bem, você verá. –disse apenas.

-Você não tem medo de morrer? – perguntou de repente.

-Todos nós vamos morrer algum dia, não é? Só que alguns vão antes de outros. Estão cansados e precisam descançar.

Me arrependi de ter falado aquilo. Ele se afastou de meus braços e limpou o rosto, secando as lágrimas com a manga do casaco.

-Você tem razão. Só que vai demorar muito para que eu me conforme.

-Eu sei, cada um tem seu tempo.

-Qual seu nome? – me perguntou.

-Carrie... Carrie Moore.

- Prazer, Derek Tyler.

Notas finais
Gostaram?
Nos vemos nos comentrios, Ok?
^~^