Anjo Travesso
13 A Verdade.
Notas iniciais

P.O.V Derek.
De repente, vi Carrie caindo a minha frente, ela simplesmente fechou os olhos e desabou em meus braços. Fiquei desesperado e sem saber o que fazer, peguei-a na cabeça, tirando os fios de cabelo de seu rosto, e dei pequenos tapas em sua bochecha direita.
–Amor! Amor! Acorde!
Ela não se mexia, eu estava tremendo e infelizmente, não tive outra escolha. Abri a porta de seu quarto, segurando Carrie em meus braços estava um silêncio enorme naquela casa. Eu não conhecia os cômodos, mas sabia que o quarto de Carrie ficava no segundo andar então procurei rapidamente pelas escadas. Andei depressa pelo corredor estreito e apertado, até que vi a escada que dava até a sala. Conforme fui me aproximando, ouvi a Tv ligada em um canal qualquer, e avistei os pais de Carrie sentados no sofá olhando atentamente para a Tv. Eu não tinha outra escolha, aquela parecia ser a melhor coisa a ser feita no momento. Afinal, quando você está extremamente nervoso, você não pensa direito.
Eu não queria assustar os pais de Carrie, mas como?
Passar por despercebido, não daria certo.
–Me ajudem! –gritei descendo as escadas, quase correndo.
Imediatamente, os pais de Carrie levantaram-se surpresos do sofá. Uma vantagem, era que eles já me conheciam. Se não, poderiam pensar que eu fosse um sequestrador ou sei lá o quê. Os olhos da mãe de Carrie saltaram no mesmo instante quando o grito dela ecoou por toda a casa. O S.r Moore ficou me olhando por alguns segundos, até que percebeu que eu carregava Carrie em meus braços, desacordada.
–O que aconteceu? –Gritou o pai de Carrie vindo em minha direção, e pegando-a de meus braços.
–E..e...eu..eu –passei minhas mãos sobre a cabeça, nervoso. – Ela... Ela simplesmente desmaiou!
–O que você estava fazendo no quarto dela? –gritou a S.r Morre.
–Isso não é hora de discussões, precisamos levar Carrie para o pronto-socorro!
Assim que o pai de Carrie falou aquilo, ficamos nos olhando por alguns segundos, até que corremos todos juntos até o carro que estava estacionado na garagem ao lado da casa, o S.r Moore, colocou Carrie no banco traseiro, e pulou para o volante. Já a mãe de Carrie, foi para o banco do passageiro, fechando a porta do carro com força. Quando abri a porta lateral, ouvi um grito vindo da direção dela:
–O que pensa que está fazendo?
–Eu vou junto até o pronto-socorro. –disse entrando no carro.
Vi que a mãe de Carrie havia abrido a boca para retrucar mais uma vez, porém foi contrariada pelo marido que exigiu que a gente parasse de brigar.
Coloquei Carrie sobre meu colo, e acariciei seu cabelo enquanto o carro andava depressa. Ela parecia um anjo dormindo, porém eu estava muito preocupado. Porque será ela havia desmaiado assim?
O Srº e Srª Moore estavam em silêncio, porém olhavam a todo instante para Carrie, que dormia sem imaginar o que estava acontecendo. Chegamos à emergência do hospital mais próximo, retirei o cinto de segurança rapidamente e peguei Carrie em meus braços, saindo do veículo. Logo após seus pais, que tomaram Carrie de meus braços e correram até a portaria do hospital. Havia uma atendente, toda vestida de branco e cabelo amarrado em rabo de cavalo.
–O que aconteceu? –perguntou ela se aproximando.
–Ela desmaiou. –respondeu o pai de Carrie.
–Tudo bem, entre nesta sala por favor.
Então, entraram na enfermaria, eu estava logo atrás deles, mas fui impedido.
–Você não entra! –ordenou a mãe de Carrie com rancor.
Ela fechou a porta praticamente na minha cara, então fiz meia volta e sentei-me no banquinho que havia lá. Impaciente, fiquei brincando com meus dedos esperando que eles saíssem de lá com Carrie. Eu estava preocupado e com medo do que fosse acontecer depois, afinal eu estava no quarto de Carrie e pra piorar passavam das 22hrs da noite.
Alguns minutos se passaram, eu já estava com uma revista de medicina nas mãos, estas revistas que você nem sabe por que pegou para olhar, porque não há graça nenhuma. Então, a porta da enfermaria se abriu e vi Carrie sair de lá acompanhada dos pais, levantei-me rapidamente e fui até sua direção. Ela percebeu que eu me aproximava, e olhou para mim, esboçando um sorriso fraco logo em seguida.
Ela segurava o braço com uma mão.
–Você está bem? –perguntei.
–Sim. –ela logo respondeu.
Vi a mãe de Carrie me fitar, e por um momento seu marido cutucá-la com o braço para que ela parasse de me encarar daquela forma, e por sorte, foi o que ela fez. Pegaram alguns papéis com a enfermeira e saíram. Eu estava mais perdido que cego em tirroteio, sem saber de nada, os segui até o carro. Carrie estava abraçada com seu pai, que logo abriu a porta do carro para que ela entrasse, mas antes dela adentrá-lo disse:
–Derek vai conosco.
Sua mãe me fitou novamente, e entrou no veículo sem dizer nada, já o Srº Moore, acentiu com a cabeça, então entrei no carro. Eu queria conversar tanto com Carrie, mas não queria abusar da situação, então me sentei em silêncio ao lado dela que olhava para a janela de forma triste e pensativa.
Durante o percurso, nenhuma palavra. Então, logo chegamos até sua casa.
–Carrie, dispense esse garoto e entre. –ordenou a Srª Moore.
Ficamos somente eu e Carrie do lado de fora da casa, me aproximei dela e peguei sua mão, olhando fundo em seus olhos. Eu estava esperando que ela falasse alguma coisa, mas não foi o que aconteceu.
–Amor, o que o médico disse?
Por um momento, Carrie fechou os olhos com força e ergueu a cabeça em direção ao céu, depois me fitou com lágrimas nos olhos.
–Eu não sei como te contar. –disse ela chorando.
Aquilo só serviu para me deixar mais nervoso e apreensivo.
–Como assim?
–Não posso te contar aqui, agora. –disse ela.
–Mas eu quero saber. Porque está chorando? O que você têm?
–Derek, agora não por favor. Eu preciso de tempo!
Eu revirei meus olhos, tentando evitar com que as lágrimas caíssem por meu rosto e ela percebesse que eu era um cara chorão, mas infelizmente, meus olhos já estavam marejados demais. Carrie se aproximou de mim, e beijou meus lábios. A segurei pela cintura, aprofundando o beijo, que logo foi interrompido por ela mesma.
–Eu amo você Derek, por favor, quero conversar com você somente amanhã. À tarde, entre em meu quarto pela janela.
–Entrar no seu quarto pela janela? De novo? Você é doida? Se nos pegam?
–Eu pretendo resolver tudo com meus pais esta noite, e amanhã eu converso com você sobre hoje.
Eu bufei, estava tudo tão confuso que eu precisava somente dormir e esquecer tudo. Optei por dar as costas, e voltar para casa.
{...}
P.O.V Carrie.
O que falar do dia de ontem? Foi um dos piores que eu já tive! Senti que Derek havia ficado abalado comigo, mas eu só precisava pensar em tudo um pouco mais. Não foi nada fácil explicar para meus pais que eu e Derek estávamos nos encontrado em meu quarto, durante alguns dias. Minha mãe quase surtou e me proibiu de ver ou falar com Derek, meu pai não disse nenhuma palavra, e apenas concordou com ela.
Conclusão: eu teria de me afastar de Derek o mais rápido possível.
Doeu em mim só de pensar o que teria de fazer, justo agora que a gente tinha resolvido nos assumir e assumir um namoro. Eu queria contar a Derek sobre minha doença, eu senti que havia chegado a hora para isso, não podia ficar mais escondendo tudo isso, além do mais, minhas seções de quimioterapia começaria em menos de duas semanas, e eu estava piorando. O meu desmaio foi só pra avisar que eu não estou nada bem, e quem sabe pensar na idéia de tentar ser feliz, já que meu destino estava traçado.
Eu me sentia como se estivesse enganando a Derek, eu nunca poderei ser a sua mulher, nunca poderei lhe dar filhos ou constituir uma família já que eu estava prestes a partir para uma melhor. Não queria estragar a juventude de Derek desta forma, ele é tão bonito, as garotas babam por ele, logo encontraria alguém que o merecesse mais que eu.
28 de Fevereiro, 2009 –Texas.
Meus pais concordaram com a idéia de Derek aparecer lá em casa durante a tarde, contanto que eu colocasse um ponto final em tudo o que tínhamos. Meu pai mudou totalmente o modo de agir, ele havia ficado muito bravo com Derek em meu quarto, e eu sabia que tinha toda a razão. Mandei um SMS à Derek dizendo a ele que poderia entrar pela porta da frente, ao invés da janela, logo um ‘OK’ como resposta.
{...}
Abri a porta de casa e vi Derek sorrindo, ele parecia bem melhor do que ontem à noite. Ele tinha ficado tão preocupado que meu coração chegava a doer só de pensar em tudo o que eu tinha ensaiado em dizer a ele. Sorri sem jeito e dei espaço para ele entrar, meus pais não estavam ali na sala, mas sabiam que Derek havia chegado por conta da campainha.
Subimos as escadas sem dizer nenhuma palavra, Derek devia estar ansioso pois eu percebi que ele estava nervoso.
Sentamos em minha cama, e então, antes que eu pudesse me pronunciar, Derek avançou o sinal e me beijou. Um beijo com tanta vontade que me deixou sem reação, porém correspondi ao beijo com a mesma intensidade.
Mesmo eu sabendo que teria de me afastar de Derek e conseqüentemente, terminar nosso namoro, não podia deixar de amá-lo. Eu o amaria até meus últimos dias, e muito além deles...
–Eu estou tão ansioso! –disse ele.
–Eu sei que está.-respirei fundo.- antes de qualquer coisa, quero dizer que eu te amo muito, independentemente de tudo o que digam ou pensem, em nenhum momento eu quis te enganar. –Derek olhava para mim atenciosamente. – eu só estava com medo, estava frágil, não sabia como agir. Eu quis me afastar, até tentei, mas como não te amar? Você é um garoto que todas as garotas sonham em ter como namorado. E você escolheu logo a mim...
–O que você ta querendo dizer, amor?
–Eu jamais esconderia que te amo, e que você foi a melhor coisa que já me aconteceu em anos. Infelizmente a vida é assim, e eu vou entender qualquer reação sua, vou compreender você, por que eu realmente sou a culpada de tudo isso. Não me afastei quando possível, e eu não posso arruinar a sua vida, não posso acabar com sua liberdade. Você é tão lindo, tão perfeito, em todos os sentidos por dentro e por fora, não vejo defeitos em você. Eu não queria ter me apaixonado, foi tudo tão rápido, e eu jamais menti, e nunca mentirei ao dizer que te amo com todas as minhas forças.
Derek estava confuso, fazia cara de quem não estava entendendo o porquê daquela declaração. Em alguns momentos, sorria com o que eu dizia, abria a boca com vontade de falar algo, mas eu não o permitia. Respirei fundo e continuei a olhar em seus olhos.
–A verdade é que eu estou muito doente. –lágrimas começaram a cair por meus rosto descontroladamente. – eu não tenho muito tempo de vida, eu vou morrer!
Derek arregalou os olhos, e eu pude vê-los marejados. Ele parecia não acreditar, me aproximei dele ao choro, e segurei seu rosto com minhas mãos.
–Tenho Leucemia mieloide aguda desde os 10 anos de idade, não há mais nada que possamos fazer. Tem a quimioterapia, mas não vai mudar nada eu sinto que não vai! Eu vou morrer, e já te envolvi demais nisso. Não quero que você sofra, por isso se afaste de mim enquanto ainda pode.
Vi lágrimas descerem sob o rosto de Derek, então ele começou a soluçar. Fechou os olhos e não disse uma única palavra, me deixando com o coração na mão.
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