Anjo Protetor

27 Se os olhos pudessem mentir...


Notas iniciais
Olá! Isso não é uma miragem, é um capítulo mesmo. Depois de um ano eu estou de volta para terminar a fic. E agora vai! Falta pouco. Bem, se eu ainda tiver leitores… Eu imagino que muita gente não deve nem mais lembrar dessa fic. Seria bom ler o último ou os últimos capítulos da fic pra se situarem no momento que ela está. Ah, e como se não bastasse eu ficar esse tempo todo sem postar ainda volto com capítulo bombástico! E talvez vocês queiram me matar no final. Bora ler?!

*POV BELLA*

Gravida. Uau. Eu realmente não esperava isso. E o pior é que agora eu não sei o que fazer. Que atitude tomar. É claro que eu teria que procurar um médico e começar a fazer o pré natal. Droga! A quem eu to querendo enganar? Na verdade o que eu não sabia é como contaria isso ao Edward. Qual seria sua reação? Ele já falou comigo que quer ter filhos no futuro. No futuro. Esse era o problema, ele não disse agora, e sim no futuro. E se ele não ficasse feliz com a notícia? Isso seria possível? Ele no máximo poderia ficar chateado ou confuso, mas acho que não rejeitaria o bebê, afinal era o Edward. Mas um filho é uma coisa muito séria. Céus! Parece que minha cabeça vai explodir de tanta confusão. Tentei respirar fundo. Eu não tinha escolha, eu teria que contar, afinal não dá pra deixar ele perceber por conta própria. Tipo: “Amor sua barriga tá crescendo” “É porque tem um bebê aqui dentro”. Revirei os olhos ao imaginar a cena. Então, primeiro passo, contar pro Edward. Mas agora vem a parte difícil, como? E quando?

— Tá bem pensativa em? – Jacob me tirou dos meus devaneios.

— Eu tenho muito o que pensar agora. – e como tinha.

— Verdade. – ele respondeu. Estávamos indo de volta para escola, tinha deixado meu carro lá e se ele me levasse pra casa corria o risco do Edward ver e eu não tinha nenhuma explicação além da verdade para dar, e ainda não era a hora.

— Está preocupada? – ele perguntou. Acho que a preocupação estava estampada na minha cara.

— Não sei como contar isso ao Edward. – desabafei.

— Como assim não sabe? É só dizer “Eu to gravida”. – ele disse dando de ombros.

— Não é assim que funciona Jake! Sei lá, acho que tem que ser especial. – sim, era isso eu precisava contar isso de uma forma significativa.

— Hum, porque não conta depois da festa de formatura? Bem, geralmente as pessoas deixam pra fazer os bebês depois da formatura, mas já que você se adiantou... – ele riu.

— Jake! – eu bati de leve em seu braço.

— Não faz isso Bella! Eu to dirigindo! – ele me repreendeu. – E também não estou falando nenhuma mentira.

— Você é um bobo as vezes, sabia? – brinquei.

— Mas vai dizer que eu não te dei uma boa ideia? – ele me olhou presunçoso.

— Sim, você tem razão, talvez depois da formatura seja uma boa ocasião. Será que ele vai aceitar bem a notícia? – quis saber sua opinião.

— Eu não sei Bella, eu acho que sim. Mas quer saber, se eu tivesse no lugar dele seria o homem mais feliz do mundo. – ele me olhou de uma forma diferente. Às vezes eu esquecia que o Jacob nutria sentimentos por mim, ele sabia muito bem o lugar dele na minha vida, mas tinha horas que ele me olhava de um jeito que me deixava sem graça. Eu torcia muito para o Jake encontrar alguém especial, que o faça feliz.

***

Eu não tive coragem de contar a ninguém sobre a gravidez. Nem mesmo a Alice. Não fazia muito tempo desde que eu tinha descoberto, na verdade foi ontem, hoje era sábado e eu estava me arrumando pra cerimonia de formatura. Minha vida estava uma loucura nesses últimos dias, pois daqui a vinte dias eu me mudaria pra Nova York, e o pior de tudo é que iria sozinha. Sei que o Edward queria ir comigo agora, mas esse programa é muito importante para a carreira dele, e agora ainda tinha o nosso bebê. Eu andei refletindo muito sobre como dar essa notícia ao Edward, mas no fim cheguei a conclusão de que se eu contasse sobre a minha gravidez agora ele não me deixaria ir a Nova York sozinha, e tinha 99% de certeza que não pensaria duas vezes antes de jogar o programa pro alto e ir comigo. E eu não poderia fazer isso com ele agora, ele já estava sacrificando muita coisa por mim, se mudar as pressas pra outro país, ficar longe da sua família, largar o restaurante pra trás, no momento eu não podia exigir mais nada dele, por isso decidi que só iria contar sobre a gravidez quando acabasse o programa, afinal não seria muito difícil de esconder a gravidez estando em outro continente. Eu ainda não tinha me acostumado com a ideia que tinha um bebezinho na minha barriga. Eu ainda não sabia de quanto tempo eu estava, mas levando em consideração que nós sempre nos preveníamos, só havia uma hipótese, eu tinha quase certeza que nosso filho foi gerado na noite do aniversário do meu anjo, na qual eu, principalmente, estava sobre o efeito de bebidas e não me lembro das coisas com muita clareza, e apesar de Edward não ter bebido tanto quanto eu, também estava um pouco alterado, e provavelmente nos esquecemos do preservativo. Então, meu bebezinho já estava a quase dois meses aqui dentro.

— Bella, pelo amor de Deus, não me diz que está com dor de barriga justo agora! – Alice entrou esbaforida em seu quarto, onde eu me encontrava em frente o espelho com a mão na barriga. Na verdade desde ontem eu tenho ficado o tempo todo com a mão na barriga, toda vez que penso no serzinho que está aqui dentro.

— Não, só estava ajeitando a beca. – respondi me virando para ela, que assim como eu vestia a beca vermelha.

— Ain Bella, eu nem acredito que esse dia chegou! Só de pensar que eu vou me mudar segunda-feira. Vou sentir tantas saudades! – ele falou chorosa e veio me abraçar. Alice iria para Paris mais cedo, pois conseguiu uma vaga num curso de verão muito disputado.

— Eu também vou sentir saudades Alie! Quem vai me fazer de boneca Barbie lá em Nova York? – disse brincando. Pois Alice me tirou da cama muito cedo e me fez passar por muitos procedimentos estéticos até estar finalmente perfeita, segundo ela.

— Escuta aqui Isabella Swan! Se por um acaso você me trocar por alguma americana de 1,70m a senhorita vai se ver comigo! – disse me soltando e se fingindo de brava.

— Não esquenta Alice! Você sabe que eu sou a Branca de Neve e você é os meus sete anões em um só! – a cara que ela fez foi hilária. E já ia me xingar, se não fossem as batidas na porta.

— Meninas, estão prontas? – Edward perguntou, abrindo a porta.

— Sim, estamos. – eu respondi indo até ele. Que abriu os braços e me enlaçou pela cintura.

— Você está linda, meu amor! – ele elogiou beijando o meu rosto.

— Fala sério Edward! Com esse troço vermelho sangue? – disse apontando para a roupa, que tinha uma cor um tanto berrante.

— Bella, você ainda não entendeu que fica maravilhosa até mesmo se estiver vestida em um pano de chão? – ele retrucou dando seu sorriso torto perfeito.

— Reformulando… “Bella você ainda não entendeu que enquanto Mary Alice Cullen te produzir você sempre estará diva?” – Alice corrigiu, fazendo nós rirmos.

— Bem, vejo que a converta tá boa, mas temos que ir se não chegarão atrasadas meninas. – Esme apareceu na porta.

— Então vamos lá, ouvir discursos chatos e pegar o nosso diploma. – Alice saiu saltitando quarto a fora e nós fomos atrás.

***

A cerimonia de formatura demorou algum tempo, mas acabou antes das 22h00min. Depois da cerimonia, ia rolar uma festa de formatura. Bem, convencer o Edward a ir a festa foi um pouco complicado. Motivo: A festa ia ser no Ap. do Jacob. A gente não brigou como antes, na verdade o Edward jurou que não tinha nada a ver com ciúmes, mas não parou de tentar me convencer um minuto sequer a desistir de ir a festa e comemorar só com ele. A Alice logo lhe passou um sermão, dizendo que essa era nossa última festa juntas, e que ele não podia nos privar disso, e por fim estávamos agora no elevador rumo a festa.

— Amor, juro que você vai se arrepender de não querer comemorar a sós comigo. – Edward cochichou no meu ouvido. – Tenho certeza que iria se divertir muito mais na noite que eu tinha preparado pra gente. – ele roçou o nariz em minha orelha me fazendo arrepiar.

— Edward, sossega! – sussurrei corada, pois além de nós dois também estavam no elevador a Alice e o Jasper, e mais dois casais que também iam para festa.

— Depois não diz que eu não avisei. – ele disse assim que a porta do elevador se abriu.

A festa não estava muito cheia, na verdade só os formandos e seus namorados ou acompanhantes, e algumas meninas dos outros anos que, é claro, nunca perderiam a oportunidade de vir a uma festa na casa do Jake.

— Olha quem apareceu! – Jake se aproximou da gente animado assim que entramos. – Pensei que não iam vir.

— Nunca nego um convite para uma boa festa. – Alice disse animada, dando um tapa de brincadeira em seu ombro. – Esse é o Jasper, meu namorado. – apresentou. – Jazz, esse é o Jacob, aquele ser irritante de quem eu falo sempre. – como sempre, não podia faltar a troca de elogios entre eles. Alice e Jacob viviam se provocando.

— Como vai cara? – Jasper o cumprimentou.

— Ah, sim. Você é o “meu capitão”. – brincou o Jake, fazendo o Jasper rir da Alice que corou sem graça antes de lançar um olhar zangado pro Jacob.

— Bells! Que bom que veio. – falou me elançando pela cintura e me tirando do chão. Imediatamente senti a mão de Edward que estava na minha enrijecer. Bastou apenas um pigarro para o Jake me colocar de volta ao chão.

— Cullen. – cumprimentou-o formalmente.

— Black. – Edward usou o mesmo tom. E por um momento me senti desconfortável.

— Bom pessoal, podem ficar à vontade. Se quiserem uma bebida é só falar com o Riley, ele tá me ajudando com os drinks. – disse apontando para um dos formandos que estava atrás de um balcão improvisado. – Vou receber o resto do pessoal. – e se afastou.

— Vamos beber, pessoal! – Alice animou.

— Eu não posso beber Alice. – respondi imediatamente.

— Nem você mocinha. – Jasper falou puxando-a, que já ia rumo ao bar improvisado.

— Ah, fala sério Jazz! É a última festa do Ensino Médio, não vai fazer mal se for só um pouquinho. – falou com aquele tom de quando ela queria convencer alguém. – Vamos Bella! – me arrastou pro bar. Os meninos não tiveram outra opção a não ser nos seguir.

— Sério Alie, eu não vou beber. – resmunguei quando chegamos perto do bar.

— As vezes parece ter cinquenta anos Bella! – resmungou. – Mas quem tá perdendo é você, está uma noite ótima pra encher a cara. – Alice e suas loucuras…

— Por que não quer beber amor? – Edward perguntou ao meu ouvido. – Está com medo de reagir como da última vez? Pois saiba que eu não me importaria nem um pouco, muito pelo contrário… — disse sugestivo me fazendo estremecer. Mal sabia ele que a consequência da última vez era o motivo de eu não poder beber agora.

— Eu não preciso estar bêbada para fazer tudo que eu fiz naquela noite querido, é só você pedir. – devolvi na mesma moeda.

— Bella... Bella... Não me dê mais motivos que eu já tenho para te levar pra casa nesse exato momento. – ele riu me abraçando por trás.

— Olha o agarramento casal! – Alice cutucou a gente de brincadeira. – Vem amor vamos dançar! – disse arrastando Jasper para a sala, que funcionava como pista de dança.

— E então? Não vai mesmo beber nada? – Edward quis confirmar.

— Não. Nada de bebidas por hoje. – dei-lhe um selinho.

— Melhor assim. Preciso de você sóbria para logo mais. – disse piscando.

— Bobo! – bati em seu ombro de brincadeira. Ele se apoiou no balcão do ‘bar’ e pediu uma cerveja pra ele e um guaraná para mim.

— Quer dançar princesa? – ele perguntou.

— Claro! – respondi. Mas no momento que ele me estendeu a mão, um toque diferente o fez pegar o celular imediatamente. Ele ficou pálido ao olhar para tela.

— O alarme de incêndio do restaurante foi acionado. – disse ainda olhando pro celular, que logo começou a tocar seu toque habitual. – Você também recebeu? – perguntou em um tom mais alto por causa da música, assim que pôs o aparelho no ouvido. E ficou em silencio um instante. – Talvez seja alarme falso, mas temos que ir pra lá agora mesmo. – ouviu novamente. – Ok, estou a caminho. – e desligou.

— Edward, que história é essa de alarme, aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada.

— Eu não sei, recebi um aviso de alarme de incêndio no restaurante, vou ter que ir até lá verificar. – disse passando a mão nervosamente nos cabelos e virando a bebida que estava na sua mão de uma só vez.

— Eu vou com você, só precisamos avisar a Alice. – falei olhando em volta.

— Não Bella, é melhor você ficar aqui. Pode ser um alarme falso, algum defeito no sistema, não quero que perca a sua festa de formatura por minha causa. Só avise a Alice, ok? Quero que fique com eles, e procure se divertir, eu vou resolver isso e já volto, está bem? Tenho certeza que foi só um erro. – ele me deu um selinho rápido e saiu em direção a porta apressado. Eu ainda estava parada sem saber o que fazer.

— Bella? Aconteceu alguma coisa? – Jacob perguntou se aproximando.

— Não. Quer dizer… Sim. – respondi confusa.

— Aconteceu ou não? Vi o Cullen sair apressado. Vocês brigaram? – perguntou confuso.

— Não, a gente não brigou. Foi o alarme de incêndio do restaurante que disparou, eu não sei o que aconteceu direito, na verdade, nem ele sabe, teve que ir correndo pra lá. – respondi aflita. Edward não me deu tempo pra raciocinar, eu deveria ter ido com ele. E se tivesse mesmo um incêndio?

— Nossa! – disse surpreso. – Espero que não tenha acontecido nada grave.

— Eu também. Eu deveria ter ido com ele. – falei nervosa.

— Se acalma Bella. Você não pode se estressar. Pensa no bebê. – ele tentou me acalmar. – Vem, vamos pra um lugar mais tranquilo. – disse pegando minha mão e me levando para pequena varanda, que tinha uma bela vista para o Tamisa, a brisa da noite fez eu me acalmar um pouco.

— Espera aqui, vou pegar uma água pra você. – disse enquanto eu me sentava numa cadeira de ferro que estava por ali.

Logo Jacob voltou com a água. E começou a conversar para me distrair do ocorrido, mas isso foi meio impossível, eu não conseguia parar de olhar o celular um minuto sequer, esperando alguma ligação do Edward, mas ele não ligou, e nem voltou pra festa, e já passava da meia-noite.

— Acho melhor procurar a Alice e voltar pra casa, talvez ela possa ter alguma notícia. – falei me levantando.

— Tudo bem. – ele me acompanhou para dentro de casa. A festa já estava no fim, só havia umas meia-dúzia de pessoas que ainda dançavam e aparentavam estar um pouco embriagadas. E nem sinal da nanica e nem do Jasper.

— Acho que a anã de jardim já foi embora. – disse Jacob olhando em volta.

— Pelo viso sim, ela deve ter pensado que eu fui com o Edward. – me sentei numa banqueta perto do bar, Jake sentou ao meu lado. – Como vou pra casa agora? – perguntei.

— Não se preocupe, eu te levo. O Cullen mora aqui perto. – ele se ofereceu. Não sabia que o Jacob sabia onde eu morava. Só vou despachar os retardatários. – disse se levantando.

— Quer ajuda, mano? – Riley se ofereceu. – Esse pessoal está mais pra lá do que pra cá, vamos ter que colocá-los nos táxis.

— Certo, vamos lá. – Jake respondeu.

Meia hora depois, Jacob e Riley entraram no apartamento novamente, tinham ido levar o último bebum até o táxi.

— Valeu mesmo cara, foi uma ajuda e tanto. – Jacob agradeceu ao Riley.

— Que nada cara! Tamo junto! – respondeu dando um tapinha no ombro de Jake. – Quer ajuda com a bagunça? – Se ofereceu.

— Não precisa, amanhã eu dou um jeito nisso. Agora vou levar a Bella em casa. Vamos Bells? – chamou.

— Vamos. – falei me levantando, mas acho que o movimento foi rápido de mais, pois eu senti uma tontura e tive que me apoiar no banco.

— Devagar mocinha! – Jake veio até mim, me ajudando a sentar novamente. – Lembre-se de não fazer movimentos bruscos, você sempre fica tonta quando faz isso.

— Deve ser a pressão, não comi quase nada hoje. – comentei.

— Acho que ainda restaram alguns salgadinhos, vou pegar pra você Bella. – Riley se prontificou indo até a cozinha, enquanto Jacob se sentava ao meu lado.

— Está melhorando? – perguntou.

— Um pouco, ainda me sinto um pouco tonta. – respondi.

— Aqui está. – Riley voltou com um pratinho de salgadinhos e uma jarra de um suco amarelo, colocando na minha frente em cima do balcão do ‘bar’.

— Obrigada. – agradeci.

— De nada! Bem pessoal, já vou indo. Se precisar de qualquer coisa é só ligar mano. – disse se despedindo.

— Vá dormir até tarde amanhã. Já e ajudou muito por hoje. – eles se despediram com um abraço e logo o Riley foi embora.

— Come um pouco Bella. Precisa se alimentar direito agora. – disse empurrando os salgadinhos na minha direção e me servindo o suco em um copo.

— Eu não estou com muito apetite. – na verdade eu queria mesmo era ir pra casa saber o que tinha acontecido, pela demora do Edward com certeza foi mais sério do que ele imaginou.

— Bella, é pelo bebê. Seu organismo precisa de nutrientes agora que não precisava antes, sem falar que vai ser muito difícil chegar algum lugar fraca desse jeito. Como bem diz o velho ditado: “Saco vazio não para me pé!”. – ele me repreendeu.

— Tudo bem. – me rendi. – Mas não vou aguentar comer tudo isso. – disse pegando um salgadinho.

— Eu como com você. Também estou com fome, passei a festa toda na varanda com você, não comi nada. – ele enfiou um salgadinho na boca e encheu um copo de suco para ele também.

Comi rapidamente na pressa da tontura passar logo, já estava agoniada querendo ir pra casa. Cada minuto que passava sem notícias do Edward eu ficava mais aflita. Quando terminamos nosso lanche, o Jacob se levantou procurando a chave do carro. Por mais que eu tenha me alimentado a sensação ruim não diminuiu, muito pelo contrário, eu estava ainda mais tonta, por isso me levantei e sentei no sofá me recostando.

— Bella, achei a chave. Vamos? – ouvi a voz do Jacob em algum lugar. Mas não consegui responder, minha cabeça estava cada vez mais pesada e da minha boca só saía um resmungo. – Bella, está tudo bem? Bella…? – e tudo ficou escuro de vez, mas ainda tive a sensação, algum tempo depois, de ouvir lá no fundo alguma coisa se quebrando.

***

*POV EDWARD*

Eu estava uma pilha de nervos. E pra completar o guarda que havia me parado no transito não estava ajudando. Ele não poderia simplesmente me dar uma multa? Tinha que me passar um sermão digno da minha mãe por ter ultrapassado o sinal vermelho. Eu não costumava cometer esse tipo de inflação que poderia pôr a minha vida e de outras pessoas em risco, mas situações desesperadas exigem medidas desesperadas. Aquele alarme continuava soando em meu celular, e pelo visto não era alarme falso, pois Emmett já havia me ligado mais três vezes, mas eu não conseguia atender porque o guarda não me liberava. Já estava cogitando a possibilidade de arrancar com o carro e deixar ele falando sozinho. Será que eu me complicaria muito se fizesse isso?

— O senhor vai ter mais cuidado, certo? – ele perguntou pela milésima vez, só que dessa vez me entregou os documentos, junto com a multa. – Imagino que o senhor deve estar com pressa, mas não é como se fosse apagar um incêndio. Não se deve ultrapassar o sinal.

— Claro, mas que na verdade há sim um incêndio. Eu tenho um restaurante e, segundo o alarme, ele está pegando fogo nesse exato momento, estou indo pra lá. – disse mostrando o meu celular com o alarme piscando na tela.

— Meu Deus! Um incêndio?! Por que não disse logo? – como se ele tivesse me dado a oportunidade de falar sequer o meu nome… – Vamos! Eu abro caminho. E finalmente consegui avançar, com o guarda que me deu uma multa abrindo caminho em sua patrulha com a sirene ligada.

Minutos depois eu consegui estacionar em frente ao restaurante. E me coração gelou com o que vi. Tinha uma fumaça preta e espessa, e fogo, na verdade bastante fogo. Eu não consegui ter nenhuma reação, só consegui ficar parado e ver tudo queimar. Senti o Emmett se aproximando, ele falava comigo, mas eu não conseguia ouvir, apesar de parecer tão perturbado quanto eu, ele teve a reação contrária e levou o tempo todo falando sem parar e coisas sem sentido.

O que pareceu ser uma eternidade depois, a última fagulha de chama foi extinta, e agora eu olhava para a fachada toda chamuscada do meu restaurante. Eu não acreditava que isso estava acontecendo, logo agora que tudo estava dando certo, com o programa e tudo mais.

Um oficial dos bombeiros caminhou em nossa direção, parando bem a frente de onde eu e o Emmett estávamos.

— Olá! Eu sou o oficial Ateara. Vocês são os proprietários do estabelecimento, certo? – perguntou.

— Sim. – Emmett respondeu.

— Bem, o fogo foi completamente apagado, eu sinto muito pelo ocorrido, mas eu gostaria de saber sobre a licença de segurança do local, estava tudo em ordem? – além de ter o nosso restaurante incendiado, agora teríamos que lhe dar com toda essa merda de burocracia. Isso tudo porque a gerente do restaurante simplesmente desapareceu, sei que não deveria nem pensar em Victória agora, pra não ficar ainda mais irritado, mas ela simplesmente sumiu depois que eu mandei uma mesagem dizendo que precisa esclarecer algumas coisas com ela. E agora eu teria que resolver toda essa merda sozinho, se tinha uma coisa que eu sabia separar muito bem era trabalho de relações pessoais, provavelmente ela tinha desconfiado que eu tinha descoberto dos supostos sentimentos dela por mim e sobre ela fazer intrigas sobre a Bella e o Jacob, mas além de tudo ela era minha funcionária e tinha funções a exercer e responsabilidades com o restaurante.

— Está tudo em ordem. – finalmente consegui sair do meu transe e responder. – Posso entrar? – Precisava saber a dimensão do estrago.

— Não sabemos ainda se há riscos de desabamento, têm homens trabalhando nisso agora. E os senhores só poderão entrar depois da perícia policial para descobrir a causa do incêndio, isso se não houver risco de debamento. – eu bufei. Nem a dimensão do estrago eu poderia saber. Será que tinha sobrado alguma coisa? Eu tinha esperanças de que o fogo não atingiu as cozinhas, pois se o fizesse tudo teria ido pelos ares, pois na cozinha havia muitos encanamentos de gás.

Assim que os primeiros raios de sol apareceram um policial, o agente Clark, veio até nós para dar o parecer sobre o incêndio. Que graças a Deus só tinha atingido o primeiro ambiente do restaurante e a confeitaria, além do salão que ficava na parte de cima na frente do restaurante e não havia risco de desabamento. Como eu já desconfiava, o fogo não chegou a cozinha, e confirmando minha teoria o policial afirmou que se isso tivesse acontecido todo o restaurante iria pelos ares. Graças a Deus o prejuízo não tinha sido o tão grande quanto poderia ser, é claro que o restaurante teria que fechar por um tempo para a reforma, mas isso agora era o de menos, pelo menos ele ainda existia.

— E qual foi a causa do incêndio, os senhores já têm um parecer? – a pergunta do Emmett me fez voltar a atenção para a conversa.

— Sim, inicialmente pensamos que poderia ter sido a bomba caseira que encontramos no chão perto das cortinas da confeitaria, provavelmente ela teria sido atirada por algum vândalo pela vitrine. – ele começou a explicar.

— Vândalos desgraçados! – Emmett praguejou. Mas logo foi interrompido pelo policial.

— Na verdade, isso foi o que supomos inicialmente, mas encontramos algo que descarta essa teoria. – ele completou.

— O que seria isso? – perguntei.

— O chão e algumas mesas da confeitaria possuíam alguns resíduos de gasolina. Provavelmente que não foram consumidas pelo fogo. – nem eu nem o Emmet sabíamos o que dizer. Pois isso só podia indicar uma única coisa. O restaurante não havia sido a escolha aleatória de alguma vândalo, e sim alvo de um crime, e premeditado.

— Isso quer dizer que foi um incêndio criminoso? Que alguém entrou no restaurante, espalhou gasolina e ateou fogo? – Emmett mais uma vez foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Sim, isso mesmo. O incêndio foi criminoso, alguém entrou no restaurante de forma silenciosa, provavelmente possuía a chave, pois o alarme de invasão só disparou depois do de incêndio, e mais uma evidencia disso é que não há nenhum sinal de arrombamento. Ou seja, o fogo começou antes de jogarem a bomba pela vidraça, que nesse caso foi o que fez o alarme de invasão soar, exatamente 1 minuto e 13 segundos após o de incêndio, segundo a companhia de segurança.

— E isso quer dizer que…

— Que o incendiário queria que pensássemos que o incêndio tinha sido causado pela bomba atirada na vitrine, e deduziu que associaríamos a vandalismo, já que isso é comum por aqui. Mas para o azar de quem fez isso o combustível não foi todo consumido pelo fogo, deixando rastros, já que os bombeiros conseguiram controlar o fogo antes dele atingir todos os locais com a gasolina.

— Que merda! – Emmett estava revoltado e eu não estava muito diferente. Estava com vontade de matar que fez isso, mas quem poderia ter sido? Que eu saiba não temos inimigos, e esse não é o tipo de estratégia que a concorrência usa para derrubar um negócio, então quem foi? E por que fez isso?

— Bem, o escritório está intacto, nós o isolamos. Precisamos ter acesso a todos os documentos, informações sobre os funcionários e qualquer pessoa que possui acesso ao restaurante. A perícia ainda não terminou, mais vou disponibilizar um homem para entrar com vocês no estabelecimento pelos fundos, isso se quiserem ver com seus próprios olhos a dimensão do problema, mas não vão poder tocar em nada e nem retirar nenhum grão de poeira lá de dentro, estamos atrás de impressões digitais, objetos esquecidos, pegadas, fios de cabelo, e qualquer coisa que nos leve ao criminoso. Depois que olharem terão de me acompanhar até a delegacia para prestar esclarecimentos e toda informação que acharmos ser útil, possíveis suspeitos, inimigos, pessoas que tenham acesso, essas coisas.

— Tudo bem. – respondi. Imaginando o tamanho do problema que eu teria pela frente.

Depois que entramos no restaurante, e vimos com nossos próprios olhos o estrago, que não foi tão ruim no fim das contas, apenas móveis, decoração e paredes chamuscadas, graças a mão divina não houve abalo na estrutura, fomos para a delegacia. A essa altura o dia já havia amanhecido. O delegado Dr. Volturi quis pegar nosso depoimento separadamente, o primeiro a entrar na sala foi o Emmett, eu fiquei esperando na recepção, e resolvi ligar para a minha família pra avisar do ocorrido. Consegui falar com o meu pai, que ficou muito surpreso com o ocorrido e se prontificou a arrumar um advogado para cuidar da burocracia e ficar de olho na investigação. Depois tentei ligar para a Bella, mas chamava, chamava e ela não atendia, depois da quinta ligação, desisti talvez ela ainda estivesse dormindo, afinal ainda era de manhã, apesar de já se passar das 10h 00min. Mas tinha a sensação de que uma coisa estava muito errada. Parando pra pensar eu acho que fiz o certo de não deixar a Bella vir comigo, afinal eu passei uma noite muito estressante em claro e agora estava numa delegacia, o que não era um ambiente adequado para ela, mas, por outro lado, eu sentia que não deveria ter deixado ela sozinha naquela festa, é claro que a Alice e o Jasper estavam lá, mas, ainda assim, eu deveria ter deixado ela na casa dos meus pais antes de tudo, mas é impossível pensar com clareza nas horas de emergência. Para aplacar a sensação de que algo estava errado resolvi ligar para a Alice, eu torcia para que ela tivesse levado a Bella pra casa dos meus pais com ela, além de não ter ficado sozinha no apartamento a noite toda, ela não teria visto a surpresa que preparei pra ela, era pra ser uma noite especial, mas deu tudo errado. Alice demorou pra atender o telefone, mas o fez na segunda vez que liguei.

— Alô? – pela sua voz ela tinha acabado de acordar.

— Oi Alice, te acordei? – perguntei.

— É claro que sim. Ainda não deu nem meio-dia, acho bom ter um motivo bem importante pra me acordar a essa hora da manhã. – dramatizou.

— Bem, na verdade aconteceu uma coisa sim. Houve um incêndio no restaurante essa madrugada. – acho que esse motivo era ruim o suficiente para fazê-la parar de resmungar.

— Um incêndio?! OMG! – sua voz subiu uma oitava, fazendo eu afastar o celular da orelha.— O que aconteceu Alice? Por que está gritando a essa hora da manhã? – ouvi o resmungo do Jasper pelo celular. Ei, se ela acabou de acordar o que o Jasper está fazendo com ela, aparentemente acabando de acordar também? Ah, eu não acredito que ele já estava dormindo com a minha irmã, a gente dá a mão e ele pega o corpo todo, e da minha irmãzinha, ainda por cima, preciso ter uma conversa séria com ele.

— Alice o que o Jasper está fazendo aí? Onde você está?— perguntei aborrecido.

— Edward! Foco! Isso não vem ao caso agora! Como assim um incêndio? – ela voltou o assunto pro tema principal.

— Colocaram foco no restaurante, mas ele já foi controlado, o estrago não foi tão grande, eu estou na delegacia agora.— respondi voltando ao problema.

— Céus! Foi por isso que sumiram da festa? Eu não vi quando saíram, poderia ter nos avisado! – ela repreendeu. Calma aí?! Sumiram? Saíram?

— Alice, a Bella não te falou nada do alarme?— eu perguntei.

— A Bella não foi embora com você? – ela perguntou confusa.

— Não, ela ficou lá, ia embora com vocês. Ela não atende o telefone! Merda! – como assim a Bella não tinha ficado com a Alice? Céus! Porque eu continua com a sensação que a tendência é só piorar? Esse dia vai ser longo.

— Mano, o delegado está te chamando.— Emmett saiu da sala do delegado me chamando.

— Alice, pelo amor de Deus, tenta ligar pra Bella, o incêndio foi criminoso, tem uma coisa muito errada nessa história. Tenho que prestar depoimento agora. Tchau. – falei e desliguei o telefone.

— Quer que eu te espere? – Emmett perguntou assim que eu desliguei.

— Não precisa, não dormimos a noite toda. Vá pra casa descansar, papai disse que vai procurar um advogado para cuidar da burocracia e acompanhar a investigação, e se por um acaso encontrar com a Bella em algum lugar, peça pra ela ligar pra mim.

Eu levei mais de três horas na sala do delegado que me fez um milhão de perguntas, que a meu ver 80% delas não tinham nenhuma relevância para o caso. Ele também fez muitas perguntas sobre o meu relacionamento com a Bella, do relacionamento tutor/adolescente, já que se eu revelasse o outro tipo de relacionamento que temos provavelmente nem sairia daqui. Eu estava o tempo todo inquieto e preocupado com a Bella, a única pessoa que me ligou foi a minha mãe, que o delegado me deu permissão para atender, mas ela não tinha notícias nenhuma da Bella, só queria saber como eu estava. Quando fui finalmente liberado, entrei no meu carro praticamente correndo, mas ao dirigir tomei cuidado para não tomar mais nenhuma multa, não pelo dinheiro, ou por medo de perder minha licença para dirigir e sim porque se eu fosse parado por mais um guarda daquele seria capaz de um voltar pra delegacia, por ter desacatado um oficial. Quando eu cheguei ao meu prédio a primeira coisa que fiz foi perguntar ao porteiro sobre a Bella. Mas ele havia entrado no turno ao meio-dia e não soube me dizer. Achei melhor subir logo, precisava vê-la, só sossegaria quando ela estivesse em meus braços.

— Bella? – chamei assim que adentrei no apartamento, mas não obtive nenhuma resposta. Procurei em cada cômodo mais ela não estava aqui. Sem querer perder tempo eu desci, deixando o porteiro avisado para caso ela aparecesse ser avisado imediatamente. Eu fui até a casa dos meus pais, passando no apartamento da Rose e do Emm no caminho, mas o Emmett estava dormindo e a minha irmã não teve nenhuma notícia da Bella. Na casa dos meus pais também não foi diferente.

— Alice quando foi a última vez que viu a Bella? – indaguei já preocupado. Não me ocorria mais nenhuma possibilidade de onde ela poderia estar.

— Ela estava com você pegando um drink. Depois Jasper e eu fomos dançar e não vimos mais nem você nem ela. Quando fomos embora, por volta da meia-noite, ela não estava em lugar nenhum lá. Quando procuramos vocês e não achamos deduzi que você tinha conseguido convencer a Bella a ir pra casa, e confirmamos isso quando não vimos o seu carro e tivemos que pegar um táxi. – ela explicou.

— Bem, talvez o Jacob saiba aonde a Bella está. Afinal ela estava na casa dele. Sei lá, pode ter ido ajudar ele com a arrumação, depois de festa sempre fica uma bagunça. – Jasper se pronunciou. Meu corpo gelou com essa hipótese. Parar de brigar com a Bella por causa de ciúmes é uma coisa, mas isso não quer dizer que eu não sinta. Muito pelo contrário, não tem como descrever o que eu sinto quando ele chega a menos de um metro dela. Pensar que ela pode estar na casa dele me faz ter calafrios, de ódio.

— Alice, você tem o número dele? – perguntei já pegando o seu celular de sua mão para procurar eu mesmo, mas estava bloqueado.

— Ei, calma aí sem educação! Está bloqueado. – ela resmungou. Desbloqueou o aparelho e me entregou, com ele já chamando. Mas como o celular da Bella, também caiu na caixa postal todas as sete vezes que eu liguei.

— Eu vou até lá! – disse me levantando já sem paciência.

— Edward, espera mais um pouco, ela só deve ter saído, logo, logo aparece. – minha mãe disse.

— Não consigo mais esperar, ela não atende o celular. Está chamando, se tivesse descarregado ia direto pra caixa postal, mas quando eu ligo chama várias vezes até cair. Eu sinto que aconteceu alguma coisa. – eu disse agitado. Tinha um aperto sufocante em meu peito, era como um pressentimento ruim, como se algo estivesse pra acontecer, e eu tinha certeza que não era nada positivo.

Peguei a chave do meu carro e corri pra garagem, levou meia hora pra eu chegar ao apartamento do Black, que era mais próximo a minha casa do que a casa dos meus pais, e o transito a essa hora da tarde também não ajudava. Ao chegar lá fui até o porteiro pedindo pra interfonar avisando que eu estava aqui. Mas ninguém atendeu, eu já estava maquinando alguma estratégia para conseguir fazê-lo que deixar subir. Mas nem precisou.

— O senhor disse que seu sobrenome era Cullen? – ele perguntou parecendo lembrar de alguma coisa.

— Sim, Edward Cullen. – confirmei.

— O senhor pode subir então. – mesmo sem entender, não perdi a oportunidade e corri para o elevador, mas o mesmo estava demorando muito, então sem paciência eu fui até as escadas. Subi os nove andares correndo. Parei meio ofegante em frente ao apartamento, respirando fundo algumas vezes, não sei se estava sem folego pela subida da escada ou pela sensação ruim que tinha aumentado exponencialmente a cada degrau que subia, agora na porta do apartamento, ela pairava sobre mim como uma nuvem pesada antes de cair a tempestade, até o mesmo silêncio estava presente no momento, não consegui ouvir um ruído sequer de nenhum dos outros apartamentos do prédio, como se não tivesse ninguém aqui além de mim. Depois de mais uma respiração profunda toquei a campainha, e repeti o gesto por mais uma meia dúzia de vezes. Mas não obtive nenhuma resposta. Resolvi tentar a sorte tentando abrir a porta, não sei o que me impeliu a fazer isso, mas algo me dizia que era melhor eu simplesmente virar e sair dali, mas eu resolvi fazer o contrário, talvez por impulso maior que minha vontade.

A porta se abriu fazendo um rangido leve, e eu dei um passo a frente adentrando a sala. Podia notar-se claramente que uma festa acontecera ali, a casa parecia estar de cabeça pra baixo, havia copos e garrafas de bebidas por toda sala e hall de entrada, alguns salgadinhos no sofá e um cheiro muito forte álcool. Mais algo prendeu minha atenção, junto as porcarias no chão também havia roupas, inicialmente esse fato passou despercebido, mas eu paralisei de repente ao achar a peça preta de renda muito familiar. Avancei lentamente pegando o vestido entre os dedos, eu não podia estar enganado, afinal eu fantasiei mil maneiras de tirar aquela peça assim que Bella livrou de sua veste de formatura. E reconhecê-la ali no meio da sala de um homem que talvez tenha fantasiado a mesma coisa, fez todo meu sangue fugir das outras partes do meu corpo e se concentrar no coração que batia freneticamente, com algo que parecia estar entalado em minha garganta, eu dei mais um passo seguindo a trilha composta por um sapato de salto vermelho – que eu imaginei combinar com a lingerie que ela usaria – seguido de uma camisa masculina e um jeans. A trilha me levou a uma porta entreaberta e eu tive que reunir toda a minha coragem para terminar de abri-la, pois todas as evidencias apontavam para uma só coisa, que eu pude confirmar assim tive a visão completa do local.

Talvez seja essa a sensação de levar um tiro, bem no coração. O impacto do que eu vi foi como o de uma bala atingindo um corpo bem no meio do tórax, talvez até maior. Tão violento que me fez dar três passos cambaleantes para trás. E depois, a sensação de estar morrendo, bem lentamente… você sente a vida ir embora, aos poucos, as coisas começam a perder o sentido, as cores, e você ainda tem um último desejo. Só mais um…

Eu só queria que os meus olhos pudessem mentir.

Notas finais
Então, devo me desviar das balas? Acho que vocês entenderam o que aconteceu né? Bem pessoal, esse é o incio da treta final. Só faltam 4 capítulos + epílogo, e eu pretendo terminar a fic no mês que vem, inicialmente ainda teriam mais capítulos, mas eu resolvi cortar partes desnecessárias e ir direto ao que interessa. Gostaria de pedir desculpa pela demora. Eu realmente não conseguia escrever esse capítulo, mas como eu sempre digo, nunca abandonarei uma fic. Tive muita dificuldade pra escrever esse capítulo, eu já havia começado há algum tempo, mas só consegui pegar firme depois de receber alguns comentários depois de muito tempo (Meninas, vocês me inspiraram!) e eu consegui, com muito dificuldade, fazer o POV da Bella com três mil palavras, ainda faltava escrever esse final, que não saia de jeito nenhum, mas depois de uma forte insônia essa madrugada, o capítulo finalmente fluiu e eu fui dormir as 6:00 da manhã. E com mais de seis mil palavras. Eu até pensei em encurtar os capítulos pra acabar logo, mas eu prefiro ficar sem postar do que deixar cair o nível da fic. Gente, é sério, foi muito difícil escrever esse final, eu como autora da fic não queria que isso acontecesse, mas é necessário. Eu tive que respirar fundo várias vezes, meu coração acelerou juntamente como o do nosso anjo, eu também fiquei parada em frente a essa porta por aproximadamente meia-hora, são muito incríveis os sentimentos que um autor sente ao escrever esse tipo de cena. Bem, isso é tudo que eu tenho a dizer por agora, nos vemos em breve no próximo capítulo. Acho que sai semana que vem, ok? Beijinhos e não deixem de comentar! E recomendem se quiserem, sei que não estou merecendo muito, mas… não custa nada pedir. ;) Nos vemos nos comentários!