Notas iniciais
Olá meus lindinhos ♥ AmoAdoro vocês...
Bemmm essa história foi inscrita como novela. Sei que muitos não gostam desta forma de escrita, mas deem uma chance, plissssss !

No mais apresento-lhes... Anjo Negro.

CENA 1 – APARTAMENTO DE ISADORA/ INT / NOITE

E-MAIL:“Querido Lipe…

Me sinto tão sozinha. Essa casa vazia só faz minha tristeza ecoar por seus cômodos frios. Eu deveria ser grata pela vida e parar de atormenta-lo com toda essa minha Bad. Estou rodeada de pessoas que sorriem sem ao menos ter conhecimento de meu inferno pessoal...Mas não tenho mais a quem recorrer, você é o único que me resta e mesmo sem nunca tê-lo visto confio em você. Depois que meu irmão se foi, a única coisa que me restou foi você. Tenho esperanças de poder conhece-lo um dia.

Suas palavras de conforto é o que me dá forças para enfrentar mais um dia. A rotina no meu trabalho me mantem longe daqueles pensamentos. Mesmo sabendo que quando meu turno acaba tenho que enfrentar minha triste realidade. Guilherme não vai voltar. Meus pais não vão voltar. E as vezes… Quase sempre… Eu também quero me perder.

Isadora Marciel”

E-MAIL RESPOSTA— “Querida Isa…

Sei exatamente como se sente. Seu irmão era uma pessoa gentil e possuía um coração enorme. Sempre tinha as respostas certas e cozinhava como ninguém. Também sinto a sua falta.

Mas quando a tristeza invade meu peito e as lembranças me tomam eu me lembro de sua bondade e em como ele gostaria que seguíssemos em frente. Tudo o que aquele idiota sempre quis foi a felicidade da irmã caçula dele. Eu estou aqui para garantir que esse desejo se torne realidade.

Mesmo não estando ao seu lado, e não a vendo pessoalmente, eu a estimo muito. Então não nos decepcione (A mim e a seu irmão) Seja forte e passe por isso.

E mesmo que não me veja estarei sempre aqui. Não se perca!

Lipe”

Isadora(Uma garota baixinha de 19 anos, cabelos curtos e com algumas luzes, olhos alegres e castanhos) enxuga as lágrimas sorrateiras que lhe haviam escapado. Gentilmente coloca o polegar sobre a tela do celular, como se em uma prece silenciosa. Aquelas palavras era o que precisava para encarar o dia que logo iria amanhecer. Mesmo sem expectativas, ela iria tentar. por ele, alguém que nunca havia visto, ela continuaria a respirar



CENA 2 – LANCHONETE / INT / MANHÃ DIA SEGUINTE

Era um dia cansativo como qualquer outro. Isa limpava mesas encardidas e cheias de restos de comida. O cheiro de gordura velha vinda da cozinha enchia suas narinas, no teto o ventilador rangia e seu som se misturava ao noticiário da tv que estava presa em um suporte no canto da parede.
JORNALISTA —As enchentes em São Paulo continuam- A voz da jornalista ressoava- Até o momento o prejuízo…

CAMINHONEIRO —Moça!- Um caminhoneiro pançudo e careca rosnou de uma das mesas- Mais café!

“Se continuar a comer assim irá explodir seu saco de banhas”

ISADORA—Já irei buscar…- Isa sussurra e vai atrás do pedido.

ISADORA— Café para mesa 3.

GUSTAVO— Essa saia te deixa com um corpão Isa… — Um moleque de 20 poucos anos, cabelos bagunçados, moreno e magrelo.

LENA—Não me provoque Gustavo!- a cozinheira baixinha e de idade avançada resmungava do fogão- Faça logo a entrega e pare de paquerar as garçonetes.

GUSTAVO —Tia Lena relaxa… Ainda vou me casar com a Isa e você será madrinha!

ISADORA— No dia em que eu morrer case-se com meu cadáver, imbecil.- Aquele moleque lhe dava nos nervos, ainda por cima por ela saber do romance secreto dele com uma de suas colegas.

LENA— Aqui está o café…-Renata uma garota enorme de olhos esbugalhados e sorriso travesso, irrompe na cozinha eufórica e tromba na cozinheira- Cuidado menina!-Lena dá bronca.

RENATA— Isa você precisa ver o motoqueiro gatinho que chegou agora.- a garota fala com empolgação- Ele é lindo demais!

CAMINHONEIRO— Meu café!- o grito do homem pôde ser ouvido da cozinha.

ISADORA pensa “Minha cabeça vai explodir com essa falação dos infernos” Lena entrega a xícara e a garota sai para entregar. O tempo pareceu congelar quando Isa fitou o homem sentado no canto do salão. Ele tinha cabelos loiros e bagunçados, e de alguma forma, mais bonitos que os dela, era alto e musculoso. Usava jaqueta de couro e tinha um cigarro na boca. Seus olhos eram verdes e ela havia percebido isso porque eles a encaravam. Ela estava parada encarando um completo estranho. Corou e correu em direção ao caminhoneiro rabugento.

CAMINHONEIRO— Você foi plantar um cafezal garota?

ISADORA— Sinto muito senhor…

RENATA— Em que posso servi-lo?- Isa esculta a menina se dirigir ao motoqueiro, mesmo de longe pode sentir o duplo sentido nas palavras de Renata.

MOTOQUEIRO— Cerveja.- Ao contrario da aparência a voz dele era suave. Isadora novamente percebeu que estava parada como uma pateta olhando de soslaio uma última vez, correu para cozinha.

GUSTAVO— Isa você está bem? parece tão vermelha…

LENA— Esse garoto… Já fez as entregas?- beliscou Gustavo e se dirigiu a Isa de maneira maternal- Querida, não se esforce tanto. Sente-se e descanse.

ISADORA— Estou bem!- O que diabos estava acontecendo com ela? Malditos hormônios femininos! Ela havia corado… Quem diabos ainda fica vermelha por causa de um carinha? porque culpava o diabo? Se bem que o calor que agora sentia só podia ser obra do próprio satã… Sentou-se em um banquinho para recuperar o folego. A cozinheira lhe entrega um copo com água que a menina aceita sem falar nada. Ficou assim por alguns minutos, esperando o homem ir embora, não sabia o motivo para se portar de forma tão idiota, e isso a deixava ainda mais frustrada. Respirou fundo e preparou-se para voltar quando um grito de mulher a assustou. O que mais poderia lhe acontecer?



CENA 3 – FAVELA SANTA INÊS/BAR DO JUAREZ/ INT / MANHÃ

Se existia uma coisa que Chico(Baixinho, moreno, pançudo por conta das bebidas e sua cara lembrava um ratinho, 33 anos) não podia reclamar era da boa vida. Ele era um cara esperto e em sua opinião: Bonito pra dedeu. Moreno sensual, corpinho irresistível e um rosto lindo como um pecado. Na sua, humildíssima opinião, Lurdinha(Negra, magra, de cabelo black, 28 anos ) estava no papo. Apaixonado pela neguinha desde de que ela havia rebolado perto dele. Chico sonhava todos os dias com aquela mulher.

CHICO— Tô te falando Juarez… Ela sorrio pra mim “Homi”- Diz enquanto bebe uma “Branquinha” .

JUAREZ— ahã! “Cê” ainda vai entrar numa furada por causa dessa mulher aê Chico!- Dono do bar, homem de 63 anos de cabelos brancos e olhos bondosos- Ouvi dizer que o Digão tá interessado nela! Tu sabe que com esse tipo de pessoa a gente não brinca…

CHICO— E daí? Ein? Uai… Se ela não quiser ele, ninguém pode obrigar ela a…

JUAREZ— Chico… -ele sussurra- Com dono de morro não se brinca! Se ela quiser, bem… se não quiser, vai ter que querer!

CHICO— Não é coisa certa!- Ele se levanta apreensivo- Eu “num” vou deixar a Lurdinha passar por isso nem a pau! Na vida da gente, quem manda é a gente!

E assim pensava o homem de corpo de homem e alma de menino.

CENA 4 –FAVELA SANTA INÊS / SALÃO DA CIDA/INT / MANHÃ

Lurdinha estava fazendo a unha para o baile do dia seguinte, embora todo o salão estivesse barulhento pelas conversas paralelas de tantas mulheres, por ironia, era exatamente aquilo que precisava para calar sua mente. Aquelas fofocas desinteressantes afastavam da sua cabeça aquele problema que tanto lhe afligia. Constantemente olhava para todos os lados para certificar-se de que aqueles olhos castanhos não a observavam. Só de pensar, um calafrio se passava por seu corpo.

Ela já o havia rejeitado! Mas que droga de homem persistente! O pior era aquela sensação de que não havia nada que poderia ser feito. E isso a deixava fula da vida.

MANICURE— Lurdi?- a manicure perguntou a despertando de seus pensamentos- Cê vai querer que cor?

LURDINHA— Azul.

Olhou para o céu azul do lado de fora. Nunca havia desejado tanto ser um pássaro e voar céu a fora. Infelizmente estava presa naquele lugar. precisava aguentar as pontas e ajudar seus pais.

“Só mais um pouco, só um pouco mais de tempo”

CENA 5 – LANCHONETE / INT / AINDA NAQUELA MANHÃ

Tempo… O que realmente define o tempo? As vezes tão demorado, e em outras ocasiões tão precioso. Talvez tudo o que Isadora queria era um pouco mais de tempo ao lado de seu irmão.

RENATA— Olha Ricardo, acabou okay?- A menina discutia do lado de fora da lanchonete com um homem corpulento que a segurava com violência!- Será que não entende isso?

RICARDO— Só vai acabar quando eu disser que acabou!

ISADORA— O que está acontecendo aqui?- Isa logo havia descoberto a fonte da gritaria, e a julgar pelo rosto vermelho da amiga, ela havia levado um tapa.- Seu bastardo! Que merda acha que está fazendo? Batendo em mulher?

RICARDO— Isso não tem nada a ver com você!- O homem a fitava com raiva- Sai daqui!

Isadora ignorou o aviso do cara e se pôs entre o casal, quando Ricardo ia avançar contra ela, Isa chutou sua virilha e logo depois sua barriga. Seu irmão fizera bem em lhe ensinar defesa pessoal. Só o que Isa não havia previsto, era que o homem cairia bem encima de uma moto ali estacionada, As duas mulheres olharam espantadas quando moto e homem iam ao chão.

RENATA— Poxa Isa… Você é o Batman?- A menina ria enquanto seu ex-namorado urrava de dor.

ISADORA— Idiota… Não é hora para brincadeiras…-Ricardo agora se levantava com o rosto repleto de fúria. ainda cambaleando investi contra Isadora, que não conseguiu se esquivar a tempo e … Esperou o golpe que não veio e foi assim que percebeu que estava de olhos fechados. Quando os abriu não pode compreender a cena…

A sua frente uma jaqueta de couro tampava sua visão.

CENA 6 – FAVELA SANTA INÊS/ INT / 8 ANOS ANTES

A Casa de Diego (Negro alto de 20 anos) é simples. Algumas roupas espalhadas pelo quarto, livros de medicina amontoados em uma mesinha. O rapaz sonha acordado em ser um grande médico de prestigio… Teve que batalhar durante toda a sua vida escolar para conseguir uma boa bolça de estudo. Sua família era simples, um pai pedreiro e uma mãe costureira, um irmão mais velho carismático e que se espelhava nele.

NANDO —Quando eu crescer vou ser igual ao Digão mãe!- Nando (Negro, 22 anos, magro e de sorriso aberto) ironizava sorrindo- Meu irmãozinho consegue se esforçar e ser ainda melhor do que eu.

PAI—Vai ter que comer muito feijão para conseguir alcançar o Digão meu filho- O pai sorria enquanto enfiava comida na boca.

Diego achava que tinha tudo do qual precisava. Uma família, um lar e um sonho. Pena que uma bala perdida tenha não só matado seu pai… Mas também seu futuro.

NANDO—Uma bala perdida Diego- Nando falava entre soluços- Os “Poliça” invadiram o morro, papai estava rebocando uma parede de cima de um andaime. Os cara confundiram ele.

A partir daquele dia o coração grande de Digão se tornou tão obscuro, a raiva tomou de conta de sua mente. Entrou para o mundo das drogas e poucos anos depois se tornou chefe do tráfico.

CENA 6 – FAVELA SANTA INÊS/ INT / DIAS ATUAIS

NANDO—Digão, nossa mãe tá te esperando pro almoço- Nando irrompe no barraco de onde o irmão comanda tudo.

DIGÃO—Diz que tô ocupado.

Nando caminha de volta para casa, o sorriso que antes sempre estava em seu rosto, agora se encontra apagado mas do que nunca agora ele havia encontrado seu sonho.

NANDO—Eu vou salvar o meu irmãozinho.

CENA 5 – LANCHONETE / INT / TARDE

RICARDO- Qual é a tua cara? Num se mete nos assuntos dos outros não- O homem reclama para o desconhecido.

DESCONHECIDO— Bater em mulher é contra lei- Ele tira algo do bolço e mostra para Ricardo, que dá dois passos para trás com o rosto branco como cera.

RICARDO— Eu não fiz nada seu “Poliça”...- Dito isso corre.

DESCONHECIDO- Babaca…

ISADORA- Você não deveria deixa-lo fugir!- Diz de braços cruzados e cara emburrada.

DESCONHECIDO- Oi eu sou Erik e de nada…- Ele caminha até a moto caída e a levanta analisando o estrago- Te mando a conta do concerto da moto!

ISADORA- O quê? Isso foi um acidente- A garota se desespera ao perceber que a moto é cara- Não tenho dinheiro para pagar isso.

ERIK- Você pode pagar de outras formas- Ele analisa Isadora de cima abaixo com um sorriso torto.

ISADORA- Canalha.

ERIK- Calma nervosinha… Eu só ia dizer que preciso urgente de uma faxineira…

ISADORA- Ahhh- Ela pensa “Eu esperava algo mais? Como sou tonta… e porque estou desapontada”- Não tenho tempo, tenho que trabalhar…

ERIK- Okay então te mando a conta do concerto amanhã…- Diz enquanto sobe na moto.

ISADORA- Espera... — Ela vira para Renata- Olha me cobre por hoje tá? Eu venho a noite repor meu turno.- A menina só assente com a cabeça e Isa monta na moto de Erik.- Vamos.

E-mail:

“Querido Lipe…

Anjos podem ser criaturas malvadas e perversas?

Quando fui salva por aquele estranho senti uma paz enorme… Porém percebi que até esses salvadores tem seus lados negros.

Me pergunto se esquecerei meu passado e ficarei bem… Mas no momento em que coloquei meus olhos nele o peso em que eu estive carregando desapareceu, mesmo isso sendo completamente insano, me tornarei um pouco má também. Tudo bem largar tudo e sair da linha. Sei que vou me arrepender depois, mas só por hoje me permitirei esquecer tudo. Só por hoje decide seguir…

Meu Anjo Negro.”

Notas finais
Lindos e lindas...
Gostaram?
Deixem seu comentáriooo.
Na Rede Purple essa novela será postada de segunda á sexta... Como preferem que seja postada aqui?
Se houver algum errinho podem me dizer...
Até *-*