Anjo Travesso
23 A Fuga Do Hospital
Notas iniciais

–Eu tô um pouco confusa... O que aconteceu? –Pedi.
James riu e passou sua mão sobre minha cabeça.
–Você não fez a tal quimioterapia, e só isso importa.
–Tudo bem mas.... Eu preciso saber o que você fez ou... o que aconteceu! Eu me lembro de que olhei pra você James, e você tava imóvel!
–Eu sei, eu estava esperando a hora certa pra te levar dali. –Disse ele com tranqüilidade.
–Mas o que você fez? –Insisti mais uma vez.
FLASHBACK ON
–SRª Moore, SRª Moore! –Eu chamava a sua mãe. – SRª Moore! Por favor, deixe a Carrie ir embora, não é um bom momento pra ela encarar tudo isso.
–James, peço pra que você não se meta nisso. –Ela respondeu pra mim enquanto ajudava o doutor Williams a te colocar na cama.
Carrie estava dopada e eu precisava fazer alguma coisa.
–Por favor! –Tentei interferir mais uma vez.
–Se o rapaz não ficar em silêncio, vou mandar retirá-lo daqui. –Gritou o doutor Williams enquanto algumas enfermeiras entravam no quarto para ajudá-los.
Olhei para o rosto de Carrie, mesmo dopada eu sabia que ela não queria aquilo, mesmo que fosse o melhor pra ela. Me aproximei do médico e da mãe de Carrie, eles já tinham a colocado sobre a cama e já arrumavam todas as coisas.
Eu não podia mais demorar.
Me aproximei do corpo indefeso de Carrie e lhe toquei a mão, foi ai então que o doutor Williams me empurrou para trás.
–Não encoste nela. –ordenou. –Saia daqui agora!
A mãe de Carrie permanecia imóvel enquanto recuperava o fôlego. Meus olhos ferveram de repente e eu não tive dúvidas de que chegara a hora.
Rapidamente me aproximei do médico, ele segurava alguns equipamentos enquanto as enfermeiras já preparavam Carrie pra receber a dose. Fechei minha mão e forcei o punho, quando o doutor Williams percebeu minha presença junta dele, virou o rosto até mim. Então eu o acertei em cheio com meu punho cerrado.
Ele, imediatamente caiu sobre a bandeja de coisas que estavam sobre a mesa. Ficou desacordado enquanto o pânico tomava conta do quarto. Vi a Srª Moore me fitar sem reação, as enfermeiras nem ousaram se aproximar de mim.
Uma delas, saiu do quarto correndo e eu sabia que ela ia chamar os seguranças, então tentei ser o mais rápido possível.
Passei minha mão por debaixo do pescoço de Carrie, enquanto minha outra mão juntava suas pernas. Num impulso trouxe Carrie até mim, e agora ela estava no meus braços e eu não deixaria que a tirassem de mim.
Corri até a porta de saída, e quando abri a porta um médico apareceu. O acertei com um chute e então ele caiu abrindo passagem pra mim. Parei por alguns minutos para encontrar a saída, eu não conhecia muito bem aquela clínica, na verdade era a primeira vez que eu havia entrado ali.
Olhei para todos os lados, eu estava ansioso e tinha medo de que algo errado acontecesse. Finalmente, quando percebi a porta de saída, fui correndo até lá com Carrie em meus braços ainda desacordada. Enquanto corria pelo corredor feito um louco, várias pessoas saiam da minha frente assustadas dando passagem a mim mesmo sem entender o que estava acontecendo. Olhei para trás e vi alguns seguranças vindo em minha direção, pude ver a mãe de Carrie com as mãos sobre o rosto, parecia preocupada.
Corri o mais rápido que eu pude, quando percebi já estava correndo pelo jardim da clínica em direção à rua. Por sorte, vi um táxi vago na vaga de estacionamento, entrei rapidamente fechando a porta em seguida com um pouco de dificuldade. Informei o endereço ao taxista e ele deu a partida. Os seguranças ficaram nos fitando enquanto recuperavam o fôlego.
Eu levaria Carrie até uma antiga casa, a qual eu conhecia muito bem. Foi lá que eu praticamente fui criado quando meu pai havia me raptado. Sim, meu pai havia me seqüestrado de minha mãe, pois ela não o deixava me ver. Na verdade, a justiça havia decretado isso, por meu pai ser um cara totalmente violento e sofrer de distúrbios alcoólatras. Essa história foi apagada de nossas vidas quando meu pai foi preso por desobedecer a lei e me manter sobre cárcere privado.
Então, depois que ele saiu da cadeia, se mudou para outra cidade e eu nunca mais soube dele.
Assim que o táxi parou, desci cuidadosamente com Carrie em meus braços. Caminhei alguns kilômetros até que chegamos a casinha isolada e tranqüila. Eu sabia que não restava mais nada naquela casa, mas seria o lugar mais ideal até que eu pensasse em alguma solução. Coloquei-a deitada sob o chão empoeirado e fui até o lado de fora da casa pra ver se eu achava alguma coisa útil. Eu não sabia quanto tempo Carrie ficaria desacordada, então preferi vasculhar a área. Aquele lugar me trazia boas lembranças do meu pai e do tempo bom que eu passei com ele enquanto não sabia de seus podres.
Não pegava celular naquele lugar, e estava tudo tão deserto que eu resolvi voltar para dentro da casa e não deixar Carrie sozinha.
FLASHBACK OFF
– E foi aí que você acordou. –Disse James por fim.
Eu estava completamente confusa, aquilo parecia não ser realidade, será que James teria feito tudo aquilo mesmo? E por mim?
–Basicamente, você é meu seqüestrador. –Afirmei.
James riu.
–Sua mãe deve estar preocupada e eu nem sei se ela vai me perdoar por isso, eu sinto muito. –Disse ele.
James podia ser um cara totalmente descontrolado e irritante, mas acreditar que ele fez tudo isso pra me salvar me deixava realmente muito feliz e grata.
–James, por que fez isso?
Ele me fitou confuso.
–Achei que você quisesse isso. –Disse ele. –Esqueceu de que me pediu ajuda?
–Eu não esqueci. –Falei. – só acho muito curioso o fato de você ter se arriscado tanto por mim.
–Eu não me arrependo de nada se é o que você quer saber. –Disse James se aproximando de mim. –Eu ainda acho uma palhaçada você querer morrer de câncer sabendo que pode lutar contra ele, mas fiz isso por que você me pediu e pode mudar de idéia quando quiser.
–Eu.. eu não sei nem como te agradecer. –Falei sem jeito. –Foi basicamente uma loucura tudo isso, mas eu ainda preciso de tempo pra pensar no que eu realmente quero, e eu não posso ser obrigada a tomar uma decisão se eu nem sei se quero isso pra mim.
–Eu te entendo, e juro que não vou te julgar por isso.
James me deixava sem fala muitas vezes, ele não parecia ser aquele cara de que Derek havia falado, e sim completamente ao contrário.
–O que vamos fazer? –Perguntei de repente.
–Ficaria com medo se eu disesse que não sei?
Eu ri.
–Estou com medo. –Falei e ele balançou a cabeça.
–Acha que sua mãe ligou pro FBI ou foi pra casa?
–Eu não faço a menor idéia. –Respondi.
–Isso é ruim. –Disse ele. –Não podemos passar a noite aqui, não tem cama nem comida, nem se quer um gole d’água.
–Estamos muito longe da cidade? –Perguntei.
–Há uns 5km, mas não do centro estamos num lugar bem distante de lá.
–Certo, vamos até a cidade. –Falei.
James arregalou os olhos em seguida.
–O que faremos lá?
–Tenho um cartão de créditos no meu bolso, ele sempre fica comigo e dessa vez não foi diferente. –Falei rindo. –Vamos ficar em algum hotel e amanhã vemos o que fazer.
James parecia maravilhado, e assentiu com a cabeça. Ajudou-me a levantar e depois posemos a caminhar. Estava escurecendo, mas se fossemos rápidos chegaríamos antes de ficar completamente escuro.
{...}
Chegamos à um pequeno bairro, nem parecia Texas. Estávamos exaustos e necessitávamos de um banho com urgência. Meus pés formigavam e eu não via nenhum sinal de hotel.
–Mas que droga! Será que não existem hotéis por aqui? –Bufei.
James permaneceu em silêncio enquanto caminhava mais lentamente. Eu sentia muita sede e falta de ar, achei que fosse morrer se não achássemos um lugar logo.
–Aquilo serve pra você? –Perguntou James apontando para uma placa no alto de uma pousada.
–Motel? Você acha que eu vou dormir em um motel?
{...}
Aquele quarto me dava calafrios. Pensar em quantas pessoas já haviam se divertido naquela cama me dava náuseas, James tomava banho no pequeno banheiro que havia ali. Passamos-nos por um casal e conseguimos a vaga daquele quarto imundo.
Tirei os lençóis com repugnância, e até as fronhas dos travesseiros. Procurei em uma gaveta que havia na cômoda e por sorte achei um lençol novo e novas fronhas.
James saiu do banho apenas em uma toalha, pegou suas roupas sujas e retornou ao banheiro. Eu fiquei pensando no que meus pais deveriam estar fazendo agora, e não pude deixar de pensar em Derek,e na saudade que eu sentia dele. Lágrimas já iam descendo de meu rosto quando James voltou já vestido.
–No que ta pensando? –Perguntou sentando na cama ao meu lado.
–Em várias coisas. –respondi com a cabeça ainda baixa.
–Seja lá no que está pensando, eu quero que saiba que tudo vai dar certo.
–É fácil falar sabia?
–Eu sei Carrie, mas eu acredito que pra tudo há uma solução.
–Minha mãe nunca vai me perdoar por isso, nem Derek por eu ter sumido dessa forma. –Falei aos prantos.
Senti que James ficou um pouco inseguro e decepcionado por eu ter falado em Derek.
–Eles irão te perdoar. –Disse James. –Nem que pra isso eu tenha que assumir toda a culpa sozinho.
James ergueu meu rosto com sua mão, e quando meus olhos se juntaram aos dele, deu uma piscadela e sorriu em seguida.
–Vamos dormir. –Disse ele.
Eu assenti com a cabeça. Seria estranho e totalmente desconfortável dormir em uma cama de motel, eu nunca achei que eu fosse passar por isso. Mas, me preocupava também saber que James estaria na mesma cama.
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