Notas iniciais
Olá lindões de plantão ♥ Eis que retorno com a corda toda com mais um capítulo (Ouça palmas) Então no mais aproveitem e espero que estejam gostando da história ♥ esse cap é meu preferido até agora kkkk

CENA 1 –CASA DE RENATA/ INT / NOITE

“Mas eu não sou bonita, não de perto, pelo menos. Quanto mais as pessoas se aproximam de mim, menos me acham atraente.“(Cidade de Papel -John Green)

Renata está debruçada sobre sua escrivaninha e escreve em uma folha de papel. Da cozinha pode ouvir alguns gritos de sua mãe.

MÃE: Já não sei o que fazer com essa garota! Tem um futuro pela frente, ao invés de fazer faculdade como as irmãs e de arrumar uma rapaz direito para namorar. Trabalha como garçonete naquele lugar fedido e passa as noites vadiando por ai.

PAI: Deixe-a Margaret! Ela já é adulta o suficiente para resolver o que fazer com a própria vida.

Desde que Renata se entendia por gente, sua mãe tentava controla-la. Na cabeça de Margaret, Renata era uma boneca a ser vestida e conduzida por ela. Tudo o que a menina procurava era uma maneira de contradizer sua mãe e achar a independência através de seus próprios meios.

MARGARET: Uma menina tão bonita e desperdiçada! Poderia ter o mundo aos seus pés.

Renata se levanta e olha o céu da janela. Em suas mãos agora a folha de papel se encontra amassada.

RENATA: “Mas eu não sou bonita, não de perto, pelo menos. Quanto mais as pessoas se aproximam de mim, menos me acham atraente.“- Ela cita um trecho de um dos livros do qual havia lido- Minto até para minha melhor amiga, que nem imagina que sou rica.- Ela diz pra si mesma.

CENA 2 – MOTEL/ INT / NOITE

A voz de Lurdinha recita “Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora. (Morangos Mofados, conto Luz e Sombra — Caio Fernando Abreu, pág. 70) Na cama seu corpo nu debaixo das coberta está estendido, seu rosto é uma tela branca e totalmente sem expressão.

Mais uma noite nos braços de alguém, sem sentir nada além do próprio desgosto. O quarto é luxuoso e um homem sem camisa fuma um cigarro na sacada.

DESCONHECIDO: Você já pode ir… Deixei o dinheiro na mesinha ai ao lado da cama.

Sua voz despreocupada só constata o que Lurdinha a muito já sabia: Ela era apenas um mero objeto. Ela se levanta, põe seu vestido e amarra os cabelos, lança um último olhar para o homem, pega o dinheiro e bate a porta ao sair. Teria que pegar um taxi para voltar para casa, onde seus pais já estariam dormindo.

CENA 3 – CASA DE ERIK/ INT / MANHÃ

“Queria ser uma criança de novo, meio selvagem, livre e atrevida, rindo das injúrias em vez de enlouquecer por causa delas.” (O morro dos ventos uivantes — Emile Brontë)

Na cozinha espaçosa de Erik, Isadora fatia alguns legumes para o almoço. Não o havia visto ainda. Ao que tudo indicava ele ainda estaria dormindo. Já eram 11:00 horas e ela já havia limpado a casa e agora adiantava o almoço sem nem ao menos saber se ele estaria ali para almoçar. O email de Lipe ainda fervilhava em sua mente, mais Isa decidira o ignorar. Talvez Lipe apenas estivesse com ciúmes de sua relação com seu novo patrão. Isa agora decidira que se esforçaria para que Erik gostasse dela.

DESCONHECIDA: Ah! Que cheiro bom!- Uma mulher loira irrompe pela cozinha vestida apenas de uma camisa enorme masculina- Que fome!

ERIK: Isa cozinha muito bem…- Ele está com os cabelos molhados, como se tivesse acabado de sair do banho- Ei serva, a comida ainda não está pronta? Estamos famintos.

Isadora congela e encara os dois, ainda processando o que os seus olhos viam. Erik havia passado a noite com aquela mulher? Dentro de si sentiu seu coração pesar como chumbo e a raiva começar a fervilhar.

ISADORA: Se está tão apressado assim venha e faça você mesmo!- Ela diz sem olhar para ele.

DESCONHECIDA: Que empregada mais mal educada você tem!

ISADORA: Não sou obrigada a escultar isso! -A garota acaba cortando o dedo- Ah! Merda!

Erik vai até Isadora e fita os dedos cortados da menina.

ERIK: Vem, deixa eu fazer um curativo.

ISADORA: Não obrigado, vá com a sua namorada!- E sai andando.

DESCONHECIDA: E nosso almoço?

ISADORA: Venda seus silicones e compre algo pra comer!

Ela vai para sala mais Erik a segue.

ERIK: Você se lembra que é minha empregada? Sabe que posso te demitir se continuar a ser petulante assim com as visitas?

ISADORA: Até parece! Acho que foi você que se esqueceu que estou aqui só para pagar a porcaria de uma divida!- A garota o olha nos olhos desafiadoramente- E até lá patrãozinho, não ligo de fazer sua vida um inferno!

ERIK: Está com raiva porque dormi com aquela moça?-Ele diz com um enorme sorriso de cafajeste.

Isa é pega de surpresa e serra os punhos, quando toda sua raiva vem a tona.

ISADORA: Eu não ligo para que biscate você trás para sua casa! Eu nem ao menos ligo para você, seu babaca! Fique logo careca!

ERIK: Você gosta de mim!- Ele diz se aproximando dela.

ISADORA: Quem iria gostar de um viciado babaca como você? Que logo logo vai ficar careca!

Erik sorri, achando Isadora adoravelmente petulante, e antes que Isadora pudesse fazer algo ele a beija, pegando-a desprevenida!

Enquanto ela o encara totalmente vermelha e sem palavras, ele se afasta, mas antes que chegasse a cozinha lhe mostra a língua e diz:

ERIK: Essa é sua punição! Se não gostasse de mim não teria retribuído. É tão divertido brincar com você…

CENA 4 – EM UM ESCRITÓRIO EM ALGUM LUGAR.../ INT / MANHÃ



“A perda não é uma ausência. É um mar brutal constantemente vivo, exige forças muito além do que posso prometer” (Myrian Campello)

O escritório é bem iluminado, um homem está sentado de costas em uma cadeira, no chão um rapaz franzino está caído e olha assustado de um lado para o outro. Ao seu lado um homem alto e forte aponta-lhe uma arma.

HOMEM DE COSTAS: Um caminhão de drogas apreendido… Uma das quadrinhas investigada e denunciada. Tem ideia do prejuízo que tive? Do investimento?

Estou esperando uma boa desculpa.

RAPAZ: Um agente duplo Senhor… Não fazíamos ideia.- O rapaz diz com a voz esganiçada- Ele era da policia.

HOMEM DE COSTAS:POUCO ME IMPORTA!- Ele grita autoritário e o rapaz se encolhe no chão.- Deveriam ter mais cuidado com quem entra e sai! Alguém tem que sofrer as penalidades.

Homem de pé chuta o rapaz e solta um gemido de dor e olha assustado.

HOMEM DE COSTAS:Livre-se dele! Não posso deixar que algo como isso se repita novamente.

O capanga pega o rapaz pelos braços aos solavancos, mas antes que saíssem o rapaz grita:

RAPAZ:TENHO INFORMAÇÕES SOBRE SUA FILHA!

O homem gira a cadeira e fica de frente para todos, ele tem cabelos negros e penteados para trás, sua pele é levemente morena e em seu rosto uma barba por fazer, Ricardo dá um sorriso debochado e completa:

RICARDO: Não há nada do qual eu já não saiba… Tenho alguém que me mantem constantemente informado.- Ele se levanta e caminha, ficando de frente para o garoto.- Mais infelizmente, para você- Ele diz lentamente passando a mão no rosto do menino e indo de encontro ao pescoço do mesmo, apertando violentamente- Essa não é uma informação que qualquer pessoa deveria ter…- O rapaz geme lamentando do que acabara de dizer, Ricardo se dirige ao capanga e profere sua sentença final- Mate-o.

CENA 5– LANCHONETE/ INT / TARDE

“Quantas vezes terei que viver as mesmas coisas em situações diversas?” (Clarice Lispector)

RENATA: ELE O QUÊ?- A Garota diz com a voz alta, Isa olha para todos os lados, para ver se algum cliente havia escultado- Ele te beijou? Amiga que coisa maravilhosa, você fisgou o bofe!

Era um dia da semana movimentado e após servir incontáveis mesas, as duas estavam fazendo uma pequena pausa, da cozinha era possível ouvir Lena brigando outra vez com Gustavo.

ISADORA: Não é algo que eu deveria me alegrar… logo após me beijar ele disse que era divertido brincar comigo. E foi almoçar com a lambisgoia com que havia dormido. Estou pensando seriamente em colocar creme depilatório no shampoo dele.

Renata dá uma gargalhada, mas se contem quando percebe que todos os clientes as encaram.

RENATA: Nossa uma cafajeste irresistível… Faz tanto o meu tipo.- Ela recebe um olhar acusatório da amiga e prossegue- Você tinha razão quando disse que ia se machucar… Porque não para de trabalhar lá?

ISADORA: Eu pensei nisso, mas tem a minha divida, e eu também não quero me dar por vencida… Aquele babaca acha que pode brincar comigo, mas está muito enganado.

RENATA: Amiga… você tá me dando medo agora.

ISADORA: Ele que deveria ter medo.

A menina encerra a conversa para servir outra mesa e em sua mente vários planos mirabolantes se passam… Erik iria se arrepender de ter nascido. Um pensamento lhe cruza a mente… Ela deveria falar sobre esse acontecimento com Lipe?

CENA 6– QUARTO DE ERIK/ INT / TARDE

“Odiar o próximo é fácil, e até pode ser um alívio. Odiar a si mesmo é muito pior: é um sentimento insuportável.” (Javier Moro)

Na escrivaninha amontoados de papeis, no chão latas de cerveja vazias.

Erik está caído na cama olhando o teto. Em sua mão está seu telefone, com uma mensagem na tela:

“Cadê o relatório de hoje sobre a garota?”

Erik não sabia ao certo o que escrever em seu relatório diário. Ele havia se traído. No momento em que havia visto Isadora com aquela aura de ciúmes, aquele olhar petulante e completamente adorável, havia se deixado levar. Não podia confiar agora em si próprio e sobre tudo deveria se lembrar do porque de estar ali.

ERIK PENSA “Ela é só trabalho…”

Em sua mente repetia incontáveis vezes a cena do beijo, e as sensações causadas em seu corpo. A macies dos lábios de Isadora nos deles. Toda aquela pose de durona, que escondia toda a fragilidade da menina.

Sim ele estava brincando com fogo. Não havia a minima chance de Isadora continuar gostando dele depois que soubesse quem ele realmente era, o que ele estava realmente fazendo por suas costas.

Com um movimento rápido ele joga o celular na parede, que se espatifa no chão. Erik fecha os olhos… Desejando nunca mais abri-los.

Notas finais
Olá lindesas... Tenho poucos leitores, mas nem por isso devo desistir não é verdade? Quem espera sempre alcança e quem alcança sempre... sei lá kkkkk Obrigada ao meu leitor que me dá muito animo para continuar... Esse capítulo também é para você. Acho que a história é para você, então sinta-se honrado kkkkk