Notas iniciais
Olá desculpe a demora a postar, tive alguns probleminhas : Enfim

Assim como uma mariposa é atraída pelo fogo
Oh, você me atraiu, eu não podia sentir dor
Seu coração amargo e frio ao toque
Agora vou colher o que eu plantei
Estou sozinho com a minha raiva
Sinto que estou afundando
Mas eu sei que vou conseguir sair vivo
Se eu parar de chama-la de meu amor
E seguir em frente”
Shawn Mendes — Stitches


Isa está distraída vendo um álbum com fotos do irmão, ao se sentar na cama ouve um barulho e percebe que seu celular caiu no chão.

Quanto tempo fazia que não mandava mensagens para Lipe? Não queria encher sua cabeça com idiotices desnecessárias mas a vontade de desabafar com alguém a venceu. Pegou o celular e se pós a digitar um e-mail.



EMAIL: Querido Lipe,
Me desculpe por passar tanto tempo sem lhe enviar um email. Tantas coisas andam acontecendo e eu realmente não ando me entendendo muito bem. Sempre me achei sábia e dava conselhos a minha amiga Renata sobre homem. E hoje estou apaixonada por um completo babaca.
Primeiro lhe direi o que odeio nele:
Odeio a forma rude como me responte. As vezes parece que não sou nada além motivo de diversão para ele, como uma fonte de piada totalmente gratuita.
Odeio quando ele se aproxima e logo me dá as costa. Tenho a sensação de tê-lo em minhas mãos por breves segundo e logo e escapa.
Odeio esse jeito idiota, como se não estivesse nem ai pra ninguém.
Mas principalmente, odeio vê-lo nos braços de qualquer outra mulher. É como se qualquer mulher num raio de cem metros fosse atraída para ele.
Mas a minha parte teimosa gosta dele:
A parte que insiste em enxergar bondade em seus olhos. Como na vez que cortei minha mão ele veio correndo em meu auxilo.
Ou a parte idiota que acredita que quando ele me beijou havia algo mais do que uma simples provocação ou brincadeira.
A parte que ao invés de odiar, ama discutir com ele.
Que ama seu cabelo despenteado.
Que ama seu cheiro de cigarros e café.
Que adora seu sorriso.
Mas essa parte de mim é perigosa e precisa estar constantemente sobre controle.
Obrigado por me escutar.
Isa.”


No dia seguinte seria seu dia de folga e a menina cai na cama, vencida pelo sono.



CENA 2 –ESCRITÓRIO/ INT / NOITE



Ricardo anda de um lado para o outro impaciente, não havia mais como esperar. Ele vai até sua mesa e pega o telefone discando um número e o levando a orelha, alguns segundos se passaram até que a outra pessoa finalmente atendeu.



RICARDO:

Já está na hora de agir! Guilherme tinha provas contra mim e se não agirmos logo elas podem acabar nas mãos da policia!- Ele esculta por algum tempo- Sim, você é o meu informante dentro da policia, mas não posso esperar até o último momento! Tenho muitas coisas em jogo!- Ele ouve mais um pouco- Eu mandei que você vigiasse meus filhos exatamente para isso. Isadora não sabe de nada, mas acredito que o irmão tenha deixado algo com ela, mesmo que a menina não saiba…- Mais alguns segundos- Faça o necessário para encontrar dossiê senão será sua cabeça e a da sua parceira que estarão a prêmio!

Ricardo desliga o celular sem esperar pela resposta do outro lado da linha. Passa a mãos pelos cabelos e caminha até a enorme parede de vidro que mostrava a cidade…

Sim o jogo esta prestes a começar.





CENA 3 –CASA DE ERIK/ INT / NOITE



“...Co-correndo contra o tempo

Eu realmente pensei que você estava do meu lado

Mas agora não há ninguém ao meu lado”

Don't Let Me Down

The Chainsmokers



Erik segura seu celular com força ainda tentando por seus pensamentos em ordem. Mas nunca esteve tão seguro do que precisava fazer. Ele tinha ordens a cumprir.



Rapidamente enviou uma mensagem para Letícia explicando o que precisava fazer. Caminha rapidamente até o armário e joga algumas peças de roupa dentro de uma mala, seus movimentos são rápidos e precisos, como se nada além daquilo lhe importasse.

Para atingir aquilo para o qual foi pago para fazer ele não hesitaria. Muitas coisas estavam em jogo e ele estava cansado de matar seu tempo brincando.



Tudo estava prestes a mudar, ele tinha certeza que Isa iria odeia-lo.



CENA 4 –CASA DE LURDINHA/ INT / MANHÃ



“Com cada pequeno desastre

Deixarei as águas se acalmarem

Leve-me a algum lugar real

Porque dizem que lar é onde o coração se grava em pedra

É onde você vai quando está sozinho

É onde você vai para descansar seus ossos

Não é só onde você encosta sua cabeça

Não é só onde você faz a sua cama

Contanto que estejamos juntos, importa aonde vamos?”

Gabrielle Aplin-Home



Lurdinha está deitada dormindo após mais uma noite de trabalho. De repente a porta se abre e uma mulher de cabelos levemente grisalhos e um homem também idoso entram.



MULHER:

Lurdes! Levanta precisamos conversar!



Lurdinha acorda assustada e pisca algumas vezes e se senta na cama.



MULHER:

É verdade que você é prostituta?



Lurdinha ficou em estado de choque, por alguns momentos perdeu a fala e apenas encarou seus pais em silêncio.



LURDINHA:

Como vocês… Onde vocês ouviram isso?


MULHER:

Toda a comunidade está falando disso Lurde… é verdade?


LURDINHA:

Mãe entenda! Eu fiz isso por vocês! Para ajudar com o médico e …



Um tapa é desferido no rosto de Lurdinha que olha para sua mãe surpresa e com lágrimas nos olhos.



MÃE:

Deus todo poderoso… Não acredito que te criei para isso! Fiz de tudo por essa menina para ela se tornar isso? Eu tenho nojo de te chamar de filha!- Ela põe a mão no peito e respira fundo.


PAI:

Querida você se sente bem?- a mulher gesticula que sim com a cabeça- Olha quanto desgosto você deu para sua mãe menina! Não queremos uma vagabunda debaixo de nosso teto! Sai já daqui!

Seu pai abraça a mãe e saem juntos do quarto deixando um Lurdinha congelada e sem quaisquer reações.



CENA 5–RUA/ INT / MANHÃ



Renata andava distraidamente em uma rua movimentada do centro, aquele era seu dia de folga e ela iria comprar algumas roupas e tomar café da manhã com a mãe. O que na sua opinião era a pior coisa a se fazer.

A garota para e admira um vestido em uma vitrine, quando sente sua bolça sendo levada. Quando olha, um rapaz corre levando todo o seu dinheiro e documentos!



RENATA:

Volta aqui seu babaca!- A menina corre atrás dele- Socorro! Estou sendo roubada!



Mas ninguém parece se importar, o que faz a garota fervilhar de raiva.



O ladrão vira a esquina e entra em um beco, Renata sente um medo súbito de algo lhe acontecer em um beco qualquer, mas mesmo assim acaba entrando no beco fedido.



RENATA:

Ei! Devolva minha bolça seu babaca.



Mas o ladrão está de joelhos com as mãos no peito, parece prestes a desmaiar.



RENATA:

Ei… Você está bem?



Mas o rapaz cai no chão inconsciente. Renata se debruça e pega sua bolsa. Seu primeiro pensamento é se virar e ir embora, mas acaba pegando o celular e ligando para uma ambulância.

Se vira e encara o homem ali caído. Ele é magro, mas de certa forma bonito. Ali em um beco qualquer, Renata espera uma ambulância, para salvar a vida daquele ao qual tentará roubar… Pensando bem, era melhor ali, do que em qualquer lugar com sua mãe irritante.



CENA 6–APARTAMENTO DE ISADORA/ INT / MANHÃ



“Você é a avalanche

Um mundo distante

Meu faz-de-conta

Enquanto estou acordada(…)

Tudo o que eu podia ver era branco

Minha salvação

Minha, minha

Minha salvação

Minha, minha”

Gabrielle Aplin-Salvation



Isadora se levanta, lava seu rosto e olha seu reflexo no espelho. Se cabelo está completamente desalinhado e ela tenta por os fios no lugar mas acaba perdendo a paciência e volta para o quarto a procura de sua prancha. Repasse novamente o que deveria fazer naquele dia: Compras, arrumar o apartamento…

Ela troca de roupa, pega a bolsa e se lembra do celular, o encontra perdido no amontoado de cobertas, uma mensagem de Lipe da noite anterior, não lida aparece na tela.



“Querida Isadora,

Não se reprima, pode me contar qualquer coisa que eu irei escutar, porque eu farei qualquer coisa por você. Eu entendo essa coisa de amor não correspondido, sei até bem demais, querer que cada sorriso daquela pessoa especial seja direcionado para você. Querer ver aquela pessoa bem e chegar ao ponto de querer a felicidade daquela pessoa acima da sua. Eu sei bem disso Isadora, porque eu faria qualquer coisa por você.

Então nesse momento vou lhe dizer as coisas que amo e odeio, okay?

Eu amo como você é engraçada, forte e determinada.

Amo quando você luta com todas as suas forças e não abaixa aguarda para ninguém, seu irmão te ensinou bem como se defender.

Amo como você parece ser durona por fora, mas seu interior é tão meigo e delicado e o pior é que você nem se dá conta disso.

Amo tudo em você, seu irmão sempre falava da irmã caçula e eu já te amava antes mesmo de te conhecer…

Mas eu odeio, não estar perto de você.

Odeio qualquer pessoa que te faça chorar.

Odeio não te proteger adequadamente.

Odeio… Odeio um mundo onde você não esteja.

Seu, Lipe.”

Isadora sentou-se na cama e seu coração batia com força. Algo naquelas palavras a fazia se aquecer por inteiro. Apertou com força o celular perto do peito e sorriu sozinha.

Porque deveria se comportar assim? Ela amava o Erik não é? Porque estava tão feliz com aquela confissão de Lipe?

Alguém bateu na porta tirando-a de seus pensamentos. Ela correu e abriu a porta dando de cara com um rapaz alto, de óculos e muito bonito.



RAPAZ:

Temos que ir embora daqui já!


ISADORA:

Oi? Porque eu deveria ir?


RAPAZ:

Isa não temos tempo! Eles estão vindo atrás de você! Junte suas coisas e venha comigo!- Disse isso adentrando no apartamento e indo até o guarda-roupa da garota.


ISADORA:

Espera um momentinho. Quem está vindo atrás de mim? Porque eu deveria ir com você? Eu nem te conheço!


RAPAZ:

Seu irmão queria que eu te protegesse deles!- Disse isso sem olhar para ela, jogando algumas peças de roupa encima da cama e procurando uma bolça.


ISADORA:

Que papo maluco é esse? Quem é Você?- Ela já estava se preparando para chutar outra virilha descuidada, quando o rapaz de repente parou e a encarou nos olhos.


RAPAZ:

Meu nome é Felipe… Eu sou o Lipe.

Notas finais
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