Anjo Travesso

35 Manhã calma de março.


Notas iniciais
Oi amores! Eu realmente preciso me desculpar pela demora na postagem do capítulo, mas acontece que eu acabei perdendo um ente querido da minha familia,o meu avô. então as coisas estavam bastante corridas e me faltou a inspiração pra escrever algo legal pra vocês nesse momento tão dificil. Mas cá estou eu, espero que me desculpem e gostem do capitulo.

Olho para James horrorizada,não é possível que ele possa ter feito isso. Ele se vira para mim imediatamente me fitando com olhos arregalados, acho que só agora ele se deu conta do que acabou de fazer. Saio correndo e vou rapidamente em direção da janela, me debruço e avisto Derek ainda no chão.

Ele está se contorcendo, parece sentir dor na coluna. Passa as mãos suavemente na extensão da cintura, seus olhos estão fechados e a testa enrugada. Viro meu rosto para James que agora também está debruçado na janela, seus olhos ainda assustados me olham sem entender.

–Meu Deus! O que você fez? –Eu me seguro para não gritar.

James nada responde, mas sua cara é de arrependimento. Saio correndo do quarto, desço as escadas rapidamente de dois em dois degraus, vou até o quintal, e Derek ainda está deitado na grama. Me abaixo até ele tentando chamar sua atenção.

–Derek! Derek! Como você tá? Tá se sentindo mal? Quer que eu chame uma ambulância? –Passo minhas mãos por seu cabelo desajeitado.

Ele finalmente abre os olhos lentamente, pisca algumas vezes seguidas e assim que me reconhece, abre um sorriso.

–Derek, você tá melhor?

Como ele não responde, o ajudo a sentar. Seus olhos me fitam por alguns segundos.

–Fica aqui, eu vou chamar socorro. –Falo já me levantando.

Entro em casa correndo, à procura do meu celular. Quando termino de subir as escadas esbarro em James no corredor.

–O que você vai fazer? –Ele pergunta segurando meu braço.

–Vou chamar uma ambulância, Derek deve estar machucado. –Digo arrogante.

James suspira pesado.

–Não, você não vai.

Arregalo meus olhos imediatamente, o que é isso agora? Negar atendimento? Quem James pensa que é?

–Eu vou acabar me fodendo. –Ele diz.

–Ninguém mandou você jogar uma pessoa da janela.

–Qualé Carrie. Não tem nem três metros do chão, você sabe que a janela não é alta. Ele não se machucou, deve estar só se fingindo! Cretino!

–Cala a boca! –Eu retruco. –Você o atirou da janela, tem noção do que fez?

James pisca os olhos em sincronia.

–Ele não se machucou.

–Como você tem tanta certeza? –Eu pergunto o encarando. –James você não é o senhor sabe-tudo!

–Eu vou levar ele pra casa. –Diz finalmente. –É o máximo que ele merece.

–Não! Ele precisa de atendimento médico! –Eu bufo.

James revira os olhos em desaprovação.

–Agora solta meu braço! –Ordeno.

Um silêncio se faz, mas James continua segurando meu braço, forte. Seus olhos estão quentes, parecem me consumir e eu tenho medo quando ele me encara dessa maneira, sem dizer nada. Parece bravo, nervoso, mas é difícil dizer. Só sei que essa expressão além de perigosa, é extremamente sexy.

–Me solta! –Eu digo novamente na esperança de ser livre.

–Não vou te soltar pra você sair correndo e fazer besteira. –James responde.

Então, uma ideia me vêm à cabeça.

–Tudo bem, eu sei me soltar.

Elevo meu joelho rapidamente, e acerto James no meio de sua pernas. Meu braço é solto imediatamente enquanto ele se abaixa levando suas mãos até a área lesionada.

–AAAAARRH! –Ouço ele gemer enquanto entro em meu quarto.

Encontro meu celular em cima do criado mudo, volto ao corredor e James continua lá, agora deitado no chão se contorcendo. Dou uma pequena risadinha enquanto passo por ele, minhas aulas de auto defesa nunca foram em vão. Se bem que assistir filmes sempre me ensinaram como fazer isso. E é algo que eu sempre quis fazer.

Volto ao quintal com o celular em mãos, mas sou pega de surpresa ao ver que Derek não está mais ali. Olho para todos os lados, mas não há nenhum sinal dele agora. Ele provavelmente foi pra casa.

Fico parada no meio do quintal por alguns minutos, ele não estava machucado se não ainda estaria aqui. Respiro fundo dando meia volta e seguindo em direção à casa.

Deposito meu celular em cima da mesa da cozinha, não escuto mais James gemer nem fazer algum barulho. Ele deve estar zangado comigo, mas ele jogou Derek pela janela! Isso são coisas que não se deve fazer’ penso.

Abro a geladeira e retiro a jarra com água gelada, deposito em um copo e depois bebo. Fico pensando em toda essa confusão. Primeiro Derek bêbado, ninguém poderia imaginar que ele fosse aparecer a essa hora aqui em casa, ele não estava zangado e parecia ter esquecido das coisas que me disse quando eu o procurei. Eu estava confusa, mas ele não queria conversar, efeito do álcool.

Depois James me salvando, a luta, Derek pela janela, joelhada em James... tive que rir ao lembrar da cena.

O fato é, que James deve estar muito zangado, e eu realmente estava preocupada que eu pudesse tê-lo acertado muito forte, o que comprometeria sua fertilidade.

Sorrindo eu subo as escadas e como James não está mais deitado no corredor, suponho que ele esteja em seu quarto. A porta está fechada e não há nenhum barulho por ali. Me aproximo devagar e vou abrindo a porta de seu quarto calmamente. O vejo deitado no chão, em cima de seu skate. Seguro meu riso mais uma vez.

Entro em silêncio no quarto, fechando a porta atrás de mim. Ele se mexe e parece ter notado a minha presença. A cena me vem outra vez à cabeça e eu não consigo segurar minha risada.

–O que é que você quer? –James pergunta levando suas mãos acima da barriga.

Seguro minha risada mordendo meus lábios.

–Quero saber se você tá chateado comigo. –Eu respondo calmamente.

– O que é que você acha? –Ele pergunta duro, de olhos fechados.

Vou me aproximando dele lentamente. Dando pequenos passos em sua direção, seguro minhas mãos para trás , me fazendo de ingênua. Como eu não respondo a sua pergunta, James abre seus olhos para acompanhar meus movimentos, e logo estou olhando para ele.

Ele está bravo, posso ver em sua expressão facial, o rosto rígido, os lábios apertados em um traço fino, os olhos sérios e a mandíbula tensa. Eu continuo a morder meus lábios, não mais para segurar meu riso, mas tentando ser provocante.

James se apoia em seus cotovelos e não diz nenhuma palavra a mais.

–O que eu posso fazer pra diminuir a sua raiva? –Pergunto.

Então, um sorrisinho se forma nos lábios de James, sua expressão muda rapidamente e eu sei no que ele está pensando. Conheço muito bem aquele sorriso sacana e maroto.

Sem dizer mais nada, eu desço até o chão, junto á ele que permanece deitado, mas agora seu skate foi jogado para longe. Estou de joelhos em meio às suas pernas, e vou me deitando em cima dele lentamente.

Quando chego em frente à seu rosto, sussurro de arrependimento.

–Desculpa pelo golpe, mas você devia ter me soltado.

Ele ri.

–Pelo jeito adiantou muito você se soltar não é?

Eu reviro meus olhos sorrindo.

–É, você tinha razão. Ele não tava machucado, quando cheguei ele não estava mais lá.

James apenas fecha os olhos sorrindo, ter razão parecia ser algo que ele gostava muito.

–Te salvei de um estupro e é assim que você me agradece. –Ele diz se fazendo de vítima.

Eu dou um meio sorriso e me aproximo de sua boca, mordendo seus lábios.

–Obrigado mais uma vez. –Sussurro em seu ouvido.

–Vamos pra cama ou ficamos no chão mesmo?

Sua pergunta me assusta de momento, mas eu volto a rir.

–O chão parece melhor agora.

{...}

26 de Março, 2009 –Texas.

Abro meus olhos com dificuldade, eu poderia passar o dia todo dormindo, ainda mais nessa manhã deliciosa de março. Dou alguns sorrisinhos ao perceber que estou deitada no chão, enrolada à um edredom e logo a lembrança da noite passada me vêm em mente. Somos completamente malucos’ penso.

Me viro delicadamente, e posso ver James deitado de costas para mim. Ele está nu enrolado em seu cobertor xadrez, mas suas costas estão olhando para mim. Levo meus dedos até sua pele e a toco com carinho. James parece um anjo quando dorme, tão lindo.

Deposito alguns beijinhos em suas costas e então me levanto do chão duro. Tenho amor às minhas costas. Vou até o banheiro e tomo um delicioso e relaxante banho, quando volto ao quarto de James, já vestida, ele não está mais ali. O edredom está dobrado em cima da cama e isso me deixa realmente surpresa, mas surpresa ainda, o fato de James não estar mais dormindo. Ele ama dormir mais do que eu.

Dou de ombros e quando estou no corredor, ouço meu celular tocar. O som vem de dentro de meu quarto, mas eu lembro de ter deixado ele sobre a mesa da cozinha. Talvez James tenha levado ele até lá, entro em meu quarto e vejo ele vibrando enquanto toca sobre o criado-mudo. É minha mãe.

–Oi querida! Que bom ouvir sua voz! –Ela está empolgante.

–É bom ouvir a sua também. –Tento esconder minha preguiça matinal.

–Como estão as coisas por aí?

–Tá tudo bem mamãe. –Respondo calmamente. –E aí?

–Este lugar é maravilhoso! –Ela suspira. –Realmente tranquilizante e lindo, seu pai e eu estamos pensando em passar a temporada de inverno por aqui, eles tem choupanas bem acolhedoras pra essa estação do ano e você poderia finalmente conhecer esta região. –Ela termina a frase rindo de satisfação.

–É mamãe, seria ótimo. –Respondo apenas.

–Claro que seria! –Ela ri. –Infelizmente, a excursão já está acabando, passamos dias maravilhosos aqui mas está na hora de voltar para casa. Dia primeiro já estamos de volta.

–Poxa, então aproveitem ao máximo. –Respondo.

–Preciso desligar agora. –Ela diz. –Amo você, e James também.

–Tchau, te amo. –E desligo.

Coloco meu celular de volta ao criado-mudo e saio, não há nenhum sinal de James por aqui, será que ele saiu sem me avisar?

A sala está vazia e a cozinha parece nunca ter sido habitada, fico parada em silêncio tentando ouvir algum ruído ou pensar onde James possa estar. Não demorei tanto assim no banho para ele ter sumido. Ou demorei?

Então, ouço o barulho da batida de uma porta de carro, o som vem da rua e eu vou até a janela para ver o que está acontecendo. É um carro.... De policia?

Pisco meus olhos algumas vezes tentando ter mais nitidez enquanto observo de longe. Parece ser James na janela traseira, mas eu não tenho certeza. Vou correndo até a porta, a abro e vou até a calçada. Mas de perto posso ver e ter a confirmação de que é James quem está sendo levado.

–O que é isso? –Pergunto assustada.

Vejo os olhos de James se voltarem em minha direção, há dois policiais ali, um já está sob o volante do veículo e o outro está prestes a entrar. Eu estou parada na calçada sem nada entender, esperando pra que alguém me dê uma resposta do que está acontecendo.

James continua me fitando, mas é tudo muito rápido. O carro dá a partida e antes que ele se mova escuto a voz de James me chamar.

–Estou sendo preso.

Notas finais
Reviews?